O Jogo
1 Prólogo - Que comece o jogo
Notas iniciais
Bem, peço também que se puder dê uma olhada na minha outra fic O Amigo Imaginário, é boa, eu garanto e é pequena (uma one-short).
Agradecimentos: Eu gostaria de agradecer a você, caro leitor(a), por estar aqui lendo minha fic. Agradeço também a todos aqueles que leram e comentaram O Amigo Imaginário.
Agora, sem mais delongas, a história...
Boa leitura, espero que goste.
Estava um dia lindo, quente e ensolarado, um dia perfeito para sair com os amigos. Estava. À tarde, fui chamar minhas melhores amigas Claire e Maxinne — Max, como gosta de ser chamada — para saírem em alguma atividade de entretenimento. Mas então, o tempo piorou, as nuvens no céu ficaram escuras e pesadas e não demorou muito para que caísse uma forte tempestade. Chovia, trovoava e relampeava forte e terrivelmente, eu e minhas duas amigas resolvemos ir para a mansão dos meus tios, eu estava passando o fim de férias na mansão deles e eles viajaram, voltariam apenas daqui a dois dias.
- Eh, vamos Claire! Vai ser muito legal! — reclamava Claire irônica.
- Ah cala a boca! Pelo menos eu tô tentando, a culpa não é minha se resolveu cair um pé d'água. — respondeu Max.
As duas estavam sentadas no centro do tapete cinza e peludo da sala de estar, Max tentava entreter Claire com um jogo de damas. Enquanto eu, estava entediada, deitada no sofá com a mão cobrindo os olhos, no chão — próximo ao sofá — estava meu Iphone 4. Foi então que me recordei de algo, tive uma ideia brilhante de como poderia me divertir com minhas amigas. Levantei do sofá num salto, assustando as outras duas, e me joguei no chão, próxima a elas.
- Tive uma ideia! — cantarolei.
- O que? — perguntou Claire desinteressada e desanimada.
- Vamos jogar um jogo? — propus.
Claire e Max se entreolharam desconfiadas.
- É um jogo muito legal, é diferente de todos os jogos que já jogamos, mas há apenas uma única regra: Não podemos parar até que alguém ganhe.
- Qual jogo? – perguntou Claire.
Claire parecia um tanto receosa, já Max por outro lado, estava animada com a ideia.
- Qual jogo?! — repetiu Claire impaciente.
- Você verá. — respondi.
- Vamos chamar Anna, Damon, Cecílie e Andrew também. — sugeriu Max.
Claire e eu sorrimos.
- Então que comece o jogo. — falei sorridente.
Peguei célere meu Iphone no chão e liguei para Anna, Anna era irmã de Damon e com essa chuva provavelmente os dois estariam em casa. Anna atendeu e eu a convidei para vir à mansão e trazer Damon para jogarem um jogo misterioso. Claire e Max aviam ligado para Cecílie e Andrew e avisaram que ambos viriam mas trariam o primo de Andrew, Hideki, junto. Melhor ainda. Olhei as horas no aparelho, oito e quarenta, as horas não importavam, o jogo poderia ser feito a qualquer momento.
Não demorou muito e a campainha tocou, estavam já todos lá. Os recebi empolgada e logo corri para cozinha para fazer o ritual necessário para iniciar o jogo. O site que eu havia encontrado não explicava muito sobre o jogo, o que o tornava misterioso e como uma curiosa de carteirinha, teria de fazer o jogo para ver o que acontecia. Peguei um saco de sal, oito velas, uma faca e uma caixa de fósforos, logo após pegar todo o material eu voltei à sala e joguei tudo sobre o sofá.
- Tirem o tapete. — ordenei.
Assim o fizeram. Meus amigos tiraram o tapete felpudo da sala e o colocaram do outro lado da sala. Peguei o saco de sal e fiz um grande desenho do contorno de uma estrela de oito pontas, depois peguei a faca e as velas e escrevi o nome de cada um dos participantes do jogo, um em cada vela, inclusive o meu próprio. Coloquei as velas de pé em cada uma das oito pontas da estrela, meus amigos me olhavam desconfiados e confusos, fui até as cortinas e as fechei e por fim saltitei até o interruptor de luz e apaguei as luzes. Peguei a caixa de fósforos e acendi as velas, depois me sentei no centro da estrela.
- Venham, sentem-se dentro da estrela! — chamei — Só tomem cuidado para não desfazer o desenho.
- Não sei não, Ariane. Parece mais um ritual macabro. — disse Anna.
- Calma Anna, é apenas um jogo. — tentei tranquilizá-la — Agora me faz um favor e pega meu Iphone no sofá. — apontei para o aparelho no sofá.
Eles o fizeram, Anna me trouxe o Iphone e sentou-se junto a mim e aos outros dentro da estrela, o desenho era grande o suficiente para que coubéssemos todos nós. Procurei nas anotações salvas no Iphone pela anotação que continha as palavras que deveriam ser pronunciadas para que o jogo começasse, estavam em outra língua, eu não conseguia entender bem, mas parecia latim. Respirei fundo me preparando para pronunciar as palavras, a cada segundo eu só ficava cada vez mais empolgada e ansiosa com o resultado.
- Tam sanctus, sic BENIGNA, ita iucundum. Veni ad nos, oh FUSCUS, ego praecipio. Veni. Ego envoco ludimus ad vestri venatus dedite animas nostras. — repeti lentamente.
As velas então se apagaram. Um vento gelado soprou fazendo com que eu me arrepiasse, senti Anna agarrando meu braço e tremendo ao meu lado, o único som que eu ouvia era o da respiração de meus colegas. O estrondo de um trovão assustou a todos por um momento e uma risada demoníaca preencheu o lugar. O clima ficou mais assustador e tenso do que eu esperava, eu podia sentir a atmosfera ao nosso redor ficando cada vez mais pesada até que chegou a ser sufocante, era como se sentisse o pavor tomando conta de todos ali presentes, eu não esperava que aquilo fosse acontecer e me arrependia de ter feito aquilo.
- Eu estou com medo. — choramingou Cecílie.
- Eu não quero mais jogar! — gritou Claire.
- Você não pode mais sair do jogo. — disse uma voz desconhecida e amedrontadora, tinha um tom demoníaco que chegava a ser assustador — Ninguém mais pode e essa é a única regra.
- Quem é você? — perguntou Max.
- O mestre do jogo, ou seja, um demônio. — respondeu a tal voz.
- Mas que porra de jogo é esse?! — gritou Hideki.
- É o Jogo da Morte. Vocês terão de sobreviver e derrotar meu peão e meus mascotes, aquele que conseguir ganha o jogo, pondo fim a ele também. — respondeu.
- Tá bom, Ari, não tem mais graça. — falou Andrew tentando parecer calmo e rindo para disfarçar o medo.
- Mas eu não estou fazendo nada. — falei.
- Hei Demônio, e se não fizermos isso? — perguntou Damon.
- Morte. — respondeu curto e grosso.
Aquilo afetou a todos. Morte. Essa palavra nunca havia soado tão pesada e assustadora como naquele momento. Prendi a respiração.
- E como saberemos que não está trapaceando? — perguntou Anna trêmula.
- Não saberão, terão de confiar em mim. Mas acreditem mesmo querendo me alimentar de suas jovens almas eu gosto de um jogo limpo. — respondeu. — Todos aqui presentes tem mais de doze anos, certo? Não tentem me enganar.
- Certo, todos temos treze. — respondi.
- Eu tenho quatorze. — disse Damon.
- Muito bem, assim que eu anunciar o jogo terá inicio. — disse o demônio.
Agora não era mais uma simples diversão entre amigos, não era mais um jogo, agora era questão de sobrevivência. Eu suava frio e me perguntava se conseguiria me mover. Quem é o peão? Quem são os mascotes? Não sei e não quero descobrir tão cedo. Anna soltou meu braço e respirou fundo se preparando para correr.
- Que comece o jogo!
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