O Irmão de Annabeth

28 A estranha decisão de Atena


Notas iniciais
Bem... Mais um capítulo, espero que gostem 0/

Não tenho que lhes dizer que novamente senti o maior medo de minha vida, ao ver Psiquê com seu sorriso demoníaco e minha mãe falar com tanta naturalidade: “Vamos separar sua alma do seu corpo”, era de pirar e de sair correndo daquele templo o mais rápido possível, só que ter Ártemis e Atena atrás de você, diminuíram as chances de fuga drasticamente. Eu praticamente era refém daquela memória, ou melhor, Selena era.

– O que houve Selena, mudou de ideia? – Perguntou Ártemis

Eu respirei fundo e tentei parecer tranquila.

– Não... – Respondi tranquilamente

Ártemis sorriu e olhou para Atena e pediu para que ela desse prosseguimento ao ritual. Meu coração disparou, quando percebi que Atena estava realmente diferente, parecia enjoada, será que ela estava?! Não, ela é uma donzela eterna, ela não poderia...

– A caçadora está pronta? – Perguntou Psiquê

Ártemis afirmou que sim com a cabeça e a deusa me chamou para próximo dela.

Psiquê sorriu e colocou a mão em minha cabeça, eu olhei preocupada para Atena, mas ela estava preocupada com outras coisas, mas logo eu saberia o que estava acontecendo.

Não doeu nada, ao contrário de quando eu senti pela primeira vez, desta vez foi uma sensação quente, Psiquê não tentava me machucar, não demorou muito, quando eu percebi que meu corpo estava a minha frente, caído no chão e meu espírito flutuava livremente ao lado de Psiquê. Ártemis estava com lágrimas nos olhos, triste ou orgulhosa, era difícil de distinguir.

– Selena, obrigada! – Falou Ártemis chorando – Sua vida foi tão difícil, quando se juntou as caçadoras, achei que seu sofrimento havia chegado ao fim, eu não poderia ter lhe pedido isso, mas como a mais brava das guerreiras, você se ofereceu... Selena, sua alma agora me pertence e eu lhe prometo, que seu futuro será muito melhor... Descanse minha caçadora, novas batalhas virão! –

Eu nunca pensei que Ártemis pudesse ser tão emotiva, eu me sentia culpada por fazê-la chorar e queria lhe consolar, mas não podia. Selena havia sido usada para algum ritual, eu pelo menos poderia ver a continuação daquela história de terror em forma de espírito.

Ártemis conduziu Atena até o grande vaso cerimonial, a deusa da sabedoria parecia cada vez mais enjoada. A terceira mulher levantou o corpo desfalecido de Selena e o levou até o vaso.

– Atena, antes de continuar, têm certeza disso? – Perguntou Ártemis

Essa criança jamais poderá ver a luz do dia, minha irmã! – Atena falou com dificuldade – Pelo bem dela e dos deuses, esse segredo teremos que levar pela eternidade! –

Ártemis ficou em silêncio, e ela ajudou a mulher a colocar o corpo desfalecido de Selene dentro do vaso cerimonial.

Psiquê se pôs entre Atena e o corpo desfalecido de Selena, colocou as mãos nas testas das duas e começou a entoar um cântico em grego antigo.

– Eu sinto muito minha filha, mas foi um momento de fraqueza, meu juramento não pode ser desfeito e mesmo lhe amando muito, essa é a coisa mais sábia a se fazer! – Atena se desculpou

Um forte brilho dourado ofuscou minha visão, mas após alguns minutos, eu pude perceber que Atena estava sentada no chão, com uma cara de tristeza e derrota, e o corpo de Selena brilhava em um tom dourado.

Ela ainda estava dentro do vaso cerimonial, Atena tinha feito alguma coisa para aquele corpo sem alma, ele brilhava como ouro.

Sem mais nem menos, Ártemis e a mulher começaram a encher o vaso cerimonial com um estranho líquido dourado. Elas continuaram a encher o vaso, até que a coluna de líquido atingiu o pescoço de Selena.

Ártemis então veio com a tampa do vaso, feita em cerâmica, enfeitado como o resto do vaso. Ela tampou o vaso, então Atena colocou um pequeno pedaço de pergaminho entre o encaixe da tampa com o vaso, seu nome em grego antigo parecia servir de lacre para a estranha combinação.

Após isso, a memória se desfez, e eu apareci em um grande campo aberto, em frente a deusa da lua.

– Me desculpe por mais cedo... Eu estava furiosa. – Ela falou em tom cabisbaixo

Eu a olhei sem entender muito bem o que estava acontecendo.

– Sempre que tenho essa memória, fico triste, foi um dia negro para as caçadoras, a primeira vez que eu precisei mentir para elas, de o porquê que Selena não poderia voltar. – Lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto – E lhe ver hoje, condenada a uma existência dentro do corpo de um filho de Atena, parece que o destino quis nos dar uma lição de moral! – Ela sorriu – Você lembra de alguma coisa, Selena? –

Ela perguntou para mim, mas meu nome era Connor Chase, e com toda certeza, a não ser que estivessem me enganando por toda a minha vida, eu era homem!

– Ártemis, meu nome é Connor! –

Ela me olhou e sorriu.

– Não me admira que não se lembre de nada... – Ela respirou fundo – Nem Hades é tão maléfico, a ponto de fazer você lembrar disto em uma nova encarnação, mas é sádico o suficiente para lhe fazer filho de Atena! –

Encarnação?! Ela está dizendo que?!

– Estou dizendo, que você Connor Chase, é minha antiga caçadora de quatro milênios atrás Selena, em uma nova vida, mas a mesma alma! –

Eu quase desmaiei na hora, como ela conta uma coisa dessas?!

– Ártemis?! –

– Connor, é uma memória perturbadora, você se sacrificou pelo mundo naquele dia, é uma coisa que eu respeito, e mesmo que você seja um homem hoje em dia, eu continuo rogando por você! É uma memória importante, é um evento marcante para as três deusas envolvidas nesse ritual, Connor, não posso lhe revelar o que exatamente aconteceu naquele dia, mas só posso lhe dizer uma frase... –

Eu a olhei sério.

– Sangue dos deuses têm poder! –

Eu olhei para ela ainda confuso com a história de “você é Selena”, mas com isso, ela sorriu e eu acordei.

Aquela deusa bizarra agora deu para invadir meus sonhos, e fazia apenas um dia que eu era definido como “de Ártemis”, e eu realmente não queria entrar no assunto de: “Você é Selena”, daqui a pouco eu estaria cantando e com vontade de namorar um cantorzinho Pop qualquer...

Tá, coitada da Selena Gomez, e nunca, mas nunca... Quer saber, piada ruim... Voltando ao assunto de acordar de repente, aquilo não foi legal.

Ainda estava no meio da noite, não estava quente e eu era a única pessoa no dormitório.

Sem sono e com medo de ter mais um pesadelo com Selena, Ártemis e Atena, decidi que o melhor era ir dar uma volta no acampamento, e ou simplesmente observar a lua.

Coloquei um casaco e sai, em busca de alguma distração e ou uma reflexão sobre os acontecimentos que haviam sido revelados sobre o meu passado, e ou melhor, sobre minha última encarnação.

Fui até o Campo de Marte, lugar onde os romanos travavam suas batalhas e guerras simuladas, eu apenas fiquei olhando para a terra, como se esperasse alguma reação dela. Por sorte, ela não falou comigo, o que atestaria que eu era louco.

Havia apenas uma alma viva naquele acampamento àquela hora da noite, sentada em uma pedra, Hazel Levasque me observava, se perguntando o que eu fazia ali àquela hora. Seus olhos dourados se fixaram em mim, e eu fui atraído até ela.

– Oi Hazel... – Falei pouco à vontade

Ela me estudou e tentou forçar um sorriso que não saiu. Era difícil, eu e ela nunca havíamos conversado, e ela realmente não parecia gostar muito de mim.

– Oi. – Ela respondeu em tom monótono

Eu olhei para a lua e percebi como ela estava linda, não sei se era por causa de Ártemis e ou por causa de tudo que havia acontecido em apenas um dia. De uma hora para a outra eu não era mais um filho de Atena, não era mais nem um pouco parecido com Annabeth e eu me sentia diferente em tudo. Mas ao mesmo tempo, me sentia a mesma pessoa.

– Como você está? – Hazel perguntou inesperadamente

Eu a olhei surpreso e sorri.

– Estranhando muito... – Respondi rindo – Eu me sinto muito diferente, mas ao mesmo tempo me sinto normal... Perdi Atena, a semelhança com Annabeth e Skadi... Não sei como devia estar me sentindo. –

Hazel riu.

– Connor, eu não lhe conheço, mas posso dizer que você não é nada igual a sua irmã... – Ela riu – E, você têm um segredo... Sobre uma vida passada? – Ela perguntou

Eu arregalei os olhos e ela sorriu. Hazel era filha de Plutão, ela sabia de mais coisas sobre a morte e a vida do que eu poderia explicar.

– Pode falar, eu prometo guardar segredo... –

– Hazel... Foi um sonho perturbador... – Eu comecei

Contei a ela tudo o que havia sonhado e tudo que Ártemis havia me falado, ela escutou atentamente, até que chegou ao final.

– Acho que está claro para onde temos que ir... – Ela falou

Eu a olhei em dúvida, eu estava estranhamente lerdo naqueles dias...

– Atenas... Descobrir o que esse sonho significa, e ainda temos que descobrir o paradeiro de Rachel... –

Eu sorri.

– Você vai junto? –

– Arty, conte comigo! -

Notas finais
E aí, querem continuação? Está muito ruim? O que vocês acham?