O Jogo do Copo
1 Oneshot
Notas iniciais
Espero que gostem.
Hoje é sexta-feira , mais conhecido como dia das meninas. Eu chamei 3 amigas para virem dormir na minha casa. A Tamara , a Mariana e a Bárbara. Elas sempre foram minhas melhores amigas e sempre estavam do meu lado nas piores ou nas melhores situações.
- Vamos lá Carol ! Já está dormindo ? — Bárbara chegou gritando na porta da minha casa com um tom irônico.Eu nem me dei ao trabalho de responder só desci os degraus e abri a porta.- Sejam bem vindas ! — Eu abri os braços e as meninas riram.Nós fizemos coisas típicas de garotas , outras nem tanto. Falamos sobre garotos , assistimos filmes românticos e jogamos vários jogos no Xbox. Quando terminamos tudo isso a escuridão nos cobriu. Eu percebi logo que já era 00:45.- Ok , o que querem fazer agora ? Querem dormir ? — Eu olhei atenciosamente pras meninas.- Eu quero ! Se não nos apressarmos , você sabe né , já são quase 01:15 , temos que dormir antes que.. — Mariana falou se tremendo.- Antes que ? — Tamara riu da Mariana. — Ah , entendi , você está com medinho dos mortos virem nos assombrar.- Medo ? Eu não tenho medo. Eu rio na cara do medo. — Mariana deu uma risada forçada.-Que tal fazermos o jogo do copo ? — Os olhos da Mariana se arregalaram já os da Tamara brilharam enquanto a Bárbara explicava o jogo.- Ah me poupe , isso é pura mentira. — Eu ri.- Se é mentira por que não tentar ? -Bárbara riu debochadamente de mim.- Vamos nessa então.Descemos de fininho para não acordar os meus pais que já estavam no décimo sono. Fomos em direção à cozinha e pegamos um copo , depois fomos pra sala e pegamos um tabuleiro velho de banco imobiliário , logo começamos a jogar.O copo estava no meio , 4 dedos sobre ele , todas nós estávamos suando frio e tremendo , embora fosse uma grande baboseira.- Venha até nós espírito , estamos aqui.- Bárbara falou com um tom corajoso mas eu vi que ela vacilou um pouco.Mas mesmo assim nada aconteceu.- Viu ? Eu disse que era uma baboseira!- Só precisamos chamá-lo juntas.Todas demos as mãos , uma mão junta da outra e uma mão no copo. Bárbara repetiu as mesmas palavras e todas fechamos os olhos. Alguns segundos após as palavras de Bárbara serem anunciadas um vento forte soprou sobre nossos cabelos e o copo se mexeu. Eu abri os meus olhos e não acreditei no que estava vendo , Mariana quis gritar mas eu rapidamente tapei sua boca.O copo se mexia de forma ágil, mas dava para acompanhar. Ele havia dito " Eu estou aqui. "- Não é possível , alguma de vocês moveu o copo! — Mariana se afastou correndo e cobrindo os olhos.- Não fui eu. — Eu disse rapidamente e as meninas me seguiram. — Venha Mariana , não tenha medo , ele não pode nos fazer mal. — Ela se aproximou lentamente e voltamos ao jogo.Bárbara pediu que se ele estivesse ali deveria se manifestar. Mal piscamos nossos olhos e as luzes começaram a piscar e as janelas começaram a bater levemente. Eu olhei para a Mariana e ela estava assustada , mas parecia disposta a continuar." Qual seu nome ? Quando morreu ? E o que você era ? " Eu perguntei horrorizada , se aquilo fosse uma piada , deixaria de ser agora.O copo começou a se mexer "Juliana Mendes. 1452. Guerreira portuguesa."Era verdade , uma verdade cruel e aterrorizante.- Como você morreu ? Você já foi odiada ? — Mariana ousou uma pergunta.A resposta não foi agradável. Novamente o copo se mexeu , extremamente rápido , parecia estar bravo. " Fui traída pelos soldados portugueses. Já , por todos , eu era a assassina dos não piedosos e dos pecadores. " O copo parou , mas depois voltou a se mexer " Eu sei quem vocês são , eu sei que vocês são pecadoras. Sejam bem vindas ao meu jogo . Sejam bem vindas a sua morte! "- O que você quer dizer com morte ? Nós vamos morrer ? — Tamara gritou e se afastou do tabuleiro.- Não quero mais jogar ! — Mariana correu para o outro canto da sala enquanto eu e a Bárbara acompanhávamos o movimento do copo." O jogo não acaba até todas morrerem , vocês começaram , vocês terminarão. " Todos os pelos do meu braço se arrepiaram. As janelas fecharam e as trancas delas pareceram grudar para nunca mais serem abertas. As portas bateram e todas as cadeiras da sala de jantar foram em direção a elas nos trancando ali e nos forçando a terminar o jogo.Eu não conseguia respirar , parecia que eu só conseguia tremer e pensar no pior.- Temos outra opção de fim de jogo ? — Bárbara levou o dedo até o copo tremendo." Tentem me matar , se conseguirem , sobreviverão. "- É impossível matar algo que está morto. — Eu gritei com os olhos cheios de lágrimas.Eu não conseguia respirar , não conseguia vencer , eu não tinha medo , por que ele me consumia agora ?- Ela se alimenta do medo , e se enfraquece com a coragem. — Bárbara me encarou e esticou a mão pra mim. Eu via ela como um exemplo , como uma figura materna , sem medo , que estava lá para nos proteger. Era isso que eu ia ser.Eu recorri à todos os objetos da sala observando como poderíamos acabar com aquilo.
Eu me abaixei na frente da Mariana e da Tamara e apenas sorri pra elas.- Mantenham seus pensamentos em uma coisa feliz , em uma coisa linda. Ela se alimenta de medo.Continuei olhando ao meu redor , e vi um espelho. Sim , mortos se aprisionam em espelhos ou objetos que refletem.Eu olhei pro espelho e pensei em como quebrar ele e não ser morta pelos meus pais. Minha vista mudou pra borda do espelho , mas meu reflexo não , ele continuava olhando fixamente pra mim." Não tenho medo , eu não tenho medo " Mas eu só tinha medo , era tudo o que vinha na minha cabeça.Então o meu reflexo começou a falar comigo " Eu sei o que você fez , você acha que sairia impune ? Todos os seus deboches , só servem para maltratar a Débora. Ah então você se lembra dela ? Lembra também que ela se matou ? Sim , foi por sua culpa , e você sabe disso " Meus olhos começaram a sangrar , eu achei que era apenas o espírito tentando me dar mais medo , mas não era , meus olhos sagravam e eu já estava no chão. Ele apenas me olhava e ria , e a dor só aumentava. De repente a Bárbara surgiu e quebrou o espelho , a dor sumiu , mas o sangue continuava a escorrer.- Não morra ok ? — Ela olhou pra mim com pena. E no mesmo momento a espingarda de caça do meu pai disparou. A cabeça da Bárbara explodiu , um sangue de rio se formava ao meu lado enquanto a Mariana era a próxima. Uma voz ecoou na minha cabeça " Todas saem mortas , a não ser que tome atitude e as salve. " Quando a voz parou de me perturbar a televisão já havia caído sobre a Mariana e lá estava ela , deitada no chão , morta , sem pulso sem nada.Tamara gritava enquanto uma garrafa ia na direção dela e a acertava pela cabeça , e lá se foi mais uma. Meus olhos estavam cegos por causa das lágrimas , eu não conseguia pensar. Eu peguei o copo e o encarei.- Você quer brincar de matar ? Eu vou brincar de matar ! — 3 facas voaram sobre minha direção varando minha cabeça. Eu taquei o copo na parede ele se quebrou. Tudo o que voava havia parado. Tudo o que me assustava havia morrido. Minha cabeça doía eu sentei no chão e fechei meus olhos.- Carol ? Carol ? Vamos brincar ou não ? — Bárbara me balançava. Tudo o que havia acontecido não passava de uma ilusão. Uma ilusão real. Que eu não queria que acontecesse de novo.- Não , melhor não , Mariana está certa , tem algumas coisas que devem ser deixadas quietas. — Elas deram de ombros chateadas. — Vamos dormir.Depois de nos deitarmos eu olhei no relógio eram exatamente 01:15. Uma voz ecoou na minha cabeça , a mesma voz do espelho. " Boa menina , algumas coisas devem ser deixadas quietas. "
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