P.O.V. Aro.

O poder da criança é fenomenal. Seus estranhos olhos azuis encaram tudo com franca curiosidade.

Ela tem vinte e quatro horas e já consegue escrever seu próprio nome com os cubos coloridos. Ela faz as coisas levitarem só de brincadeira.

—Amy. Oi. Cuca?

A criança começava a fazer cara de choro e a mãe tirava as mãos do rosto e dizia:

—Achou!

Dai ela ria.

—Opa, acho que alguém sujou a fralda. Vamos gatinha, vamos trocar a fralda.

Ela mamava o leite materno e mamava sangue. Os outros tipos de leite ela não queria, não tomava de jeito nenhum, ela cuspia na cara do pobre coitado que tentasse dar.

Estamos aqui a duas semanas e a criança evoluiu mentalmente a níveis nunca vistos.

—O que foi meu amor?

—Ela quer ver os gêmeos. Tem uma coisa para mostrar pra eles.

—Eu posso ver?

Os cubos escreveram a sua resposta.

—Não.

—Ela é direta.

—Alec, Jane.

—Sim mestre?

—A pequena anjinha tem uma mensagem pra vocês.

Ela olhou nos olhos de Jane e estava claro que alguma coisa estava acontecendo.

P.O.V. Jane.

Eu estava vendo, eu podia ver tudo o que eu tinha perdido. Meus pais, minha casa, minha família, o meu vilarejo. Todas as lembranças da minha vida humana.

—Jane? Está chorando?

—Obrigado.

A menininha estendeu os bracinhos para Alec. E olhou no fundo dos olhos dele com seus olhos azuis.

—Você... fez isso?

A menininha deu risada e enfiou a mão na boca.

—O que ela fez?

—Trouxe as lembranças deles de volta.

—Como sabe?

—Amy é andarilha dos sonhos. Como eu. É uma das coisas que fazemos, a outra é viajar para outros mundos, outras dimensões. É tipo um transe. É mais fácil viajar quando estamos dormindo, por isso a Amy não gosta de dormir. Nem todas as dimensões são boas e quando a gente tem um pesadelo a gente não acorda suada, a gente acorda sangrando. Bom, os andarilhos humanos. Mas, isso não impede que a Amy tenha medo.

—Existem humanos que fazem isso?

—Bruxos. Apenas alguns bruxos, é um dom raro. Extremamente raro. Pode ser usado de diversas formas, para confortar aqueles que sofrem ou para fins maléficos.

—Fins maléficos?

—Muito antes de você se quer sonhar em nascer existiu o Império Negro de Asheron, eles eram feiticeiros necromantes e andarilhos dos sonhos. No começo eles eram bons, mas consumidos pela própria ganancia a cidade se afogou no próprio sangue. Eles eram uma das poucas linhagens que possuíam esse dom. O sanguinário Rei Einkil usava seu poder de caminhar nos sonhos para entrar na mente das pessoas e transformar seus piores pesadelos dentro da cabeça delas, arrancar suas memórias mais queridas, o sofrimento causado era tamanho que a pessoa tirava a própria vida.

—Credo.

—Falou a torturadora pessoal do Aro. Sua vida, suas escolhas! Que porra você quer?!

—Você está tentando me ofender?

—Não. Eu não preciso te ofender, você não tem amigos Jane. Mas, tem inimigos saindo pelas orelhas. Todo mundo te odeia, daqui a até o Cazaquistão! Você não tem amigos Jane. Nunca vai ter um bebê, nunca vai casar, nunca vai encontrar um cara que não se cague de medo de você. Você pode ter essa aparência de boneca de porcelana, mas por dentro... por dentro você é muito feia. Você é uma vadia sádica do caralho! Mas, vai ser esse o seu castigo. Seu e do seu irmão, lembrar, lembrar de como era ser feliz e viver no vazio pra sempre, sem nada, sem ninguém que realmente se importe.

Disse a garota apontando o seu dedo par Jane.

—Eu pensei que gostasse de mim.

—To falando isso porque gosto de você. Isso é um aviso.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.