O Lado Sombrio do Amor
69 Negociações
Narrado por Jacob
A sala da mansão estava um caos controlado. Homens da polícia entravam e saíam, tirando fotos, fazendo anotações, e discutindo em voz baixa entre si. O detetive encarregado, um homem de terno cinza e expressão rígida, estava com o caderno em mãos, ouvindo atentamente Claire, que sentada no sofá parecia exausta.
— Foi isso que ele disse — repetiu Claire pela terceira vez. — Logan falou que obrigaria vocês, os Black, a entregarem as ações. Que se fosse preciso... faria Jacob ceder, custasse o que custasse.
O detetive assentiu, anotando tudo.
— Ele mencionou alguém mais? Um comparsa? Um local?
— Não... só... ele falou que Jacob entregaria tudo "se quisesse ver a filha e a esposa novamente". — Claire respirou fundo, e seus olhos se encheram de lágrimas. — Foi nesse momento que eu soube. Que ele faria algo. Que não era só ameaça.
Meu estômago virou.
— Então você se antecipou... levou a Sophie pra protegê-la — disse o detetive, mais para registrar do que questionar.
Claire assentiu com a cabeça. Eu não conseguia encará-la, mas no fundo... parte de mim entendia o que ela fez.
O detetive me olhou.
— Sr. Black, considerando as informações e o desaparecimento confirmado de Renesmee Cullen, podemos afirmar com segurança que se trata de um sequestro premeditado. Já acionamos a divisão de crimes graves e começamos a varredura de câmeras no entorno da sua residência.
Eu só assenti. O nó na garganta estava me sufocando.
Nesse momento, ouvi passos apressados e a porta se abrindo.
Heidi entrou, com os cabelos presos em um coque e os olhos arregalados.
— Jacob? O que aconteceu? Por que tantos carros da polícia...? — a voz dela fraquejou.
— A Nessie foi sequestrada. — minha voz saiu firme, mas trêmula. — Logan Young a levou.
Ela levou a mão à boca.
— Meu Deus... Jacob...
Antes que eu pudesse dizer mais, outra movimentação tomou o hall de entrada. Bella entrou com pressa, ao lado de Edward. Ele usava um terno escuro, e a expressão de ambos era de puro choque. Bonnie chegou logo atrás deles.
— Onde está minha filha? — Bella perguntou ofegante. — Alguma notícia?
— Ainda nada — respondi. — Mas temos certeza que foi Logan. Claire ouviu ele ameaçar exatamente isso. Ele quer me forçar a entregar as ações. E vai usar a Nessie pra isso.
Edward me encarou por um longo segundo, o maxilar tenso.
— Ele está querendo terminar o que começou há trinta anos... — murmurou.
Bonnie se aproximou, firme.
— Vamos encontrá-la, Jacob. Não importa onde ele a tenha levado.
Assenti em silêncio. Mas por dentro, a fúria crescia, alimentada pelo medo e pelo amor.
Ele mexeu com a mulher errada.
E vai pagar por isso.
Entrei no quarto de hóspedes e o som do choro de Sophie cortou meu coração. Rachel estava sentada ao lado dela, com o braço em torno de seus ombros, enquanto Rebecca segurava um lenço de papel, tentando conter as lágrimas discretamente.
Assim que meus olhos encontraram os de Sophie, ela se desvencilhou de Rachel e correu até mim, se jogando nos meus braços com um soluço preso na garganta.
— Papai… — sua voz falhou. — Eu quero a mamãe. Por favor trás ela de volta!
Me ajoelhei no chão, puxando-a com cuidado para meu colo. Segurei seu rosto entre as mãos, tentando conter minhas próprias emoções, mas o nó na garganta era do tamanho do mundo.
— Eu sei, minha pequena. Eu sei… — sussurrei, beijando sua testa. — Mas eu prometo… Eu prometo, Sophie… eu vou trazer sua mãe de volta. Custe o que custar.
Ela me olhou com os olhos marejados, apertando meu pescoço com os braços frágeis.
— Ele não pode machucar ela, pai… por favor…
— Ele não vai. — minha voz saiu mais baixa, mas firme. — A mamãe é forte. E eu sou mais ainda quando se trata de proteger vocês duas.
Rachel se aproximou em silêncio e acariciou os cabelos de Sophie.
— Você tem muitos guerreiros do seu lado, querida. E todos nós vamos lutar pela sua mãe.
Rebecca assentiu com os olhos vermelhos.
— Ninguém vai descansar até ela estar em segurança de volta com você.
Sophie fechou os olhos, ainda abraçada a mim. Eu a segurei como se fosse a única coisa que me mantivesse de pé.
Acariciei os cabelos de Sophie com suavidade, sentindo seu choro cessar pouco a pouco até que o sono finalmente a vencesse. Ela adormeceu com a cabeça apoiada no meu peito, os dedos ainda entrelaçados na barra da minha camiseta, como se, mesmo dormindo, precisasse de algo para se segurar.
Meu coração estava pesado, mas não havia espaço para desespero agora. Eu a ajeitei com cuidado na cama, mantendo o silêncio para não acordá-la. Puxei o cobertor até seu queixo e beijei sua testa com a delicadeza de quem prometeu para si mesmo que nada jamais a machucaria.
Dei um último olhar antes de me levantar, e foi nesse instante que a porta do quarto se abriu devagar. Bonnie estava do outro lado, com expressão dura e contida.
— Jacob… — ele murmurou. — Logan está ao telefone.
Meu corpo ficou rígido. Por um segundo, pensei que fosse algum tipo de blefe, mas nos olhos de Bonnie havia certeza. Assenti com a cabeça e saí com ele em direção à sala, com o sangue fervendo e o coração batendo como um tambor.
A sala estava em silêncio, com todos os olhares voltados para o aparelho em cima da mesa. O telefone viva-voz piscava. Bonnie estendeu a mão e apertou o botão. Eu me aproximei e segurei o fôlego.
A linha chiou por um segundo… e então a voz que eu queria esmagar com os punhos encheu o ambiente.
— Olá, Black… — disse Logan, com aquele tom arrogante e frio. — Hora de negociarmos.
Me aproximei do aparelho, minha voz saindo firme, baixa, carregada de fúria contida.
— Onde ela está?
Logan riu. Uma risada cínica, desprezível.
— Está segura… por enquanto. Vai continuar assim, desde que você colabore.
— O que você quer? — rosnei.
— Não vamos nos apressar. Antes de tudo, preciso da sua garantia. Uma reunião, amanhã, às 19h. Só você. E só então falamos sobre… devoluções.
— Eu quero falar com ela. Agora. — exigi, os dedos cerrando em punhos ao lado do corpo.
— Não. — ele respondeu com firmeza. — Você fala com ela… se aparecer amanhã. E leve o que eu quero.
— E o que seria? — perguntei, embora já soubesse.
— 1 bilhão. Em espécie. Sem policiais. Ou se despede da princesa.
A ligação caiu.
Fiquei imóvel por alguns segundos, ouvindo apenas o zumbido no aparelho desligado. Meu peito ardia. Logan não fazia ideia com quem estava lidando.
Bonnie e Edward se aproximaram.
— E agora?
Olhei para eles e respondi com a raiva latejando sob a pele:
— Agora a gente muda as regras do jogo.
Narrado por Renesmee
Acordei com a cabeça pesada, como se tivesse atravessado um nevoeiro denso. O teto de concreto acima de mim era rachado e manchado. A luz fraca entrava por uma pequena janela com grades, alta demais para alcançar. Estava deitada sobre um colchão velho, jogado diretamente no chão frio. Um cobertor fino cobria parte do meu corpo. Era como acordar de um pesadelo apenas para descobrir que ainda estava presa nele.
Sentei devagar. O enjoo subiu no mesmo instante, ácido e sufocante. Levei a mão ao estômago e respirei fundo, tentando conter a ânsia. Ao lado do colchão, uma garrafa plástica de água. Peguei com as mãos trêmulas e a abri, bebendo alguns goles pequenos, apenas o suficiente para acalmar o mal-estar.
Olhei ao redor. Quatro paredes. Nenhum móvel além do colchão. Nenhum som além da vibração distante de motores — talvez de um gerador. Meu coração começou a bater mais rápido. Eu estava trancada.
E então a porta se abriu.
Ele entrou. Logan Young.
O mesmo sorriso cínico que eu lembrava, agora ainda mais assustador. Vestia uma camisa escura e as mangas estavam dobradas até os cotovelos. Seu olhar percorreu a sala até me encontrar sentada, tentando manter a respiração firme.
— Está acordada — ele disse, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
— O que você quer de mim? — minha voz saiu mais firme do que eu esperava.
Ele riu, se aproximando devagar.
— Só estou dando uma chance à sua família de mostrar o quanto você realmente vale.
— Você não vai se safar disso — eu disse, me levantando, mesmo com as pernas instáveis. — Jacob vai me encontrar. E quando ele—
— Jacob… — ele repetiu, debochado, como se o nome o irritasse. — Sempre ele.
Sem aviso, Logan me segurou peloa pulsos e me empurrou com força.
Bati com as costas contra a parede fria e um grito escapou antes que eu pudesse contê-lo. A dor irradiou pelas costelas, e caí sentada no chão, ofegante. Levei a mão às costas e senti o ardor se espalhar.
— Isso é pra lembrar que você está aqui porque subestimou quem eu sou — ele disse, os olhos duros. — Você se meteu em um terreno perigoso. Você estragou meus planos. Agora vai aprender a não se meter com um Young.
— Você é doente… — murmurei, contendo as lágrimas que ardiam nos olhos.
Ele se virou para sair. Antes de passar pela porta, olhou por cima do ombro.
— A água tem um pouco de calmante. Te ajuda a não pensar demais.
E a porta se fechou com estrondo.
Me levantei com dificuldade, tropeçando até a porta de metal. Bati com os punhos, gritei:
— Me solta! Você não pode fazer isso! LOGAN!
Nada.
Apenas o som abafado da minha respiração e o eco dos meus próprios gritos.
Sozinha.
Mas não derrotada.
Eu ia sair dali. Por mim. Pela minha filha. Por Jacob.
— Eles vão me encontrar— sussurrei, encostando a testa contra a porta.
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