O Inocente Lado Negro
1 Capítulo Único
- É tão... Brilhante... Tão poderosa... Estranha, mas poderosa... — dizendo isso, um jovem cavaleiro foi colocando a mão na espada que mudaria seu destino.
Nos primeiros instantes, não sentiu nada. Era uma porcaria de espada qualquer. Sua idéia começou a se modificar quando essa passou a tomar a mesma forma enorme de sua Faust. Uma zweihander perfeita. Os olhos do louro alemão se encheram diante daquilo.
- \"Eu nasci para ser sua. E você para ser meu, Siegfried Schtauffen\". — as palavras que ecoavam da espada eram como as de uma noiva recém-casada. — \"Use-me, use-me até a exaustão de vosso corpo\"
- Essas palavras... Soul Edge? — olhou o rapaz sem entender. — Estou mesmo ouvindo você?
- \"Claro que sim. Agora, o mundo nos pertence. Pertence a ti. Vamos... Temos muito o que fazer...\"
- Isso está estranho à beça, mas... Eu tenho mesmo coisas à cuidar... — O jovem começou a caminhar para longe do local onde lutara com o Pirata Imortal. Aos poucos, seu corpo começou a cansar-se. Sem perceber, sua armadura mudava de cor aos poucos. De uma clara e brilhante, para uma negro-azulada fúnebre. Não muito após ter deixado o lugar em que encontrara a espada demoníaca, caiu adormecido.
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Olhando para os lados, o jovem foi acordando. Do seu lado, apenas a sua nova companheira.
- Onde eu estou?
Sem dúvida nenhuma, aquela era a casa de um nobre. Mas estava completamente destruída. Era como se um tornado houvesse passado ali. As paredes, sujas com sangue. Assim como o chão, as cortinas e tudo mais ao redor. Podia ver corpos mutilados pelo chão e outros que tinham golpes sem dúvida compatíveis com sua espada. Não havia matado ninguém... Ele estava certo disso. Mas então... Por que acordar num lugar daquele? Estivera sentado no trono do dono da casa.
- Eu não fiz isso... Não fiz! — retrucou o jovem ao nada. No fim do corredor, ouviu um lamento. Quando chegou lá, deu de cara com um garotinho.
- Assassino! — gritou este e se esvaiu em lágrimas.
- Não sou nada disso, seu pirralho! Eu não faria isso... Eu... — Quem aquele pirralho pensava que era? Siegfried não tinha que se explicar. Apenas deu de ombros rumo à saída do local.
- Assassino e covarde! Matou meu pai, minha mãe... Fez coisas horríveis com minha irmã e a matou também. Além de todos os empregados dessa casa. Depois ainda dormiu no trono do meu pai! Assassino!
- Cale-se, moleque! — os olhos do louro brilhavam vermelho. A voz, demoníaca e grosseira, foi suficiente para que o pequeno insolente caísse de joelhos no chão, quase implorando por clemência. — Estou farto de escutar-te! — Olhou para Soul Edge em sua mão direita. Sorriu com um dos cantinhos da boca. — Chegou tua hora... — e assim, levantou a lâmina dos infernos e partiu sem dó o último sobrevivente do lugar. Mas mesmo o corpo inerte do pequeno não saciou sua sede de sangue. Fora delicioso e ele queria mais. Saiu porta à fora, com a espada pingando uma vida tirada de um inocente. Inocente como ele mesmo.
Observou ao longe quando saiu. Aquela mansão fora construída no topo de um monte e dava para um vilarejo. No chão, próximo à ele, havia um elmo jogado. Ele o usou, tapando seu rosto angelical. E saltou dali rumo à um banho de sangue sem precedentes. Iria ser uma lenda. A lenda azul. O Cavaleiro Índigo.
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