O Jogo

9 Capítulo VIII - Cuidado com as escadas


Notas iniciais
Boa noite! Estou aqui novamente para postar outro capítulo da fic, como havia prometido.
Agradecimentos: Muito obrigada por ter lido e comentado a fic Amandha LP!

POV — Andrew

Estávamos todos reunidos, escondidos em uma dispensa de alimentos, pelo menos não passaríamos fome. Estávamos abalados, mal acabamos de perder a Max e já perdemos a Cecílie, apenas Hideki continuava o mesmo de sempre, mas era compreensível. Parecia que as únicas pessoas de quem meu primo gostava era de mim e de Ariane, e ele mal a conhecia. Eu a sentia, a morte, a escuridão, parecia que ela estava se aproximando cada vez mais de mim, eu sentia o cheiro de podridão e enxofre e ouvia os sinos badalarem, cada vez mais alto. Gesticulei para Ariane perguntando as horas, ela verificou o horário no Iphone.

- Meia-noite e meia. — sussurrou.

- Do que importa as horas agora? — perguntou Hideki.

Dei de ombros. Ariane jogou a cabeça para trás e suspirou.

- Meus tios... Eles vão chegar amanhã, às dez da noite, será que vão ser mortos também? — ela parecia preocupada — Não seria justo que eles acabassem no meio dessa história toda também.

- Provavelmente... Não acho que eles ficariam felizes em ver o que fizemos na casa. — respondeu Damon.

- Espero que o jogo já tenha acabado até lá. — suspirou Ariane — Mas quem será que irá ganhar? Um de nós? O Peão?

- Provavelmente o Peão. — respondeu Damon — Nós preocupamos mais em esconder do que atacar, ele já percebeu isso e está pegando cada um de nós, um por um.

Aquilo era verdade, estremeci com a idéia de morrer tão cedo. O que será que aconteceria... Depois de morrermos? Ficamos em silêncio. Minutos depois ouvimos o estrondo de um trovão, estava chovendo lá fora, novamente. Já estava desanimado, deprimido, estava quase aceitando o meu destino. Morte. Acho que meus amigos também já estavam quase aceitando isso. A dispensa estava ficando quente, abafada, apertada e com pouco oxigênio, estávamos cinco jovens num cubículo repleto de comida não perecível e com apenas uma passagem de ar, a fresta por debaixo da porta. Damon abriu a porta e saiu da dispensa, Anna o seguiu e todos fomos um pouco depois.

- O que está fazendo? — perguntou Anna.

- Vamos morrer Anna, temos que aceitar isso, ficarmos presos nessas condições só irá piorar tudo, por que não paramos de nos torturar de uma vez? Temos de atacar, nos esconder não está ajudando em nada. — respondeu.

- Eu concordo... — concordou Hideki.

- Está certo. — eu e Ariane falamos juntos.

- Mas o que pretende fazer? — perguntou Ariane.

Damon ergueu uma faca grande e afiada, não chegava a ser um facão.

- Tentar matar o Peão, pelo menos uma vez, antes que ele me mate. — respondeu.

Pegamos as facas e nos preparamos, saímos pela mansão a procura do Peão, ele não deveria estar muito longe. Considerei a idéia de usarmos Hideki como isca para atrair o Peão, já que ele era o alvo do assassino, mas logo desisti, eu não era um monstro, não seria capaz de usar meu próprio primo colocando-o em perigo. Passamos por um corredor, havia um relógio que me lembrava o Big Bang no corredor, andamos mais alguns passos e esbarrei em Anna, os outros haviam parado, olhei para os seus rostos sem compreender o motivo de tanto espanto, foi então que eu segui seus olhares, era Cecílie. Estava morta, estirada ao chão e com um corte bem no meio da testa, Hideki passou por cima do corpo da menina e depois se virou para nós, seu rosto não expressava nenhuma emoção.

- Não vejo novidade alguma nisso, sabíamos que isso iria acontecer, agora vamos, não temos tempo. — falou numa voz calma e seria.

Ele continuou andando pelo corredor. Os outros ficaram perplexos com a frieza de Hideki, mas logo o acompanhamos, nós dividimos em grupos: Eu e Anna, Ariane e Hideki e Damon iria sozinho. Após nos dividirmos entramos em cada um dos cômodos pelo corredor a procura do assassino. Reunimos-nos em frente à escada.

- Nada. — começou Ariane.

- Não achamos nada também. — falei.

- E você, Damon? — perguntou Anna.

Damon balançou a cabeça negativamente em resposta. Eu já estava ficando sem paciência, durante todo o jogo, tudo o que fizemos era correr, correr e se esconder, mais nada. Então, a primeira vez em que tomamos coragem e decidimos agir, o Peão ficava fazendo cu doce e desaparecia pela mansão. Abaixamos nossas cabeças e ficamos em silêncio. A primeira a levantar a cabeça foi Anna, e quando ela olhou para frente ficou paralisada.

- Quem está fazendo cu doce por aqui? — perguntou uma voz rouca e ameaçadora.

- Hei como você sabe que eu estava pensando isso? — perguntei.

Levantei a cabeça, eu sabia que aquela voz me era muito familiar, era o Peão. Estava no meio do corredor, a alguns metros de nos, arregalei os olhos me apavorando, tentei me recompor lembrando-me do motivo por estar ali, teria de virar homem e enfrentá-lo. Quando Anna voltou a si, ela gritou, acabei me assustando com o grito e recuei alguns passos para trás, grande erro. Ao recuar alguns passos acabei não encontrando o chão, me desequilibrei e rolei escada a baixo. Eu não conseguia enxergar o que meus amigos estavam fazendo, provavelmente Hideki tentaria atacar o Peão e seria impedido e todos fugiriam, meu corpo estava dolorido, com muito esforço me levantei.

- Não Hideki! — ouvi alguém gritar, Damon, estava ocorrendo exatamente como eu imaginei.

- Temos de agir! — gritou Hideki.

- E vamos agir, vamos correr! — falou Ariane.

Ouvi alguns passos, olhei para cima e eles estavam correndo, mas o Peão continuava lá, agora, me encarando. Era o fim, eu iria morrer. Ainda tonto e dolorido tentei correr, senti algo atravessando minha perna, era o facão. Estava doendo muito o ferimento, mesmo assim não desisti, na hora do medo me levantei e cambaleei tentando fugir, pude ouvir os passos lentos e pesados do Peão atrás de mim, ele não parecia com pressa. Por fim, senti duas lâminas atravessando meu pescoço, caí ao chão e as lâminas se agarraram ao piso de madeira, eram dois punhais, eu estava me engasgando com meu próprio sangue, uma dor aguda e um nó subiam pela garganta, eu sabia que era o fim da linha. O Peão se aproximou de mim e puxou meus pés com força, fazendo com que meu pescoço partisse bem no local do ferimento e minha cabeça se separasse do corpo, mesmo morto, meu cérebro continuava ativo e lágrimas se acumularam em meus olhos, eu sabia qual seria meu destino a partir dali, apenas não queria aceitá-lo. Minha tentativa de sobreviver, havia sido em vão.

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POV — Demônio da Morte

Novamente ali sentado no trono e observando a estrela do jogo, estava começando a ficar entediante, aqueles jovens eram fracos e covardes, o único que tinha atitude, força e coragem sempre era impedido. Ele também acabava se tornando fraco por se submeter às ordens de seus colegas, humanos, quem vai entender? Finalmente aquele tal de Andrew morreu, ele era um peso morto no jogo e estava apenas atrasando tudo. Fiquei observando sem emoção alguma sua vela se apagar no jogo, restando apenas quatro velas acesas. Andrew continuava a negar o seu destino, eu teria de ir buscá-lo depois, demorei um pouco para perceber as lágrimas que se acumularam nos olhos do garoto após sua morte.

- Ah, que dó, que dó. — debochei.

Voltei a gargalhar como sempre, não demorei muito a me recompor e voltar a observar a estrela do jogo. A metade dos participantes havia morrido.