O Jardim
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Primeira experiência OneShott: Não sei se isso é bom ou ruim.
Enfim, Aproveitem!
O delicioso aroma das flores juntamente com o da terra molhada inebriou os meus sentidos. Era uma manhã nublada, que prometia chuva. Eu esfregava minhas mãos uma na outra numa tentativa inútil de aquecê-las, enquanto aguardava diligentemente a chegada do que foi meu objeto de obsessão durante meses. Até que, como se escutasse meus pensamentos, a porta da velha casa que observava se abriu e dela saiu uma solitária garota... A solitária garota. Antes que ela pudesse me ver, me escondi atrás de uma das árvores e fiquei a observá-la. Sua pele pálida arrepiou-se a tocar a terra do jardim e seu vestido balançou ao contato com a brisa fria. Agachando-se ela pegou um dos frutos do meu trabalho e seus olhos brilharam quando o aroma da flor recém-plantada chegou a suas narinas. Ela inclinou sua cabeça em satisfação e seus cabelos negros caíram como cascatas sobre seus ombros e lá, no canto da boca, finalmente, eu pude ver o indício de um sorriso.
Soltei todo o ar que continha em meus pulmões. Esperei o que pude por essa visão e nunca pensei que seria tão avassaladora. Meu coração acelerou e minha face enrubesceu, permaneci naquela posição alguns minutos, mesmo depois que ela adentrou a casa. Recuperei o fôlego e respirei fundo, me apoiando no trono úmido da árvore a minha frente, observei o jardim no qual ela acabara de sair. Um turbilhão de lembranças invadiu a minha mente: Quando a vi pela primeira vez, quando descobri que ela gostava de flores... Girei e comecei a caminhar negando-me a abandonar essas lembranças. Todo dia, todo dia eu vinha em busca desse sorriso: Plantava flores, limpava o jardim... E me escondia na esperança de que ela aparecesse, olhasse e sorrisse; porem, ela só oferecia olhares opacos enquanto, sentada em meio às flores, acariciava suas pétalas, sem ânimo, sem vida. Agora, finalmente, ela sorriu. Diante desse pensamento, inclinei a cabeça e ofereci um caloroso sorriso ao sol que acabara de nascer.
No outro dia, acordei com um ânimo sobrenatural. Arrumei-me e sai correndo de casa com uma maçã na boca. Antes que pudesse digeri-la cheguei ao tão prezado jardim, animado e com pressa, tratei da terra, flores e sementes como de costume e rapidamente fui á minha posição atrás da árvore. Passei vários minutos esperando, soando, esfregando as mãos em ansiedade... A animação era claramente vista em meus olhos e eu não conseguia me conter. Esperei ainda vários minutos até perceber que o sol tinha nascido e ela não apareceu, voltei pra casa com o cenho franzido, estranhando sua ausência: Pela primeira vez ela não veio ver o jardim. A minha animação de mais cedo esvairou-se completamente.
Nos dias seguintes eu continuei voltando para o jardim, mesmo sem ninguém para observá-lo, mesmo sem ninguém para tocar as pétalas e cheirar as flores, eu cuidei dele como se fosse ela em meus braços. Mais uma vez lá, ao término do meu trabalho, olhei durante poucos segundos a casa que ficava no centro do jardim. Em um misto de sentimentos, imaginei o que aquela porta escondia: Estaria ela lá, sozinha, chorando, talvez... Me aguardando? A esperança me atingiu como um trem e a determinação manchou meus olhos.
Em passos vacilantes me aproximei da casa. Fechei os olhos e só os abri novamente após meus dedos tocarem a madeira fria da porta, engoli em seco, meu coração martelava contra o peito e eu podia ouvir minha circulação sanguínea agitar-se, enfim, empurrei a superfície plana a minha frente e num rangir ela abriu-se revelando o interior da casa. Alguns minutos depois, saí do casebre, cambaleando, gotas de suor desciam pela minha testa e minhas pupilas estavam dilatadas. Em minhas mãos, uma foto de uma jovem em meio a um imenso campo de flores, com seus cabelos negros contrastando com seu vestido branco e com um largo sorriso que tinha em face; e um documento impresso, envelhecido pelo tempo, em que destacava-se, com letras garrafais, as palavras: ATESTADO DE ÒBITO. Continuei andando em direção ao nascer do sol deixando para trás um jardim que nunca mais voltaria a ver e uma casa de madeira, inabitada há oito anos.
Notas finais
Desculpem os erros de português ou qualquer coisa, mas como vocês sabem eu sou nova nisso.
Aguardo comentários, tanto negativos quanto positivos. Afinal de contas é assim que se aprende, né?
Obrigada por ler & até mais.
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