Notas iniciais
Gente, aqui está o epílogo ♥ Ele é pequenino mesmo, é mais um "complemento". Espero que gostem, boa leitura!

Andei de um lado para o outro, sentindo-me ansioso. O barulho de sapatos batendo ao chão, dos aparelhos, o falatório nos corredores e a chegada de pessoas a cada minuto acabou por fazer eu me sentir, de certa forma, sufocado. Eu não estaria assim se estivesse na sala de espera como o médico havia ordenado, mas meus pais estavam a caminho e eles não faziam a menor ideia de como chegar até lá.

Dando uma olhadela no relógio em meu pulso, fiquei ainda mais ansioso pela chegada deles. Minhas mãos suavam e eu andava de um lado para o outro como se tivesse algo em meu corpo que me impedisse de permanecer parado. Foi quando duas figuras de expressões preocupadas– que antes pareciam severas – apareceram perante a mim.

– Onde está minha filha? – Mebuki perguntou sem nem mesmo me cumprimentar antes, o que não me atingiu. Era normal essa preocupação com a filha, afinal, mesmo se desaprovarmos um ato de nosso filho, isso não significa que deixaremos de amá-lo.

– Ela está bem? – Foi a vez de Kizashi perguntar, ele segurava a mão da esposa com força, ambos com o olhar esperançoso e preocupado, encaravam-me como se eu fosse a fonte de todas as respostas que precisavam.

– Não posso afirmar com certeza, Sr. Haruno, ela está em trabalho de parto já faz algum tempo – afirmei, sentido uma nevasca em meu estômago assim que falei a palavra parto, além da incerteza de saber das condições em que minha esposa estava neste momento.

– Onde ela está? – Mebuki perguntou novamente — porque você não está com ela?! – Exclamou chamando a atenção de algumas pessoas que estavam ali. Eu suspirei.

– A senhora deveria saber que nada me faria mais feliz, mas sabe muito bem das condições da gravidez de Sakura – disse, calando ambos os senhores em minha frente – a sala de espera fica seguindo em frente, depois vire à direta e continue seguindo.

Eles assentiram com a cabeça e seguiram o caminho que eu lhes disse sem dizer qualquer outra coisa antes. A ansiedade agora me abraçava como uma amiga e eu já não podia parar de pensar por qual razão meus pais estariam demorando tanto para chegar! Suspirei e olhei para o relógio novamente, passando a mão pelos cabelos e prendendo um urro de insatisfação. Até que senti uma mão pegar meu ombro, fazendo-me virar bruscamente e dar de cara com minha mãe sorrindo para mim ao lado de meu pai que fazia o mesmo. Não demorei a abraça-los, eu estava com muita saudade.

– Querido, o que houve com minha nora? – Mikoto perguntou, a mão ainda posada em meu ombro me dava um apoio que nunca pensei que alguém pudesse me dar. Não num momento como este.

– Mikoto, é melhor irmos até a sala de espera primeiro – meu pai disse e eu assenti com ele.

Andamos os três, lado a lado, e seguimos pelo caminho que eu tinha indicado aos meus sogros momentos atrás. Em todo o trajeto, a única coisa que ocupava minha mente era Sakura e minha filha que estava para vir ao mundo. Eu pedia a Deus que as protegesse, que cuidasse de ambas e que colocasse sua mão perante os médicos, ajudando-os na hora do parto. Era a única coisa que eu podia fazer: pedir à Deus e torcer para dar certo.

Nós adentramos a sala, as paredes cor de gelo, as poltronas marrons e confortáveis abrigando os pais de Sakura e algumas outras pessoas que ali estavam, o piso de um porcelanato creme e apenas três enfermeiros na recepção ali perto. Tudo isso era muito nostálgico. Nos sentamos um pouco afastados dos pais da rosada, pois sabia que meus pais queriam conversar comigo como se estivéssemos a sós.

– Agora sim, nos conte o que houve com Sakura – meu pai disse, sua voz, mesmo que grave, tentava me passar calma, mesmo sabendo que era difícil em minha situação.

– É, que eu saiba, ela apenas tinha um Mioma que dificultava que ela engravidasse, mas isso não fez desta uma gravidez de risco, fez? – minha mãe perguntou e eu apenas neguei com a cabeça.

– Não, nós tínhamos que tomar alguns cuidados adicionais, é claro, mas nunca foi uma gravidez de risco – falei tentando manter minha voz normal para que não transparecesse que eu estava nervoso. – acontece que nós estávamos numa sorveteria, ela tinha tido o desejo de tomar sorvete de abacaxi com pistache e cobertura de caramelo e eu simplesmente não pude negar o pedido. Depois de um tempo conversando, eu fui pagar a conta e pedi para que ela esperasse na mesa para que eu a ajudasse a descer a escada, mas parece que ela viu uma criança muito pequena tentando descer as escadas, os pais estava longe e ela decidiu agir por si mesma. Quando puxou a criança para longe das escadas, ela... – fiz uma pausa, lembrando-me do grito e do barulho que ela fizera no mento – Ela rolou escada abaixo.

– Ah meu Deus, querido, você deve estar se sentindo péssimo – Minha mãe me abraçou novamente, senti um nó apertar minha garganta quase que me impedindo de respirar, meus olhos marejaram, mas eu simplesmente segurei o choro. Eu não poderia me dar por vencido, não agora.

Elas ficariam bem.

– Vai dar tudo certo, filho, nós estamos aqui com você – meu pai disse com uma timidez gigante. Sempre fomos muito fechados um com o outro e só de ouvir esta frase de apoio eu sorri. Eu não sei como pude passar tanto tempo sem eles.

Nós nos aproximamos dos pais de Sakura e, a partir dali, eu fiquei em silêncio. Lembrei-me de momentos que passara com a rosada desde o momento em que a conhecera, lembrei-me do quanto ela estava ali me fazendo feliz e que, aos poucos, eu me tornei parte da felicidade dela, também. Tudo era memorável: nosso primeiro beijo, nossos momentos na psiquiatria, nossa primeira vez e, sobretudo, o momento em que eu a pedira em casamento.

– Sasuke? – ela cortava uma porção de tomates na tábua para fazer uma vinagrete para o jantar. Meus pais viriam para finalmente conhece-la.

– Eu – posicionei-me ao lado dela ficando de costas para a pia. A rosada virou e sorriu para mim por um breve momento, voltando a fitar os tomates e a picá-los. Eles estavam muito bonitos e apetitosos, o que me fez pegar uma pequena porção com os dedos e leva-las até a boca.

– Ei, você não deveria ter feito isso – exclamou sem estar nervosa de verdade.

– Foi apenas um desejo meu, você tinha dito que realizaria o que eu quisesse, lembra-se? – contra argumentei, e isso fez com que Sakura risse.

– Você tem usado essa desculpa desde quando nos encontramos no casamento de Ino, isso não vale – parou de cortar os tomates e se virou para mim, tentando parecer emburrada sem muito sucesso.

– A culpa é sua por não ter dado os desejos como encerrados – assoviei e olhei para o lado, disfarçando.

– Então eu dou por encerrados agora! – fez bico e voltou a picar os tomates, atentando-se a não me olhar.

– Apenas conceda-me um último desejo – pedi, minha voz agora parecia mais baixa e calma. Sakura olhou para mim, os olhos semicerrados como se esperasse que eu fizesse outra brincadeira com ela como era de costume. Mal sabia ela que eu estava falando sério.

– Diga de uma vez e não me deixe neste suspense – colocou ambas as mãos na cintura, esperando com que a bomba viesse.

– Case comigo.

Pensar nisso fez com que eu ficasse, de certa forma, pior. O medo de perde-las tomou conta de mim e então eu peguei o celular, desbloqueando-o. Precisava vê-las de alguma forma que não fosse ilegal ou que pudesse me expulsar do hospital, então infelizmente pude atentar-me apenas às fotos que tínhamos. Algumas de nosso casamento, outras das fases da gravidez de Sakura, que me fizera pensar em como ela me contou que estava esperando um filho nosso.

Ela me ligou com uma voz desesperada. Disse que eu precisava ir até ela com urgência, que ela precisava de mim ou então ficaria louca. Sorri com a lembrança, já que eu fui correndo até a pequena praça que ficava perto de nosso apartamento achando que algo de muito grave havia acontecido. Quando eu a encontrei, ela me abraçou com força e disse que precisava me levar num lugar muito especial... Em poucos minutos, vi-me dentro de uma loja de roupas para crianças.

– O que isso significa? – perguntei, curioso, mexendo num mordedor para crianças como se aquilo fosse muito interessante. Eu não pensei no óbvio, já que Sakura e eu sempre fazíamos charadas um com o outro, enigmas para que possamos descobrir o que de importante iria acontecer.

– Estou grávida

Com o polegar, acariciei o rosto dela na foto em meu celular enquanto meu olhar pairava sobre o barrigão dela no oitavo mês da gestação. Respirei fundo, tentando colocar em minha mente apenas pensamentos positivos! Sakura é uma mulher forte e eu aprendi a ser forte com ela, então nossa menininha será muito forte também.

Seria ela parecida com a mãe ou com o pai? Qual seria seu tamanho, seu peso, a cor de seus olhos, do cabelo, o formato da boca, o tamanho das mãos, dos pés... Eu queria tanto estar presente durante o parto. Queria tanto ter impedido a queda de Sakura para que nenhuma complicação ocorresse durante o parto.

Infelizmente querer não é poder, mas considero a fé uma forma de poder.

– Sr. Uchiha? – Um médico apareceu, ele usava um avental esverdeado e luvas brancas, além da máscara no rosto. Eu me levantei apressado e praticamente corri para mais perto dele.

– Sou eu – falei, meus pais e sogros me acompanharam assim que viram o doutor.

– Sua esposa e sua filha o aguardam no quarto; é uma menina que nasceu forte e saudável, – ouvir aquilo era como se eu finalmente pudesse soltar uma tonelada de granito que eu carregava nas costas. Os quatro pais ali presentes suspiraram em alívio e eu olhei para todos com uma alegria que não me cabia no peito, sorrindo. Minha esposa estava ótima e eu era pai novamente.

Nós nos dirigimos ao quarto com o médico nos indicando o caminho. Antes de entrar, todos nos higienizamos por precaução e o médico pediu que colocássemos apenas o avental esverdeado. Cada passo que eu dava para perto delas apenas aumentava minha ansiedade em vê-las. E então ele abriu a porta e eu corri para perto da cama, pouco me importando com o ambiente.

Sakura estava sentada com nossa garotinha no colo. Ela estava obviamente cansada e deixava isso transparecer por não ter forças o suficiente para esconder, mas, mesmo assim, seu rosto estava iluminado. Um sorriso de orelha a orelha estampava o rosto e seus olhos esverdeados brilhavam como duas das mais belas esmeraldas já encontradas. Ela olhou para mim, os olhos cheios de lágrimas de felicidade.

– Sasuke, ela é linda – ela disse, mostrando-a para mim. Ela era tão linda, tão pequenina e maravilhosa que, mesmo eu já tendo experiência, sua fragilidade deixava-me com medo de pegá-la.

– Ela se parece muito com você, meu filho – Mikoto disse e eu pude ouvir meu pai sorrir logo atrás dela, concordando.

– Querida, estamos tão orgulhosos de você – Mebuki falou por ela e Kizashi, que sorriu e olhava maravilhado para a criança no colo da filha, que a aninhava.

– Eu estou muito feliz – ela disse, chorosa e dirigindo seu olhar para mim. Aproximei-me dela e lhe dei um selinho, pegando nossa filha nos braços com todo o cuidado do mundo.

E então, assim que eu a peguei, ela abriu os olhos tão ônix quanto os meus e eu pude jurar que vira um sorriso em seus pequeninos lábios. No momento, pensei em Keiko e Asako e no quanto elas devem estar felizes por mim agora.

– Vocês já têm alguma ideia de nome? – Fugaku perguntou.

– Bem-vinda ao mundo, Sarada – eu disse com os olhos marejados, sabendo que este era o marco oficial do recomeço da minha vida.

(...)

Quando se passa por muitas coisas na vida, independentemente da idade, da cor, do sexo, do dinheiro e do que se passa, muitas certezas são adquiridas, e estas foram as minhas:

A minha felicidade deve depender apenas de mim mesmo.

Enxergar os problemas de forma positiva traz consequências positivas.

A morte de alguém amado pode levar à promessa de alguém novo.

Pedir perdão e enfrentar os demônios passados faz parte do processo da cura interna, mesmo que seja muito difícil.

Começar algo novo com problemas pendentes tornará este algo um problema no futuro.

Não há nada que o amor não consiga suportar, esperar e superar.

E, por último: Star Wars não é tão ruim assim.

Fim ♥

Notas finais
Gostaram? Muito fofo, né? ♥ Aqui foi mostrado o quinto e último desejo do Sasuke, ele pensando na falecida esposa e filha sem remorso ou dor, apenas na felicidade. É, gente, este capítulo marca agora o final da história e eu espero de verdade que vocês tenham gostado. Eu já fiz texto de agradecimento no último capítulo, e agradeço novamente a todos os favoritos, comentários, tudo! Vocês são lindos e eu espero que eu tenha conseguido passar algo pra vocês de verdade com esta fanfic. Muito obrigada e, já que não posso dizer "Até o próximo capítulo", deixo apenas meu sincero "Até os reviews". Obrigada ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!