O Jogo das Vítimas
3 Capítulo 3
Era inverno em Nova York, mas pela primeira vez neste ano, nevava. Os dois caixões estavam posicionados lado a lado, todas as pessoas presentes vestiam preto. Aquele ambiente estava enlouquecedor, todos choravam, tremiam de frio, menos William, que olhava de longe, sem nenhuma lágrima em seu rosto. Ele pensava que devia ter sido mais próximo de seus pais enquanto viviam, mas ele nunca foi tão próximo de uma pessoa, tratava praticamente todos de maneira rude e grossa. Vlad chorava desesperadamente. William não aguentava mais aquilo, precisava sair. Falou para Eva que ia ver como andava a investigação.
A neve atrapalha o trânsito, o que era para ser um passeio de 20 minutos, demora mais de 1 hora. As ruas também estavam um caos, businas, xingamentos. A delegacia não era muito longe do cemitério, o delegado era um velho amigo da família, Jaime Caster, ele não foi ao enterro, pois teve que comandar as investigações. Entrou na delegacia e deparou-se com o que menos queria, agente Dickson e Grayson. William já começou a pensar nas perguntas que eles fariam. Jaime percebeu que ele entrou.—William, meus pêsames. — deu um abraço nele.—Obrigado. Mas me diga, o que esses dois estão fazendo aqui? Grayson levantou da cadeira.—Viemos fazer algumas perguntas, já que estamos investigando os outros assassinatos ao seu redor.—Bom, então também quero participar. Jaime interveio numa quase discusão.—Vamos então chamar Robert Harrison, a única testemunha.—Soube que foi sua mulher, Eva, que levou seus pais até a porta não é?- interveio Grayson.—Ela já estava subindo as escadas quando aconteceu. Robert abriu a porta , estava suando, nervoso, tremendo.—Sente-se, por favor. Agentes, podem começar.—Começe dizendo o que você presenciou.—Eu estava trocando mensagens com minha mulher, dizendo que ia chegar mais tarde, então escutei um grito, quando corri para ver, os dois já estavam ensanguentados no chão.—Poderíamos ver seu celular?—Acho que isso não vai ser necessário. — ficou paralisado.—Agora você nos deu mais motivo para querer vê-lo. Entregue ou teremos que pegá-lo à força!—A..Aqui está.—Vamos ver.... Mensagens... Realmente não há nada aqui, mas Dickson, abra o Notebook. Dickson abriu-o e conectou um cabo ao celular. Várias pastas apareceram na tela, entre uma dela: Arquivos Excluídos.—Aqui tem uma mensagem excluída dentro de 24 horas, vamos ver o que diz. Foi aberto uma janela com a palavra Agora.—Agora? O que você gostaria de dizer com agora? Robert não respondeu. William finalmente falou alguma coisa:—Foi você! Não foi!? Seu idiota! Prendam-no! Olhem para quem foi enviada a mensagem!—Vamos ver, foi enviado a este número. Grayson, ligue para a central e mande rastrear.—Já estou fazendo. Jaime levantou e pegou uma algema.—Levante-se. Vamos ter que mantê-lo aqui até descobrirmos mais sobre o caso. Você tem o direito de permanecer em silêncio.—Não por favor, eu te imploro! Eu tenho família!—Dickson, a central já me respondeu, corresponde com aquela gangue que os pliciais estavam perseguindo semana passada!—Mande uma unidade de policiais atrás deles. Wesley, você gostaria de escoltas até sua casa e trabalho?—Não, nem para mim, nem para minha família. Preciso ir até mais Jaime, e faça esse canalha pagar por tudo que ele fez, antes que eu mesmo faça. William saiu, pegou o carro e ficou vagando sem um destino certo. Tinha tirado o dia de folga. Pensou se ia para casa, para o trabalho, lá ele poderia ocupar a cabeça. Foi para a empresa. Estacionou na mesma vaga de sempre. O tempo no elevador parecia não passar nunca. Passou pelos funcionários, todos olhavam para ele. William parou no meio do corredor e gritou:—ALGUM PROBLEMA!!?? Ninguém mandou vocês pararem de trabalhar. Abriu a porta de sua sala. Uma pessoa estava mexendo nos seus arquivos. Ele demorou para reconhece-la, era Sarah, a nova secretária.—Eu posso saber o que você está fazendo aqui?—Vim apenas buscar uns documentos.—E é por isso que tenho um armário escrito documentos, para as pessoas não mecherem nas minhas coisas!—Desculpe, não devo ter prestado atenção. Ela foi para os armários e retirou uma pasta, logo saiu da sala. William percebeu que aquele ambiente não seria o melhor. Saiu do escritório, desta vez nenhum funcionário lhe dirigiu o olhar. * * * * * * * * * * Abriu a porta da casa, nenhum segurança para vigiá-lo. O telefone tocou. No visor aparecia: Jaime Caster.—Alô!—William?—Sim.—Tenho uma notícia.—Fale de uma vez!—Robert foi encontrado morto em sua cela!—Mas como isso foi acontecer? Ele ainda podia revelar quem realmente estava por trás dos assassinatos.—Alguém controlou o marca-passo dele, causando um infarto.—Obrigado por me avisar, até mais! William entrou de vez em casa, seus filhos choravam assistindo desenho animado. Eva estava com a Sr. Wintof na cozinha. Ele passou reto por todos e entrou no quarto. Tomou um banho para esfriar a cabeça, mas não adiantou. Deitou na cama bem cedo. Não conseguia fugir dos pensamentos, cinco mortes, dois sabiam da sua história e os outros três não. Será que realmente tinha a ver com o casamento ou eram apenas assassinatos aleatórios? Perguntas que não paravam. O barulho de mensagens do celular tocou. Ele tinha até medo de ver o que era. Leu em voz baixa.
“Vamos jogar um jogo? Que tal O Jogo das Vítimas?”
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