O Infinito de Joseph Weeks

13 Um Novo Re-Começo, por Joseph Weeks


Notas iniciais
Talvez o capítulo não agrade a todos pelo simples fato de que Joe e Adam vão cantar algumas músicas, mas como ninguém é perfeito, eles também não cantam tão bem e mesmo assim serão aplaudidos (?). Enfim, espero que gostem de hoje. O próximo também será calmo assim, e com uma pitada a mais de emoção, então vão preparando os forninhos ;) Boa leitura!

— Não, não e não, Adam.

— Sim, sim e sim, porque eu sou seu pai adorável, Joe.

— Odeio quando você usa esses argumentos tão legítimos contra mim.

— Agradeça à legislação. Além do mais… nós já estamos indo para lá.

— Adam Morgan, não me diga que mentiu para seu próprio filho adotivo.

— Foi necessário, tá? Você se mostrou contra o karaokê e eu precisava te tirar dessa monotonia de vida. — Ele estacionou o carro em uma vaga e o parou. — Chegamos.

— Eu disse que eu não queria vir para cá. É algo tão antiquado que nem a Lucy faria.

— Engano seu. Vamos. — Desceu do carro, e eu logo fiz o mesmo.

— Por que diz isso? — Indaguei, enquanto andávamos rumo à porta.

Por um lado, eu realmente não queria entrar naquele lugar pelo simples fato de que provavelmente cheira a um porão velho e abandonado misturado com um aroma resistível de século XIX. Mas, pensando bem, cantar sem o compromisso de ficar famoso e sem ligar para o fato de que pode estourar os tímpanos de outros ouvintes, considerando minha condição de saúde nada boa, até parecia ser um pouco legal. Mas só um pouco.

Assim que entramos no local, adaptei minha visão à pouca iluminação do lugar aparentemente rústico, e quando finalmente consegui enxergar decentemente, entendi o que Adam quis dizer com “engano seu”.

— Vocês aqui? Sério mesmo?

— Não perderia meu sobrinho querido cantar por nada nesse mundo. — Lucy me puxou para um breve abraço, daqueles bem apertados.

— Primeiro, eu não sou seu sobrinho completamente. E segundo, ninguém aqui garante que eu vou cantar. — Respondi, quando nos separamos. — E quanto a você, Rachel Smith? Pensei que estudar fosse a coisa mais suprema que existisse na hierarquia do seu cérebro.

— Às vezes, preciso me distrair da Guerra da Secessão e me focar na minha péssima cantoria. — Ela sorriu, me fazendo corar as bochechas. Vai entender o porquê de meu corpo reagir assim…

— Ah, quase esqueci de dizer, Joe. Amanhã vamos passear com a Ali e o Darren. Ela tem algo importante para te contar. — Adam me disse, assim que nos sentamos numa das mesas que pareciam ser rústicas.

— Tenho minhas hipóteses sobre isso. Mas, enfim, o que vamos comer? — Falei.

— Mal chegou e já está pensando em comida, garoto? Nem parece que acabou de passar por um tratamento intensivo que te custou várias refeições indo parar no vaso sanitário. — O mais velho indagou, fazendo-me rir.

— Está tranquilo quanto a este assunto, Weeks? — Rach interveio.

— O melhor a fazer é sorrir para não chorar, Smith. Prometi ao Adam que recomeçaria minha vida do zero, e aqui estou eu, vivendo a vida como se o câncer não existisse.

— Quando você fala sobre a doença, acaba lembrando que ela existe, sabia?

— Rachel, entenda uma coisa: não é porque a coisa existe que você vai dar a ela o poder de te colocar pra baixo. Temos de passar por cima dos problemas sorrindo e… — Pensei em algo engraçado para falar e, coincidentemente, a primeira coisa que me veio à cabeça foi o Ryan Hudson. — …e mandar beijos calorosos para o recalque.

— Esse Joseph não perde uma oportunidade de pisar no calo da inveja. — Lucy ironizou, e logo todos nós estávamos rindo feito loucos com tudo o que cada um falava.

Nem percebi quando nosso pedido chegou, e quando olhei para a comida, pensei: “Até que não é tão ruim. Ao menos tem uma cara melhor que a do hospital”. Mas quando dei a primeira mordida no meu sanduíche de peito de peru com carne de churrasco – uma mistura gordurosa até demais, diga-se de passagem – imaginei o paraíso dos sonhos se materializando na forma de um simples alimento. Deus, como aquilo era gostoso. Melhor do que qualquer comida do McDonald's, com toda a certeza.

— E então, quem será o primeiro ou a primeira a passar pelo palco? — Adam perguntou, e todos nós congelamos de medo.

Estava bem claro que um só iria se o outro fosse antes, e vice-versa, o que atrasou um pouco a decisão.

— Ninguém? Tudo bem, eu escolho.

— Não! — Eu, Lucy e Rachel gritamos em uníssono, atraindo diversos olhares dos outros clientes.

— Então se manifestem.

Infelizmente, ficamos jogando a responsabilidade em pessoas aleatórias, até que eu mesmo me enchi da discussão e parei tudo.

— Chega! — Aumentei meu tom de voz. — Se vocês montaram um complô para eu ir primeiro ou fizeram algum tipo de maldição, eu não sei. Mas eu vou lá cantar primeiro.

Antes que eles ficassem de queixo caído, levantei-me da mesa e segui para o pequeno palco, onde havia um assistente e uma lista com as canções que poderiam ser escolhidas. Aproximei-me, cumprimentei o cara e passei o dedo pelos nomes.

“This Is How We Do”? Não, de jeito nenhum. Katy Perry é um nível alto demais para mim. “Popular Song”? Não combina comigo. Fiquei nesse vai-e-vem de escolha até parar numa parte onde só haviam músicas de Phillip Phillips. Um dos melhores cantores da atualidade numa lista de karaokê, essa é novidade.

— Número 203, por favor. — Falei, apontando para “Where We Came From”, e enquanto ele colocava a coisa pra tocar, posicionei-me em frente ao pedestal com o microfone e ajustei-o ao meu rosto. Logo, os toques de violão começaram a sair pela caixa de som.

Devo ter usado todos os meus desejos ontem, porque as palavras que dissemos com raiva ainda ecoam na minha mente. Sozinho no escuro desta caverna, quero ouvir você sussurrar. Tenha calma com cada palavra que você diz.”

Por algum motivo, percebi que Rachel olhava para mim e sorria como quem estivesse me vendo de um jeito mais especial. Deixei esse pensamento de lado e continuei a cantar.

Suba a montanha, nade pela praia, traga-a de volta para a forma como era antes. Tire, denote, acenda a memória entre nós. Por meio da tempestade e de toda a poeira. Tire estas paredes como uma bala de canhão. Não deixe ir, não desista do fantasma, enquanto olho para a lua e o sol, apenas tentando me lembrar de onde nós viemos.”

Adam e Lucy estavam quase em prantos, a medida que eu ia cantando e demonstrando minhas emoções. Enquanto isso, Rach apenas sorria para mim.

Eu conecto as estrelas para conseguir um mapa pra você, no espaço vazio em que estamos sonhando. Ainda sabemos a verdade? Suba a montanha, nade pela praia, traga-a de volta para a forma como era antes.”

Continuei cantando, ainda com muito medo de errar e com um nervosismo que eletrizava minhas artérias e veias. Meu metabolismo só se acalmou quando a música terminou e pude ouvir aplausos de praticamente todos os poucos clientes do local, e ovações de Adam, Rachel e Lucy.

— Não sabia que você cantava tão bem, Joe. — A minha “tia” se pronunciou, quando voltei à mesa.

— Isso é porque eu realmente não canto.

— Bom… nós acabamos de ver o contrário. — Rach arqueou as sobrancelhas e sorriu timidamente, logo voltando à sua posição de antes como se nada tivesse acontecido. Talvez porque realmente não tenha acontecido.

— Agora eu criei coragem. — Adam arrastou a cadeira para trás. — Por sua causa, eu vou lá.

— Eu sei que sou uma inspiração para você e outras pessoas, obrigado por reforçar. — Eu e minha escola de recalque falamos. — Vai, tenho certeza de que você vai dominar o palco.

— Esse é o meu irmão que eu amo tanto. — Lucy esbanjou alegria, enquanto o meu pai adotivo ia procurar algo na lista.

E assim que ele falou com o carinha e o playback começou a entoar, reconheci a canção na hora. Era Phillip Phillips de novo. Dessa vez com “Home”.

Prenda-se a mim enquanto seguimos, enquanto passamos por essa estrada desconhecida. E embora esta onda esteja nos amarrando, apenas saiba que você não está sozinho, porque eu vou fazer deste lugar o seu lar.”

Os outros clientes começaram a bater palmas no ritmo da canção, e eu fiz o mesmo. Adam parecia estar se soltando no pequeno palco.

Acalme-se, tudo vai ficar claro. Não dê atenção aos demônios, eles enchem você de medo. A dificuldade pode te trazer para baixo, mas se você se perder, sempre poderá ser encontrado. Apenas saiba que você não está sozinho, porque eu vou fazer deste lugar o seu lar.”

.::.

A concentração exacerbada dos grandes carros e multidões de pessoas ao lado de fora do carro logo dava espaço aos hotéis modestos, às árvores e coqueiros enormes e também aos pequenos quiosques do parque principal da cidade, que não estava tão cheio de gente como pensei que estaria. Adam recebeu uma ligação de Alison algumas horas mais cedo, e os dois combinaram de se encontrar num dos poucos parques de Los Angeles após o horário do almoço. Eu não tinha a menor obrigação de ir, já que foram eles que marcaram; mas o Morgan aqui insistiu que eu fosse junto, pois haveria uma surpresa por lá.

— Eu não estou com a mínima vontade de saber que surpresa é essa. — Falei.

— Você acabou de anular a própria sentença. Disse que “não” está com “a mínima vontade”, o que significa que você “está sim” com “uma grande vontade” de saber que surpresa é essa.

— Sabia que eu não gosto quando você desvenda meus mistérios?

— De alguma forma, depois do início da quimioterapia, você ficou mais vulnerável. Agora posso descobrir o que você esconde.

— Ah, é? Então como você ainda não descobriu que eu vomitei umas sete ou oito vezes depois que voltei para casa? — Virei minha cabeça e arqueei as sobrancelhas, demonstrando um olhar de “Ganhei”.

— Tá… posso descobrir quase tudo o que você esconde. — Do nada, ele virou à esquerda e estacionou o carro. — Chegamos.

Saímos do carro e nos dirigimos ao gramado excessivamente verde do parque, e foi aí que eu entendi tudo: não tinha surpresa. Eram apenas a Ali e o Darren sentados na grama, felizes da vida.

— Então essa é a “surpresa”? — Fiz aspas com as mãos na última palavra.

— Calma, você logo descobrirá. — O mais velho respondeu, acenando para os dois mais à frente.

— Joseph Weeks. — O garoto levantou-se e estendeu a mão.

— Darren Thomas. Quanta novidade.

— Joe, eu vou lá na banca comprar algo para comermos e já volto. — Adam me disse, e depois se virou para Ali. — Eu volto num instante.

— Tudo bem, eu fico com eles. E é bom vocês se sentarem, porque lá vem história. — Ali sugeriu, e nos sentamos no imenso verde dali. Adoro parques justamente porque pisar na grama não é proibido.

— Olha, se for mais uma daquelas aventuras dos menores órfãos… — Me adiantei, mas fui interrompido por ela.

— Nada a ver com isso, querido. — Ela levou uma mecha de seu cabelo para trás. — Lembra quando eu disse que estava pensando em sair do orfanato?

— Não me diga que você concretizou seu plano! — Exclamei, deixando a alegria sair pela minha voz.

— Surpresa número 1, feita! — Ela sorriu com os dentes à mostra.

— Finalmente você poderá seguir sua vida sem ter mais gente impedindo isso! E agora vai ter mais tempo pra mim, não é?

— Hey, e eu aqui? — Darren ergueu a mão, para que o notássemos.

— Quietinho aí, Thomas. Daqui a pouco eu conto a segunda surpresa relacionada a você. — A morena virou-se para mim de novo. — Precisei dar um ultimato na Chloe para sair de lá. Ou eu sairia civilizadamente ou contaria para todos os amigos da lista de contatos dela sobre os desvios de verbas do orfanato. Ah, não se esqueça da parte em que ela traía o namorado com um cara diferente a cada semana.

— De repente, ficar de frente com a Chloe não é uma má ideia. Eu poderia fazer com que ela parasse no hospital.

— Nada disso, Joe. Pelo menos não sem que eu veja. — Ela sussurrou, me fazendo rir.

— Tudo bem, já que uma certa Alison Knight não vai se lembrar de mim tão cedo, eu mesmo conto. — O mais novo se intrometeu. — Depois que ela deixou de ser uma funcionária contratada de lá, a Ali me adotou!

— SÉRIO MESMO? — Pulei, ficando de pé naquele exato momento.

— Eu também terei um futuro, cara! — Ele se levantou, e logo nos abraçamos fortemente. — Estamos livres e juntos nessa, meu amigo!

— É tão bom saber disso! — Depois de nos separamos, corri para abraçar a “Tia” Alison. — Muito obrigado por isso, Ali! Você me deixou muito mais feliz agora!

— Calma aí, querido Joe. Eu só fiz o favor de manter a amizade de vocês dois, e ainda melhorei minha própria vida.

Depois de puxá-la para que ficasse em pé, coloquei minha mão ao centro de nossa pequena roda que havia se formado ali naquele meio.

— Então… o trio está unido outra vez?

— Um por todos e todos por um, até que o apocalipse aconteça. — Darren e Alison falaram em uníssono.

Naquele momento, voltamos aos velhos tempos: eu e o Thomas sendo os amigos praticamente inseparáveis, aliados a uma adulta que agia como criança na nossa frente. Os três melhores e invencíveis amigos.

Notas finais
Final divo, podem admitir =D Quero ver vocês comentando. O motivo? A fic acaba em seis ou sete capítulos :'(