O Instituto De Mutantes - Interativa
2 Introdução ao Instituto
Notas iniciais
Leah deu um pulo, à sua frente, um garoto fitava seus olhos de modo intimidador, ele parecia um pouco desconfortável por ter que olhar para baixo para encará-la, “Mas eu não tenho culpa por ser baixinha” pensou. Tinha um metro e sessenta e dois, e ele deveria ter um e oitenta e tantos. O garoto parecia estranho, desconfortável, vestia uma camiseta, e jeans, e Leah podia ver os pelos de seu braço arrepiados. Não era para menos, o instituto era uma geladeira mesmo no verão, e estavam no outono, quase inverno.
Ela recobrou a postura e o encarou, tentando manter-se calma. Deveria ser um dos mutantes novatos. Só nesse momento ela percebeu que o Professor havia parado de falar, ele a veria a qualquer momento a não ser que tivesse saído pelo outro corredor para mostrar o instituto aos novatos. Mas então por que esse cara não estava com os outros?
Sentiu uma mão em seu ombro e olhou para trás. Aurélio Cortez, era um grande amigo desde que chegara ao Instituto quando ainda mal sabia falar inglês.
– Algum problema aqui Leah? Quem é esse? – Perguntou com o sorriso bobo e sincero de sempre.
–Han... Não é nada Cigano, esse deve ser um dos novatos.
– Lex! Lex Blood! Algum problema comigo? – Perguntou o garoto em um tom rouco autoritário.
– Não, nenhum problema cara! Só queria conhecer os novatos! – Diz Aurélio em sua melhor forma gentil.
– Eu não. – Resmunga Leah e começa a se afastar. – O professor não deve querer a gente aqui até a apresentação oficial!
– Então o que você estava fazendo espiando aqui? – Pergunta sorrindo, sabendo que a tinha pego em um beco sem saída.
– Eu... Eu não estava espiando! Só queria falar com o Professor. Mas como ele está ocupado, eu já vou. – Diz virando e seguindo para o corredor com passos largos, fazendo os cachos ruivos balançarem.
– Ela é sempre esquentadinha assim? – Pergunta Lex, olhando para sua bunda enquanto se afastava, sem disfarçar.
– Você não faz ideia! – Diz lhe lançando um olhar afiado, mas Lex não desviou os olhos.
– Senhor Blood! Pode voltar para o grupo? E senhor Cortez, o que faz aqui? – Pergunta o professor, que se materializara atrás dos dois. – Você quer ser o guia turístico deles, ou pode por favor voltar às suas atividades?
– Ahn... Sim, claro senhor! Posso mostrar o local a eles se quiser! – Diz Aurélio trocando o peso de um pé para o outro.
– Sim, claro! Eu tenho coisas importantes para fazer. Mostre a eles o local e seus quartos no penúltimo corredor. Eu já expliquei sobre as regras. – Disse, parecendo apressado, ele não esperou resposta. Simplesmente saiu andando pelo corredor.
– Ele é sempre assim? – Pergunta Lex. Aurélio o ignora e se dirige ao meio do hall sem se virar para ver se está sendo seguido. Além de Lex, duas garotas e três garotos esperavam parados ao pé da escada que levava para fora. Todos carregando malas de mão, o único que tinha mais alguma coisa, era um garoto de cabelo preto que carregava um case de violão nas costas.
O silêncio estava começando a se tornar constrangedor quando Aurélio pigarreou, e ajeitou a postura.
– Oi para todos... Bom... Han... Eu sou Aurélio Cortez, e o professor me mandou mostrar o local para vocês... Sabem, eu já fui novato e sei que isso parece mais um hotel gigante dos anos 20, é sempre escuro, frio e parece um labirinto, mas a gente se acostuma... Bom, agora me sigam!
Ele começou a andar em direção ao corredor oposto ao que entrara, passou pelos sofás vermelhos de veludo e por algumas estatuas e estantes de livros encostadas nas paredes. O corredor era branco e comprido, haviam alguns quadros grandes nas paredes, na primeira bifurcação, tomaram à direita. Nesse corredor haviam algumas portas de madeira e aberturas para outros corredores cheios de portas de vidro e algumas poucas de madeira.
– Essa é uma das quatro alas de pesquisa daqui, a outra bifurcação levava para os escritórios. – Explicou enquanto passavam devagar. Logo viraram à direita de novo, e deram com a primeira escadaria. No segundo andar, que era na verdade o nível do solo, Aurélio explicou sobre as salas de aula, ala de pesquisa, e o refeitório, no terceiro, as alas de pesquisa e treinamento, e os quartos, e no quarto, mais alas de treinamento e pesquisa, e mais alguns quartos.
No penúltimo corredor ele parou. Haviam exatamente cinco quartos, com placas nas portas, com números e os nomes das pessoas.
– Bom... esses serão seus quartos, espero que eu tenha ajudado! – Disse, e logo depois que as pessoas se acharam, saiu para procurar uma amiga.
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Mikaela Schnee estranhou menos o quarto do que pensou que o faria. Era simples, tinha paredes brancas, o que ela odiava, mas estava acostumada, todos os móveis tinham a mesma madeira escura e rústica, havia um guarda-roupas, uma estante de livros vazia ao lado de uma escrivaninha com uma cadeira e um abajur azul, uma cama simples com a colcha marrom claro, com uma estante de parede ao lado, além de tudo, um espelho grande ao lado da estante de livros. A janela, atrás da cama, na parede oposta à porta, era da mesma madeira rústica do resto dos móveis, e estava fechada, com as cortinas bege claro tapando sua visão do lado de fora.
O quarto tinha um pouco de espaço vazio, mas ela provavelmente teria tempo e oportunidade para personalizar tudo, já que de acordo com o que ouvira, ficaria ali até os 21 anos, a princípio se contentou em guardar suas poucas roupas no guarda-roupas e os quatro livros que tinha na estante, e sua Katana na estante de parede. Colocou sua garrafa térmica vermelha, agora vazia, na mesinha de cabeceira, e sentou-se na cama. Não sabia exatamente o que estava esperando, ela sabia que alguém a chamaria na hora do almoço, o professor os havia avisado disso. Ela simplesmente não sabia o que fazer. Puxou a colcha da cama, ficando feliz em saber que havia mais um edredom cinza e um cobertor felpudo laranja por baixo, se cobriu e deixou as lembranças virem.
Jonas registrou tudo o que estava dentro do quarto rapidamente, paredes cinzas, cama, estantes, guarda-roupa, mesinha, espelho e escrivaninha. Estava frio em todo o lugar naquele instituto, isso o deixava com mais sono, largou as roupas dentro do armário de qualquer jeito, e organizou seus livros. Fez tudo o mais rápido o possível e se enfiou debaixo das cobertas, no momento ele não queria saber de nada...
Depois de ajeitar suas coisas, Bethany, sentou-se desajeitadamente na cadeira de sua escrivaninha, e pegou a cartela de cigarros do bolso. Acendeu um, mas não apagou o isqueiro, olhar para ele a relaxava, assim conseguia pensar, mas a verdade é que o que ela queria era uma boa dose de vodka ou algo mais forte, apenas para “Começar bem”, ou quem sabe pudesse apenas pegar algum doce na cozinha antes do almoço. Será que deixariam? Só havia um jeito de saber.
Derek não se preocupou em prestar muita atenção no quarto ou em nada na verdade, a primeira coisa que fez foi colocar um casaco cinza escuro e então, tirar seu violão do case e dedilhar algumas notas até se entediar.
Olhava para o nada enquanto mexia em seu cordão de amazonita que nunca tirava. Ele se segurou até não aguentar mais. Precisava sair dali.
Sentiu a familiar sensação enquanto seu corpo se desmaterializava e virava sombra. Passou pela porta sem abri-la, olhou para os lados e hesitou antes de começar a se locomover aleatoriamente por aí...
Depois por alguns corredores que pareciam todos iguais. Desceu uma escada, e passou pelas sombras para não ser visto por dois garotos desconhecidos que conversavam na escada. Deveriam ter uns catorze ou quinze anos, um afro-americano e outro loiro, eles apenas continuaram conversando sem notá-lo.
Derek teve que ficar circulando por quase cinco minutos antes de achar o refeitório. Que na verdade não ficava tão longe, e ele teria chegado até ele em um minuto se não tivesse se perdido. Era grande e algumas pessoas conversavam ali. “Vamos para a sala comum do primeiro andar” ouviu uma garota dizer ao longe. Ninguém o via daquele jeito escondido nas sombras, e era do que o mesmo gostava. Algumas conversas lhe chamaram a atenção. “Ele nunca vai te perdoar” era uma voz feminina e irônica, meio risonha. Se tratava de uma garota com cabelo e olhos cor de chocolate, usava calças pretas, uma blusa azul escura com botõezinhos e um cinto, e um tênis azul.
“Ele não ficou bravo comigo! E eu tinha coisas a fazer!” Disse outra garota, encoberta pela primeira.
“Sei! Tipo o que?” Um garoto que estava à frente delas falara, ele tinha cabelos compridos castanho claro, usava um chapéu engraçado e... Era o cara que mostrara o instituto para Derek e os novatos! “Um tal de Aurélio” Pensou Derek, ainda os observando.
“Argh! Coisas!” Disse a garota que ainda não tinha sido vista, parecendo impaciente. “E eu tive uma noite complicada! Falo com vocês no almoço!”
“Ei! Calma aí esquentadinha!” Disse Aurélio.
“Não me chame assim!” Gritou a garota, saindo do refeitório, e quase vendo Derek, que se escondeu no último momento. Era uma garota ruiva e baixinha com um vestido cinza sem mangas, foram as únicas coisas que conseguiu captar sobre ela. E ele achou particularmente estranho que ela estivesse com tão pouca roupa em um lugar tão gelado. Quando ia segui-la para perguntar, deu um encontrão em uma grota, que praguejou.
– Olha por onde anda! – Disse a garota, que ele notara, se tratava de uma das novatas, uma com cabelo castanho, olhos claros, a boca vermelha e pele meio pálida.
– Han... Me... Me desculpe! Eu estava só... – Tentava se explicar enquanto voltava para sua forma original.
– Ah, você é um dos novatos! Sabe onde esse pessoal guarda comida, bebidas ou algo assim? – Disse ela, olhando para os lados, e passando as mãos nos brações por causa do frio.
– Hm... Não.
– Bom, quem sabe eles saibam! – Disse Bethany apontando para Aurélio e sua amiga. – Ei! Aurélio, e a garota que eu não sei o nome! – Chamou.
Os dois pareceram estranhar, e hesitaram antes de se aproximar.
– Ah! Vocês são os tão falados novatos! – Disse a garota, animadamente. – Meu nome é Eleanor Blacksoul, podem me chamar de Len, eu deixo!
– O meu é Bethany Underwood, e acho que esse cara é o Erik.
– Derek! – Corrigiu. – Derek Backler, prazer. – Terminou, timidamente.
– Vocês sabem onde guardam os doces? Ou bebidas? – Perguntou Bethany.
– Hm... Doces até tem alguns na cozinha, mas não tem bebidas aqui, alguns compram de fora e deixam nos quartos, mas eu não tenho. – Explica Aurélio.
– Eu tenho! – Diz Lex, que acabara de se juntar à conversa. Len pareceu levemente assustada com sua presença e seu olhar, e estremeceu visivelmente.
– Len, melhor pegar um casaco! Quer o meu? Ou, é claro, você pode ir no quarto da esquentadinha. – Disse Aurélio, rindo. Ela apenas revirou os olhos e seguiu seu caminho apressadamente pelo corredor, com o garoto em sei encalço.
– Ok, garota, eu divido uma garrafa!
– Valeu, Lex!
– Vai na frente. – Diz com um sorriso cafajeste. Ela apenas revirou os olhos e foi.
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Bethany quase se assustou ao entrar no quarto do garoto de cabelo escuro atrás de si. De algum modo ele já arrumara tudo, bom, na verdade mais bagunçara do que arrumara. Já havia pregado alguns pôsteres de bandas aleatórias em volta da estante, havia um ou dois livros na escrivaninha, ao lado de uma latinha de spray preto, provavelmente planejava pintar os móveis ou algo assim, a estante de livros tinha facas expostas. A mala estava jogada nos pés da cama e algumas poucas roupas jogadas de qualquer jeito no armário.
– Já me instalei! E falei com uns caras que mudavam de forma lá em baixo. Falaram que todos ganhamos uma pequena quantia de dinheiro mensal para usar, e temos que lavar a louça uma vez a cada 28 dias, já que tem 32 pessoas aqui, e quatro delas são crianças pequenas. – Disse Lex, enquanto procurava algo nas gavetas da escrivaninha.
– Você parece bem informado para alguém que só está aqui há no máximo duas horas! – Disse Bethany sentando-se na cama. – Sua capacidade de adaptação é... No mínimo interessante!
– É, eu me viro... – Disse voltando com uma garrafa de whisky na mão. – E aparentemente as únicas refeições que os empregados fazem são o café da manhã e janta, de resto só nos disponibilizam o acesso livre à cozinha... E material de limpeza.
– Faz sentido, se aparentemente ficaremos aqui até os 21 anos.
– Ou mais! – Diz ele dando um gole na garrafa e a oferecendo à garota sentada na cama, ele não pode evitar ficar olhando para seus seios enquanto falava. – Tem gente que se torna agente e fica... Se eu não conseguisse outro emprego eu ficaria, E você Beth?
– Primeiro, é Bethany. – Diz a garota dando um gole na garrafa e a passando para ele, que apenas deu de ombros com uma expressão desinteressada. – Segundo: Se seremos colegas... Conte-me sobre o seu passado, sua “Diferença”... – Falou gesticulado as aspas.
Ela foi até a janela e esperou que ele falasse algo, o que demorou um pouco.
– Eu fico invisível. – Falou em um tom subitamente desconfortável. – É tudo o que saberá...
– Hm... Sabe, eu... – Nisso ela foi interrompida por lembranças ruins, desencadeando uma sensação terrível, como se seus pulsos estivessem sendo amarrados e suas costas sendo cortadas por um chicote. Ela estava acostumada a isso e se segurou, mas não Lex, a sensação era extremamente real, e ele não pode evitar gritar, sua visão mudou, agora ele estava em uma terra seca, o sol queimava sua pele.
– Pare! – Gritou. – Eu sei que é você!
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Depois que eles saíram, Derek se viu sozinho novamente, e preferiu voltar ao seu quarto.
Quatro minutos depois ele se viu perdido novamente, As pessoas o ignoravam e as portas eram todas iguais, apenas com números para identifica-las.
Quando estava prestes a desistir, algo o fez parar. Um som. Um som limpo, harmonioso. Um violoncelo talvez. O som vinha do quarto 17. A porta estava completamente fechada, talvez trancada. Ele pensou em bater, mas aquilo interromperia o som, só havia uma coisa a fazer.
Se transformou em sombra e passou pela porta, rezando para que quem quer que estivesse tocando não estivesse olhando. Quando entrou, viu um quarto escuro, e que era bem diferente do seu, provavelmente a pessoa era um veterano que já tivera tempo para personaliza-lo, e certamente se tratava de um quarto de garota. As paredes tinham um papel de parede laranja claro com uma faixa de folhinhas de plátano em cima. Na cama, havia apenas um edredom felpudo roxo escuro bagunçado, os móveis eram da cor dos seus, e as cortinas eram também roxas, mas claras. A estante estava cheia de livros, havia mais uma pilha no chão, ao lado da cama, e dois na escrivaninha, na estante de parede havia um arco composto preto.
O som, que não fora interrompido vinha do canto do quarto, era a garota ruiva de antes, agora de costas, com o mesmo vestido cinza, tocando um violino.
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