Nós seguimos pela abertura no chão enquanto Jane e Hebe subiam a montanha, que na verdade era um vulcão, para resgatar Ana e Ysla de acordo com as informações que Wendell passou para Yasmim.

A enorme caverna era quente e grande o suficiente para colocar uma Estatua da Liberdade deitada. Havia tochas presas às paredes da caverna e de vez em quando avistávamos lustres feitos com ossos de animais. Felizmente não havia estalactites.

Eu e Larissa seguíamos em frente, uma guiando e a outra se certificando de que não havia algum tipo de armadilha.

Depois de uns dois minutos caminhando, começamos a ouvir vozes e a claridade a frente estava cada vez mais intensa.

A frente havia duas pilastras, onde eu e Larissa ficamos escondidas enquanto Kayanne e Yasmim ficaram no outro.

Dois titãs conversavam em uma mesa e outro varria o chão.

– Essas semideusas já deveriam ter chegado. – reclamou um deles – Quando Cronos disse que elas viriam? Não consigo lembrar.

– Ele não disse irmão. – bocejou o segundo titã.

– Acorde Hyperion, elas estão aqui. – disse o terceiro titã.

Imediatamente os dois titãs que estavam na mesa se encararam e foram para mais alem da caverna.

– Podem sai de trás destas pilastras garotas, estamos seguros por enquanto.

Ou eu entendi errado ou realmente um titã estava nos ajudando. Kayanne foi a primeira a se apresentar na frente do titã.

– Não se preocupe. – disse o titã.

– Nós temos todos os motivos para nos preocupar. – respondeu Larissa.

O titã riu.

– Estou cansado de trabalhar como escravo e não receber nada em troca do meu serviço. Vou ajudar vocês a encontrar seus amigos.

Nenhuma de nós levou fé no que Prometeu estava dizendo. Comparado aos outros titãs ele era mais baixo e barrigudo.

Prometeu nos levava por um caminho diferente do que os outros titãs tinham seguido.

Dexter ficara quieto o tempo inteiro, mas agora rosnava para Prometeu. Seus olhos ficaram vermelhos e presumi que algo iria acontecer com Dexter. Bom para nós e ruim para os titãs. Eu esperava que fosse isso.

Prometeu nos levou até uma enorme câmara com três jaulas suspensas, aonde havia três pessoas em duas das jaulas e na terceira estava uma mulher realmente igual à Kayanne, menos os cabelos que eram longos.

Atena estava sentada de pernas cruzadas nos olhando entrar. Ela deu um sorriso, mas nada disse.

– Hoje será um dia glorioso. – disse Prometeu.

E agora vem a traição.

Prometeu desembainhou uma adaga e a jogou como um bumerangue. A adaga acertou as correntes que mantinham as três jaulas suspensas. Ele estava do nosso lado.

Uma garota, que estava dentro de uma das jaulas, amorteceu a queda controlando o ar.

– Seu traidor! – gritou um titã que corria em nossa direção – Cronos irá acabar com você!

– Não estarei mais aqui quando isso acontecer.

– Os deuses estão condenados ao fracasso. E assim será! – disse Hyperion marchando pela entrada.

Monstros de todas as formas e tamanhos nos cercaram de forma repentina.

Embora Prometeu tivesse quebrado as correntes das jaulas, elas ainda estavam trancadas, ou seja, éramos quatro mais um tigre raivoso e um titã traidor contra os outros titãs e inúmeros monstros.

– São apenas alguns monstros. – disse Larissa tentando nos animar.

– Se isso não é ser otimista eu já não sei mais o que é. – brincou Kayanne.

O primeiro monstro nos atacou e eu o cortei com minha espada de pedra. Os monstros menores avançaram.

Teria sido pior se Prometeu não estivesse nos ajudando, pois a cada golpe ele acertava entre três a cinco monstrinhos. Eu esperava que ele acertasse a mesma quantidade com os monstros maiores.

Eu nunca vira Dexter nervoso do jeito que estava. Ele parecia estar se segurando para não estripar alguém. Era evidente de que ele não iria aguentar muito mais.

Dexter estava crescendo, ele ficou do mesmo tamanho que o minotauro. Seu pelo agora era cor de sangue e suas presas eram o dobro de antes. Dexter agora se apoiava apenas com as duas patas traseiras, seu corpo parecia cada vez mais de um humano. Apenas parecido.

Alguns monstros olharam para Dexter com medo e horror.

– O Destruidor de Caras! – gritou um deles em desespero.

– O Destruidor de Caras? – perguntou Larissa com um pouco de medo.

Prometeu sorriu.

– Um dos dois bichos de estimação de Huracán. O Destruidor de Caras e o Jaguar Triturador, responsáveis pelo fim de parte da civilização Maia. — respondeu Kayanne.

Responsáveis pelo fim de parte da civilização. Aquilo me assustou um pouco.

– Huracán era o deus Maia mais temido. Ele criou e dizimou os maias.

Enquanto conversávamos sobre os Maias, Dexter, o Destruidor de Caras, havia rasgado mais da metade dos monstros a nossa volta.

Prometeu olhou para seus irmãos com tristeza e raiva.

– Libertem seus amigos – disse ele para nós – Irei atrasar meus irmãos. Quando estiverem livres, use a concha de Poseidon e não olhem para trás.

Prometeu avançou contra seus irmãos que estavam na entrada da câmara.

Larissa abriu um buraco nas jaulas, libertando os seis heróis e Atena.

Eu dei uma ultima olhada em Prometeu, ele estava sendo amarrado à parede por seus irmãos. Aquilo acontecera tão rápido que mal pude acreditar.

– A concha Yasmim! – gritou Kayanne.

Yasmim pegou a concha e soprou. Imediatamente, começou a entrar água por todos os lugares da câmara.

– Deem as mãos, façam uma corrente ou morram. – gritou Yasmim, o que não ajudou.

Ficamos submersos e Yasmim criou uma corrente para nos levar a saída mais próxima. Como eu suspeitava, saímos por onde tínhamos entrado, pois a lava começara a sair pelos túneis do vulcão.

Yasmim podia não estar molhada, mas todos os outros estavam. Caímos sentados no chão. Agora só teríamos que esperar Hebe e Jane voltarem com Ana e Ysla.

Kayanne estava abraçada com sua mãe. Deu vontade de tirar uma foto, mas meu celular na certa não estava no meu bolso e sim com o meu clone no outro mundo.

– Enquanto esperamos o que acham de nos conhecermos? – eu sugeri.

Notas finais
Este é o penúltimo capítulo da segunda parte.