O Jogo dos Espíritos
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Feche os olhos e os abra calmamente. Respire. Foi só um pesadelo. Não é real. Sam dizia a si mesma ao acordar assustada. Normalmente ela tinha sonhos totalmente gordurosos, como pular em uma piscina cheia de frango frito ou devorar um gramado todo feito de bolo gordo, quanto à pesadelos, eram sempre alguém tentando invadir essa tal mundo cheio de guloseimas. Mas, esse havia sido extremamente estranho e não menos assustador. Ela foi diretamente para um banho frio e confortante. Enquanto a água caia sobre seu corpo, seus pensamentos voltaram para a noite passada...
Esquecer e seguir em frente.
Não é tão fácil.
Ela desliga o chuveiro e se enrola na toalha, já indo em direção do quarto, quando se depara com alguém olhando para o tabuleiro que deixou em cima da poltrona em forma de bolacha.
– Mayse? – Ela já vai atrás de suas roupas.
– Nunca deveria usar isso. – Ela diz já nervosa se referindo ao tabuleiro – Você usou não usou?
–Bom, foi só uma vez... – A garota olha assustada.
–Promete pra mim Sam, não procure respostas com os mortos. Se livre do tabuleiro.
– Calma mulher, é só um jogo.
–Se não der um fim a isso vai descobrir que não. – A mulher diz preocupada.
–Tá bom, já entendi. Mas afinal, o que faz aqui? O Spencer viajou então... – Mayse a interrompe.
– Eu sei, ele me ligou pedindo que arrumasse aqui, porque vão vir buscar suas coisas.
– Arrumar para que?
– Ele vai vender o apartamento.
– O que? Por quê?
– Ele disse que vai fazer um curso de arte em Los Angeles e investir na sua carreira como escultor, parece que lá suas obras são mais reconhecidas.
– Então, ele não vai mais voltar? – A garota constrói um olhar triste.
– Não sei ao certo, mas será melhor pra ele lá, aqui tem muitas lembranças de Carly, então... – Mayse se dirige em direção à porta – Vou começar lá de baixo até você se trocar.
Sam assente e começa a vestir-se. Não estava acreditando que Spencer não voltaria, ele era como um irmão pra ela, sempre com suas palhaçadas e ideias malucas. Iria sentir falta de tudo. Ela arrumou suas coisas e resolveu ir para casa, já que agora aquele lugar não á pertencia mais, não poderia arrombar a porta, ou passar suas tardes e noites lá. Perdera sua única forma de se sentir mais próxima de sua amiga.
Mas talvez, isso fosse o melhor.
– Tyler? – Sam se depara com o garoto ao abrir a porta para sair – Oi.
– Oi – Tyler diz sorrindo ao vê-la.
– O que faz aqui?
– Eu fiquei muito mal por ontem à noite e percebi que eu fui muito injusto, você está passando por um momento complicado e eu devia ficar do seu lado independente de tudo. – Ele diz pegando em sua mão.
– Relaxa, está de boa. Você estava com a razão sobre eu começar a seguir em frente.
–Sam, eu só quero estar com você. Cuidando pra que você não sofra mais. – Seus olham se encontraram junto com seus lábios que se uniram de forma doce e calma.
– Então, que tal irmos até a lanchonete e você pagar uma vitamina pra mim? – Diz Sam toda animada.
– Ah, eu adoraria! Mas tenho que ir com minha mãe visitar minha tia.
– A coroca doidona? – Diz Sam entre risos.
–Ela é doente Sam.
–Não deixa de ser doida.
– Ok. Ok. Olha, que tal sairmos para jantar num lugar bem bacana?
– Ah, vai ter comida boa e você vai bancar então eu topo.
– Eu tenho até medo sabia?
– Do que?
– Sei lá, de outros caras com grana e um carrão te chamar pra comer.
– Ah, mas você não tem que se preocupar com isso. – ela sorri olhando pra ele – Dá sobremesa não passa.
– Você não presta hien?! – Ele diz rindo.
– A mamãe aqui gosta de um banquete ué.
– Sei. Te pego as oito. – Tyler em meio a um leve piscar de olhos vira o corredor. Sam se vê perdida em meio ao corredor, agora não teria mais um motivo para ir até aquele lugar e por esta razão tentou encontrar um motivo para continuar ali.
Seus olhos se moveram em diversas direções focando finalmente no apartamento 8 D.
Por algum tipo maluco de impulso bateu na porta.
[...]
Tyler saiu do Bushwell, pensativo. Estava realmente arrependido por ter dito aquelas coisas à Sam noite passada. Não que não tivesse sido a verdade, mas percebeu que não tinha o direito de ter dito daquela maneira. Afinal, ela estava sofrendo muito. Mas ele também, todos estavam. Só queria que ela parasse um pouco de pensar em tudo que aconteceu e realmente seguisse em frente.
Ele se sentia aliviado por ter consertado as coisas e queria que tudo ficasse bem entre eles. Afinal, além de serem grandes amigos ele queria muito dar aquele passo com ela que sempre desejou e está noite ele a convenceria disso.
Ele ia em direção ao local onde deixou seu carro, pegou suas chaves e apertou o botão para destravar o alarme, mas naquele momento foi em vão. Ele analisou bem o controle e apertou de novo estranhando, quando sentiu algo passando sobre si rapidamente fazendo o controle cair. Olhou para os lados e não viu ninguém. Resolveu ignorar e se abaixou para pegar suas chaves e ao se levantar se deparou com o vidro do motorista todo embaçado, sendo somente ele e se encontrava escrito: oi amigo.
[...]
Tasha e Gibby estavam se pegando por algum lugar sobre a praça da cidade, ou mesmo por todos os lugares. Conversavam sobre diversas coisas sem sentido.
– Ai ele pulou a janela e detonou a cozinha. Minha mãe está uma fera. – Gibby conta euforicamente sobre as supostas aventuras de seu gato. Tasha ri de todas as palavras de seu namorado.
– Seu gato é um fofo mesmo Gibbyzinho. – A garota diz docemente.
– Ei, quer ir lá pra casa ver uns vídeos que gravei dele? – Gibby logo se levanta puxando a mão da menina.
– Claro. – Eles seguem caminho passando pelo mesmo beco corta caminho entre a praça e o centro da cidade. Era na verdade, uma construção não acabada, que dava passagem como se fosse uma passarela fechada. Estavam andando e fazendo gracinhas um para outro até que uns barulhos vindos logo adiante do beco os chamam atenção. – O que foi isso? – Tasha diz assustada.
Neste momento uma pessoa passa de bicicleta.
–Calma amor, é só pessoas. – Diz Gibby rindo.
Eles continuam a caminhada, conversando até que um carrinho de supermercado atravessa bem na frente deles, quase os atropelando. Foi tamanha velocidade que ele se choca contra a parede quebrando todas as garrafas vazias que continham dentro. Tasha solta um grito.
– Quem fez isso? – Gibby pergunta alto ainda assustado.
Um silêncio toma conta do lugar. Gibby começa avançar devagarinho, com Tasha grudada em seus braços. Ele pergunta mais uma vez, porém só ouve o eco de sua própria voz. Em meio caminho ele chuta algo.
– O que é isso? – Tasha olha curiosa. O garoto se abaixa para olhar
– Ah é só um giz. Vamos embora.
Eles seguem caminho, a garota ainda assustada olha para todos os lados a cada passo, quando repara algo que eleva seu medo.
– Gibby olha isso. – Ela aponta em direção a uma das paredes semi rebocada, onde se encontra escrito a giz: oi amigo.
[...]
– Então ele não vai mais voltar? – Diz Freddie sentado com as mãos apoiadas na coxa fitando o chão, enquanto uma loira se esticava em sua cama.
– Pelo que a Mayse me contou, não. – Diz Sam olhando pra cima brincando com um barbante qualquer.
– Mas e ai, você falou com o Tyler depois de ontem? — O moreno se encosta na cadeira, apoiando uma das pernas na outra.
– Falei. Ele veio aqui hoje pedir desculpa. – Sam continuava brincando com o barbante.
– Então, vocês se acertaram?
– Acho que sim. Ele me convidou para jantar.
– Ah sim. O famoso jantar romântico. – Diz o garoto dando ênfase no famoso.
– O que você quer dizer? – Sam logo se levanta sentando normalmente.
– Não, não é nada. Eu suponho que seja romântico né?
– Não. Você disse como se já fosse óbvio esse jantar. Por quê? – Ela diz séria e desconfiada.
– Bom é que, ele sempre faz isso com as garotas. Levam elas para um encontro dos sonhos, a conquista com sua lábia, consegue o que quer e descarta.
– Consegue o que quer? – Ela diz como quem pede por mais explicações.
– É. Convence-as a... Você sabe. – Freddie gagueja totalmente sem graça.
– Ele transa com elas. – Sam diz naturalmente.
–É. – Ele cora.
– Então, você está querendo dizer que ele só quer me jogar na cama. É isso?
– Tecnicamente. – Sam ri.
– Não viaja nerd, se ele estivesse à procura disso, não teria corrido atrás de mim por todos esses anos, afinal o que não falta é meninas querendo da pra ele. – Freddie corou mais ainda pelo jeito como Sam se referia a suposta relação amorosa.
– Nunca ouviu falar que a gente sempre quer o que não podemos ter? Então. Você era a única garota do colégio que não alimentava o ego dele, por isso pra ele era essencial poder ter você.
– Está dizendo que ele só passou a gostar de mim porque eu não dava bola pra ele?
– Provavelmente. Porque você acha que ele nunca deu a mínima para Carly? – Sam o olha pensativo – Porque, garotas como ela, ele tinha muitas trás dele e conseguiria fácil.
–Não acredito em você. Ele pode até ser um completo galinha, mas não faria isso. Conheço ele.
– Você pensa que conhece ele. Mas não sabe das coisas que eu sei.
– Como pode dizer essas coisas da pessoa que você diz ser seu amigo? – Sam diz inconformada.
–Eu não estou falando mal dele, se é o que está pensando. Ele é sim meu amigo, o conheço muito e sei o jeito que ele gosta de levar a vida. Por isso estou dizendo pra você, porque não quero que se machuque. – Sam solta uma gargalhada alta.
– Eu me machucar? Até parece que você não me conhece Benson, eu não me machuco tão fácil. Eu é que machuco as pessoas, como minha meia de manteiga. – Diz a garota já imaginando quantas pessoas ela usara sua meia.
– Tá bom Sam. Você que sabe, eu disse isso porque você é minha amiga, mas se não quer acreditar, o problema não é meu.
– Você só está dizendo essas coisas porque a Carly sempre quis ficar com ele e nunca olhou pra você.
– Pode até ser, mas ao contrário de você, ela sempre teve uma pessoa que a amava e os meninos não tinham medo dela. – Freddie só pensou no que disse, depois de já ter feito e reparou logo a burrada. – Ops, me desculpe Sam, por favor, não quebre meu braço. – Ele diz já desesperado se levantando da cadeira. Sam se paralisa por um momento, sentiu raiva e ódio, mas pela primeira vez não conseguiu se expressar de acordo com o que estava sentindo.
– Eu não... – Antes que ela pudesse terminar o barulho da porta se abrindo lá em baixo toma conta do assunto. – Você não disse que sua mãe estava viajando?
– E está. Eu devo ter deixado aberta. – Freddie logo vai em direção as escadas – Quem é? – ninguém responde. – Gibby é você? – Ele desce mais um degrau e a porta bate sozinha.
Freddie entra correndo no quarto gritando e fecha a porta.
– O que foi Benson? Viu um fantasma? – diz Sam rindo. – Quem era?
– Ninguém. – Freddie encosta na porta tremendo.
– Como assim ninguém? – Neste momento a porta do quarto começa a bater como se alguém estivesse tentando entrar. Freddie logo empurra Sam para dentro do armário os trancando lá. – O que você... – Ele cola sua mão na boca da garota.
– Shiiii, não faça barulho – Ele sussurra.
– O que está acontecendo? — Sam diz baixinho.
– Tem alguém aqui.
– Sai me deixa ver. – Sam empurra Freddie para trás e olha através dos buracos na porta do armário. Depois de um tempo ela abre devagarinho. – Fica ai. – ela sai e percebe que a porta do quarto está aberta, mas não encontra ninguém. – Freddie olha isso. – Ela aponta para o not book em cima da escrivaninha.
Freddie sai do armário e olha para a tela, onde está aberto em um programa de texto escrito: oi amigo.
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