O Lado Bom da Vida
18 Conflito Interno
Notas iniciais
Já estávamos descendo. As nuvens aos poucos foram passadas para trás e, sempre que as olhava, tinha a impressão de estar apostando uma espécie de corrida, mas... A vista do céu para a terra era estupendamente magnífica. Como se todos aqueles arranha céus, prédios, ruas e estradas fossem de brinquedo ou, talvez, passasse a sensação de que eu fosse um gigante. Tudo era totalmente diferente da paisagem vista da terra para o céu, onde toda aquela imensidão azul claro parecia um mar coberto de algodão doce.
– Kakashi eu... Preciso de um tempo – eu disse, recostado à cadeira de estofado vermelho totalmente confortável do consultório de meu amigo grisalho. Este me olhava com as sobrancelhas arqueadas e os dedos entrelaçados, além dos cotovelos apoiados à superfície da mesa.
O local era deveras ajeitado. As paredes em um tom de gelo e todos os móveis amadeirados davam ao local um cheiro fraco de verniz, mas aquilo não me incomodava. Era até mesmo agradável.
– O que quer dizer com tempo? — perguntou, ajeitando-se na poltrona em que estava sentado, levando a mão esquerda até o queixo e acariciando o local, como se tentasse entender o que eu havia dito.
– Preciso viajar.
Eu me pegava pensando no diálogo que tivera com Kakashi na semana anterior enquanto estava sentado na cadeira do avião, olhando pela janela do mesmo apenas apreciando o voo por cima de toda aquela paisagem colorida. Calgary é uma bela cidade, se visitada no outono como estou fazendo agora. Não que no resto das estações ela seja feia, mas qualquer cidade do Canadá exposta às mudanças do outono fica belíssima. Cada árvore adquire cores diferentes em tons quentes de laranja, amarelo e algumas até mesmo avermelhadas, contrastando com o verde de algumas que resistem à época. A água calma assemelhava-se a um espelho refletindo toda uma pintura exótica e romanesca.
– E como pode garantir que, se eu o liberar, não fará nenhuma besteira? – o homem de cabelos grisalhos à minha frente perguntou. Uma de suas sobrancelhas, parecendo estranhamente prateadas, arqueou-se e seu olhar cabreiro indicou o quanto ele estava considerando o meu pedido.
– Eu não garanto nada – pude observar a dubiedade no olhar de Kakashi, antes que eu pudesse completar – o que garante isso é sua confiança no trabalho que a Sakura fez, já que você pessoalmente se encarregou de colocar-me abaixo das asas dela, certo?
Observei o avião começar a descer, preparando-se para o pouso. Não demorou muito para que acontecesse, mas agradeci por não ter ninguém conhecido ao meu lado para presenciar eu agarrar-me aos braços da cadeira quando o avião deu seu primeiro baque no chão, acompanhado dos tremores. Fazia força nos braços e impulsionava-me para trás como se aquilo me fundisse à cadeira. É ruim admitir, mas odeio essa parte, mesmo que rápida.
Todos os passageiros desceram do avião, mas eu me dirigi com pressa até o check in, mostrando todos os documentos necessários e pegando minha bagagem, observando-a vir pela esteira – apenas uma mochila pequena, já que eu não passaria mais que quatro dias ali.
Depois de feito, dirigi-me por entre as pessoas apressadas até a empresa de aluguel de automóveis – localizada dentro do aeroporto mesmo — e depois de todo o trauma que sofri depois do acidente e do meu temor de posicionar-me frente a frente com o volante novamente, dei preferências a uma moto. Uma nxr bros 150 vermelha, modelo 2014. Não estava a fim de gastar muito dinheiro e, pelo tempo que eu ficaria lá, um moto simples estava de bom tamanho.
Por estar em setembro, o clima estava mais frio do que quente, mas era algo suportável. Eu trajava uma calça jeans, coturnos pretos e uma jaqueta de couro preto, além dos óculos escuros, que eu não usaria por muito tempo, já que para dirigir uma moto era quase obrigatório o uso de capacete. Enfim.
Com a mochila nas costas, dirigi-me até a saída do aeroporto, subindo na moto e colocando o capacete. Ao dar partida na mesma meu corpo sentiu a diferença. Eu fiquei os últimos 6 anos andando apenas de carro e eu pensava ter perdido a prática com motos, mas felizmente não perdi.
Já fora do aeroporto, um pesar gigante atingiu minha mente. Eu nunca imaginei em toda minha vida que pudesse realmente voltar a este lugar e, nunca imaginaria que ele continuaria tão... Igual. Exatamente idêntico ao dia em que eu me dirigi a este lugar na intenção de ir embora.
Cá estava eu aqui novamente, mas, desta vez, voltando.
A estrada parcialmente vazia era esperada, afinal, quem viajava em setembro? Só desocupados ou, como eu, loucos. Além disso, um lugar tomado pela música country não era tão atrativo assim. Ou era? Bem, isso não importava. No fim das contas ainda existiam pessoas suficientemente interessadas a voltar aqui graças ao Calgary Stamped, a maior festa de rodeio do mundo.
O vento gelado adentrava por baixo das mangas do couro negro e eriçava os pelos de meu braço, causando-me um leve arrepio por todo o corpo. Respirei fundo e continuei meu trajeto em direção ao centro da cidade, queria visitar alguns lugares antes de tomar meu rumo por completo.
* * *
Quase 40 minutos depois de sair do aeroporto, eu me encontrava perto do centro e... Céus, eu havia me esquecido do quanto Calgary era uma cidade calma e repleta de motoqueiros e ciclistas. Parado pouco atrás da faixa de pedestres, eu sentia o olhar indiscreto que os mesmos lançavam a mim, como se eu fosse um intruso – de fato, eu era -. Assim que o sinal ficara verde, acelerei e, virando à direita, eu finalmente havia chegado à 7th Avenue.
Perambulei por lá, procurando o velho estacionamento e, ao encontrá-lo, aliviei-me por não ter de deixar a moto na rua. Adentrei no lugar e, tirando o capacete, entreguei as chaves ao manobrista que sorriu simpaticamente para mim. Em passos rápidos, fui até a recepção para deixar meu nome e deliciar-me com a avenida dos maiores estúdios de arte.
Atrás de uma senhora na fila, esperei pacientemente minha vez.
– Placa do carro – a voz do velho de cabelos grisalhos saiu rouca. Ele nem mesmo me encarava, olhava apenas para o computador enquanto registrava quem entrava e saía do local.
– NYT 2093 – eu disse, ouvindo o barulho das teclas sendo pressionadas, enquanto o idoso, em completo tédio, bocejou.
– Nome, por favor – ele pediu, a voz totalmente desinteressada.
– Sasuke Uchiha – assim que eu disse meu nome, observei as sobrancelhas negras do velho arquearem-se em total descrença, enquanto aproximava os óculos velhos dos olhos e virava o rosto para me encarar.
Cruzei os braços e olhei com certa estranheza o mesmo tirar os óculos, limpá-los e colocá-los novamente por cima do nariz, voltando a me olhar.
– Ora! Menino Sasuke, é você mesmo? – ele perguntou e eu me senti totalmente enleado quando o homem sorriu para mim cheio de felicidade – sou eu, Tazuna.
Arregalei os olhos, pensando no tipo de coisas que o tempo pode fazer a um homem. A última vez que eu vi o velho, eu ainda tinha 17 anos e ele tinha um rosto deveras jovem para alguém de 57. Hoje, parece que havia apenas pele pendurada no osso. O olhar sofrido de alguém que já viveu muito e os cabelos numa mistura de branco e cinza, além das costas curvadas.
Tazuna morava na rua atrás de minha casa junto com os sobrinhos Yahiko, de minha idade, e Kakuzu, da idade de meu irmão Itachi. Costumávamos andar juntos e visitar clubes de Jazz, além do Calgary Stamped, que acontecia sempre na semana do meu aniversário.
– An, Olá – foi a única coisa que pude dizer. Eu nunca fui bom com despedidas, muito menos com reencontros.
– Nossa! Como você cresceu – ele dizia, o sorriso estampado no rosto de pele bronzeada e enrugada – por onde andou? Yahiko vai ficar fascinado ao te encontrar novamente! Passe lá em casa para tomar um cappuccino, vamos adorar sua companhia.
– Ah, eu estava resolvendo alguns problemas, mas... – eu disse, enquanto ele continuava a sorrir para mim – bem, eu passarei lá para ver o Yahiko, de qualquer forma.
– Certo , se for até lá à noite, iremos nos encontrar – ele estendeu a mão e eu a apertei, para que nos cumprimentássemos – e seus pais, como estão?
Aquela pergunta fez com que meu corpo estremecesse. Não pensei que ele perguntaria algo assim, principalmente por eu estar longe há tanto tempo. Parecia que aquele velho estava jogando verde pra colher maduro, por isso decidi ser rápido ali.
– Eu ainda não os vi – respondi e já direcionei-me até a saída, falando por último – vim direto do aeroporto para cá – apontei com o polegar para a mochila em minhas costas e ele apenas suspirou, como se entendesse que eu não quisesse falar mais sobre o assunto – até.
Saí quase que correndo do estabelecimento. Coloquei as mãos no bolso da jaqueta ao sentir o banque do vento em meu corpo e comecei a caminhar pela 7th Avenue, procurando por um lugar específico. Não ficava longe dali, por isso eu não precisei andar muito até encontrar o que buscava.
O lugar se chama Procyon, nome de origem grega dada a uma estrela perto do planeta Júpiter. É um estúdio de arte que recebe obras de diversos aspirantes a artistas que, com suas obras, procuram aproximar coisas ou pessoas. Este era o meu lugar preferido no mundo antes de eu ir embora.
O lugar havia mudado um pouco, mas continuava belíssimo. As paredes, antes amarronzadas, agora estavam em um tom pastel e cheia com uma exuberante textura esponjada que dava certo charme à mesma. Por cima destas, algumas pinturas de estrelas em preto, amarelo e vermelho. Respirei fundo, andando até as grandes portas de vidro da entrada e abrindo-as, percebendo que, por dentro, tudo estava quase igual.
Provavelmente algumas obras já haviam sido vendidas e deram lugar a outras, mas a atmosfera do local continuava a mesma. Calma, acolhedora, agradável.
A atendente veio até mim. Seu avental branco parecia totalmente amarelado e sujo, os cabelos num tom estranhamente azulados ou roxos... Não sei bem como definir, mas seus olhos eram de um tom de mel extremamente claro.
– Está procurando algo específico? – ela perguntou, sorrindo com certa benevolência e colocando alguns fios de cabelo atrás da orelha.
– Ah, não, obrigado – respondi com educação, enquanto ela tirou um cartão que estava num dos bolsos do avental e me entregou.
– Se precisar é só me chamar.
– Certo.
Observei ela ir até o balcão da entrada e depois reparei no cartão branco que ela havia me dado. Seu nome, Konan, estava prateado junto ao número do telefone da galeria e, na parte de trás do mesmo, havia uma estrela roxa e metalizada. Enfim.
Caminhei olhando quadros, esculturas. Obras de diferentes formas e estilos, todas chamando devida atenção a si, mas uma delas acabou por me fazer rir e pensar no quanto o destino era traiçoeiro quando queria.
Aproximando-me da tela de pintura, o nome Sasori no Akasuna me fez estremecer. Eu poderia estar sendo equivocado, sim, afinal ele não poderia ser o único Sasori no mundo, mas... Ao observar aqueles olhos esverdeados pintados ao centro e as sobrancelhas cor-de-rosa familiares, soube que já conhecia o pintor e amodelo que ele usara como referência.
O que fazia uma pintura de Sasori em minha galeria de arte preferida? Era extremamente curioso.
Ela me seguiu até aqui, pensei e suspirei novamente. Talvez uma parte de mim soubesse que é de meu feitio fugir dos problemas quando estes se tornam obscuros. Foi assim quando Itachi morreu, já que fugi da cidade. Foi assim quando Keiko e Asako morreram, já que eu tentei me matar por não aguentar o peso e... Não sei bem o que faço aqui em Calgary. Não sei se estou apenas fugindo novamente, ou voltando para resolver meus problemas e parar de fugir.
Acho que estou fazendo um pouco dos dois, no fim. É.
Mas isso não importa muito agora. Quando encaro novamente aquele olhar profundo, tenho a impressão de que talvez fosse um erro ter vindo até aqui e, por isso, defino que, apesar de eu ter permanecido ali apenas poucos minutos, já estava na hora de retirar-me de Procyon.
Com um aceno com a cabeça, despedi-me da Konan e andei com pressa até o estacionamento de novo, pagando Tazuna e saindo de lá com pressa.
Meu destino agora se seguia até a zona sul da cidade de Calgary. Aos poucos as ruas começaram a tornarem-se extremamente semelhantes e, se eu não conhecesse o lugar como a palma de minhas mãos, me confundiria facilmente.
Todas as casas sem portão, a frente gramada e muros com cerca viva eram características em comum na maioria das casas da cidade onde passei maior parte de minha vida. E, infelizmente, o caminho até o bairro onde meus pais moram tornou-se inexplicavelmente mais curto.
Logo eu estava lá, na mesma rua onde cresci e inevitavelmente pensamentos nostálgicos apossaram-se de minha mente e eu senti como se o tempo não tivesse passado. Como se tudo o que aconteceu fosse apenas um sonho e eu ainda tivesse 17 anos, mas... Aquele pequeno delírio apenas fora jogado de lado e eu estacionei a moto em frente à casa daqueles que eu considerava serem os maiores fantasmas de meu passado.
Caminhei pela grama, tropicando num pequeno degrau de cimento rente à porta. Ficar frente a frente àquela rústica, mas bela porta de madeira escura e envernizada acabara por me fazer sentir um arrepio pela boca do estômago e todos os pelos de meus braços eriçarem-se.
Ergui meu braço direito e fechei o punho com força, pensando se tudo isso era realmente uma boa ideia. E se meus pais não me perdoassem? E se eles nem mesmo me recebessem?
Talvez eles nem me reconhecessem. Talvez... Eles tenham se esquecido de mim.
Mas e se não tivessem esquecido? E se eu estivesse me preocupando a toa?
Respirei fundo e dei meia volta, dirigindo-me até a moto alugada, mas acabando por parar no meio do caminho e girando-me novamente em direção a porta e parando no lugar onde eu estava inicialmente.
Eu nem sabia mais o que eu estava fazendo ali. Entrei naquele avião com a certeza de que eu falaria com meus pais, mas... Agir estava se tornando assustadoramente difícil. Nunca pensei que relutaria tanto apenas para dar duas batidas na porta ou até mesmo apertar a campainha, mas...
– Sasuke? – ouvi uma voz me chamar e puxar-me de volta, expulsando por segundos o meu conflito interno.
O rapaz de cabelos acobreados agora me encarava com um enorme sorriso. Ele usava uma blusa xadrez por cima de uma camiseta branca, jeans surrados e botas próprias para cowboys. Podia ver também seu chapéu pendurado pelo pescoço pelo barbante negro.
– Sasuke, é você mesmo? – pisquei algumas vezes com força e não pude deixar de sorrir ao perceber quem era aquele.
– Yahiko – sussurrei com certa felicidade, correndo até o gramado do vizinho e dando nele um abraço acompanhado daqueles tapinhas masculinos, sendo totalmente retribuído, é claro.
Ele me segurou pelos ombros e me encarou por segundos, coçando os olhos diversas vezes e piscando com força, provavelmente perguntando a si mesmo se eu não era uma miragem ou alguma alucinação.
– Cara, eu não acredito! – ele coçou os olhos novamente e eu ri do quanto ele parecia desacreditado – o que houve? – ele mesmo começou a rir comigo sem esperar alguma resposta, virando-se de costas e gritando – Kakuzu, venha ver! Sasuke está de volta!
Pude ouvir alguns resmungos do lado de dentro da casa, quando o homem mais maduro de olhos verdes e pele mais bronzeada apareceu na porta e acabara por ficar estagnado ali mesmo. Talvez ele também não acreditasse no que estava vendo e ficou por alguns segundos assim, mas... Logo depois que se deu conta do que estava acontecendo, sorriu abertamente e caminhou até mim, cumprimentando-me com um abraço não tão íntimo quanto o de Yahiko.
– Nossa, você mudou muito! – ele começou, analisando-me, colocando as mãos nos bolsos do jeans negro, trajando além destes uma camisa polo verde – por um segundo pensei que seu pai estivesse jovem novamente – ele disse e então Yahiko riu junto a ele – vamos, entre! Vamos conversar.
– É, queremos saber o que aconteceu contigo nesses anos em que ficou fora – Yahiko completou – eu nem sei o porquê de você ter ido! – após ele dizer isso, eu acabei por lembrar-me do motivo de eu ter voltado e então voltei meu olhar para o gramado da casa ao lado.
Senti olhares questionadores perante mim e acabei por suspirar e voltar-me para eles novamente.
– Prometo que me explicarei, mas... – fechei os olhos e suspirei novamente, passando as mãos pelos cabelos e bagunçando-os – agora eu não posso. Preciso resolver, aliás, enfrentar coisas que me atormentaram por todos esses anos em que estive fora.
– Com seus pais, né? – Kakuzu sorriu de forma compreensiva e eu acabei por me lembrar de Sakura, talvez pelo fato de ela sempre sorrir dessa maneira para mim.
– Sim – apenas pude responder isso e logo recebi também um sorriso de Yahiko.
– Certo – ele disse, o punho fechado batendo na palma da outra mão – mas não pense em ir embora sem conversar conosco.
Aquela frase me fez sorrir e agora eu lembrava-me de Naruto.
– Promessa de escoteiro – eu disse e sorri, cumprimentando-os novamente com tapinhas masculinos – até breve.
Dei as costas e, desta vez, quando me aproximei novamente da casa de meus pais, o peso da mochila em minhas costas pareceu triplicar. O ar faltava em meus pulmões e minhas mãos soavam frio pela ansiedade do que estava prestes a acontecer.
Posicionando-me novamente em frente à porta, fechei os olhos e apertei a campainha uma vez.
Duas. Três vezes.
Foi quando ouvi uma movimentação estranha por trás da porta e, segundos depois a mesma se abriu tão lentamente quanto uma tartaruga. Quanto mais ela se abria, mais o ar me faltava e eu sentia como se tudo que eu tivesse feito estivesse muito, muito errado. Como se o peso de tudo estivesse sendo carregado naquela mochila e se equiparado ao peso do chumbo.
Meu coração apertou quando eu vi minha progenitora encarar-me. A palidez de sua pele aumentara gradativamente e contrastava comicamente com o vestido azul e rodado que usava. Suas bochechas não tinham mais aquele rubor belo e natural, alguns fios de seus cabelos estavam grisalhos e olheiras disfarçadas com maquiagem encontravam-se ao redor dos olhos ônix e penetrantes que apenas um Uchiha possuía.
Observei ela abrir os lábios para pronunciar algo, mas as palavras não saíam.
– Sas... Sas... – as lágrimas inundaram seus belos olhos e aquilo fez com que eu fungasse, reprimindo a vontade que eu também tinha de chorar.
– Olá, mãe.
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