Em Cahrostler, os Dezesseis Deuses dançavam tranquilamente no baile organizado pela Rainha Fiora, porém, quando estavam chegando no auge da diversão, um alarme soa.

A música para e Varhim, Deus da Morte deixa o salão, irritado, seguido por Orion, o Deus da Vida, que tinha uma feição de decepção em seu rosto

Depois de quinze minutos, Varhim volta, dizendo que havia ocorrido uma explosão generalizada em um castelo, por causa de uma palavra errada no ritual de uma feiticeira, assim matando dezenas de pessoas e quase destruindo completamente o reino.

Varhim também informa que Orion não voltaria nesta noite, pois precisava dar vida para cerca de 350 pessoas só naquela madrugada.



No dia seguinte, Varhim se dirigiu ao palácio de Fiora. Ele nunca havia estado lá, portanto estava ansioso e um pouco nervoso.

Ao chegar, ele se viu defronte a um gigantesco portão dourado com detalhes em prata, que, como por mágica, se abriu sozinho.

Dentro do salão, Varhim ficou boquiaberto. Nunca vira um lugar tão majestoso e belo em sua existência.

Era um grande salão retangular com muitas pilastras brancas com detalhes em dourado. As paredes eram brancas com acabamento azul-celeste. Das portas até o fim do salão corria um tapete de veludo escarlate e bordas com pom-pons dourados. Na outra ponta do tapete tinha um grande trono feito quase totalmente de prata. Exceto pelo estofado que, como o tapete, era escarlate.

Ao lado do Trono havia uma estátua branca de um anjo em com o tamanho de um Deus

Acima do trono havia uma escultura em tamanho real de um majestoso dragão, feito em ouro maciço. Ele tinha o rosto apontado para o portão e olhava na exata direção de Varhim. Seus olhos eram duas pedras de safira. Varhim, conhecendo Fiora, sabia que o dragão não era uma simples decoração. Sentada em seu trono estava, esbelta como sempre, Fiora, como se já soubesse da vinda de Varhim.

Fiora era uma pessoa muito gentil, que sempre adorava ajudar os outros e estava sempre sorrindo. Ela tinha um grande senso de humor e uma beleza incomparável. Sua pele negra era tão bela como qualquer ser jamais havia visto. Seus olhos eram negros e brilhantes como jabuticabas maduras. Seus cabelos marrons e ondulados caiam sobre seus mantos brancos.

Varhim se ajoelhou e se apresentou para Fiora, que por sua vez, mandou o Deus se aproximar.

Ele se levantou, fez uma reverência e se aproximou.

Fiora, vendo isso, sorriu e disse:

— Você sabe que não precisa de nada disso, não sabe, Varhim?

— Sei sim, Srta. Fiora — Respondeu o Deus — Porém meu respeito para com a senhora é tão grande que não consigo me dirigir à vossa alteza de outra maneira.

Fiora riu

— Bem, se é assim que pensa, não posso deixar de me sentir honrada e feliz. Obrigada

— Mas diga-me. O que veio fazer aqui?

— Perdoe-me a intromissão, minha rainha — Replicou Varhim — mas precisava vir. Eu vim reclamar sobre o excesso de trabalho que estamos tendo. Sempre que aparece um momento em que podemos nos divertir, o maldito... Fiora olha com rispidez para ele

— Desculpe-me. O alarme toca e estraga nosso descanso

— Eu sei como se sente, Varhim, mas sendo os seres que controlam tudo que acontece nos Reinos Meiares — Fiora detestava referir aos deuses como superiores aos humanos — se não formos nós a fazer tudo isso, quem fará?

Varhim tentou pensar em algo para responder, mas abaixou a cabeça.

— Mas... — Disse ele finalmente — Deve ter algum jeito. Tem que ter...

— E tem! — Disse uma voz feminina e conhecida.
Ao se virarem, Varhim e Fiora veem Serena, Deusa da Magia, correndo em sua alegremente em sua direção. Serena estivera ouvindo a conversa detrás da porta do salão e esperando o momento certo para aparecer.

Serena era a Deusa mais jovem que vivia em Cahrostler. Ela adorava brincar, tinha um grande senso de humor e era muito curiosa. Também era muito criativa e estava sempre bolando planos mirabolantes — que quase sempre davam errado — para ajudar os outros. Serena era loira, tem cabelos lisos, bem longos e olhos azuis como o mar

—Eu tive uma ideia — Disse Serena — É uma maneira de nos divertirmos mesmo enquanto trabalhamos. E para isso usaremos os humanos.

Fiora levantou uma sobrancelha, mostrando curiosidade e atenção. Conseguindo o que queria, Serena sorriu e prosseguiu:

—Calma, eu explico. —Vamos escolher doze crianças humanas. Uma de cada reino. E usá-las para executarem uma grandiosa tarefa. Salvar o mundo.

—E elas devem salvar o mundo de que exatamente? —Indagou Varhim

—De um gigantesco monstro destruidor criado por Orion, oras
Serena disse isso com tanta calma que parecia ser a coisa mais normal do mundo.

—E você realmente espera que ele concorde em criar uma coisa dessas?

—Não sei. O que você acha Ory?

—Por mim, eu topo — disse uma voz vinda do alto — Mas eu já disse, Selly, não me chame assim perto dos outros. Combinamos de nos chamarmos assim somente quando estivermos sozinhos.

Todos olharam para cima.

Orion, o Criador de Vidas, irmão de Varhim, estava sentado em cima do dragão dourado olhando para eles e sorrindo. Orion pulou e caiu ao lado de Serena.

—Desde quando está aqui, Orion? —Varhim perguntou, ainda se recuperando da surpresa —Eu entrei junto com você. —Respondeu Orion rindo —Até Fiora viu
Varhim olhou para Fiora, que estava sorrindo

—Geralmente eu não faria isso — Continuou Orion — Porém isso realmente parece ser interessante. Fora que eu também estou bem entediado.

—Mas e se esses "Escolhidos" não conseguirem derrotar esse monstro?

—Bem, se isso acontecer, assim como eu criarei o monstro, se tudo sair de controle, você pode matá-lo, Varhim

—Certo. Mas como você espera que simples humanos destruam um ser tão grandioso?

—Bem, isso fica a critério deles. Não podemos ajudá-los nisso.
Ao dizer essa frase, a estátua branca em forma de anjo ao lado do trono de Fiora, como se ganhasse vida, se moveu e disse:

—Espere, Orion. Você pretende fazer os humanos lutarem contra um demônio quase tão poderoso quanto um Deus sem concedê-los nenhum poder? Isso é injusto.

Essa estátua, na verdade, era a própria Lustia, a Justiça, com seu manto branco e espada embainhada. Uma venda cobria seus olhos. Lustia morava no salão de Fiora.

Lustia desceu de seu pedestal e se dirigiu para junto dos outros Deuses, onde disse:

—Eu só posso concordar com isso se dermos uma pequena ajuda para eles. Minha proposta é a seguinte: Para cada um dos Doze, um Deus será designado para "apadrinhar" a criança e também conceder a ela uma mínima parte de seus poderes. Somos em dezesseis, mas só doze poderão participar, por isso recomendo que os três Deuses mais fortes, Fiora, Varhim e Orion, fiquem de fora. Fiquem tranquilos que a diversão não será menor para quem ficar de fora. Há também mais um Deus sobrando, portanto eu mesma ficarei de fora, a não ser que alguém desista de participar por livre e espontânea vontade.

—Certo. —Disse Orion finalmente— podemos fazer assim, porém se escolhermos doze crianças já nascidas, não poderemos vigiá-los constantemente desde o nascimento, portanto proponho eu mesmo dar a vida para doze bebês. E cada um deles será filho dos nobres de cada reino, para assim, além de podermos vigiá-los desde o nascimento, podemos avisar os reis de cada reino antes. E também, para fazer algo mais divertido, podemos fazer com que cada um deles nasça em um mês diferente, porém todos no mesmo dia. E eu gostaria que fosse o dia 13.

Varhim olhou espantado para seu irmão e perguntou:

—Há quanto tempo você vem planejando esse plano?
Serena, tomando a palavra, sorriu e respondeu:

—Eu e Orion já vinhamos conversando sobre isso há algumas semanas. Quando vimos você, que nunca vem aqui, se dirigindo para cá, adivinhamos o motivo de sua vinda e decidimos que era a melhor hora para contarmos nosso plano.

Fiora soltou uma risadinha

—Eles te pegaram de jeito, não é, Varhim?

—Pois bem — continuou a rainha — Já que está tudo certo, vamos avisar os outros Deuses, os humanos, fazer os preparativos finais e colocar esse plano louco em prática.

E assim aconteceu. Fiora, no dia seguinte, reuniu os dezesseis Deuses na Sala do Conselho, um grande salão redondo, totalmente branco e com dezesseis pedestais distribuídos formando um círculo.

Cada Deus subiu em um dos pedestais e ficou aguardando em silêncio.

Como os Conselhos eram raros de acontecer, os Deuses que não estavam na sala de Fiora no dia anterior aparentavam estar muito tensos.

Finalmente Fiora quebrou o silêncio:

— Bem, antes de mais nada, sejam bem-vindos. Eu reuni vocês aqui hoje para discutir sobre um plano que me foi apresentado por Orion e Serena ontem. Ele consiste em uma maneira de nossa diversão não ser mais interrompida por causa do trabalho.

Fiora explicou passo a passo o que pretendiam fazer, condições e ideias.

Quando terminou, todos os Deuses começaram uma discussão animada sobre o assunto.

— Oh, que maravilha — Dizia Talei, Deus do Trabalho — Uma maneira de nos divertirmos enquanto trabalhamos. O que pode ser melhor que isso?

As três Deusas gêmeas, Flannath, Lya e Amanda, respectivamente Deusas da Força, Coragem e Sabedoria, também estavam muito felizes, pois agora finalmente elas teriam um discípulo.

Porém havia um Deus que não parecia muito animado. Aurus, Detentor do Sono e Sonhos estava com uma face séria, absorto em pensamentos.

— Eu não acho uma boa ideia nos interferirmos no reino dos humanos — Disse ele.

— Ora, Aurus, não seja tão teimoso — Disse Ilíen, Senhora de todos os Animais — Vamos pedir permissão para eles antes. Se concordarem, não há problemas.

— E mais — Disse Nirén, Deusa do Amor — Nós já nos interferimos antes e nunca saiu nada de errado. Temos controle sobre a situação.

— Mas da última vez Serena e seus planos mirabolantes ainda não estavam entre nós — Retrucou Aurus.

— Que coisa rude para se dizer, Aurus — Orion se irritara com a acusação feita contra a amiga — Não é assim que se trata uma dama. E muito menos uma Deusa.

— Pois bem. Façam o que quiserem. Fiora disse que quatro dos Dezesseis precisariam ficar de fora, certo? Pois bem, eu serei um dos quatro. Mas se der tudo errado no fim, não peçam ajuda para consertar nada, entenderam?

— Certo — Disse Fiora após conseguir o silêncio e a palavra — Já decidimos se vamos fazer, quem vai participar diretamente e como tudo acontecerá. Agora só falta pedir a permissão dos reis dos Doze Reinos. E isso eu mesma faço questão de pedir.

Uma semana depois, Fiora desceu até os Reinos Meiares, como havia dito, e falou pessoalmente com cada um dos Reis.

Por se tratar de um pedido divino, todos os reis aceitaram sem hesitar.

Fiora, por fim, disse para os reis esconderem sobre esse “jogo” de todos do reino, incluindo de seus próprios filhos, pois quando eles fizessem 17 anos, seus poderes já teriam se manifestado, então o Deus que o apadrinhou apareceria e explicaria sua missão.

Após voltar para Cahrostler, Fiora comunicou o sucesso em sua tarefa, mandou todos começarem os preparativos e disse:

— Então, que comece o jogo.