O Jogo dos Semideuses
7 O Treinamento
Notas iniciais
Após um fim de semana descansando, isso inclui muita leitura (li quatro livros, dentre eles o volume único de As Crônicas de Nárnia), e sendo bem alimentada, chegou o dia de começar o treinamento.
Seis da manhã estava pronta, vestida com camiseta preta justa, short e tênis. Malcolm apareceu com uma camiseta folgada e bermuda. Damien chegou acompanhado de Effie e eles nos acompanharam até o elevador. Damien havia dito que Effie buscaria cada tributo pessoalmente.
Quando chegamos ao local onde seríamos treinados, num andar abaixo do térreo, vimos alguns dos tributos a nossa espera. Todos deveriam estar presentes antes dos primeiros começarem a treinar.
Quando os 24 tributos estão presentes, nos autorizam a começar o treinamento.
– Misturem-se! – aconselha Damien – É sempre bom fazer alianças. Escolham aliados que vocês acham que são bons naquilo que vocês não são! Procurem aprender um pouco de cada oficina.
– Não vejo vantagens em alianças! – diz Malcolm – Não quero me unir a alguém que terei que matar dias depois...
– Não pense assim! – Damien reclama – Lembrem que os carreiristas irão se aliar!
Não sei se citei, mas os carreiristas são os tributos dos chalés 1, 5 e 7, três dos mais fortes chalés. Eles sempre se unem para caçar os semideuses ditos mais fracos até que apenas eles restem com vida. Depois disso, começa a verdadeira matança.
“Dane-se!”, penso, dando as costas para Damien e olhando com cuidado as oficinas, analisando em qual eu iria primeiro.
Então, vejo os irmãos di Angelo na oficina de camuflagem e me dirijo para lá.
Sim, eu sei, eles são totalmente antissociais e com certeza serão uns dos primeiros alvos dos carreiristas, mas vejo neles bons aliados.
– Oi! – digo para Bianca. Ela estava distraída, criando sombras ao redor de si mesma enquanto a treinadora, uma filha de Nêmesis que mora em Nova Roma (não, ela nunca participou dos Jogos), observava admirada.
Mal consigo enxergar Bianca agora, em meio a uma escuridão cegante, quando a névoa se esvai e a menina responde.
– Você me desconcentrou!
“Nada amistosa” decido.
Nico se afasta para outra oficina e Bianca o segue. É quando alguém se aproxima por trás de mim. Percy. Ele fala baixinho:
– Pensou?
– Em que?
– Não se faça de boba! – ele responde com uma piscadela – Nossa aliança.
– Damien nos pediu que formássemos alianças... Acho que podemos sim nos unir!
Eu não queria me unir a Percy só porque Damien pediu. Eu queria me unir a ele porque Percy me atrai. Certo, não devia estar assumindo isso... mas seus olhos, sua boca, seu corpo, sua voz. Tudo nele me atraia. E eu prefiro ter que morrer defendendo-o do que ter que mata-lo.
– E então? – pergunto – Quem mais está com a gente?
Viramo-nos para as outras oficinas e Percy vai apontando. Amanda, a menina de 3, que estava aprendendo a subir em árvores. Ellen, a filha de Hécate, que treinava, sem muita coordenação, arco e flecha. Nyssa, a menina do 9, montando abrigos com galhos e folhas secas. E Charles, o garoto do 9, que levantando peso com habilidade.
– Somos então seis ao todo. – eu digo – Contando com Malcolm, somos sete. Mas não garanto que ele queira participar disso.
– Pelo menos somos um quarto dos tributos! Já é alguma coisa. O grupo dos carreiristas também terá mais ou menos o mesmo tamanho.
Separamo-nos em seguida para não dar tanta bandeira.
E assim seguiram-se os três dias de treinamento. Eu passei por várias oficinas. Camuflagem, como fazer nós, como montar abrigos, como acender uma fogueira usando um pedaço de madeira e folhas secas, arco e flecha, subir em árvores, natação e apneia (esta a conselho de Percy), tentei levantamento de peso e arremesso de facas.
Com minha aproximação de Percy, notei que Malcolm está meio afastado. Acho que ele não gosta muito dele... ou de sua ideia de encarar os deuses. Concordo que Percy é bem ousado em pensar algo do tipo.
Chegou a hora das apresentações individuais e ainda não sei o que vou fazer. Bem, o que faço de melhor é calcular e ler, mas isto resultaria em um zero na avaliação dos Idealizadores. Sou até boa com espadas, mas não haverá ninguém com quem duelar. Então penso em tentar atirar com flechas... Foi no que melhor me destaquei nos treinos.
Foram chamando por meio de sorteio. Acabei sendo a última a me apresentar. Quando chamam meu nome, me levanto indecisa e sigo para a sala de análise.
Havia uma série de objetos que eu poderia utilizar. Peguei um arco prateado e uma aljava cheia de flechas. Dou uma olhada nos prováveis alvos.
Miro em uma fúria holográfica que voava acima de mim e disparo, passando longe de atingir o monstro. Os Idealizadores começam a rir.
Fico um pouco nervosa, mas agora miro em um minotauro que passa correndo a trinta metros de distancia. A flecha o acerta em cheio na cabeça, no meio dos chifres e o monstro se desfaz nos show de luzes.
Olho para os Idealizadores esperando alguma boa reação e vejo que a maioria deles está mais preocupada em seus pratos cheios de comida e suas bebidas do que comigo.
Em vez de nervosa, agora estou com raiva!
Abato mais dois monstros com tiros certeiros antes de decidir chamar a atenção deles do modo mais ousado.
Havia uma mesa cheia de comida no observatório onde eles estavam. E no centro da mesa, um porco com uma maça suculenta na boca.
Sorrio, antes de mirar e soltar a flecha.
Todos param de falar e olham diretamente para mim no instante em que a maça explode e flecha melada fica presa à parede, a poucos centímetros da cabeça de Seneca Crane, o líder dos Idealizadores.
Agora que tenho a atenção deles, curvo-me em agradecimento.
Percebo num canto da sala uma máquina de teste de memória e de Q.I.
Dirijo-me até ela e começo o teste. Como uma filha de Atena, aquele teste é uma ofensa a minha inteligência. Consigo vencer o jogo da memória em sete segundos sem nenhum erro e meu Q.I. é de 320 pontos.
Ouço um sussurrar surpreso entre os Idealizadores. Sorrio, agradeço novamente e vou embora sem esperar que me dispensem.
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