O Instinto

2 I'm such a fucking lady


Notas iniciais
MAMÃE CHEGOU, VLW FLWS! Gentem, queria ter postado esse bichinho aqui antes, mas tive umas 500 crises criativas desesperadoras. Morri, nasci de novo, ouvi áudio de meditação no YT pra ativar minha glândula pineal, e estou de volta. Pelo menos consegui cumprir minha meta de um capítulo por semana. MIGASSSS, amei tanto a recepção de vocês que contei pra mãe, pras amigas, até pra psicóloga! KKKK Obrigada, obrigada, obrigada por quem me marcou no TT, pra quem fez review, sinal de fumaça, enfim. Cês são PHODA. Como prometido, hoje é ousadia e alegria. Espero que tenha ficado hot o suficiente para o padrão XVídeos de vocês taradas, garagens do Carrão. A propósito, amanhã é meu niver, então me presenteiem com muitas reviews, please! Quem não ganha carro na real life ganha comentário na net, né bitches. Vou calar a boca, leiam e aproveitem!

DOIS:

… you don’t have to be so afraid.

No horizonte da infinidade e do tempo estamos nós. [1]

É um instante mudo da madrugada. Acordaste um tanto inquieta, alegando pesadelos, e eu ofereci meu peito como cura para teu medo. Deitada nele, fazes cara de quem tenta desvendar os mistérios da terra, da água e do ar, e eu apenas assisto sem fazer intervenção, como já tornou-se rotina desde o terrível acidente. Quem interrompe essa ordem é tu própria, com uma fala tão baixinha que mal escuto.

“Davi… Você gosta dos meus olhos?”

Mas que pergunta!

“Claro.” Vou penteando teus cílios com a pontinha de um dedo. “Eles são lindos.”

Levantas a cabeça. Um rubor pouco, bem pouco, não te larga as bochechas.

“Lindos?”

De fato. Encosto o queixo na lourice dos teus cabelos.

“Perfeitos.”

Sorrir querem teus lábios; vão-se afinando, acendendo, abrindo… e fecham-se em si novamente.

“Mesmo estando cegos?”

Um cílio solta-se bem no teu rostinho. Eu o capturo.

“Isso não faz diferença pra mim,” termino meio rápido demais, logo encaixando nossos dedos. “Faça um desejo.” Mesmo sem precisar, fechas os olhos. Eu também o faço. Que Megan possa me perdoar… “Você ganhou,” anuncio. Daí ficas a mirar o nada com a chama de quem pode enxergá-lo, eu nada entendendo, até que por fim grudas o tal pedacinho de ti, o cílio, em um ponto qualquer de minha clavícula.

Agora estás de bruços. “Fica pra você,” é o que falas. Mais um atraente capricho para tua coleção, penso. No entanto, a sensação de que não compreendi algo fundamental persiste, o que se confirma pelo modo como tuas pernas vão se esfregando uma na outra, meio assim, meio enfim. Quando fazes isto com elas, isto de dobrá-las e pô-las a subir e descer feito menina, sinto-me o próprio Humbert Humbert [2], já te imaginando enfiada em meias soquete e — por que não? — sentada, sentadinha no meu colo.

“E minhas costas?” a ninfa em ti pergunta. “Ainda são bonitas?”

Vais tirando a toalha com a mesma preguiça que te consome ao falar. Se as sílabas gostam de se arrastar pelo céu da tua boca até que eu queira arrancá-las à força com minha língua, os tecidos buscam fazer o mesmo sobre tua pele. Desejo ser a trama escarlate que saboreia cada pinta, cada cicatriz, cada curva, até parar sobre tua bunda, tua bunda gostosa de pegar, de morder, de invadir… Sinto saudades.

“Sempre serão bonitas.” Demais para mim. Suspiro. “Vou dormir. Boa noite, Megan.”

Finjo não perceber teu semblante desapontado.

…

De um sonho acordo. A sonífera vertigem dissolve-se no estalar que acende a lâmpada. Uma visão cala-me antes mesmo que eu possa falar: vestes nada além do fogo nos lábios. Leva-os a tocar minha virilha. Beijam. Demandam. Pergunto o que farás comigo, eu, pobre garoto. O que respondes? Nada. Não deves satisfação de como usas meu corpo.

Tenho medo, Megan.

Do quê?

De ti. És tão grandiosa que tão pequeno me sinto. Quando me pegas assim pelas pernas, sei que não existo — pois nem pensar consigo! —, e se arrancas minhas roupas, arrancas junto a proteção que criei desde que te acidentaste.

Caiu o muro que me isolava de teu efeito total, terno e trágico. Daqui em diante, não serei o mesmo. Posso dizer o mesmo de ti?

Pergunto de novo o que farás comigo, e dessa vez respondes. Como o faz? Tu me devoras, e em uma só tirada estou todo dentro da tua boca. Ah, Deus, meu Deus! Decides me soltar, não sem um estalo teatral.

“Não chame Deus, Davi. Eu acho que isso aqui” Lambes a pontinha de meu pau “ficará mais parecido com o inferno.”

Deus, ah, Deus! Não é o momento mais apropriado para lembrar-me do Senhor, eu sei. Apenas rogo que cuides com bastante carinho para que a alma não me abandone o corpo por culpa dessa mulher!

Pedes teu tabaco. É difícil para mim, já não sei onde estou, mas não ouso te negar nada. Cabeceira, encontro, agarro a embalagem. Cigarro, acendo, encaixo nos teus lábios. “Eu quero te comer inteiro, meu amor,” sussurras. A cada palavra, um suspiro quente. Começo a tremer, tremer, tremer, tremer… Teu peito ronrona sem fim, sons que vão se misturando à fumaça e ao roçar dos beiços em minha carne. És uma gata! Agarro-me a teu pelo para não fraquejar.

“Eu… Eu não…” Ora, recomponha-se homem! Como pode ser que não terminas uma curta frase?! “Ah, eu não sei se vou aguentar, Megan.”

“No problem. Estou toda à disposição.” Sorrisinho. “Deixo você gozar na minha boca, nos meus peitos, e, se for um bom moço, até na minha cara.”

Merda! Escondo-me no travesseiro. Um, dois, três, pronto, já sou foragido! Não sabes como temo que esse pequeno animal que te tornaste mastigue o que me resta de digno. E se eu descobrir que, no fundo, sou tão animal quanto tu? Quase meto a fronha nos olhos de tanto tapá-los. Como se isto pudesse me livrar de tuas armadilhas!

“Está olhando pra mim?” ouço tua doce voz falar. “Enxergue por mim, Davi…”

O D a estalar nos teus dentes; o pedido tão vazio de pretensão; a paixão com que entoas cada sílaba; tudo tira-me dos domínios do meu próprio umbigo e leva-me a suplicar — sim, suplicar. “Diga meu nome de novo,” é a frase que arranha a garganta. Mostras ser misericordiosa. Transformas essa coisa patética que sou em sublime prece, e repete-a com toda fé.

“Davi, Davi, Davi…” Sou deus? Talvez… Tu paras. Não sou mais deus? Mas não… Ah, porra… Isso, Megan… Respirar, preciso respirar! O ar sai todo entrecortado, como que eu estivesse a morrer. É isto que chamam de petit mort? É ver meu pau desaparecer lentamente entre teus lábios? É acompanhar esse teu ritmo vadio? Para cima, para baixo, para cima, para baixo, mais molhado a cada ensaio, mais fácil de entrar e sair… Plop. Não é suficiente para ti.

“Como eu gosto de cuspir no teu pau, garoto.” Dito e feito: deixas um fiapo de saliva cair na ponta. Ele vai escorrendo pelo corpo, e eu olho, pisco, olho… Tu me envolves com a mão livre — quase esqueci que tens um cigarro na outra. Não tens mais, pois acabaste de prendê-lo nos lábios. Agora, ambas as mãos são dedicadas a mim. Movimentos lentos, longos, firmes… Estou a gemer tão alto que me assemelho a um vergonhoso adolescente virgem.

Pausa. Necessitas fumar. Ótimo, também necessito retornar à vida. Bem, mais ou menos, pois te ver sugando a cigarrilha deixa-me tentado a arrancá-la de teus dedos e forçar que tragues meu pau até rasgar a garganta — não o faço, óbvio, pois… Ah, meu Deus… Isto, podes chupar mais forte, deixa-me ver tuas bochechas afinarem-se, permita-me acompanhar a fumaça que te escapa da boca quedar suspensa no ar. És um vulcão, mulher, e não sei o que farei contigo! Tu me torturas até o final, quando estou todo dentro de ti, e então de novo ao início. Tu me deixas encharcado. Pingando.

Recordo a última frase que proferes antes de eu me dissolver por completo sobre teus seios.

“Existe outra mulher no mundo capaz de te deixar assim, Mr. Reis?”

Enquanto molhas teus dedos com minha goza e leva-os até a língua, faço pouco de tua pergunta. Há coisas melhores para pensar, e, sobretudo, para assistir. Contudo, quando enfim me libertas de tão lindas imagens, ponho-me a matutar um tanto irrequieto.

Bem, a resposta é não; nenhuma outra mulher é igual a ti. No entanto, sou obrigado a apontar, existem muitos poréns.

Deixo aqui o ponto de interrogação.

?

Notas finais
Como eu disse, os conflitos serão apresentados aos poucos, e, nesse capítulo, acho que algumas questões conflitantes já podem ser percebidas. Só não posso revelar tudo agora, pois a história se baseia exatamente nisso. [1] Essa parte da frase 'No horizonte da infinidade e do tempo' foi retirada de Tomás de Aquino e colocada em um contexto completamente diferente. NÃO ME PROCESSA AÍ DO CÉU, TIO TOMÁS. [2] Me baseei um pouco na ideia de Lolita, porque Megabelle is ninfeta since always, bitches. Resuminho malandro do livro: http://mestredasresenhas.wordpress.com/2011/09/30/resenha-lolita/ Seja um herói. Doe reviews. Salve vidas. Beijos e queijos!