O Irmão de Annabeth
13 Sem Esperança
Notas iniciais
Imaginem todas as moléculas de seu corpo ficando tão comprimidas, que qualquer movimento brusco poderia causar uma séria explosão em minhas moléculas. Não é bom ser uma coruja contra a sua vontade... Ainda mais ter que depender de Annabeth para tudo, vamos dizer que foi muito humilhante, para não falar outras coisas.
Imagine ver sua irmã de um metro e setenta olhando para você como se você fosse um cachorrinho fofo. Annie tinha 18 anos, mas me olhava ali, no chão da sala do Sr. D como se fosse um cachorrinho, um filhote recém nascido. Ela não falou nada, mas estava na cara.
Na minha mente, eu não conseguia me concentrar para voltar ao normal, estava tão assustado com a transformação repentina e com a cara de Annabeth, que mesmo que eu, força-se minha mente, eu não conseguiria.
– Annie... Eu acho que você tá assustando ele... – Falou Percy Sério
– Calma Percy, eu só quero ver... Esse é mesmo o Connor?! Ela tá tão lindinho! – Exclamou ela
Annabeth tentou me pegar... Mas eu dei alguns passos para trás.
Ela me olhou triste. Eu estava com medo dela, eu não sei porque, mas estava.
– Annie... Estenda a mão! – Disse Percy
Annabeth estendeu a mão. Com muito receio alcei um pequeno voo e pousei no braço dela.
Ela me olhou satisfeita.
– Obrigada Percy... E Connor, não precisa ter medo de mim... – Falou ela em tom doce
Eu olhei para ela e dei seilá... Um pio? Um berro? Não sei o que as corujas fazem.
Ela sorriu e levantou.
– Percy, ele me entende? – Perguntou ela
– Acho que sim... Ele parece bem pouco a vontade no seu braço... – Riu Percy
Annie me analisou.
– Sou a irmã dele, claro que ele não gosta de estar assim comigo... Mas se fosse com a Alex ou com a Reyna... – Riu Annabeth
Biquei a mão de Annabeth.
– Ai! Connor! Você realmente me entende! – Disse ela rindo
– Ah... E cuidado que ele é brabo quando está assim! –
Annie e Percy foram para o chalé 6.
Vamos dizer que passei em torno de meia hora pendurado no braço de Annabeth e cerca de duas horas vendo os dois namorarem. Eles não fizeram nada demais, mas eles podiam ter me deixado com alguém, em algum chalé... Ver os dois namorarem não é legal, eu me sentia mais intruso do que nunca. E o Percy e a Annie já estão bem adiantados em sua relação... Atenção, se tiverem algum dia uma coruja, não a traumatizem...
Annie e Percy não pensavam no que havia acontecido com Dionísio, eu ao contrário comecei a especular o porque de Rachel querer destruir um Deus grego com um ritual egípcio. Eram muitas teorias, mas a principal, era a geração de energia. Quando se destrói algo poderoso como um Deus, uma grande quantidade de energia é liberada, e ela pode ser usada na finalidade de libertar algo mais poderoso ou em um grande encantamento.
Além de que a destruição dele, traria o caos para o equilíbrio dos governantes do Olímpo, o que não era nada bom. Talvez pela manhã, Annabeth percebe-se o que estava acontecendo, agora ela estava preocupada com o namorado.
Quando eles terminaram, Annie lembrou de mim, me pegou em seus braços e fomos para o Chalé. Minha primeira noite no Chalé 6 foi no mínimo estranha. Eu não passei a noite em claro observando todos dormirem, em cima da mesa de estudo de Annabeth. Eu era um animal de hábitos noturnos, ou seja era de minha natureza passar a noite acordado e de dia... Dormir, a única coisa que me lembro antes de apagar de vez foi Annabeth tentando me acordar desesperada.
Mas após algumas horas eu acordei naturalmente e sai do chalé voando. Não foi difícil localizar Annabeth e Piper pelos céus, foi até divertido, embora ainda fosse humilhante demais.
Pousei no ombro de Annabeth.
– Connor?! – Perguntou ela
Fiz positivo com a cabeça.
Ela passou a mão em mim e mesmo eu achando isso humilhante, eu até que gostei. Piper me olhava com um sorriso.
– Annie... Ele é a coisa mais fofa! – Disse ela sorrindo
Vergonha! Eu só sei falar isso agora...
– É mesmo... Mas Connor... Você sabe o que aconteceu com o Sr. D? – Perguntou Annabeth
Eu sinalizei com a cabeça que sim.
– Pode nos dizer? – Perguntou Piper
Sinalizei que não...
Eu sou uma coruja... Não sei falar!
– Acho que vamos ter que improvisar... – Disse Annabeth me olhando com uma cara de psicopata
Ela puxou de sua mochila um Notebook e abriu o Editor de texto...
– Pode escrever o que aconteceu com ele? – Perguntou ela
Sinalizei que sim e fui para cima do teclado.
Era difícil, mas consegui escrever a frase mais simples que fosse possível...
“Dionísio foi Destruído...”.
Elas se entre olharam.
– Connor... Tem certeza? – Perguntou Piper
Sinalizei que sim com a cabeça.
– E agora... O que fazemos? Você vai continuar como uma coruja? – Perguntou Annabeth
“Não vou continuar assim... Mas você têm que me ajudar...”- Escrevi
– Como posso ajudar? – Perguntou
“Procure uma garota loira chamada Sadie Kane, ela mora no Brooklin, eu posso te mostrar aonde... Mas vai ter que convencer ela a te ajudar!” – Escrevi
– Entendo... Então vamos só nos dois? –
Fiz com a cabeça que sim.
Annabeth me pegou e colocou em seu ombro, pegou sua mochila e saiu do acampamento. Caminhou até um clareira onde jogou uma moeda de ouro para cima e pronunciou algo em grego. Eu não piei, não fiz nada. E daí, do nada uma espécie de Taxi de fumaça apareceu, Annabeth entrou nele e se sentou.
Contei três mulheres e apenas um olho, todas discutiam por causa da posse do olho, Annie só ria, eu estava começando a ficar com medo.
– Brooklin... Por favor! — Disse Annie
– Claro gracinha! – Disse a motorista
O Taxi começou a andar rápido demais. Caí nas mãos de Annie com a velocidade...
– Você está certo... É mais seguro eu segurando você... – Riu ela
O Taxi parou bem na entrada do Brooklin. Annie pagou com uma moeda dourada.
– Muito bem Connor... Agora para onde? – Perguntou ela
Comecei a guiá-la até o antigo estaleiro do bairro.
Ela as vezes parava e admirava a arquitetura do Bairro, muito distraída, eu bicava a mão dela a lembrando do objetivo. Quando chegamos ao estaleiro, ela ficou perdida e quis sair dali. Claramente ela já sentia que não deveria estar ali por causa da mansão egípcia flutuando acima dela.
– Aqui Connor? – Perguntou
Fiz que sim com a cabeça e alcei voo.
Ela ficou me olhando irritada, mas voei para cima, indo direto até onde ficava a mansão.
Eu torci para que a mansão me reconhece-se mesmo na forma de uma coruja. Foi incrível, quando me aproximei de uma das portas, ela se abriu e permitiu minha entrada. A magia era realmente fantástica, entrei voando direto na sala de estar. Nela Walt, Sadie e Carter discutiam alguma coisa, quando perceberam uma coruja no seu teto.
– Aquilo ali é uma coruja? – Perguntou Walt
– Acho que sim... – Comentou Carter me olhando com uma cara de confusão
Voei direto para o ombro de Sadie.
– Sadie, acho que ela gostou de você... – Disse Walt
Sadie me olhou e sorriu.
– Então acho que vou ser que nem o Harry Potter e ter uma coruja de estimação! – Disse ela sorrindo
Me desesperei. Ela não sentia minha energia? Não sabia que era eu? Eu seria animal de estimação dela?! Nem pensar, precisava fazer ela sair, para se encontrar com Annabeth, mas seria muito difícil. Até que olhei para o colar Tyet dela, não pensei duas vezes e o arranquei com o Bico e sai voando.
Sadie ficou confusa por um momento, mas depois se levantou com raiva e saiu correndo atrás de mim.
Fui em direção a porta da frente e sai da mansão, Sadie e Walt estavam atrás de mim, Carter morria de rir da irmã. Pousei no ombro de Annabeth e entreguei o Tyet para ela. Ela me olhou confusa e com um pouco de raiva.
Eu olhei pedindo piedade e ela sorriu.
– Sabe... Poderia me acostumar a ter você assim... Eu seria que nem o Harry Potter, só que a versão grega... – Ela riu
Sadie e Walt chegam ao estaleiro e olham para Annabeth me segurando.
– Ahn... Olá... – Disse Annabeth
Sadie sorriu e foi até ela.
– Olá... Me desculpe, mas acho que sua coruja roubou meu colar... – Disse ela
– Me desculpe, ela as vezes é meio teimosa... Você é Sadie Kane? – Perguntou Annie
Sadie pegou o colar e deu um passo para trás.
– Como sabe o meu nome? – Perguntou ela
– Conhece Connor Chase? – Perguntou Annie
Sadie olhou com relutância para Walt.
– Sim, mas ele sumiu há duas semanas! Ele era um bom amigo... – Disse ela
Annabeth sorriu.
– Sadie, eu preciso de sua ajuda, Connor foi transformado nessa coruja... Eu não sei o que fazer... Por favor, acredite em mim! –
– Connor?! Transformado em uma coruja?! Mas ele era um de nossos melhores magos, dificilmente seria transformado em algo que não conseguisse voltar! – Disse ela
Walt riu.
– É sério! É ele, não consegue voltar... Por favor! –
– Difícil de acreditar... E afinal, quem é você? – Perguntou Walt
– Meu nome é Annabeth Chase... Eu sou irmã dele! –
– Connor nunca me disse que tinha uma irmã... E afinal vocês não são nada parecidos! – Disse Walt rindo
Annabeth se segurou para não ir bater nele.
– Walt... Não se esqueça que eu e Carter não somos nada parecidos também. Mas ainda sim é difícil de acreditar! –
– Sadie... Ele precisa de você, e afinal, como essa coruja teria conseguido roubar esse colar de você e vindo até aqui? –
Sadie pensou.
– Pensando desse jeito, ele sabia que o Tyet era um presente de meu pai e faria de tudo para tê-lo de volta caso alguém roubasse, e a mansão, se fosse uma coruja normal, passaria direto por ela. E ele entrou pela porta da frente! Connor?! – Espantou-se Sadie
Voei até o braço dela.
– Nossa, você é a coisa mais fofa assim! – Disse ela
Queria dar um tapa nela e em Walt, mas isso era difícil sem mãos.
– Muito bem... Acho que consigo trazer você de volta! –
Sadie colocou a mão esquerda sobre mim e fechou os olhos.
Conseguia sentir o coração dela batendo e a energia dela fluindo para mim. Ela estava concentrada, provavelmente me imaginando como ela se lembrava.
Comecei a sentir minha pele pinicar, minhas assas estavam voltando a ser braços assim como o resto do meu corpo estava voltando ao normal. Sadie me largou no chão e eu voltei ao normal.
Levantei rápido do chão e abracei ela.
– Obrigado Srta. Kane! – Agradeci dando risada
Ela riu também e me abraçou.
Annabeth sorriu, eu fui para o lado dela.
– Connor... Você está diferente... – Disse Sadie
Obviamente ela falava da cor de meu cabelo e dos olhos.
– Bem... Várias coisas aconteceram nessas duas semanas, e acho que você já sabe da metade... – Falei
Sadie ficou séria.
– A história dos gregos?! Carter achou que aquilo fosse mentira e mandou eu ignorar... –
– Ótimo... Sadie eu tenho que lhe explicar muitas coisas... –
– Connor, eu acho que vou voltar para o acampamento... – Disse Annabeth
Segurei a mão dela.
– Annie, preciso de você aqui... Não vai demorar! –
Mesmo incomodada, Annabeth ficou.
Era como se duas forças opostas se confrontassem, Sadie e Annabeth eram muito parecidas, embora Sadie fosse 4 anos mais nova, as duas eram curiosas, um pouco metidas e violentas quando se precisava. Mas o que se confrontava era Grécia x Egito, Magia x Semideuses. Algo muito estranho para mim que representava os dois.
– Muito bem... Acho que vai ter que ser na mansão... – Disse Walt
Sorri e puxei Annabeth para a escadaria que dava acesso a mansão.
Annie olhava maravilhada, de certa forma sabia que ela pensava na arquitetura egípcia e podia sentir a magia do local. Eu me sentia bem ali, mas minha irmã estava cada vez mais nervosa, podia sentir toda a energia de tensão misturada com medo se apossando dela.
Sentamos na mesa do jardim. Perto da piscina com o jacaré albino.
Annie deu um pulo quando viu Filipe na piscina. Sadie e Walt riram, mas Carter, este sim parecia estar mais irritado comigo e com minha irmã.
Carter me olhou irritado.
– Muito bem... Comece a se explicar... – Falou ele irritado
O Encarei.
– Vocês sabem que a história dos gregos é real... Não preciso explicar essa parte! –
– Quer que eu acredite que existem deuses gregos? E que seus filhos com humanos treinam em um acampamento em Nova Jersey?! Você está mentindo para mim e minha irmã... – Falou Carter
Annabeth fechou o punho.
– Acha mesmo que estou mentindo?! Para que faria isso? Os gregos tem seus deuses, e eu e Annabeth somos semideuses... – Falei
Carter riu.
– Você e essa garota?! Nem sangue dos faraós você têm, imagina sangue de Deuses que nem existem... E você seria filho de quem? Afrodite?! – Riu Carter
Trinquei os dentes.
– Escute aqui... Primeiro eu não sou filha de Afrodite! Sou filha de Atena, assim como Connor, e acho que você está sendo muito imaturo... – Disse Annabeth
Walt, Eu e Sadie demos um passo para trás e Carter se assustou.
– Agora... Carter, escute meu irmão e cale sua boca antes que eu faça! – Continuou Annabeth
Sadie riu e Carter ficou quieto.
– Sadie, ontem a noite, quando aconteceu de eu ser transformado em coruja... O Deus do vinho, Dionísio foi destruído em um ritual Egípcio de execração. A energia do caos presente no local era grande, tão grande quanto a de Apófis quando se libertou. Alguma coisa muito errada está acontecendo... – Falei
– Espera que acreditemos que Apófis está voltando? – Perguntou Carter
Eu o encarei.
– Não falei em Apófis, disse energia do caos. Não sei quem está por trás disso, mas tenho a certeza que um velho amigo de vocês está ajudando. –
– Quem? – Perguntou Sadie
– Setne... –
Sadie me olhou nervosa.
– Carter... Sabemos que Setne está solto... É possível! – Disse ela
– Não vou envolver a casa em uma tolice destas. Sadie, porque Setne destruiria um Deus Grego? – Perguntou Carter
– Gerar energia... Alguma coisa quer se libertar e precisa de muita energia! – Falei
– Eu falei com minha irmã... Semideus! Eu não acredito nesta história e acho que eles só querem nos levar para uma cilada! – Falou Carter
Ele se levantou e estava indo para a saída. O Tyet de Sadie começou a brilhar.
Era a energia de Ísis, uma coisa que não acontecia a muito tempo, milhares de anos aconteceu no jardim da mansão dos Kane. Ísis se materializou na forma humana. Ela era uma mulher morena, com cabelos negros e olhos castanhos, suas asas multicoloridas estavam brilhando ao sol.
Sadie a olhou e sorriu. Ísis em encarou com um pouco de raiva, mas sorriu depois.
– Sadie, minha hospedeira e protegida... Connor, meu ex-hospedeiro, mas mesmo assim protegido... É bom finalmente ver vocês dois! – Sorriu a deusa
Nós dois sorrimos.
– Porque ex-hospedeiro Connor? – Perguntou Sadie
– Longa história, mas pelo menos ela não quer me matar... –
Ísis deu risada e encarou Carter.
– Carter Kane, pare de ser tão infantil. O que Connor e Annabeth falam é a mais pura verdade! – Disse Ísis
Carter a encarou.
– Então porque não confio neste garoto?! Ele me dá nos nervos! – Disse Carter
– Connor é filho de Atena, Hórus nunca gostou dela... Então é mais do que natural que você não goste dele, mas mesmo assim têm que ouvi-lo, Dionísio foi mandado para as profundezas do Duat. Algo estranho se agitou nestas últimas semanas, e desta vez precisaremos de vocês, semideuses e magos... – Falou a deusa
Carter virou as costas e saiu.
– Não consigo confiar em quem mentiu para nós durante tanto tempo. Sinto muito Ísis, mas a casa não irá se envolver em tal causa de outro panteão de deuses. Agora peço que os dois semideuses deixem a mansão... Connor, está exilado do primeiro nomo e de todos ao redor do mundo, se tentar entrar em contato com qualquer mago será tratado como um inimigo do Egito! – Disse Carter dando as costas e indo para dentro
Aquilo acabou comigo, eu jamais poderia imaginar que seria expulso de minha casa. Do lugar que me criou.
– Connor eu sinto muito... – Consolou Sadie
Cerrei o punho.
– Sadie... Eu preciso muito de sua ajuda, se a casa não vai ajudar, pelo menos você poderia me ajudar! –
Ela me olhou receosa.
– Bem, eu já não ouço Carter mesmo... Então... Claro que vou ajudar! – Disse Sadie sorrindo
Walt foi para o lado dela.
– Se me permitir ajudar também... –
Walt agarrou a mão de Sadie.
– Muito bem... Sadie e Connor, Annabeth e Walt, recio que os quatro irão ter de explicar para os deuses olímpicos a ausência de Dionísio na reunião de hoje... Connor, faça tudo para sair vivo de lá! Sadie e Walt, cuidado... E Annabeth... Cuide deles! – Desapareceu Ísis
Annabeth sorriu...
– Bem, acho que a próxima parada é o Olimpo... – Sorriu ela
Walt apertou a mão de Sadie e eu dei um passo para trás.
– Vamos gente... Não pode ser tão ruim, um monte de deuses querendo matar vocês três. Atena furiosa com o Connor... Vamos dizer que vai ser uma grande festa! –Disse Annabeth
Olhei para ela e dei risada.
– Okay... Vamos usar o portal do Central Park e de lá vamos a pé para o Olimpo! -
Annabeth me olhou confusa... Fomos todos para o obelisco do jardim e Sadie abriu o portal.
Aparecemos no central park, Annabeth além de tonta cuspiu areia de sua boca, ela me olhou irritada mas logo deu um sorriso. Sadie riu um pouco, mas ficou séria.
– É lá né? – Perguntou ela apontando para o Empire State
Eu a encarei.
– Sim... – Falei nervoso
Annabeth chamou um táxi e fomos todos de Táxi para o Olímpo.
Eu não conseguia saber qual das duas estava mais nervosa, Annabeth respirava ofegante e não havia dito nenhuma palavra desde que havíamos entrado no Táxi. Sadie não parava de falar e segurava o Tyet como se estivesse em oração permanente para Ísis. Walt estava quieto, assim como eu.
O Táxi parou em frente ao Empire State, Annie pagou o motorista.
Eu tinha a sensação de que um raio me atingiria a qualquer momento, de tanta tensão entre os deuses. Eu poderia não ser mais o hospedeiro de Ísis, mas coloquei o meu Tyet no pescoço antes de entrar no prédio.
Sadie reparou.
– Ísis então? – Perguntou ela sorrindo
Eu sorri.
– Era... Ísis não me quer mais como hospedeiro... Então estou a procura de um novo Deus ou uma nova Deusa... – Ri
– Está com o Tyet só para colocar medo nos deuses Gregos? Ou pedindo a Ísis por proteção? – Riu ela
– Um pouco dos dois... –
Nós dois rimos e entramos no prédio.
Annie nos esperava com Walt ao lado de um dos elevadores. Entramos os quatro e Annabeth fez o necessário para o elevador ir para o Olímpo. Foi rápido, muito rápido, mas logo estávamos vendo o lar dos deuses, a cidade sagrada para os gregos.
Era lindo, os templos e o poder que exalavam da cidade. Vários deuses menores caminhavam pelas ruas do Olímpo. Mas o que mais me surpreendeu foi que Sadie e Walt passaram pelo elevador sem nenhuma dificuldade. Sadie estava tão maravilhada quanto Walt, era um lugar incrível. Mas Annabeth não estava nada feliz, ela nos chamou e fomos andando para a sala dos tronos.
O poder explodiu quando Zeus nos viu...
A cara de raiva do senhor dos céus foi a melhor que já havia visto em todos os tempos, os outros deuses fizeram o mesmo. Até Atena estava nervosa, a única que sorriu com a nossa presença foi Afrodite.
– Como ousam estar aqui? E ainda trazer estes dois... – Falou Zeus
Eu e Annie nos olhamos.
– Não é questão de ousadia, mas sim de explicar o que aconteceu! – Falei
Um raio explodiu no céu.
– Não dirija a palavra a mim filho de Atena! – Disse Zeus como se fosse uma ofensa
Atena o encarou e depois olhou com preocupação para mim.
– Zeus entenda, só queremos falar e depois faça o que quiser! – Disse Annabeth
Zeus a olhou com piedade.
– Diga Annabeth... –
Annie olhou para mim. Respirei fundo.
– Vocês não conseguem achar Dionísio... Pois ele foi morto... – Falei
Zeus e Apolo riram.
– Deuses não morrem... – Falou Apolo
Eu ri.
– Não morrem, mas podem ser afastados do mundo humano, serem jogados em um abismo dimensional no qual podem levar milhares de anos para voltar. Então, eles não morrem, mas são esquecidos... Ou seja, é a mesma coisa! – Falei
Todos os deuses me olharam com raiva.
– Dionísio, ontem a noite foi execrado do mundo humano... Foi jogado no Duat egípcio, de onde dificilmente voltará... – Falei
Zeus se levantou e foi para a minha frente.
– Como assim execrado? – Perguntou ele com raiva
– Já expliquei... – Falei
Atena se levantou e foi até mim.
– Connor... Quem fez isso?! Não foi você né?! – Perguntou ela horrorizada
– Não... Foi a Rachel... – Falei
Apolo se levantou.
– Impossível... Rachel é apenas uma humana! –
– Essa foi a maior qualidade dela... Ela foi possuída com uma facilidade incrível, e o que a possuiu fez um ritual muito difícil e liberou uma enorme quantidade de energia... Rachel desapareceu... –
Apolo ficou confuso.
– Dionísio não pode fazer nada? – Perguntou Hera
– Não foi questão de não fazer nada... Quando se realiza um ritual de execração a vítima fica abalada, não raciocina, mesmo sendo um Deus, ele pouco pode fazer... – Disse Sadie
Sadie foi analisada por todos os deuses.
– Você deve ser Sadie Kane... – Disse Afrodite feliz
Sadie sorriu.
– Como sabe meu nome? – Perguntou ela
– Sua história de amor com Walt é tão linda... Que decidi ajudar um pouco... Mesmo você não sendo Grega... – Disse Afrodite
Sadie sorriu de orelha a orelha. Mas Zeus cortou essa emoção...
– Quer dizer que Dionísio foi eliminado e que os culpados foram os egípcios?! E esse dois são frutos do Egito?! – Enfureceu-se Zeus
Sadie e Walt deram um passo para trás. Fui para frente do Deus do Ar.
– Não foi culpa deles! – Falei
– Não importa! Declaro Guerra contra os deuses do Egito! – Disse Zeus
O Céu se iluminou com trovoadas e os outros deuses ficaram imóveis.
– E vou começar com esses dois... – Falou Zeus
Sadie e Walt deram mais dois passos para trás. Entrei na frente de Zeus e peguei as armas do faráo. O gancho e o mangual...
Cruzei as duas Armas entre a frente de Zeus.
– Sr. Zeus... Pare! – Falei com autoridade
– Os dois serão os primeiros! – Disse ele enfurecido
Atena tentou Pará-lo, mas um raio a atingiu.
– Annabeth! Leve Sadie e Walt para um local seguro... Vou tentar Pará-lo! – Gritei
Annie puxou os dois pelo braço e correram em direção ao elevador...
Posso não ter mais o poder de Ísis, mas vou fazer de tudo para parar ele. Mesmo sendo o rei dos gregos, não posso falhar!
Cruzei as armas novamente e pedi aos deuses do Egito e da Grécia que me ajudassem.
– Há-Tep! – Gritei
O hieróglifo dourado brilhou na frente de Zeus e o empurrou para trás. Senti minhas pernas fracas.
Com um simples feitiço já estava cansado... Não demoraria muito para ficar sem energia... Sem a ajuda de um Deus seria impossível resistir.
Zeus olhou para mim furioso e veio para cima.
Minha morte estava próxima, pelo jeito Annabeth havia conseguido escapar e levado os dois para outro lugar. Agora eu poderia atrasar esse Deus um pouco mais e dar tempo para minha irmã... Atena... Sinto muito por fracassar!
Fale com o autor