O Lado Bom Da Vida
5 Capítulo 4 - Um Pouco da Verdade.
Notas iniciais
Eu ainda estava encarando os olhos cinzentos. Lembrando a mim mesmo como é que se respira. Percebi que o Sr. Grey também não conseguia desviar os olhos de mim. Meu rosto ficou corada, dava para sentir o sangue subir para as bochechas. Com muito esforço eu consegui desviar os olhos e me virar para Sra. Grey, que ainda estava na porta.
– Ana, por favor, siga-me — disse e começou a caminhar com passos longos. Me virei para dar uma ultima olhada nos olhos cinzentos, Sr. Grey sorriu para mim. Eu retribui o sorriso e segui a Sra. Grey pelo o corredor.
– Vem, Ana — ela olhou para trás e sorriu — Quero que você conheça Taylor.
Quem é Taylor? Ai meu deus, será que outro cadeirante? Mas...Mas ela disse que era só o Christian!
– Ana, não fique assustada — sorriu — Taylor é só o assistente de Christian e seu segurança. Mas, Taylor, também cuida do meu filho.
– Oh.
Respirei aliviada.
– Taylor — chamou Sra. Grey.
Um homem de terno preto com cabelos castanhos escuros, apareceu na grande sala. Taylor aparentava ter uns trinta e cinco anos, era bem bonito.
– Aqui, Senhora Grey — respondeu ele e caminhou até nós.
– Quero que você conheça a nova cuidadora do meu filho, Anastasia Steele — ela apontou para mim.
– Prazer conhece-la — Taylor estende a mão para mim e me cumprimenta.
– Prazer — sorri de volta.
–Eu estou indo trabalhar agora — Sra. Grey disse pegando a sua bolsa — Taylor vai te explicar tudo. Muito obrigada, Anastasia por aceitar o emprego — sorriu e saiu pela a porta. Não tive tempo de responder.
– Anastasia — Taylor me chamou — Espero que esse emprego seja fácil para você.
– Oh, eu também espero -nós dois rimos — Mas porque ?
– Porque Christian fez eu demitir todas as outras cuidadoras — ele explicou — A maioria ficava só um mês, Christian fazia um inferno para elas irem embora.
– Porque ele agia assim? — perguntei.
– Porque ele não gosta de mulher que fiquem enchendo o saco dele — respondeu. Ai, essa doeu! — Espero que ele goste de você, estou cansado de ficar demitindo cuidadoras por razão nenhuma. Não fique muito no pé dele, ok?
– Ah, não vou ser não — disse. Isso está realmente muito estranho — Obrigada pelo o conselho.
Taylor começou a me explica aonde fica os remédios do Christian, que por acaso são muitos, ele me entrega uma folha contendo todos os nomes e horários que devem ser tomados. Me explicou onde fica a chave do carro que fica sempre no mesmo lugar, atrás da porta principal, assim fica mais fácil caso haja uma emergência. Me explicou também, se no caso ele não estivesse presente e que Christian quisesse ir no banheiro, era para eu ir acompanhar ele. Foi nesse hora que me senti em pânico, como iria carregar um homem forte daquele em meus braços finos?. Taylor disse que isso raramente não ia acontecer. Me senti mais aliviada. Me explicou também se o Christian estivesse ocupado, assistindo um filme ou lendo, qualquer coisa, é para eu fazer algo que ocupasse o meu tempo. Disse que eu poderia tirar quinze minutos de intervalo a cada uma hora, para não ficar muito puxado.
– Certo — eu já estava me cansando com tantas informações.
– Eu preciso saber se você entendeu tudo certo, Anastasia — Taylor me olhou nos fundos dos meus olhos.
– Sim. Certo — eu disse — O que ele gosta de fazer?
– Ele passa a maioria do tempo sem fazer nada, só fica olhando pela a janela do quarto dele ou fica aqui na sala mexendo em seu computador — olhei para ele confusa — Ana, Christian tem um notebook especial para ele, pode usar ele pelo o comando de voz.
Ah, agora esta explicado...
– Entendi — eu disse — Tem mais alguma coisa para me contar ou mostrar?
– Na verdade eu tenho mais alguma coisa para te contar, Anastasia — Taylor disse e se aproximou de mim. Meu corpo ficou rígido — Só não quero que você se assuste e sai correndo.
Meu sorriso saiu forçado. Taylor me olhou sério. Meu coração começou a bater forte. O que ele queria me dizer realmente parecia sério. Engoli em seco.
– O que é? — minha garganta esta seca.
– Christian já tentou se matar uma vez — ele disse e abaixou o olhar como se estivesse com vergonha de dizer isso.
Puta merda. Eu congelei na hora, meus olhos arregalados. Isso é ruim. Isso é muito ruim. Christian tentando suicídio? Porque?. Agora eu sei o porque a Sra.Grey quer tanto uma cuidadora. Ela quer que eu fique de olho nele o tempo todo para não tentar mais fazer isso. Minha respiração acelera, eu estou entrando em pânico.
Eu não posso fazer isso. Não posso cuidar de uma pessoa com esse tipo de problema.
Me sento no sofá e abaixo a minha cabeça. Eu estou tentando de alguma forma processar essa informação. Agora eu entendo o porque das grades na janela em seu quarto.
– Porque ele tentou fazer isso? — pergunto. Olho pra cima e vejo um par de olhos castanhos me encarando. Tento respirar novamente.
– Porque Ana, ele tinha uma vida perfeita — Taylor se senta ao meu lado e aperta a minha mão. Sinto sua mão gelada e suada na minha, Taylor também esta nervoso com tudo isso — Christian era o tipo de cara que tinha tudo na vida, era rico, tinha mulheres bonitas ao seu lado e ele gostava dessa vida mas... — ele não terminou a frase.
Olhei para ele e perguntei:
– Mas o que?
– Depois do acidente ele decidiu que não queria mais viver — Taylor apertou a minha mão — Disse que não era esse tipo de vida que ele queria, que andar de cadeira de rodas era uma humilhação e não queria isso. Então, depois de alguns dias que ele me contou isso, Christian tentou se matar mas eu cheguei a tempo de salvar ele mas ele ficou gritando "Não era para você ter feito isso, não era para me salvar. Eu quero morrer, deixar eu morrer" e então ele começou a chorar e entrou em depressão — meus olhos se encheram de lágrimas — Depois desse dia eu nunca mais deixei ele sozinho, tentava animar ele mas ele sempre se negava essa ajuda.
Uma lágrima caiu dos olhos de Taylor e eu não aguentei, comecei a chorar. Oh, Christian porque você fez isso?. Taylor limpou as minhas lágrimas com a sua mão e me abraçou.
– Ana não precisa chorar — disse — Eu sei que é muita informação mas você precisa saber dessa historia e eu também precisava contar essa historia para alguém.
–Tudo bem, Taylor — minha voz saiu fraca — A Sra. Grey sabe disso?
– Oh sim, sabe — me abraçou mais forte.
– Mas Taylor, se ele se recusa aceitar ajuda — eu olhei em seus olhos — Qual é a minha função aqui então?
– Oh, Anastasia isso é fácil — disse — Sua função aqui é tentar anima-lo um pouco.
Puta merda.
Fale com o autor