Notas iniciais
Amores. Ainda essa.semana prometo atualizar herdeiros da máfia. Só preciso reorganizar as ideias para escrever.


Narrado por Jacob


O dia mal havia começado e eu já estava no elevador da Black Enterprises, ajeitando as mangas da camisa enquanto revisava mentalmente os pontos da reunião. A empresa ainda estava lidando com os rastros deixados por Logan Young, e mesmo atrás das grades, ele ainda causava impacto nos nossos negócios.

Ao sair no andar da diretoria, encontrei Bonnie e meu pai, Billy, já na sala de reuniões. Bonnie estava sentado na ponta da mesa, com uma pasta de documentos à frente, e Billy, de braços cruzados, observava pela janela a movimentação de Manhattan lá fora.

— Bom dia. — Cumprimentei os dois, fechando a porta atrás de mim. — Alguma decisão tomada?

Bonnie levantou os olhos da papelada.

— Estamos aguardando o Solomon. Ele ficou de passar aqui com os pareceres finais da equipe jurídica. Com o bloqueio dos bens do Logan, cada passo precisa ser calculado.

Assenti, sentando-me à cabeceira oposta da mesa. Meu pai virou-se da janela.

— O juiz congelou todos os bens dele, incluindo as ações na empresa — disse Billy. — São 12%, Jacob. Isso pode dar dor de cabeça no conselho se alguém resolver provocar instabilidade.

— Já tem gente perguntando o que vamos fazer com essa porcentagem. — acrescentei, abrindo meu notebook. — Não quero nenhuma surpresa.

Bonnie folheou alguns documentos e apoiou as mãos sobre a mesa.

— Solomon vai sugerir uma redistribuição temporária. Algo legal, protegido por medida cautelar. Se o juiz aceitar, a gente garante que Logan não terá nenhum poder, mesmo indireto, e ainda protegemos o capital da empresa.

Suspirei. Mesmo morto para mim, Logan ainda era um problema em cada canto da minha vida.

— E o restante do material apreendido na casa dele? — perguntei. — Alguma novidade?

Bonnie e meu pai trocaram um olhar rápido.

— Solomon trará isso também — disse Bonnie. — Mas, Jacob... tem algo que pode mexer com mais do que os negócios.

— O que quer dizer?

Antes que ele respondesse, a porta da sala se abriu, revelando

Solomon que abriu a pasta diante de nós com a lentidão típica de quem sabe que o que vai dizer tem o poder de revirar tudo.

— Os federais terminaram de catalogar os documentos encontrados na casa de Logan Young. Entre eles, havia um envelope lacrado com o símbolo antigo da Cullen Corp. Dentro, estavam essas fotos.

Ele deslizou sobre a mesa algumas imagens em preto e branco. Reconheci de imediato o rosto de Carlisle Cullen, mais jovem, ao lado de Logan, sorrindo em um jantar luxuoso. Outras fotos mostravam os dois em uma reunião com executivos e, o mais estranho, numa das imagens, Irina Denali aparecia ao fundo, visivelmente desconfortável.

Bonnie se inclinou, pegou uma das fotos e ficou em silêncio por alguns segundos. Seus olhos estavam fixos, como se tudo estivesse se encaixando de uma vez.

— Eu me lembro desse dia... — murmurou. — Na noite em que Irina morreu... eu comentei com Logan que iria até a casa da Bella. Queria pedir perdão pela briga... Eu nunca fui.

Ele se calou e então ergueu os olhos para mim, pálido.

— Logan nunca matou Irina por querer. Não era ela o alvo.

Meu coração apertou.

— Como assim?

— Logan queria matar a Bella. — Bonnie afirmou, a voz pesada. — E eu... eu apareceria lá. Seria acusado. Carlisle ganharia tudo: as ações da AutoEmpire, o controle das fábricas... e se livraria da mulher que ele sempre odiou por ter sido mãe da filha dele.

Meu pai balançou a cabeça, incrédulo.

— Isso faz sentido... Naquela época, Carlisle estava em guerra velada com você, Bonnie. A Cullen Corp estava prestes a perder força no conselho das montadoras de Manhattan. E se você fosse preso... os Black perderiam o prestígio. Carlisle ganharia os votos e assumiria o controle da maior linha de produção do estado.

Fiquei sem palavras por um instante, digerindo o peso de tudo aquilo. Era como se estivéssemos revivendo um crime mal resolvido... só que agora, com cada peça do tabuleiro visível.

De repente, a porta se abriu. Jess, minha secretária, entrou um pouco apressada.

— Me desculpem interromper... — ela olhou para mim, nervosa. — Jacob... o senhor Vultieri está lá fora. Disse que precisa falar com você. Com urgência.

— Vultieri? — repeti, erguendo as sobrancelhas. — Alec?

Bonnie e meu pai se entreolharam, em silêncio. Eu me levantei, sentindo o estômago revirar. O que mais aquele dia estava prestes a me trazer?


Deixei a sala de reuniões com a mente ainda fervilhando pelas revelações de Solomon, mas a presença de Alec Vulturi na recepção da Black Enterprises não saía da minha cabeça. Ele estava de pé, elegante como sempre, porém com o olhar carregado de algo que eu não soube decifrar de imediato. Dor? Cansaço? Resignação?

— Alec... — chamei, estendendo a mão — me acompanha até minha sala?

Ele assentiu e me seguiu em silêncio pelos corredores de vidro. Ao entrarmos, fechei a porta e indiquei a cadeira à frente da minha mesa.

— Aconteceu alguma coisa com a Nessie? Ou com a Sophie? — perguntei, indo direto ao ponto.

— Não. — ele respondeu com firmeza. — Elas estão bem.

O alívio que senti foi imediato, mas não entendi o motivo da visita.

— Então o que o trás aqui?

Alec se levantou e começou a andar pelo meu escritório, como quem busca coragem no movimento.

— Eu estou prestes a abrir mão da mulher que amo há doze anos, Jacob... Mas que, no fundo, nunca foi realmente minha.

Meu peito se apertou.

— Quando conheci a Nessie, ela estava grávida. Recomeçando uma vida em Annecy. Cansada, machucada, com os olhos carregados de tristeza. Eu a amei à primeira vista... sem pedir nada em troca. Estive com ela no parto, Jacob. Eu fui o primeiro a segurar Sophie. A menina ficou com a gente por sete dias... sete dias que eu nunca esqueci.

Ele me encarou por um momento, antes de continuar.

— E nesses sete dias... eu amei aquela criança como se fosse minha filha. Como se tivéssemos criado aquela família juntos. Quando Sophie foi sequestrada, eu segurei a Nessie enquanto ela gritava teu nome. Enquanto ela te chamava nos pesadelos. Enquanto ela sufocava o próprio amor pra tentar amar a mim.

Tentei dizer algo, mas Alec ergueu a mão com um gesto calmo, porém firme.

— Eu sei que a história de vocês começou cheia de jogos. Com mentiras, vingança, ambição... Mas também sei que você a ama. E ela a você. Isso sempre foi evidente, até quando vocês fingiam que não se amavam.

Ele se aproximou da porta.

— Eu não vim aqui como rival. Vim como um homem que ama uma mulher... e que a ama o suficiente pra deixá-la partir, se isso for o melhor pra ela. Mas dessa vez, Jacob... — ele se virou uma última vez — não destrua isso. Faça valer. Faça direito.

Assenti, sem conseguir dizer uma palavra.

Alec abriu a porta e saiu.

E eu fiquei ali, no meio do escritório, sentindo o peso de tudo o que ainda precisava ser feito... mas, pela primeira vez em anos, com a certeza de que não lutaria mais contra o que sentia.

Eu lutaria por ela.


Narrado por Renesmee


Sentei-me na poltrona do provador com as mãos ainda trêmulas, o vestido pesado demais para o momento. Alec se sentou ao meu lado, calmo... mas com os olhos carregados de verdades que eu talvez não estivesse pronta para ouvir.

Ele pegou minha mão com delicadeza, como quem toca algo que sabe que está prestes a perder.

— Eu ouvi... — ele disse, e minha respiração falhou. — Ouvi a conversa com sua mãe ontem à noite.

Meu coração disparou. Tentei me explicar, as palavras se atropelando na minha garganta.

— Alec, eu... — comecei, mas ele balançou a cabeça e apertou minha mão.

— Não precisa dizer nada, Nessie. — sua voz estava serena, mas firme. — Eu já sabia. Talvez sempre soube.

Meus olhos se encheram de lágrimas. Ele ergueu a outra mão e, com um gesto que partiu meu peito em mil pedaços, retirou a aliança do dedo. Depois, estendeu a mão e a colocou na minha palma.

— Você está livre, Renesmee.

As palavras ficaram presas na minha boca. Alec olhou para o chão por um instante, e então para mim, com ternura e maturidade que só o tempo ensina.

— Eu te amei durante doze anos. Te esperei sem pressa, sem cobranças. Te vi renascer... e agora te vejo encontrar o que sempre foi seu. Mas não dá pra construir um casamento em cima de gratidão, de conforto... quando você não está por inteiro.

— Eu nunca quis te machucar... — murmurei, quase num sussurro.

— E não machucou — ele sorriu, mesmo com os olhos marejados. — Mas seria injusto com nós dois continuar fingindo que isso é suficiente.

Ele se levantou e se inclinou, depositando um beijo suave na minha testa.

— Cuide da Sophie... e de si mesma. E... se tiver coragem, cuide também desse amor que você vive evitando.

Alec se virou e saiu. E eu fiquei ali, com a aliança nas mãos e o coração esmagado entre o passado e o presente.

Livre. Mas com um mundo inteiro de decisões pela frente.