O Irmão de Annabeth
22 O Fim do Verão
Notas iniciais
Em uma final de campeonato de futebol, ou de qualquer outro esporte, os dois times chegaram a final com méritos, cada um com seus talentos e suas jogadas únicas que os trouxeram para aquele momento, que resultaria na glória eterna ou na decepção de milhões de pessoas.
Em teoria, o que eu passava naquele exato momento no Monte Olimpo, era a mesma coisa, eu estava na minha final de campeonato, jogando a minha copa do mundo, ou melhor minha vida. Depois de tudo que havia acontecido em pouco mais de dois meses, de tudo que havia descoberto e enfrentado, aquele era o momento de romper as barreiras e mostrar que eu havia conseguido chegar até ali vivo por méritos próprios.
Então, um dia antes de meu aniversário de 19 anos, eu encarava a garota ruiva que tinha se tornado minha pior inimiga em pouco mais de dois meses. Rachel estava a minha frente, com um Zeus doente e impotente preso ao trono, prestes a ser execrado. Minha mãe também estava presa e me olhava com certo espanto.
Sentia o poder de Ísis percorrer todo o meu corpo e seu conhecimento inundar minha mente, mas tremia, eu estava com medo, sim, mesmo depois de tudo que havia passsado, gregos, romanos, Skadi, Zia Rashid... Eu estava com medo de enfrentar Setne, e ele sabia disso.
Rachel me olhava com desprezo.
– Está tremendo Connor... O que foi, perdeu a coragem?! Acho que aquela deusa da neve te deixou muito fraco! – Riu Rachel
Ela realmente estava confiante, embora Setne estivesse ocupando o corpo de uma mortal, Setne tinha a vantagem de milhares de anos de magia, além do livro de Tot... As variáveis não pareciam boas, e sendo um filho de Atena, eu examinava todas as configurações possíveis, uma vitória de Setne era a mais provável.
Teria de conseguir me aproximar o suficiente de Setne para lutar fisicamente e não magicamente. Mas parecia impossível.
Comecei a caminhar em direção a Setne.
Rachel simplesmente olhou para mim e uma forte corrente de vento começou a me empurrar para longe... Sabe aquele movimento em que os mímicos fingem que estão caminhando contra uma forte corrente de vento?! Pois é, eu não estava fingindo, a garota tinha criado uma espécie de tufão que impedia minha aproximação.
– Connor, você não está pedindo ajuda para sua deusa patrona... – Falou Ísis em minha cabeça
Pensei em mandar Ísis calar a boca, mas ela tinha razão. Pensei em como parar aquilo e veio o comando.
Levantei o braço e falei a palavra em egípcio.
A ventania parou e o frio começou a tomar conta do salão dos deuses. O Comando que eu havia dado, era o de nevar calmamente, ou fazer frio.
Rachel riu e começou a andar para perto de mim.
Ela estava fazendo exatamente o que eu queria, mas deveria haver algum motivo para aquilo. Ela não viria para mim assim, não fazia sentido.
Rachel para na minha frente e coloca a mão na minha testa.
– Sabe Connor... Você é muito divertido e tudo mais, mas eu cansei de brincar! Cansei demais, você é irritante, muito pior do que essa garota! Sempre volta, não importa o que eu faça, então vou tomar medidas permanentes agora! – Disse Rachel/Sente com um sorriso macabro no rosto.
Engoli em seco.
Eu não conseguia me mexer, o que ela tinha feito, afetava meus movimentos, eu estava ali parado sem conseguir pensar em nada.
– Existe um capítulo do livro de Tot, que ensina como destruir o espírito de uma pessoa... Parte por parte, as partes vitais... Seu Ba, o Kah, o Khat e o Ib. E agora vou estreiar esse feitiço com você! – Disse Setne
Rachel começou a recitar um encantamento em egípcio.
Eu senti meus músculos começarem a queimar, perdi os sentidos e desmaiei. Meu subconsciente foi levado para outro lugar.
Era um jardim, várias árvores frutíferas estavam fazendo o cenário juntamente com grama e alguns prédios ao fundo. Em pé na minha frente estava Rachel, atrás dela um painel mostrava o que estava acontecendo no monte Olimpo.
Respirei fundo.
Estava longe do meu corpo, mas sentia que a cada palavra recitada por Setne uma célula minha, ou alguma parte importante de meu ser imortal, meu espírito era apagada.
– Quem é você? – Perguntou a Rachel que estava na minha frente
– Eu sou o Connor... – Falei pouco a vontade
Ela me estudou.
– Quem é você? – Perguntou ela
– Eu sou Connor, mago da casa da vida! –
Ela riu.
– Têm certeza?! É isso que você quer ser? –
– Eu... Eu não sei... –
As perguntas de Rachel estavam me confundindo.
– Como assim não sabe?! A vida é sua, você decide o que quer ser! –
Eu sabia disso, a vida é minha e eu faço o que eu quero, mas parecia tão difícil de admitir.
– Eu sei... Mas há algo errado, sempre algo errado! – Comentei
Olhei para meu braço esquerdo.
Percebi que meu braço estava desaparecendo.
– O que está errado? –
– O Olimpo, os deuses... Tudo pode desaparecer... Além dos semideuses mortos! –
Ela me estudou mais uma vez.
– Mas eles são responsabilidade sua?! –
– Não, mas o que causou tudo isso foi minha presença! –
Ela riu.
– Você se acha tão importante assim para que sua presença cause uma guerra entre os Egípcios e os Gregos, ou que Setne tenha possuído o corpo de minha hospedeira e execrado alguns deuses... Esses eventos são pré-destinados! –
– Você quer dizer destino! –
– Gênio... Exato, mas se acha tão importante assim?! –
– Se isso é o destino, iria acontecer com ou sem minha interferência... –
– Exato... Agora eu lhe pergunto... Quem você realmente é? Qual a sua natureza? Qual a sua essência?! –
Olhei para meu outro braço e para as minhas pernas, elas haviam desaparecido e meu abdômen começava a desaparecer.
Tomei fôlego.
Quem eu realmente era? Um mago da casa da vida?! Um semideus?! Ou nenhum dos dois?!
– Eu sou... Connor Chase, sou um mago da casa da vida, irmão de Annabeth Chase e um semideus... –
– Errado! Pare de se autodeclarar como o irmão de Annabeth Chase! Você não é ela! Seus valores são diferentes, personalidades! Não são a mesma pessoa! Ninguém pode dizer quem você é! Não és a sombra de sua irmã para ficar achando que é menos que ela! Reaja ou vai desaparecer por completo! –
Eu realmente me autoproclamava como o irmão da grande Annabeth Chase, como se fosse grande coisa e que todos os semideuses deviam me respeitar por causa daquilo. Agia como se fosse a sombra de minha gêmea, querendo fazer o mesmo que ela, e conquistar o mesmo respeito e admiração que ela recebia de todos. Na verdade, eu não era nada.
– Vai desistir?! Vamos semideus! –
Respirei com dificuldade.
Meu Khat, ou o corpo físico já deveria quase estar desaparecendo.
– Eu sou Connor! Filho de Atena, escolhido de Ísis! –
– Humm... Escolhido pela deusa da magia?! Ainda está como se você fosse muito importante! Resta pouco tempo! –
Só restava minha cabeça flutuando naquele jardim.
– Eu sou Connor, seguidor da sabedoria e discípulo de Ísis! –
Ela sorriu.
Eu finalmente havia entendido, que ser filho de Atena ou ter acesso a magia de Ísis não me tornavam uma pessoa especial, tão pouco poderosa... A vontade de ser alguém era tão grande que cegava minha visão.
Meu corpo todo voltou.
– E Connor... Não se iluda, você ainda é um semideus e têm orgulho disso, ser filho de uma deusa como Atena têm um fardo, você e seus irmão são muito orgulhosos, mas é difícil ter a humildade para admitir que você simplesmente não é Atena, é apenas um seguidor dos caminhos dela... Ou melhor, uma ideia viva da deusa... –
Realmente, eu e todos os meus irmãos éramos ideias vivas de Atena, nascidos de um romance platônico entre ela e os mortais... Relativamente, ideias, embora fosse meio estranho ter sido pensado e não gerado.
– Vá e lute! – Rachel falou
Minha visão voltou, todos os meus sentidos voltaram! Setne/Rachel ainda estava com sua mão em minha testa e continuava recitando o encantamento. Quando ela olhou para meu rosto eu fingi que estava sofrendo com a maldição, aquilo me daria tempo o suficiente para pensar em uma estratégia.
Senti as energias ao meu redor, Percy e Ártemis continuavam com suas lutas, cansados mas continuavam os outros deuses presos aos seus assentos e o frio tomando conta de todo o local.
Minha vantagem poderia ser aquela... O Frio e os dons de Skadi, mas só aquilo não bastaria para conseguir vencer Setne. Eu precisava tirar ele do controle do corpo de Rachel e devolver ao subconsciente dela e ao espírito de Delfos.
Havia um jeito... Um antigo ritual japonês que uma amiga havia me ensinado, ele consistia em utilizar sua energia vital para separar o que havia de ruim na energia da outra pessoa, para isso sua energia deveria ser o mais forte o possível, de modo com que se submetesse a do outro e permitisse tal sondagem e separação.
Aquela era minha estratégia, mas para tudo isso ocorrer eu precisaria de tudo o que havia aprendido nesses dois meses.
Me concentrei.
Tentei fazer com que o piso fosse tomado pelo gelo e ficasse o mais escorregadio possível e que a temperatura baixasse cada vez mais. De alguma forma sentia que estava dando certo, o chão estava o mais escorregadio possível e a temperatura estava na casa dos zero graus.
Abri meus olhos.
A cara que a garota fez foi impagável, ela se assustara e tinha tirado a mão de minha testa.
– O que foi Rachel?! Saudade? –
Não demorei e já fiz ela perder o equilíbrio, com uma rasteira em suas pernas.
Ela caiu.
Passei correndo para o outro lado da sala e a chamei.
– Vamos Setne sei que é poderoso! Vamos! –
Ela até tentou se levantar, mas acabou escorregando no piso.
Ela ficou tentando se levantar, mas sempre escorregava e caia.
Caminhei até Rachel e coloquei a mão na sua testa.
Me concentrei.
Senti minha energia fluir de minha mão para a testa dela e senti a energia dela vindo até mim. Comecei a forçar a minha energia, quebrando as barreiras que ela tentava colocar. Vi duas fontes de energia vindas de espíritos diferentes no corpo da garota, uma verde e outra vermelha.
Vermelha era a cor de Setne, comecei a forçar ela para fora do corpo de Rachel.
– Vamos saia! –
– Nunca! – Respondia a garota
Ela nem se movia, estava muito presa ao corpo de Rachel.
– Zeus! Eu o apago da existência! – Começou a falar Rachel
Como ela poderia fazer aquilo?! Estava com o braço estendido em direção ao trono do deus e começava a recitar o encantamento.
Zeus começa a se contorcer de dor.
Estava começando a ter efeito no espírito de Setne, mas Zeus estava quase execrado. Se eu continuasse, mesmo que conseguisse retirar o espírito de Setne de Rachel, Zeus seria destruído.
Respirei fundo e soltei ela.
Me levantei rápido e deslizei pelo piso até o Deus.
– Eu nego sua existência! – Rachel continuou
Faltava apenas uma estrofe, eu tinha que conseguir liberar Zeus do transe.
– Eu apago sua... Esse... –
Quando Rachel falou isso, não tive outra opção, saltei de onde estava, sobre o Trono do senhor dos Zeus gritando o encantamento em Egício Antigo.
– Há-Di! –
Um hieróglifo do tamanho de um dos tronos apareceu na minha frente e na frente de Zeus.
Uma grande explosão aconteceu e todo a sala foi tomada por fumaça, eu estava em cima de alguma coisa, mas não sabia o que era.
A fumaça se dissipou.
De um lado da sala estava Rachel de joelhos com as mãos sangrando e em outro lugar, estava eu, em cima de alguma coisa... Espera aí!
– Dá pra sair de cima de mim! – Disse um adolescente com aparentemente 14 anos
Eu não podia acreditar no que tinha acontecido. Estava em cima de um adolescente de cabelos loiros e olhos azuis elétricos.
Saltei para o chão e vi Rachel se levantando.
– Bem... Foi interessante, mas adeus! –
Ela criou um portal e desapareceu, a sala voltou ao normal e os deuses foram liberados.
Atena foi a primeira a se levantar, ela veio até mim com uma cara de poucos amigos, muito fria como sempre, em seguida Hécate, que digasse de passagem nem deveria estar no conselho olimpiano, Afrodite, Posseidon e todos os outros fizeram um círculo ao redor de mim.
– Alguém me explique o que acabou de acontecer? – Perguntou Afrodite
– Connor? – Perguntou minha mãe
– Rachel fugiu e sobre a execração... Eu não sei muito bem o que houve... –
Hécate me olhou com raiva, assim como Hefesto.
– Com licença? – Perguntou o adolescente abrindo passagem entre os deuses
Ele era muito parecido com o Jason, podia jurar que eram irmãos se fossem colocados lado a lado, mas aquela criança era diferente, ela parecia poderosa...
– Quem é você? – Perguntei
– Sou Zeus... – Disse ele
Ares riu.
– Esse pivete é meu pai?! Muito bem, e eu sou Atena, a deusa da sabedoria... –
Um raio explodiu ao lado de Ares.
— A execração foi cortada em um momento crítico... A parte em que sua energia estava sendo drenada pelo Duat foi interrompida pelo Há-Di e seu corpo se transformou nisto... – Deduzi
Atena fez sinal de sim com a cabeça.
– Um adolescente... Depois de 3.000 anos... Voltei a época em que ainda estava escondido de Cronos, aprendendo a lutar... Nada mais de senhor dos céus, agora sou apenas um garoto?! – Indignou-se o Deus
Afrodite chegou perto de mim.
– E agora, qual o rumo que devemos tomar? – Perguntou ela
Zeus olhou para Atena e depois para mim.
– Não tenho condições de governar neste estado... –
– Pode ser temporário... – Ponderei
– Mesmo assim, acho que a decisão mais certa é finalmente deixar alguém reinar no meu lugar, enquanto não estou em minha melhor forma! – Disse o Deus
Todos suspiraram em uníssono.
– Do que fala pai? – Perguntou Atena
– De uma coisa que já deveria ter sido feita há séculos minha filha... –
Zeus foi até seu trono.
Ele pegou seu raio e voltou para a frente de Atena.
– Eu Zeus, Deus dos Céus e dos Ventos, Rei dos Deuses e Governador do Olimpo, concedo a Atena o título de Rainha dos Deuses e passo a ela o controle do Raio Mestre. Assim fica por mim decidido, que ela reinará no Olimpo enquanto eu não tiver condições de reassumir o posto. –
Diversos raios passaram por toda a sala.
Aquele era um momento histórico, depois de tudo o que havia acontecido, Zeus parecia mais ponderado quando adolescente e agora passava o comando do Olimpo e dos Deuses para sua filha mais brilhante. Aquilo significava o começo de uma nova era para o Olimpo e para os Deuses, mesmo que passageira, a sabedoria e não a força estavam no controle...
– Irmão... Isso é loucura! – Protestou Posseidon
– Há milhares de anos, nós dividimos os territórios entre os três deuses mais poderosos... Cada um deverá governar sua parte e faz o que bem entender com ela! Eu passo o meu território para a deusa da sabedoria e a elejo como minha sucessora. Não há nada para se discutir! –
Ares fez a pior cara possível, e então toda a atenção se voltou para mim.
– E o que fazemos com esse semideus? – Perguntou Apolo
– Matem-no! – Falou Ares sem pensar
Atena o repreendeu.
– Rachel ainda está a solta e ele nos defendeu como pode! – Disse Afrodite passando a mão em meu cabelo.
– Mas a principal culpa de tudo ter acontecido foi dele! – Protestou Hermes
– Quem vota na morte dele? – Perguntou Ares
Ares, Hermes, Posseidon e Deméter levantaram a mão.
Aquilo significava que por enquanto eles não haviam decidido nada.
– Não podemos matar uma espécie em extinção... – Disse Zeus
– Mas pai, ele o deixou neste estado... – Falou Hermes
– Melhor assim do que desaparecer... Connor Chase terá seu castigo, mas primeiramente sua missão é garantir que nada mais acontecerá com nenhum semideus ou deus! – Disse Apolo
– Connor, estamos lhe colocado em missão especial para que procure e acabe com Setne e impeça o que quer que ele esteja planejando! – Disse Atena
– Mas depois que esta missão acabar, que tudo voltar a ser como era... Terá seu julgamento e deste não poderá escapar! – Disse Ártemis apoiada em Percy
– Eu concordo com isso! – Respondi
Atena me encarou.
– Connor, você sabe que Setne não é o único responsável por isso... –
– Sei Atena, tenho medo de que a energia liberada por Zeus tenha destravado o que de pior existe no Duat... Mas por enquanto é só rezar! –
– Muito bem, Percy e Connor, voltem ao acampamento e descansem. Conversaremos mais daqui para frente! Conselho Olimpiano, dispensado! -
Seguimos a ordem da nova rainha dos Deuses, saímos vivos do Olimpo, embora a morte esteja apenas adiada para mim. No elevador eu e Percy nos olhamos e rimos juntos, era a primeira vez que lutávamos lado a lado e tinha sido, no mínimo... Interessante.
– E então... É isso?! – Comentou o filho de Posseidon
– Desfecho interessante... – Retruquei
– Quantos sobraram? – Perguntou ele sério
– Em torno de vinte e cinco... – Falei de cabeça baixa
– Jason está vivo também... Eu só não sei o que aconteceu com ele, estávamos todos juntos, mas fomos separados... Annabeth está bem? –
– Sim... Deve estar no acampamento romano agora! –
– Então já temos nossa parada... Você vai reencontrar a Reyna! – Falou ele dando risada
Não dei risada, apenas pensava no que tinha acontecido há pouco tempo na cidade eterna dos deuses. Zeus era um adolescente e minha mãe tinha assumido o governo de uma hora para a outra...
Ártemis e Hécate tinham planejado um boicote a Atena, prendendo ela na própria estátua a fim de eliminar ela do conselho Olimpiano, mas na hora em que Zeus a declarou rainha, as duas não falaram nada. Eu não entendia!
Saímos pela porta da frente do Empire State.
Não esperava ter nenhuma carona mágica para o acampamento romano, muito menos que minha namorada, a deusa nórdica do inverno estivesse esperando eu e o Percy do outro lado da rua.
Não via Skadi fazia dois dias e estava literalmente morrendo de saudades de vê-la, embora ainda pouco nos conhecemos, ela me tratava como se me conhecesse há anos, bem e eu, sempre fui um sozinho, popular forever alone, então foi só Skadi chegar e levar... Nossa, sou muito carente mesmo.
Atravessamos a rua e fomos ao encontro dela.
Skadi estava diferente, usava um vestido tomara que caia branco e sapatilhas, seu cabelo parecia mais curto.
– Skadi?! – Sorri
Ela se virou e deu um sorriso branco.
– Connor Chase... Como pode ficar sem me mandar uma mensagem ou qualquer tipo de comunicação?! – Perguntou ela parecendo furiosa
Percy riu.
– Eu estava enfrentando a morte! –
– Isso não é motivo para você não mandar nem um sinal de fumaça! – Disse ela dando risada
– Preferia que eu estivesse morto? –
– Se você morresse, eu te ressuscitava para te matar por que você morreu! –
Percy ficou confuso.
Abracei Skadi e a beijei, Percy parecia estar tentando processar a última fala de Skadi e fazia uma cara de confusão imperdível.
– Bem Herói, para onde vamos? – Perguntou Ela
– Acampamento Romano... Tenho que ver a Reyna! – Disse dando risada
Skadi me olhou com raiva.
– Reyna?! –
– Calma Skadi é brincadeira... Agora, como vamos chegar até lá? –
Skadi simplesmente fez um gesto com as mãos.
Um conversível apareceu na rua, estacionado bem na nossa frente.
– Você é demais mesmo! – Comentei
– Você não prefere a Reyna? –
– Espera aí?! – Gritou Percy
Eu e Skadi o olhamos.
– Porque você iria ressuscitá-lo para matar ele de novo se ele já estava morto, você o mataria por morrer?! Deuses! Que confusão! – Gritou ele
Não contive o riso, assim como Skadi, Percy ficou parado nos olhando como se eu e ela estivéssemos loucos.
– Bem vamos! Connor... Você dirige! – Disse ela
Entramos no Carro.
Talvez tenha sido uma das melhores sensassões da minha vida, dirigir um conversível com uma deusa do meu lado. Saímos de Nova Iorque e íamos rapidamente em direção ao acampamento romano.
– Sabe Connor, minha prima quase me convenceu a te levar para ela te treinar... – Comentou Skadi
– Sério?! Mas eu queria que você me ensinasse, não Quione! –
– Sou muito mole com você... Quione é má por natureza, faria você aprender em menos de 200 anos! – Disse Skadi como se aquilo fosse normal
– Acho que prefiro congelar do que ter aulas com Quione... –
– Isso pode ser arranjado... Mas senti sua falta filhote de Atena! –
– E eu a sua... –
Parei o carro em frente a entrada escondida do acampamento romano e todos nós descemos, na entrada três pessoas nos aguardavam.
Percy saiu correndo.
Não era para menos minha irmã estava a nossa espera, com um sorriso no rosto e também saiu correndo para ver seu namorado, ao lado dela Piper e Sadie nos olhavam com certa alegria.
Sai andando em direção as garotas com Skadi vindo logo atrás. Percy e Annabeth ficaram cerca de 40 segundos em um beijo de saudades.
– Então vocês conseguiram... – Falou Piper
– Sim e Não... – Comentei
As duas se olharam receosas.
– O que aconteceu? – Perguntou Sadie
– Vamos entrar, eu vou contar tudo... –
Annabeth veio até mim.
Chorando! Minha irmã estava em lágrimas, era um misto de emoções que eu não conseguia identificar.
– Obrigada! – Ela disse e me abraçou
Ficamos abraçados por cerca de um minuto, até que ela olhou para meu rosto e me soltou.
– Você está chorando? – Ela perguntou
Limpei as lágrimas.
– Foi duro... Muito duro... Mas valeu a pena, temos uma grande história para lhes contar! – Falei
Entramos e fomos recebidos por todos os romanos, como se nada tivesse acontecido entre nós. Fui conduzido até o refeitório, onde Reyna esperava.
A olhei com receio, mas ela sorriu e me chamou para o lado dela. Skadi a olhou com raiva e depois me encarou, mas eram ordens da líder do acampamento.
– Bem, espero que conte tudo como ocorreu... – Disse ela sorrindo
Ela se sentou e todos prestaram atenção em mim.
Contei a partir de minha fuga, a chegada no Olimpo, a luta contra Ártemis, o julgamento de Osíris e o desfecho da luta contra Rachel.
– Lutou contra Ártemis e sobreviveu? – Perguntou Piper
– Pois é... – Falei pouco a vontade
– Connor você pode repetir a parte de Zeus? – Perguntou Annabeth
Respirei fundo.
– Zeus perdeu parte de seus poderes quando utilizei cortei o feitiço de execração, por isso, é apenas uma teoria, mas achamos que o poder que sobrou se materializou na forma de um adolescente de 14 anos... –
– E isso deu no que? – Perguntou Reyna
– Alguns não vão gostar, mas Zeus, ciente de suas limitações nesta forma, nomeou Atena como rainha do Olimpo. – Falei sério
Annabeth quase caiu, assim como todos os outros semideuses. Ouvi um urro de raiva vindo de alguns semideuses romanos.
– Como pode uma deusa como Minerva ser eleita a rainha dos deuses? – Perguntou Reyna
– Reyna, Atena é a herdeira legítima do trono, ela é filha de Zeus com Métis, a primeira rainha do Olimpo. Além disso, preferia que tivesse colocado Ares como rei? – Falei com raiva defendendo minha mãe
Alguns filhos de marte se levantaram.
– Eu julgo Minerva inapta como rainha! – Gritou um dos filhos de Marte
Os filhos de Marte eram diferente dos filhos de Ares, eles eram mais espertos e mais civilizados.
– Não se trata de você julgar ou não, essa decisão partiu do próprio Zeus! Ela é a nova rainha, nós querendo ou não! –
– A sequência teve continuidade... – Comentou Annabeth
– Como assim? – Perguntou Percy
– Desde Urano, que foi derrubado do trono dos deuses por seu filho Cronos, e o próprio Cronos que foi derrubado por Zeus. Os reis do Olimpo tiveram o destino de serem derrubados do trono pelos seus próprios filhos. Atena parece que seguiu essa condição. – Completou Annabeth
– Você e Ísis se juntaram novamente? – Perguntou Sadie
– Por um momento sim... Mas acho que agora é impossível de voltarmos a se conectar... –
– Porque?- Perguntou Sadie
Mostrei a ela meu Tyet, ele estava partido ao meio, algo havia acontecido durante o feitiço de execração e minha conecção com Ísis tinha sido desfeita.
– Mas quebrar um amuleto é impossível! –
– Parece que não é mais, e eu não consigo mais sentir o espírito de Ísis em mim, ela não foi execrada, mas foi banida de meu corpo! –
– Isso é horrível... – Comentou Annabeth
– Talvez não... – Disse Percy
Concordei com ele.
– Mas pessoal, Rachel ainda está a solta, temos ainda um grande desafio a frente! – Falei
– Vamos precisar de cada um de vocês! – Falou Skadi
Percy, Annabeth, Sadie, Hazel, Frank e Piper concordaram.
– Para onde ela foi? – Perguntou Annie
Eu sinceramente não sabia e não queria pensar naquele momento, queria descansar, coisa que não fazia a tempos. Mas como eu nunca escolho meu destino, ao meu lado, uma forte luz dourada apareceu.
– Mãe?! – Exclamou Annabeth
Eu e Percy ajoelhamos, logo Piper e Sadie fizeram o mesmo e a maioria dos semideuses.
– Annabeth... – Disse Atena um pouco dura
Annabeth se ajoelhou.
– Minerva! – Disse Reyna de pé.
– Atena, por favor minha semideusa! – Disse Atena firme.
Atena veio até mim e me mandou levantar.
Fiz o que ela mandou.
– Connor Chase, depois de tudo o que passou neste mês, ainda acha que têm uma missão a seguir? –
– Sim rainha! –
– Eu concordo, vocês têm a última profecia escrita pelo espírito de Delfos para seguir, será um ano difícil e decisivo para cada um de nós! Depois de 3.000 anos, o comando do Olimpo muda de mãos! Annabeth, Percy, Connor, Piper, Hazel, Frank, Leo e Sadie Kane, o mundo conta com vocês novamente. Gregos, Egípcios e Romanos devem trabalhar juntos! – Falou Atena
– Com licença rainha, mas para onde devemos ir? – Perguntou Piper
Atena olhou para Skadi.
– De volta para o inicio minha querida... – E desapareceu
Assim, com todo mundo olhando para nós e discutindo, a nova missão se aproximou, seguir a profecia e deter Rachel.
"De sangue sacia-se a morte
Dos homens predestinados, acaba-se a vida.
Dos deuses e a criação, tudo tenderá ao fim.
Os Raios Solares tornam-se negros.
Os climas tornam-se Traiçoeiros.
Irmãos lutarão em uma guerra sem vencedor.
Uma era de machado e o outro de espada.
Uma era vento e o outro neve.
Antes que o mundo se vá, o novo inverno terá de começar".
E pensando naquilo, sai de perto de todos e Annabeth me seguiu.
Paramos na praça principal, em frente a tenda do templo de Minerva.
– Então... Somos filhos da rainha dos deuses! – Disse ela pouco a vontade
– Somos mesmo... Se sente especial? –
– Na verdade não, estou com medo de tudo que pode acontecer! –
– Ter medo do futuro não é sábio Annie, não sabemos o que virá, pode ser tanto bom quanto ruim! Temos que ter fé! –
– Eu tenho... Mas, depois de tudo... Connor, só nos dois sobramos do Chalé 6 inteiro! –
– Sim... Mas isso é obra do destino, eu aprendi a não me culpar pelo o que eu não pude evitar, ao menos eu tentei! –
– Está mais sábio... Irmão! –
– Você me chamou de Irmão?! –
– Sim... Afinal, nós dois somos Chase, e você é meu irmãozinho! –
Ela ficou me estudando.
Eu odiava quando ela ficava fazendo aquilo, eu me sentia como se fosse um projeto arquitetônico.
Ela me abraçou e eu olhei para a lua cheia no céu.
– O que está olhando? –
– Acho que vou ter alguns problemas com a lua a partir de agora. –
– Vá descansar Connor, Ártemis não vai te matar hoje! –
Ela mandou e eu dei as costas para a lua, eu tinha certeza de que não falava de Ártemis, mas de outra face da lua. Se Rachel ainda continuava a solta, podíamos esperar qualquer coisa, inclusive a aparição de alguns deuses esquecidos há anos.
Me deitei no banco do Carro conversível.
Skadi tinha estacionado o conversível dentro do acampamento, eu decidi deitar lá, pois não era muito bem aceito no acampamento romano.
– Voltar ao principio... Difícil. – Disse Skadi aparecendo no banco da frente
Eu a olhei e adormeci sem querer... Merecia descansar.
FIM DO LIVRO UM – VERÃO
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