Notas iniciais
Aff, furava que já tinha postado esse cap aqui ¬¬ Ele tá supercurtinho porque meu teclado quebro. Mesmo assim, aproveitem

Eu via ali as velas acesas, os símbolos riscados no chão com giz, a taça e o sangue que ela continha.

Beberiquei o estranho líquido e comecei a murmurar as palavras diferentes escritas no papel. Nada se ouvia naquele porão imundo a não ser minha voz seca e, até então, o bater de portas no andar superior. Sorri com isso.

Então a ventania ficava cada vez mais forte, por um momento pensei que a velha casa iria desabar sobre meu corpo magricela tamanha foi a força que as portas e janelas batiam. O vento era um furacão naquele recinto, meu cabelo agitava-se tomando conta do meu rosto e entrando constantemente em minha boca, impedindo-me de falar. A folha em minhas mãos parecia que iria se rasgar com o vento.

Por fim, ajoelhei-me diante os símbolos, tomei um último gole de sangue e gritei:

— TOLLE ME!

Bastou.

Tudo se aquietou de repente. Apenas minha respiração cansada era ouvida.

— Chamastes?

A voz era alta e clara. Grossa e com autoridade.

Levantei-me e virei-me para a figura vestida em tons de cinza logo atrás de mim.

— Sim. – Minha voz também era firme.

Seus olhos analisaram-me dos pés a cabeça com indiferença, depois estreitaram-se mantendo a mesma linha rígida que estabeleceu assim que colocou os pés aqui.

— O que quisestes?

Respirei fundo, meus dentes trincaram.

— Leve-me. Desejo transitar no mundo dos mortos.

— Não será possível.

Bufei.

— E por que não?

— A partir do momento que vai para o outro mundo, não se é possível voltar – disse ele pausadamente.

— E quem disse que quero voltar?

Ele arqueou uma sobrancelha.

— Se queria apenas morrer, não precisavas fazer todo este alarde. – Gesticulou para o cenário. Revirei os olhos.

— Se morresse, iria para algum lugar, e não é isso que quero. Desejo poder ir para transitar por entre os mundos.

— Creio então que não poderei ajudar.

— Tenho o direito de saber o por quê?

— Não é possível que humanos vá para lá para andarem. Se a levar, tu iras direto para o purgatório.

Assenti, meus olhos estreitaram-se. Tinha um jeito, ele que não queria me ajudar. Estalei a língua no céu da boca, pensando se ele me diria como era possível eu ir para o outro mundo.

— Você sabe – afirmei.

— Ah! – Ele arregalou os olhos, numa falsa surpresa. Confirmou o que eu pensava. – Você sabe.

Continuei a estalar a língua.

— Bem, tem um jeito, mas isso não é comigo.

Provavelmente ele esperava que eu fizesse alguma oferta. Tudo bem, qualquer coisa para por as mãos naquele livro.

— O que você quer? – Minha voz beirava a irritação.

Ele fingiu pensar por algum tempo, talvez tentasse achar algo que fosse impossível d’eu achar. Coitado, mal sabia ele quem era eu. Por fim, sorriu torto e disse:

— As asas de um anjo.

Pisquei. Difícil, mas não impossível.

Mantive minha expressão indiferente e dei de ombros.

— Você tem quarenta e oito horas.

Minha boca escancarou-se surpresa com o prazo tão curto.

— O que? – Protestei; a testa franzida.

Ele apenas sorriu sarcástico e sumiu dizendo:

— Você ouviu.

— Filho da puta.

Virei-me e comecei a recolher os pertences. Apaguei as velas e passei a sola do meu sapato no giz para apagá-lo.

A missão agora era encontrar um anjo. Não é tão complicado, mas se torna quando você só tem dois dias para encontrá-lo, matá-lo e recolher suas asas. Maldito seja aquele que me instruiu a fazer isso.

Notas finais
Vocês sabem o que eu quero, então...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.