Louis soltou uma exclamação e desviou o olhar para a esposa. Tentou voltar a olhar Allen, mas quando percebeu que o filho o estava encarando, a espera de uma reposta, o rei novamente desviou o olhar. Passados alguns minutos em um silêncio constrangedor, Alicia suspirou.

— Filho... eu sei que você deve estar muito confuso agora, mas por favor, somente espere até o baile. Lhe prometo que lá tudo será explicado. Poderá perguntar o que quiser, mas por favor, espere...

Allen pensou em argumentar, mas ao ver o rosto pensativo de sua mãe, desistiu.

O resto da viagem foi tranquila, sem nenhum acontecimento anormal, exceto que pelas próximas noites, em seus sonhos, ele tinha sempre o mesmo pesadelo. Se via andando por uma floresta escura e fechada, com sua espada em mãos. Estaria completamente sozinho se, ao seu lado, não houvesse uma pequena coruja, que voava observando atentamente os arredores. Suas penas brilhavam com um fraco tom azulado. Constantemente ambos ouviam barulhos de passos e de galhos se quebrando, mas não viam ninguém. Eles começavam a correr. Estavam nervosos. Se sentiam vigiados. Mais passos ecoavam. Cada vez mais alto, vindo atrás deles. Allen, então, tropeça em uma raiz saliente e cai com um baque surdo. Quando se vira, vê um alto vulto magro. O vulto então deu uma risada muito alta e maligna, que o acordava na mesma hora. Por que, perguntou para si mesmo, ele estava tendo todo dia o mesmo sonho? Tentou avisar sua mãe, porém ela achou que não seria nada demais e o instruiu a não se preocupar com sonhos. Allen se cala, mas não concorda com a mãe. Isso não é normal. Acabara de conhecer a coruja e ela já estava em seus sonhos. E, como se não bastasse, esse sonho se repetira por vários dias consecutivos.

Então, na manhã do quarto dia de viagem, Allen e seu pai avistam um grande castelo no horizonte. Allen acorda sua mãe e avisa que chegaram. Ela se levanta, olha em direção do castelo e dá um sorriso O que avistavam ao longe era o reino de Thundrall.

A cidade era muito bela. Cheia de casas e habitantes que estavam aos poucos acordando para fazer suas obrigações. Habitantes que estavam na rua olhavam para a carruagem com curiosidade.

Após alguns minutos já estavam desembarcando na frente do castelo, onde foram recebidos por alguns guardas e mordomos. Um deles disse:

— O rei Johann II mandou avisar que deseja recebe-los daqui duas horas. Até lá, estão livres para caminhar pelo castelo, se quiserem.

Sem pensar duas vezes, Allen olhou para sua mãe que concordou com a cabeça. Nisso Allen se virou e saiu andando pelo castelo. Uma criada o seguiu.

O passeio pelo castelo foi muito interessante. Ele vira muitas coisas que nunca tinha visto em sua vida. Andou por longos corredores cheios de estatuetas, com rostos que não conhecia e outros mais conhecidos, como os dos Deuses. Uma coisa com a qual se impressionou foi o fato de a grande maioria dos cômodos possuírem ao menos um tipo de instrumento musical.

— Nós do reino de Thundrall somos, em nossa maioria, grandes apreciadores de música, — Allen se virara com um susto, pois esquecera a presença da criada o acompanhando — portanto o que vossa alteza mais verá aqui serão instrumentos musicais, de todos os tipos.

— Perdoe minha deselegância, mas existe um motivo para tamanha adoração?

— Ah, sim. Há muitos anos, o rei Antonio I, que era um grande adorador de música, escreveu uma música tão bela que Letwa — Quem Allen se lembrou ser o Deus da Música — Apareceu no reino para parabenizar e presentear o rei por essa música. Seu presente foi que todos seus herdeiros e sucessores teriam a mesma adoração por músicas que ele. E a música que ele criou seria, para toda eternidade, lembrada.

— E qual é essa música? — Perguntou Allen interessado.

— Vossa Alteza descobrirá em breve. Ela sempre é tocada em bailes. A festa de nossa princesa não será exceção.

Allen não falou nada. Quando se virou, viu uma garota que vinha andando no corredor. Ela parecia ser um pouco mais baixa que ele. Usava uma túnica roxa e um colar de corda com uma bela pedra verde pendurada. Mas o que mais chamava a atenção nela eram seus longos cabelos violetas que lhe desciam pelas costas. Depois de a garota passar, a criada que acompanhava Allen disse:

— Essa é Viollet. Princesa do reino de Greonlie. Sua família chegou há cerca de um dia. Ela deve estar se dirigindo para os jardins. Desde que chegou, tem passado muito tempo lá.

— Então esta é Viollet. — Allen só tinha conversado com ela através da bola de cristal, portanto nunca tinha visto seu rosto — Ela é muito bonita...

Após um tempo, Allen foi até seu quarto, pois já estava quase na hora de se encontrarem com o Rei de Thundrall. Lá ele tomou um banho em uma bela banheira de mogno.

Assim que terminou, voltou para o quarto para se arrumar. Mal terminara de se vestir, quando sua mãe bateu na porta, perguntando se estava pronto. Allen saiu de seu quarto e começou a seguir, com seus pais, um mordomo que os esperava.

Andaram por cerca de cinco minutos, até que pararam em uma grande porta dupla, que tinha pelo menos três metros de altura. O mordomo a abriu, avisou que o rei Johann e a rainha Pérola os esperavam, e saiu.

Os três entraram e viram a sala do trono. Era um grande salão vermelho claro, iluminado pelos raios do Sol que passavam pelas enormes janelas retangulares. O teto era marrom-madeira, com uma pauta musical que atravessava o mesmo. Claves de Sol douradas apareciam por toda ela. Do teto descia um grande lustre dourado, com velas de mesma cor. As paredes tinham uma bela tonalidade amarelada, com detalhes em preto. No chão havia um grande tapete vermelho e dourado de camurça. Ao olhar para ele, Allen sentiu uma repentina vontade de deitar naquilo, mas seus bons modos o impediram. As cortinas que sobrepunham as janelas eram feitas de um lindo cetim escarlate. A frente de onde estava parado, Allen podia ver dois grandes tronos, um dourado com estofado vermelho, e o outro prateado com o mesmo estofado. No primeiro, esbeltamente sentado, estava o rei Johann, um homem gorducho, com seus 30 anos bem vividos. Seus cabelos encaracolados e brancos encostavam nos ombros que vestiam uma bela capa de pele de leão. Assim que o rei viu os convidados, se levantou com um sorriso e veio cumprimenta-los.

— Louis, é bom revê-lo. Como foi a viagem?

— Foi ótima, muito obrigado, Johann. — Respondeu o outro — Esta é Alicia, minha esposa, e Allen, meu filho. Parece que chegamos cedo demais. Fomos os primeiros?

— Não. Tanto quanto a família de Larissa, quanto a família de Katherine já estão aqui. Ambas chegaram ontem.

— Johann, me recorde por favor, quem é Katherine mesmo? — Disse Louis sem jeito.

— Não se lembra, Louis? É a rainha do reino de Zepher, esposa do rei Darius e mãe do príncipe Leslie.

— Ah, sim — Respondeu Louis rapidamente. — Como pude me esquecer da pequena Kat. Fazem alguns anos que não a vejo.

— Bem, mas vamos ao que é importante. — Prosseguiu Johann — Durante os dias que vocês estarão aqui, vocês são meus convidados. Podem pedir o que quiserem, desde que esteja ao meu alcance, que será atendido. E houve uma pequena mudança de planos. Vocês não ficarão aqui até o baile.

“Eu, rei Johann Tocata II, peço para que todos que vieram para o baile, fiquem também para a festa que ocorrerá no dia 25, onde haverá uma grande ceia. Haverão alguns eventos. Vocês são livres para escolher se participarão ou não.”

— Mas Johann, um reino não pode ficar tanto tempo sem seu rei. Não podemos ficar aqui quase duas semanas.

— Ora, Louis. Todos os reis de todos os reinos deste continente estarão aqui. Você não tem com o que se preocupar.

— Mas e se houverem conflitos intern... — E se calou. No fundo ele sabia que não haveriam conflitos internos. Desde que assumira o trono, nunca havia tido nenhuma reclamação de seu governo. — Certo. Eu concordo. Mas vou precisar enviar uma carta até Alex Draconos, o meu substituto, para enviarem para mim e minha família, mais vestimentas.

— Sem problemas. Vou providenciar que o nosso mensageiro mais rápido parta imediatamente, mas por agora, descansem. O café da manhã é servido todo dia as sete da manhã. O almoço ao meio-dia e o jantar às dezenove horas. Após isso, em seus quartos existe um sino. Toque-o para chamar um mordomo e peça algo para ele, que ele providenciará. Qualquer coisa mande um mordomo me avisar.

Os três fizeram uma reverência para Johann e se retiraram. Voltaram em silêncio até seus quartos. Allen entrou no quarto dos pais, que ficava defronte ao seu e lá começaram a conversar. Allen contou sobre o que tinha visto enquanto explorava o castelo, sobre os instrumentos musicais, sobre o que a criada tinha falado sobre o rei Antonio e perguntou se seu pai conhecia algo sobre essa história. Este lhe respondeu que o rei Antonio ficou muito famoso por ter composto uma sonata tão bela que o próprio Letwa, o deus da Música, saiu de seu palácio no reino dos deuses, e veio para cá parabeniza-lo. Ele o concedeu o desejo que todos que nascessem neste reino teriam o mesmo gosto pela música que ele. Desde então este reino ficou conhecido como o Reino da Música. Louis não se lembrava do nome da música, mas sabia que era dividida em quatro partes. Allen não falou sobre Viollet.

Terminada a conversa, o príncipe, que tinha algumas horas livres antes do almoço, decidiu olhar as coisas com mais calma. Decidiu começar com a biblioteca, pois adorava ver gigantescas prateleiras recheadas de livros. Porém, enquanto andava até lá por um corredor, cujo final bifurcava para direita e esquerda, acabou vendo Viollet novamente, agora cruzando o final desse corredor, indo para a direita, onde lembrava de ser a saída do castelo. — E consequentemente, caminho para os Jardins — Allen foi até a bifurcação. A biblioteca ficava para a esquerda. Ele pensou um pouco e virou para a direita e seguiu a toda velocidade. Passou por belos corredores, mas não teve tempo de admirar. Passou pelo Hall de entrada, pela porta da frente e viu um caminho lateral que levava ao jardim. Sem pensar, entrou no grande jardim do castelo de Thundrall. Um lugar muito lindo, com belas árvores e flores de todos os tipos que se podiam imaginar. Após procurar um pouco, identificou, sentada em um banco na encosta de uma árvore, Viollet.

Viollet era uma bela garota, mas muito misteriosa à primeira vista. Seus olhos eram castanhos, mas brilhantes. Seus cabelos eram lisos e longos. E o mais belo, que chamava a atenção era sua linda cor violeta. Em seus dois anos conversando, Viollet se tornara a melhor amiga de Allen. Eles conversavam quase todos os dias Passaram por vários momentos juntos. Momentos felizes, onde comemoravam juntos. Vitórias, aprendizados. Momentos tristes, onde haviam brigas e problemas familiares de ambos os lados, mas estavam sempre lá, um ajudando o outro. E conversavam até sobre coisas calmas, onde eles simplesmente jogavam assuntos fora. Conversavam sobre gostos e sonhos. Eram momentos onde Allen se sentia em paz. Não eram felizes nem tristes, mas eram de longe os preferidos de Allen. Mesmo nunca tendo a visto pessoalmente, Viollet se tornara uma pessoa muito especial para o rapaz. Uma verdadeira amiga. A melhor de todas.

Allen, então, se aproxima da garota:

— V-Viollet? É você mesma?

— Olá, Allen — Diz, com um grande sorriso no rosto.

Allen não consegue segurar a emoção e a abraça.

— Há tanto tempo que eu queria conversar com você cara — a — cara — diz, muito feliz. — E aí? Quando chegou?

— Não posso negar que me sinto feliz em ver você também. Huh, cheguei ontem um tanto cedo. Pelo visto você chegou hoje.

— Ah, sim. Chegamos há algumas horas. Eu dei uma volta pelo castelo quando cheguei, e até te vi. Você passou do meu lado, mas parece não ter reparado. Parecia absorta em pensamentos — Ele sorri quando diz isso.

— Oh. Mas eu sempre estou assim. — Viollet riu com gosto ao dizer isso — Eu geralmente ando com pressa ou pensando em algo então é bem comum eu passar pelos outros um tanto... desatenta.

Allen ri alto ao ouvir isso.

— Sem problemas. Eu já tinha percebido mesmo nesses dois anos em que conversamos. Bem, mudando de assunto, por que acha que viemos para cá? Digo, por que justo agora?

— Aniversário da filha dos reis locais. E provavelmente algum acordo importante. Eu acho, geralmente é isso o que acontece. Por que? Tem alguma teoria?

— Então, (diz subitamente sério) eu vim conversando com meus pais. Ao que tudo indica, parece que tem algo haver com nossas idades. Como você já deve ter percebido, há um padrão entre nossas datas de aniversário E na viagem para cá, eu encontrei, acredite se quiser, a deusa Amanda. Ela não me contou detalhes, mas deixou essa dica para mim.

— Deusa Amanda? Como aconteceu? Parece interessante. Como uma teoria do caos, mas não como algo destruidor necessariamente.

Então Allen explicou para Viollet o que acontecera na viagem, desde quando entrou na floresta, até voltar para a carruagem. Após terminar, um longo silêncio permaneceu no ar. Só eram ouvidos os pássaros que viviam naquele belo jardim e as folhas das copas das árvores que dançavam vigorosamente enquanto o vento as energizavam. Viollet, então, após o que pareceram anos, quebrou o silêncio:

— A coruja te levou até ela? Soa estranho. Mas bem, dá pra ver que você não está mentindo e já presenciei coisas estranhas como. Mas considerou de ser um sonho lúcido? É comum até.

— Então... até poderia ser, mas...

Foi uma voz vinda de cima que completou a frase:

— Eu sou muito real. E pode ter certeza que Amanda também.

E descendo dos céus, Beatrice surge, primeiro voando ao redor dos dois e, por fim, pousando no ombro de Allen.

— Que jardim bonito. Então este é o jardim do palácio de Johann?

— É... ela é real... — Disse Allen, por fim.

— Oh. É, realmente bem real, não? — Diz com uma expressão levemente surpresa, mas logo volta ao usual — Ela é alguma coruja com poderes ou algo do tipo? Não são comuns por aqui.

— Eu sou tão real quanto vocês, podem apostar. Eu sou Beatrice, ajudante e amiga de Amanda. Eu fui criada por Ela para auxiliá-la em momentos oportunos, afinal, Duas cabeças pensam melhor que uma. Agora estou aqui para auxiliar Allen. Não apareceria aqui se não tivesse um bom motivo.

— Vim para avisar que o que acontecerá amanhã é muito sério, então se preparem. Não posso dar detalhes agora, mas vocês devem se preparar mentalmente para o que virá em breve.

— Bem... isso é um tanto complicado para assimilar de cara. Bom realmente, bom motivo para vir foi algo justo. É algo que possa dar algum sinal? Há vários modos de se preparar, sinceramente prefiro acreditar que não é para a morte.

— Bem, não posso contar, mas posso dar umas dicas. Prestem atenção nas suas idades. Como Allen disse, há um padrão entre elas. E posso dizer que vocês farão uma missão para os Deuses. Vocês não obrigatoriamente morrerão, mas será uma tarefa muito difícil que, se vocês não tomarem cuidado, aí sim morrerão.

Viollet estremece quase imperceptivelmente. Após uma breve pausa se recompõe. Na verdade, ela não esperava algo tão diferente em relação à morrer. Mas, principalmente, não esperava ter Deuses mencionados.

— Parece complexo. Bem, obrigada, foi uma dica realmente útil. — Diz, sem sarcasmo. — Parece uma boa opção ser cauteloso nesse tipo de situação. Como esperado, realmente há um significado grande por trás de tudo isso.

— Bom, meu trabalho por aqui está completo. Nos veremos muito em breve, Allen e... — A coruja olha para Viollet, como se a analisasse — Viollet. Você é uma garota interessante. Espero que não se torne igual a ela... — E saiu voando, desaparecendo de vista. Ambos não entenderam a quem Beatrice se referira.

—Adeus então. — Diz Viollet olhando para aonde ela foi, em seguida para o palácio e logo então para Allen, o fuzilando com o olhar, como se dissesse “Certo, você já sabia.

—Bom, esse é um assunto sério — Prosseguiu Allen, dando um sorriso nervoso), mas por hora, não vamos nos preocupar muito. Acabamos de nos encontrar. Vamos curtir o momento um pouco. Escute, tem uma coisa da qual você sempre falava e, embora eu acreditasse, sempre quis ver com meus olhos. Seus poderes mágicos. Pode me mostrar?

Após um curto silêncio, prestando atenção em Allen, enquanto fazia uma careta na falha tentativa de omitir um sorriso. Ela simplesmente amava esse tipo de coisa.

— Claro. Bem, não posso fazer algo grande aqui, mas do lado de fora é um pouco melhor para esse tipo de coisa. Bem, há um que tenho treinado faz algum tempo. — A garota junta as duas mãos e fecha, após um tempo a abre novamente e há uma pequena chama em suas mãos. — Piromancia. Essa pequena é o máximo que posso fazer por enquanto. — Ela fecha e abre as mãos novamente, não há mais nada. — De todos os elementos o fogo é sempre o mais complexo para aprender a controlar. Então prefiro me limitar a pequenos experimentos com ele.

Allen quase não conseguiu segurar o grito de excitação. Aquilo era incrível. Nunca vira nada igual. Ele estava admirado e sem palavras A única coisa que saiu de sua boca foi:

— Com muito treino, dá para aprender?

Viollet riu com gosto.

— Sim. Com bastante treino. Dependendo do potencial mágico da pessoa, o tempo muda, mas não deixa de ser bastante treino.

— Eu preciso tentar... — Falou ainda boquiaberto.

Eles continuaram conversando por algumas horas. Foram as melhores horas que Allen teve em muito tempo. Até que ouviram uma voz vinda da entrada do jardim:

— Ah, Viollet, aí está você. Vejo que você e Allen já se encontraram. Eu acabo de vir do quarto de seus pais, onde fui cumprimentá-los. Está na hora do jantar. Seus pais já estão lhe esperando no Salão. Vamos?

E seguiram então até o castelo. Este havia sido um dia maravilhoso para Allen. Finalmente encontrara aquela amiga, com quem conversara dois anos a fio, passando momentos tristes e felizes. Sua grande amiga, Viollet Lienhart.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.