O Irmão de Annabeth
11 Pela minha Vida!
Notas iniciais
– Atena?! Eles escolheram Atena para eliminar você?! – Falava Percy andando de um lado para o outro.
Annabeth não falou nada, assim como Piper ou Jason.
Eu havia acordado e fui me juntar aos outros em uma pequena reunião no Bunker 9. Annabeth já tinha contado tudo para Piper e Jason, assim me poupava um longo trabalho. A novidade ficava por conta de minha mãe ter sido encarregada para me assassinar. Quando eu falei que era Atena, todos pararam de conversar e me olharam com desespero.
Eu já sabia o porque... A deusa da guerra em milhares de anos nunca havia sido derrotada, era cruel e sem piedade quando em batalha. Atena era sim, talvez a guerreira perfeita. Mas eu ainda não via ela como minha adversária.
– Connor, isso é o que poderia ter acontecido de pior... – Disse Percy
– Realmente, Atena é imbatível em batalha, nunca perdeu! – Disse Jason
Eu os olhei e sorri.
– Eu sei disso... Mas nada me impede de tentar! –
Annabeth bateu com o braço na parede, fazendo um barulho imenso.
– Você não percebe seu idiota?! Eles escolheram Atena pois sabiam que ela não falharia, mesmo você sendo filho dela! Agora crie juízo e fuja daqui antes de lutar! – Disse Annabeth furiosa
Eu, Percy e Jason demos um passo para trás.
– Não é tão simples... Ela realmente errou e seu castigo foi ter de me eliminar. Fugir só faria com que Zeus a mandasse atrás de mim, além disso, eu não vou dar uma de covarde... –
Annabeth trincou os dentes.
– Você não percebe que se ficar aqui, em dois segundos Atena acaba com você?! –
Eu ri.
– Annabeth, eu tenho meus truques e realmente estou feliz em poder estar aqui, ter te contado tudo e ter um pouco de contato com a minha cultura, mesmo que seja por pouco tempo. – Disse sorrindo
Annebeth chorou um pouco.
– Idiota... Eu só quero manter você vivo, quero te conhecer! –
– E eu fugindo isso iria acontecer quando? Annie, nos tempos de Esparta, morrem em batalha seria uma honra para qualquer guerreiro. No Egito também, Atena é a deusa da Guerra e da Sabedoria, sei que ela também está se sentindo mau, mas eu prefiro lutar e morrer com honra, frente a uma deusa que nunca perdeu, do que viver com medo de que um dia ela me encontre... –
Ela correu e me abraçou.
– Eu lembrei... Nós dois fugindo de casa! – Ela disse
Eu a abracei.
Era isso, eles realmente não acreditavam em mim e eu também não, eu estava pronto para morrer em batalha, mas ao mesmo tempo a minha vontade de continuar vivendo crescia. Eu não tinha chance contra Atena, claro que sem usar magia, mas estava decidido a não recitar nenhuma palavra em Egípcio. Isso poderia piorar ainda mais a confiança dos deuses gregos e iniciar uma ofensiva contra a casa do Brooklin.
Ao invés de ir pessoalmente a casa do Brooklin, eu enviei uma mensagem pelo Duat para Sadie Kane, a mensagem só seria aberta por ela, era protegida por encantamentos para impedir que qualquer um tenha acesso a história. Na mensagem eu explicava tudo, desde o porque de meu desaparecimento até a existência dos deuses do olimpo.
Espero que ela consiga entender a mensagem e caso eu não consiga sobreviver a fogueira de hoje a noite, ela inicie as tratativas com os gregos para impedir uma possível guerra.
– Vocês entendem que se eu utilizar magia na frente de todo o acampamento, poderei colocar a paz ainda mais em risco?! Não foi fácil, mas vou depender apenas de minha habilidade em combate e astúcia. Resumindo... – Disse engolindo em seco
– Está morto... – Disse Rachel entrando no Bunker
Eu a olhei e ela sorriu. Ela estava com os cabelos desarrumados, como alguém que acabou de acordar.
Algo não estava certo, Rachel estava com uma cara horrível.
– Irmãozinho da Annie... – Disse ela rindo
Eu fiquei sério... Não é legal ser chamado assim, temos a mesma idade! Annabeth ficou séria e com vergonha ao mesmo tempo.
– Quem diria... Mas vamos logo ao assunto! – Disse ela sorrindo
Percy a estudou.
– Uma briga com Atena... Quem diria, mas creio que nosso Connor terá chance de sobreviver! –
– Essa não é a Rachel! – Falou Percy Sério
Rachel sorriu.
– Muito bem observado Perseu... Como foi fácil de possuir essa humana, ela não vai ser de muita utilidade, mas pelo jeito, Atena vai fazer meu trabalho ficar bem mais fácil. – Rachel Riu
Annabeth fechou as mãos, Percy a segurou.
– Minha morte vai ser tão boa pra você? – Perguntei sorrindo
– Você não imagina o quanto... Agora, se me derem licença tenho alguns preparativos para fazer antes de que o Destino alcance vocês... – Disse Rachel se virando
Ela estava indo em direção a saída, antes de deixá-la fazer algo. Desenhei um hieróglifo no ar e ela desabou. O ser que havia possuído ela, simplesmente deixou o corpo dela e voltou para o Duat.
– O que foi isso? – Perguntou Jason
– Um aviso... Ou utilizo magia contra Atena e me salvo e inicio uma guerra, ou morro sem lutar direito e alguma coisa tão ruim quanto acontece. –
– Isso tá parecendo um filme de terror! – Disse Piper abraçando Jason
– Correção, isso é um filme de Terror! – Disse Percy
Conversamos sobre o que eu poderia fazer para me defender de Atena, mas não chegamos a conclusão nenhuma. Era super difícil pensar em ganhar da deusa da sabedoria, cada estratégia que fosse formada, ela poderia contratacar de forma perfeita e mortal. Ela era a pior inimiga que alguém poderia querer, ela jamais se arriscaria em um ataque frontal se não soubesse que iria dar certo.
Annabeth não desgrudou de mim o dia inteiro, a tarde treinamos alguns movimentos com a lança, mas nada que poderia surpreender minha adversária e por fim ficamos na praia discutindo lembranças, contando histórias de nossas vidas separadas e se conhecendo.
Só posso dizer uma coisa desta tarde, ela havia sido a melhor de minha vida até o momento.
E a noite caiu e com ela a apreensão tomou conta de mim, o frio voltava forte, eu sentia minha pele congelar. Tudo aquilo seria medo?!
Todo acampamento estava reunido em torno da fogueira, enquanto alguns prestavam atenção nas histórias contadas por Dionísio e Quíron, o chalé de Atena olhava para sua líder apreensiva e com várias dúvidas. Percy tentava acalmá-la, assim como Piper e Jason, mas não dava certo. Eu estava encostado em uma árvore olhando para todos sem falar nada. E foi aí que aconteceu a entrada triunfal de Atena.
A fogueira irrompe em uma coluna de chamas e a deusa se materializa em seu traje de guerra.
Todos olharam fixamente para ela, Annabeth tentou esconder o susto, mas não dava. Atena estava com uma cara de poucos amigos, concentrada em seu objetivo. Tão pouco assustada como eu estava, eu me sentia cada vez mais congelado.
Quíron se aproximou dela.
– Minha Deusa, como podemos lhe ajudar? – Perguntou ele
Atena olhou para o centauro.
– Vim aqui para cumprir as ordens de meu pai, rei dos deuses. Vim eliminar Connor Chase! – Disse ela
O Chalé 6 inteiro olhou em minha direção. Sai de minha posição e fui até ela.
O acampamento todo agora estava apreensivo, os filhos de Ares não respiravam, os de Apolo estavam sérios e os de Hermes, bem, eles não estavam ali.
Atena deu um passo a frente e a multidão se abriu, deixando eu e ela cara a cara.
– Vai se entregar? – Perguntou ela firme
– Nunca! Vai ter que me matar do modo mais difícil! – Disse decidido
Ela sorriu.
– Belas palavras para um inimigo meu. –
– Acho que encarnei Ares, sendo muito burro e te desafiando... – Disse rindo
Atena sorriu. Os filhos de Ares gritaram e me vaiaram, mas um olhar de Atena cortou a manifestação.
– Não acho que você seja burro como ele... Só corajoso demais. – Disse ela
O Ar a minha frente começou a se ionizar, eu sentia cada vez mais a aura de Atena em minha pele.
– Então vamos? – Perguntei entrando em posição de combate
Ela parou de sorrir e repetiu meu gesto.
Ativei a lança em meu braço e Atena apontou a sua para mim.
– Vão lutar aqui? – Perguntou Quíron
Atena o olhou e ele saiu de perto.
Respirei fundo e a encarei. Atena me chamou para cima, este poderia ser considerado meu primeiro erro. Fui muito afobado e fui correndo para cima. Ela ficou parada no mesmo lugar até o último momento, para desviar no último segundo e cortar minha a pele do meu braço com a lança.
Eu desabei no chão.
Não sentia dor, via meu sangue escorrer do meu braço direito, encharcando minha camisa, mas nada de dor. Havia algo errado, sentia meu braço direito dormente, mal conseguia mexê-lo, isso poderia ser muito ruim.
Atena foi rápida e assim que eu levantei ela me atacou com a base da lança no estomago, eu desabei de novo e ela me cortou na perna direita.
Nada de dor de novo, mas não sentia mais minha perna e nem o meu braço. Ao meu redor as pessoas olhavam horrorizadas, Annabeth chorava, olhava para mim e para Atena, Percy não sabia para quem torcer.
Utilizei minha lança como apoio e consegui ficar de pé, me equilibrando aos poucos. Mal mexia meu braço direito e a perna direita. Eu encarei Atena com raiva, eu seria derrotado tão facilmente? Não tinha nenhuma estratégia que eu poderia utilizar contra ela?
Atena rapidamente tentou atingir minha perna esquerda, mas consegui fazer o bloqueio com a minha lança.
Um ataque parado, pelo menos havia feito isso.
Utilizando minha lança que prendia a sua como apoio, ela me jogou para trás e me acertou dois golpes que cortaram minha perna esquerda e meu braço. Continuei de pé, mas não me movia.
– Campistas, observem que estou utilizando uma solução que paralisa o meu adversário e não o deixa sentir dor, assim, ele não poderá contra atacar! – Disse Atena vitoriosa
Annabeth se levantou.
– Acha que isso é justo?! O impedir de lutar?! – Indignou-se
Atena a olhou surpresa.
– Não sou a deusa da justiça, sou da sabedoria e acho que é bom para ele não sentir dor... Agora Connor... Um último pedido? – Perguntou Atena
Minha vida passou pelos meus olhos... Eu desistiria tão fácil assim? Sem poder lutar? Sem utilizar o que aprendi durante anos? Eu pensei bem e disse:
– Quero pelo menos morrer sendo reconhecido pela minha mãe verdadeira, coisa que não consegui durante toda minha vida. –
Atena sorriu e veio até minha frente.
– Eu, Atena, deusa da sabedoria, declaro Connor Chase como meu filho legítimo! – Disse ela
O sinal de Atena apareceu acima de minha cabeça. O chalé 6 inteiro se levantou e aplaudiu. Assim como os Chalés de Ares, Apolo, Afrodite e Deméter.
– Você é um verdadeiro guerreiro! – Gritou Clarisse
– Merece nosso respeito! – Gritou um menino do chalé de Apolo
– Verdadeiro filho da Sabedoria! – Gritou Annabeth
Escorregou uma lágrima do meu rosto.
Não podia desistir sem lutar, eu não havia passado 11 anos fora para ser morto pela minha própria mãe, sem utilizar a magia que aprendi. Um último esforço pensei, comecei a me concentrar, tinha apenas alguns segundos antes daquela lança atravessar meu peito. Me foquei no espaço, tinha que imaginar o Duat se abrindo atrás de mim e me puxando para dentro dele.
Atena segurou sua lança firmemente. Forcei mais meu pensamento.
Funcionou! Uma passagem para o Duat se abriu atrás de mim, antes que Atena me acerta-se, o Duat me sugou e se fechou.
Eu havia ido para um local que parecia a sala de um trono. Vi Ísis e Hórus me olhando.
Conseguia me movimentar, aparentemente no Duat, meu corpo físico estava bom.
– Connor... Precisa de ajuda? – Perguntou Hórus
– Grande Rei... – Disse fazendo reverência
Hórus me saudou.
– Decidiu usar a magia? – Perguntou Ísis
– Não posso abandonar 11 anos de estudo, quero lutar com o que melhor sei. Ísis, lutaria uma última vez ao meu lado? – Perguntei
– Não vai ser a última vez! – Disse ela
Eu sorri, o Tyet apareceu no meu pescoço e minhas roupas mudaram para trajes de linho branco.
Uma passagem se abriu a minha direita. Respirei fundo e passei.
Eu senti minhas moléculas se rematerializando, quando vi estava atrás de Atena, vestindo um traje de linho branco e segurando um gancho e um mangual. Aquelas eram as armas do faraó, o símbolo de Rá. O acampamento todo olhou para mim, me materializando do nada atrás da deusa.
– Connor?! – Gritou Annabeth
Eu pisquei para ela.
Atena se virou depressa.
– Mas como?! – Perguntou ela
– Tenho meus truques... Mamãe! – Disse sorrindo
Atena ficou séria e tentou me atacar.
Sentia a energia de Ísis correndo em meu corpo, sem pensar as palavras vieram a minha Eçaeça.
– N`DAH! – Gritei (significa proteger)
Um hieróglifo apareceu na minha frente e um campo de energia bloqueou a lança de Atena.
Ela me olhou feliz. E recuou.
Cruzei o gancho e o mangual e gritei.
– Há-Wi! – (Significa Ataque)
Um círculo de Hieróglifos apareceu em torno de Atena e explodiram. A deusa foi jogada para trás.
O acampamento todo me olhou com medo.
Atena se levantou e me olhou furiosa.
Cruzei o gancho e o mangual e a chamei para cima.
Atena correu até mim e tentou me acertar diversas vezes.
Era incrível, eu conseguia bloquear os ataque facilmente, o gancho e o mangual funcionavam muito bem. Ísis previa os ataques e me dizia para onde acertar.
Atena ficou de joelhos.
Eu poderia disparar qualquer coisa, acertar ela com qualquer feitiço, mas não queria! Ela era minha mãe e eu a amava demais.
Estendi a mão para ela.
– Atena, eu não quero fazer mais isso! – Disse a ela
Ela se levantou.
– Temos que fazer... – Disse ela cortando na barriga
Desta vez eu senti muita dor, o sangue escorreu manchando todo o traje de linho. Ísis gritava em minha cabeça, ela queria destruir Atena, apagar sua existência. Eu não poderia deixá-la fazer isso, além de ser impossível.
Atena me atingiu mais uma vez.
Senti o gosto de sangue e cai de joelhos.
– Não deve mostrar sentimentos em batalha, ou seu adversário as usará contra você! – Disse Atena
O acampamento a vaiou.
Ela apontou a lança para mim.
Era meu fim, Ísis estava calada, sentia a presença dela, mas não falava nada. Até que vinda do Duat, uma pequena estátua vermelha de Atena. Ela parou na minha frente.
Aquilo não poderia ser verdade, se Ísis tinha feito aquela estátua para fazer o que eu estava pensando.
– Foi você? – Perguntei para Ísis
– Não... Mas podemos usá-la! Pegue-a Connor e juntos acabaremos com isso! – Disse ela em minha cabeça
Me recusei e Ísis tentou me forçar.
Atena me olhava confusa assim como o acampamento!
Gritei e arranquei o Tyet do pescoço cortando minha ligação com Ísis.
Aquilo a interrompeu, mas logo ela voltaria.
– Atena! Destrua está estátua... Ísis quer usá-la para destruí-la! Por favor rápido, eu não vou conseguir segurá-la por muito tempo! – Gritei de dor
Atena me analisou e acertou a estátua com a lança.
Ísis quase conseguiu tomar o controle de meu corpo, mas a destruição da estátua cessou isso. Na verdade a explosão me atingiu e me machucou mais ainda. Meus braços e pernas estavam dormentes.
– Connor! – Gritou Annabeth indo até mim
Atena também estava caída e de sua perna escorria o sangue dourado dos deuses. Ela aparentemente também sentia dor.
– Empate! – Declarou Atena se levantando com muita dor
Annabeth a encarou com raiva.
– Annabeth trate de seu irmão, eu não vou mais cumprir essa ordem ridícula! – Disse ela desaparecendo
Annabeth colocou minha cabeça no seu colo. Eu estava cercado pelo Chalé 6.
– Connor, você tá legal? – Perguntou ela desesperada
– Dor... Muita dor! –
Quíron se aproximou.
– Levem ele para a enfermaria. – Disse ele
Fui carregado por Percy e Jason até a enfermaria. Quíron, Annabeth e Piper foram junto.
Fui colocado em uma cama, e eles me cercaram.
Percy sorria assim como Jason.
Eu me sentia bem, apesar da dor que estava sofrendo de uma dor terrível.
Annabeth colocou alguma coisa nos meus machucados e a dor cessou.
– Você teve sorte! – Disse ela braba
Não respondi, só sorri.
– Lutou muito bem! – Elogiou Percy
– No final tudo deu certo! – Disse Jason
– Receio que não... Mas quero me recuperar! –
Quíron me analisou.
– Este amuleto que segura... Ele significa o que? – Perguntou o centauro
– É um Tyet, conhecido como nó de Ísis, representa a deusa egípcia da magia... –
Ele ficou tenso.
– Foi por isso que Atena quis matá-lo... –
– Não só por isso... Mas se me deixar descansar explicarei tudo depois! – Disse desmaiando
Ouvi Annabeth gritando e somente a escuridão depois disso.
Eu havia sobrevivido, lutei como nunca antes. Mas custou caro, teria que revelar a existência da casa da vida para Quíron e logo mais para os outros, Ísis tentou assumir o controle de meu corpo a força e eu a expulsara de minha mente, talvez permanentemente. E a estátua para fazer o ritual que destruiria Atena, surgir do nada... Aquilo tudo era suspeito, mas eu me sentia cansado demais para pensar no assunto. Naquele momento eu só queria dormir e me recuperar.
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