O Jogo dos Deuses: A Casa da Esperança

2 Larissa: A filha do fogo nos guia


Eu sou Larissa Benjamin, filha de Hécate, a deusa da magia e das encruzilhadas.

Metaforicamente falando, o dia ficou cinza depois da estranha partida de Wendell, mas ele dissera que voltaríamos a nos ver. Eu coloquei minha fé nisso.

Eu nunca acreditei em deuses gregos, e ainda era difícil acreditar que o garoto com quem eu convivera há quase dois anos era um deus grego.

O mais estranho era o fato de Yasmim e Ysla terem pais diferentes segundo os anéis que Wendell lhes dera. Ysla era filha de Apolo, o deus do Sol e da poesia, e Yasmim era filha de Poseidon, o deus dos mares. Eu sabia que em breve a resposta iria chegar tudo deveria ser em seu tempo. Mas por que não agora?

Ana olhava para nós sempre que eu percebia, mas nada dizia.

Fiquei curiosa sobre os pais divinos dela e de Emilly. Atena era mãe de Kayanne, não havia como negar isso, pois elas eram idênticas, a não ser pelos cabelos, que Kayanne os tinha até os ombros.

No anel que Wendell dera para Emilly havia uma caveira e no anel de Ana havia um martelo. Respectivamente Hades e Hefesto.

No meu anel havia o desenho de duas tochas cruzadas, um dos símbolos de Hécate.

Eu passei a pensar em quais poderes eu viria a ter sendo filha da deusa da magia. Fiquei torcendo para que eu pudesse voar. Achei que as coisas não poderiam ficar mais estranhas. Definitivamente eu estava errada.

Dois meses se passaram desde a partida de Wendell e setembro começara.

Uma garota caucasiana de cabelos pretos entrara na sala de aula. Ela vestia uma calça jeans rasgada, uma camiseta da banda Guns N' Roses e uma jaqueta de couro preta.

– Filha de Atena? – chamara ela olhando ao redor.

Kayanne se levantou num sobressalto. Será que a garota era outra deusa que viera nos visitar?

– Nos conhecemos? – perguntou Kayanne.

A garota sorria como se finalmente tivesse encontrado seu tesouro perdido.

– Meu nome é Jane Mendler, sou filha de Wendell – nós nos olhamos – Vim buscar as seis semideusas que meu pai escolheu.

Quase desmaiei, mas Yasmim me segurava forte. Wendell tinha uma filha. Tentei pensar em quem seria a mortal que ele namorara, ou talvez qual deusa.

Eu me sentia bem perto dele, não sabia dizer o porquê. Eu comecei a sentir algo semelhante estando próxima a Jane.

Ela me olhava de uma maneira estranha.

– Você tem a bênção de meu pai – disse ela enfim.

– Obrigada, eu acho.

Ela continuou a me encarar.

– É praticamente raro ter semideuses com a bênção de meu pai. Eu gostaria de saber o porquê você o recebeu.

Este fato me deixou curiosa, agora eu também queria saber do porque e para quê.

– Bem, poderemos nos conhecer melhor durante o caminho – disse Jane.

Ana franziu a testa.

– Como assim? Aonde vamos?

– Como eu disse antes, eu vim busca-las. Hera quer conversar com vocês.

A mãe de Wendell queria conversar conosco. Não seu se eu deveria considerar como uma boa noticia, pois já ouvira histórias sobre a Rainha dos deuses, e não eram boas.

Jane percebeu que não recebemos muito bem a noticia sobre Hera.

– Não se preocupem, Héstia estará lá. Vocês estão sobre proteção de Wendell e Héstia o apoia.

Héstia, a deusa do lar. Confesso que só seu isto sobre ela. Pelo menos ela estaria do nosso lado.

– O que acontece se não formos? – perguntou Ysla.

– Não sei dizer. Meu pai disse que era crucial que eu as levasse nesta jornada. Há uma profecia antiga que foi destinada a meu pai. A profecia está em andamento desde o mês passado, desde então os deuses andam apreensivos.

– Vamos ver sobre o que se trata – eu disse as outras meninas, e elas confirmaram com a cabeça.

– E a escola? – perguntou Emilly.

– Clones estarão aqui enquanto estiverem do outro lado.

– Que outro lado? O mundo dos mortos?

Jane riu.

– Nosso mundo. O lugar onde os deuses vivem. Como um mundo paralelo.

– Entendi.

Nós seguimos Jane para fora da sala deixando nossos materiais para os clones que ficariam em nosso lugar durante nossa ausência.

Nós a seguimos até a quadra da escola, onde nos reunimos no centro do enorme circulo.

– Formem um circulo e deem as mãos – disse Jane, que segurava um medalhão.

Quando o circulo foi fechado, houve um breve lampejo e nós surgimos à entrada de uma cidade aos és de uma montanha.

A arquitetura marcava o lugar com suas colunas gregas e detalhes impressionantes em seus prédios.

A entrada ficava entre duas enormes colunas. Não havia portões ou qualquer barreira visível, mas Jane avisou que a cidade tinha barreiras mágicas, poderosas o bastante para deixar um gigante de fora por no mínimo três dias.

Aos lados das colunas da entrada, altas colinas se erguiam deixando claro que só havia uma entrada.

– Sejam bem-vindas à Olímpia – disse Jane alegremente.

Nós atravessamos as colunas gregas e descemos até a cidade que ficava a beira de um abismo.

Crianças corriam para todos os lados brincando. Os adultos sorriam enquanto conversavam. Alguns que estavam sentados em artes de colunas destruídas nos olharam passar.

Seguimos o caminho até a via principal que era larga o suficiente para três tanques de guerra passar lado a lado. A via levava a uma escadaria enorme que subia a montanha.

Ao lado havia uma estátua do tamanho de um mortal. Era a estátua de Hermes, o deus mensageiro, que segurava o seu caduceu com duas cobras entrelaçadas em uma espiral. As escadas seguiam montanha acima e nós subimos.