O Jogo

10 Capítulo IX - Hideki


Notas iniciais
Olá! Boa noite! Me perdoe por não ter postado antes, é a preguiiiiiça! Mas eu retornei e aí está mais um novo capítulo!

POV — Hideki

Humilhação, vergonha e desonra. Tivemos a chance de atacar o Peão, mas, invés disso nós fugimos como vermes desprezíveis, os covardes que nós somos. Eu queria matá-lo, mas fui impedido, não posso culpar apenas os outros, também fui fraco em permitir que eles me colocassem na coleira. E meu primo? Abandonamos Andrew, eu o abandonei, a única pessoa que me compreendia no mundo e eu nem tentei salvá-lo, não sou mais uma pessoa digna de viver, até cogitei a idéia de aceitar a morte, mas não quero morrer com essa vergonha pesando nos ombros. Eu me sentia como um animal, um animal enjaulado ansiando por liberdade, sabia que seria má idéia me juntar a eles, desde o começo. Estávamos escondidos num quarto qualquer, provavelmente o Peão irá novamente nos caçar. Um silêncio mortal pairava pelo cômodo, isso estava me incomodando.

— Hei Ariane, quantas salas têm nessa mansão? — perguntou Anna.

— Seis. — respondeu Ariane.

— E em qual foi feita aquela estrela lá, de sal? — perguntou Anna.

— Na sala dos fundos, está trancada, eu já fui lá. — respondeu.

Olhei ao redor. Entediante, pequeno, estava começando a me sentir claustrofóbico. Se eu fosse morrer eu gostaria de uma última vez, enfrentar o Peão. Assim, eu morreria feliz. Levantei e fui até a porta, a soquei até que a madeira quebrasse, os outros pareciam confusos e assustados, eu estava pouco me lixando se o Peão ouvisse. Saí do quarto e caminhei pelo cumprido corredor, atravessei a sala e desci as escadas ao primeiro andar, atravessei a sala de visitas e toquei a maçaneta da porta da frente, antes de abrir a porta senti uma mão tocando meu ombro, provavelmente Damon.

— O que pensa que está fazendo? — perguntou.

Virei-me para encará-lo, estava sem ânimo algum para começar outra discussão com aqueles três. Anna estava agarrada a Ariane, as duas estavam um pouco atrás de Damon.

— Me deixa. — falei.

— Não! Não vou deixar você ir lá fora e fazer besteira. — falou.

Revirei os olhos.

— Olha aqui Damon, tivemos uma chance de atacar o Peão, mas invés disso fugimos como gatinhos assustados, e o Andrew? E o meu primo hein? Ele está morto e nós nem tentamos salvá-lo! — suspirei — Eu já estou cansado de vocês ditarem as ordens, simplesmente me porem a coleira como se eu fosse um animal, vocês já me atrapalharam por tempo suficiente. Adeus.

Virei-me novamente a porta e a abri, antes que eu pudesse sair da mansão Damon me impediu novamente.

— Espere! — chamou — Você está certo, sei que somos um peso morto para você e que sempre te atrapalhamos, por isso eu peço desculpas, eu gostaria de te ajudar Hideki, é só você falar o que devo fazer.

Virei-me novamente, voltando à atenção a Damon. Assenti, sendo fraco de novo, talvez porque eu não quisesse ficar sozinho no momento. Damon se colocou ao meu lado e olhou para as meninas.

— Vocês vêem? — perguntou.

Anna com certeza viria, ela nunca deixaria seu irmão. As duas vieram junto conosco, voltei à porta e saí da mansão. Caminhamos pelo gramado, eu não tinha nada em mente, não tinha um plano e nem nada, andava sem rumo e aqueles idiotas ainda me acompanhavam. Normalmente eu elaboro um plano improvisado em cada situação inesperada, mas agora, minha mente deu curto-circuito, não imaginei que eles me acompanhariam. Parei por um momento e chutei com força o gramado, ainda consegui arrancar um punhado de terra, fiquei fitando meus tênis.

— Droga... — murmurei sozinho.

De uma maneira estranha, perturbadora e inexplicável, era como se eu sentisse a presença do Peão. Levantei o olhar e lá estava aquele merda, parado diante de mim a alguns metros de distância, olhei para meus colegas e eles estavam paralisados um pouco atrás de mim.

— Quem é o merda aqui? — perguntou irônico.

— Ora, ora, ora. Um pouco antes da morte de Andrew você descobriu seus pensamentos, e agora os meus. Vai me dizer que consegue ler mentes? — perguntei sarcasticamente.

Ele riu.

— Você é esperto, nunca ninguém percebeu isso. — respondeu.

Sorri sarcasticamente. O Peão então lê mentes, interessante, um oponente a minha altura, é por isso que ele sempre nos encontra.

— Entre todos, sua mente é a mais interessante, Hideki. — falou.

— Oh, muito obrigado, sinto-me lisonjeado. — debochei.

Caminhei alguns curtos passos em direção ao assassino, até que fui interrompido novamente por Damon. Idiota. Não poderia julgá-lo como má pessoa, ele apenas tentava fazer o bem a todos e se preocupava com seus amigos e colegas, isso era irritante, era exatamente isso que o tornava fraco.

— Hideki o que irá fazer? — perguntou.

Virei-me para ele, ainda sorrindo.

— Morrer, meu caro amigo, morrer. — respondi.

Voltei à atenção ao Peão e continuei a caminhar até estar próximo a ele, olhei para meus colegas e eles continuavam lá, observando tudo.

— Vão! Corram por suas vidas! — gritei.

Voltei ao Peão, ele ria. O que era tão engraçado? Finalmente, finalmente eu teria o confronto tão desejado. Segurei com firmeza a faca e olhei novamente meus colegas, os encarei por um momento e então eles correram, apenas Damon continuou ali.

— Você vai ficar me devendo essa, veado, agora vá. Cuide bem das meninas. — ordenei.

Damon assentiu e bateu continência, logo depois ele correu seguindo Anna e Ariane, voltei ao Peão, ele continuava imóvel aguardando pelo momento certo, seria muito baixo da parte dele me atacar enquanto estava com a guarda baixa. Nós distanciamos alguns passos e então, ele avançou para me atacar, desviei de seu ataque, o facão dele estava fincado profundamente no gramado, o chutei com força e ele acabou se desequilibrando. Aproveitei a oportunidade em que ele estava caído ao chão para matá-lo, ergui a faca e mirei diretamente no peito, ele também desviou de meu ataque, a faca fincou o chão. Retirei a faca rapidamente, o Peão me acertou um soco no rosto, foi um golpe forte, caí ao chão meio tonto, ele se aproximou e eu taquei a faca, acabou atravessando seu ombro. Ele se permitiu resmungar de dor por um instante e então retirou a faca, o ombro dele sangrava bastante, ele voltou a me encarar e sacudiu a cabeça negativamente, estava debochando de mim, ele queria a chance de me humilhar antes de acabar com minha vida, mas tudo bem, eu morreria dando tempo suficiente para que meus colegas fugissem. O Peão pisou em meu peito, me mantendo caído ao chão, tentei me levantar mesmo sabendo que seria inútil, agarrei seu tornozelo para tentar tirá-lo de cima de mim.

— Covarde. — xinguei.

— Como?! — ele ficou indignado, valeu à pena.

— Isso mesmo, você é um covarde. — repeti.

— Ora, seu... Moleque! — se enfureceu.

Ele tirou o pé de cima de meu peito, o assassino me agarrou pelo pescoço e me ergueu, era um pouco sufocante, agarrei seu braço tentando me libertar. Comecei a rir.

— Que clichê, vai mesmo me dar um fim tão fútil? — debochei — Acabe com isso de uma vez, você não é lá muito criativo para matar pessoas.

— Aproveite enquanto é tempo, não poderá mais debochar de mim, abusado. — rosnou.

Ele soltou meu pescoço e passou a me erguer pela gola da camisa, estava quase rasgando.

— Porra, não estrague minhas roupas! — debochei, pouco depois comecei a rir — Você vai ficar me devendo essa, Damon... — sussurrei para mim mesmo.

O Peão ergueu o facão e então o passou pelo meu pescoço, isso tudo foi numa questão de segundos, nem tive tempo para fechar olhos, acabei assistindo minha própria morte, minha cabeça foi arrancada e rolou pelo gramado. "Game over" pra mim.

- — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — —

POV — Demônio da Morte

Ainda sentado e entediado em meu trono. Quando vi uma vela se apagar na estrela me animei e abri um largo sorriso, aproximei-me da vela para ler o nome escrito nela. Hideki. Uma pontada de decepção me afetou, eu esperava que ele ganhasse o jogo ou que pelo menos fosse o último a morrer. Droga. Estava torcendo por ele e meu favorito morreu... Me enfureci. Serrei os punhos esqueléticos e os bati no trono.

— Que decepção Hideki, esperava mais de você! — rosnei.

Mesmo que aquele fosse o fim dele, eu não podia aceitar, agora o jogo ficaria mais entediante do que nunca, apenas com aqueles fracassados! A risada de Hideki ecoava por minha mente. Fim de jogo para Hideki...

Notas finais
~~Lê desvia das tijoladas~~
Okay, sei que está querendo me matar agora por eu ter matado o Hideki, gomenasai, mas ele tinha que morrer!
~~lê leva um tiro~~
~~lê morre~~
~~lê vai para a terra dos Shinigamis e vira o Ryuuku~~
Isso! Me matem e eu não posto o próximo! u-u