Os uivos dos lobos retumbavam pelas pedras geladas das paredes de Winterfell, Robb estava deitado em sua cama, rolando de lá para cá. A cada uivo os cabelos de sua nuca eriçavam, pragas eram audíveis das ruas da cidade, pessoas agouravam sonoramente os lobos barulhentos.

Quando percebeu que não conseguiria dormir com todo aquele barulho, ele se levantou de sua cama vestiu um gibão prata com o lobo dos Stark, uma calça cinza e uma bota de couro lavado. Olhou através da janela, para lugar nenhum e desceu as escadas, encontrou Meistre Luwin se arrastando pelos corredores do castelo.

— Meistre, por favor, acorde todo o conselho, quero todos imediatamente na sala do conselho.

— Sim Senhor. – O velho saiu arrastando sua toga, até desaparecer na escuridão.

O garoto chegou na sala, se dirigiu a uma estante no canto oposto a porta, pegou uma pele de cabra e desenrolou na mesa.

— Mandou chamar Senhor? – Sor Rodrick entrou na sala e se pôs a observar o mapa também.

— Sim, por favor, sente-se. Creio que os outros demorarão a vir, portanto, vou adiantando o assunto com o senhor.

O cavaleiro se sentou em uma cabeceira da mesa e Robb se sentou à outra.

— Como bem sabe, Balon Grayjoy têm minha mãe em seu poder nas Ilhas de Ferro, os deuses poderiam ter sidos bons e feito com que Theon continuasse em nosso poder, mas o infeliz assassinou meu pai sem seu próprio quarto e se jogou da torre mais alta.

— Nunca pensei que o menino fosse capaz de tal barbaridade.

— Ao menos os deuses fizeram ele pagar pelo que fez.

— Poderiam ter feito mais.

— Mas não fizeram, portanto, nos preocupemos com o presente. Minha mãe não pode ficar nem mais meia virada de lua naquelas águas de sal. Portanto, vamos reunir nossos homens e atacar esses homens.

— E quanto a Arya senhor?

— Os deuses jogaram muitas coisas em cima de mim de uma só vez, Arya com Renly, Sansa com Cersei, minha mãe com Balon. Pelo menos Bran e Rickon continuam em Winterfell.

— Rickon não come há uma semana senhor, a mãe está fazendo mais falta do que imaginei que pudesse fazer.

— Com licença. – Jon entrou na sala, vestido com um roupão de veludo verde-esmeralda.

— Jon? Não deveria estar dormindo a esta hora? – Robb perguntou.

— Se os lobos deixassem, Fantasma não para de agonizar.

— Vento Cinzento também não para quieto, tenho medo do que os deuses podem estar querendo nos avisar.

— Os lobos cantam nossa vitória senhor. – Sor Rodrick parecia demonstrar mais felicidade do que realmente estava sentindo.

— Espero que sim, Jon, me acompanha em uma taça de vinho?

— Claro que sim.

— Sor Rodrick, pode tentar voltar a dormir. Jon, venha comigo até meu quarto.

Os dois irmãos, ou melhor, meio-irmãos saíram andando pelo castelo até chegarem no quarto escuro. Jon ajudou Robb a acender as velas e depois os dois se sentaram juntos na janela com uma taça de vinho quente condimentado cada.

— Até hoje me pergunto por que você não quis ir para a Muralha com o tio Benjen.

— Eu também me pergunto isso todos os dias antes de dormir Robb. Seria melhor pra mim, mas alguma coisa dentro de mim me fez ficar.

— Amor?

— Provavelmente, pelo pai que me criou, por meus meio-irmãos com os quais cresci junto, mas alguma coisa me disse que o certo seria ficar.

— Tenho que recuperar minha mãe, Sansa e Arya também.

— Se quiser, me arrume um grupo de duzentos homens, bons cavalos e seguirei para o sul, afim de recuperar Arya.

— Creio que não tenhamos homens suficientes para seguir para o sul e para oeste ao mesmo tempo.

— Como pretende atacar uma ilha? Creio eu que os cavalos não consigam atravessar o mar salgado a nado.

— Para isso temos galés e vassalos que nos ajudem.

— Vai convocar todos os vassalos?

— Sim, preciso de minha mãe imediatamente. Minha cabeça até dói de imaginar do que aquele homem seria capaz de fazer com a Senhora Catelyn, viúva de seu fiel inimigo Eddard Stark.

— Ele não seria capaz de chegar a fazer isso.

— Não duvido nada daqueles Homens de Ferro.

— Se me conseguir cem homens, prometo que vou até Jardim de Cima e retorno com Arya sã e salva.

— Teria que arrumar um lugar pra você nas criptas de Winterfell se conseguisse isso, invadir Jardim de Cima com apenas cem homens. Chega a parecer loucura.

Da janela, era possível ver as estrelas, dançando com a lua, enquanto os lobos haviam parado de uivar.

— Confie em mim Robb, Arya é muito importante para mim também.

— Tudo bem Jon, tentarei arrumar esse homens o mais rápido possível. Agora vá dormir, pelo menos esses lobos barulhentos calaram a boca.

Jon colocou a taça em cima de uma cabeceira, se despediu de Robb e saiu. O garoto, encheu mais uma taça de vinho, bebeu e depois deitou em sua cama. Quando dormiu, os sonhos começaram a atormentá-lo.

Um leão corria pelas matas, caçando, faminto, qualquer coisa que se pusesse em sua frente seria atacada e devorada. Uivos eram audíveis em todos os cantos da floresta. Chegou até um portão, através das grades pode ver um castelo.

Quando pulou as grades, dois homens vieram correndo em sua direção, usando cotas de malha e espadas afiadas. Saltou por cima de uma, arrancou sua cabeça e a engoliu com duas mastigadas, depois se virou, encarou o outro guarda, saltou por cima deste e depois voltou, mordendo suas pernas e fazendo com que ele caísse no chão, gritando.

Robb acordou assustado, suando, jogou os lençóis para o lado e correu até a janela, nada conseguiu ver, apenas a escuridão e as estrelas. Tentou voltar a dormir, mas nada fez com que seu sono retornasse.

Cinco dias depois, acordou com Meistre Luwin batendo freneticamente em sua porta.

— Senhor, alguém entrou no castelo essa noite, arrancou a cabeça de um dos guardas e as pernas de outro.

O garoto se lembrou do sonho, levantou-se correndo e gritou:

— Procurem por leões.

Notas finais
Vocês devem estar se perguntando, leões? Esse menino tá doido! Não percam os próximos capítulos.
Obrigado pelos comentários, comentem mais.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.