O Jardim dos Pecadores
1 O Chá da Pureza
Notas iniciais
Desejo muitos comentários!
Corra! Corra! Corra o mais rápido que puder, pobre garota!
Madeline corria atordoada pelas ruas de Hideaway, sem rumo certo. Parou, enfim, nos trilhos da ferrovia e olhou em volta. Estava escuro, o céu sem estrelas encoberto por uma grande nuvem espessa de chuva atordoava a pobre garota que choramingava e ofegava.
—Querida, você está bem?-disse uma voz feminina.
Madeline olhou em volta e nada viu. De repente, do outro lado da ferrovia uma luz se acendeu. Instantaneamente a menina caminhou até ela, atravessando os trilhos de mal jeito. Alguém caminhava em sua direção.
—Querida?-disse a voz de novo, desta vez a menos de um metro de distância.
Madeline não respondeu. Um braço envolveu seus ombros junto a um pesado cobertor de peles.
—Venha.-disse a voz novamente-Vou te levar para dentro, está muito frio aqui fora.
Os minutos que se seguiram foram confusos para a garota. Inesperadamente estava sentada de frente para uma lareira, e nela uma chaleira continha água fumegante.
—Está melhor Madeline?-disse a voz.
Madeline olhou para a mulher; era alta, magra e tinha cabelos muito curtos e loiros, olhos negros como o céu sem estrelas e uma expressão cansada. Em uma poltrona bem próxima a lareira estava sentado um homem de meia idade, cabelos longos e grisalhos e, ao contrário da mulher, tinha grandes olhos azuis e corpo forte e altivo.
—Madeline?-perguntou de novo ela, perante o silencio.
—Sim!-respondeu ela assustada. Não se lembrava de ter dito seu nome.
—Como se sente?
—Bem, obrigada-disse Madeline, encolhendo-se por de baixo do cobertor que que envolvia- Quem são vocês?
—Eu sou a Sra. Lance-disse a mulher, e imediatamente a garota sentiu um arrepio na nuca. Por fim balançou a cabeça para espantar os maus pensamentos, sorrindo para aqueles que a acolhera com carinho-E este é o Sr. Lance, meu marido.
O homem franziu a testa para a garota, e seu sorriso desapareceu. A chaleira apitou.
—Está pronta!-disse a Sra. Lance- Deseja chá, querida?
—Sim, obrigada-disse Madeline para a sua própria surpresa; ela odiava chá.
A Sra. Lance entregou-lhe uma xícara e despejou nela a agua fumegante. Em seguida pegou em um pequeno baú da prateleira ao lado da lareira um sachê de chá.
—Tome. Produzimos aqui mesmo, em nossa província.
Madeline sobrou o chá e olhou para os Lance, incomodada.
—Pode dormir esta noite aqui- disse a Sra. Lance- Claro, se não tiver nenhum lugar para ficar.
—Claro!-disse a menina-Eu precis...
—Por que estava correndo?-perguntou inesperadamente o Sr. Lance, sorrindo brandamente.
Madeline ficou em silencio e bebericou o chá. Seja quem fosse os Lance, do bem ou do mal, ela não diria o motivo de tal desespero.
A sala ficou silenciosa. Ela bebericou mais um pouco e tudo começou a rodar em sua cabeça.
—Responda!-disse a Sra. Lance-Responda ao meu senhor.
Tudo estava rodando. Ela se levantou cambaleando e a xícara escorregou de seus dedos. O Sr. Lance a pegou pelos ombros e sacudiu para que abrisse os olhos.
—Por que?!-gritou ele, ou pareceu ter gritado na cabeça confusa da garota.
Ela disse algo, algo que saiu alto e não por vontade própria. De repente Madeline caiu e suas últimas palavras antes de adormecer foram balbuciadas:
—Eu... Eu matei ela. Eu matei ela. Eu matei...
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