O Infinito de Joseph Weeks

4 O Novo Futuro de Joseph Weeks


Notas iniciais
Cá estou eu, com mais um capítulo para "O Infinito de Joseph Weeks". Se vocês acharem que eu estou postando muito rápido e mal dá tempo de assimilar, podem digitar isso nos comentários, entenderei perfeitamente. Teremos capítulos 'novos' até o domingo, que será quando a história voltará ao ponto onde estava. Veremos o Joe se despedindo de Ali e Darren para ir com Adam à nova vida. Boa leitura!

Eu não consigo… acreditar. Fui adotado. Eu fui adotado, Ali. — Me virei para Darren, que havia se levantado da cama e estava ao meu lado. — Darren, eu fui adotado. Eu vou ter uma vida melhor. Eu finalmente fui adotado! — Gritei, com todas as minhas forças, e o puxei para um abraço mais apertado do que a mesa dos órfãos na hora do almoço.

Parabéns, cara. Você merece! — Ele repetiu, várias e várias vezes, em meu ouvido. Não conseguia tirar o sorriso da minha cara.

Minha felicidade era tão grande que fui abraçar até mesmo a “Tia” Alison. Deu pra perceber as covinhas se formando no rosto daquela que pode até não ser minha parente, mas é como a mãe que eu nunca tive. O Thomas veio e se juntou ao abraço, e nós três ficamos ali, juntos, por bons segundos. Depois de nos separarmos, ela disse:

Hoje é seu último dia aqui, Joe. O que quer fazer?

— Opa, você tem direito de escolha hoje, criatura. — Darren passou seu braço esquerdo em volta do meu pescoço, estacionando sua mão em meu ombro. Grandes amigos fazem isso, não? — Peça algo agradável.

— Cale a boca, Darren. Hoje o dia é meu, e eu escolho um jantar especial e um filme para assistir com o meu melhor amigo.

— Seu pedido é uma ordem, Joseph.

— Falou isso apenas para me irritar, senhora Alison?

— Meu estressado preferido. Que filme você vai querer ver com seu amigo?

— Eu até poderia escolher Zapped, mas… Hoje é dia de Jogos Vorazes Em Chamas. — Percebi a expressão saltitante no rosto dele.

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— Crianças, hoje o jantar é especial por minha conta!

Todos estavam animados para a comida VIP que receberiam naquela noite. Não era diferente comigo e com Darren. Éramos os mais animados dali. Logo, as cozinheiras vieram com longos sorrisos estampados em seus lábios, trazendo os meus pratos preferidos (mas que todos adoravam também): macarrão com queijo, lasanha em tamanho grande e para completar, bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Não vou negar que meu estômago logo entrou em transe, já esperando os clientes especiais para devorar de uma vez.

Depois de fazermos uma oração – algo que sempre fazíamos antes de todas as refeições – todos partiram para cima dos alimentos. Eu e Darren preferimos atacar primeiro o macarrão com queijo, antes que acabasse; e Ali se viu obrigada a pedir ordem naquele lugar. De tanto entusiasmo, acabei sendo o primeiro a terminar, e logo parti para a lasanha, seguido da própria coordenadora e do meu amigo. E enquanto as crianças ainda estavam indo rumo à lasanha, eu peguei dois pedaços do bolo de cenoura com chocolate, e eu tenho que admitir: vou sentir falta das doçuras de cozinheiras que prepararam tudo isso.

Depois de quase uma hora, Alison pediu silêncio a todos.

— Não sei se vocês já sabem, mas hoje foi o último dia de nosso querido Joseph Weeks aqui no orfanato. Ele finalmente encontrou alguém que possa amá-lo, e amanhã irá se despedir de todos e partir para um novo futuro.

— Quem é Joseph? — Ri do comentário de uma das crianças.

— Sou eu, inteligência. O Joe. O jovem com cara de idiota. — Respondi, arrancando risadas de todos ali.

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Depois do jantar, Ali veio até o quarto de Darren e instalou o DVD junto com a televisão particular dele, pondo “Jogos Vorazes: Em Chamas” logo em seguida.

— Tentem não se pegar, jovens. — Ela advertiu.

— SABE DE NADA, INOCENTE! — Gritamos em uníssono, tirando onda com a cara de tacho dela.

— Vocês ainda me pagam por essas brincadeiras.

— Eu vou embora daqui. Já estou pagando por isso saindo do seu caminho. — Ironizei.

— Não use sua adoção como álibi para se livrar de mim, mocinho. Ainda nos veremos por aí. — Em seguida, fechou a porta.

Assistimos ao filme inteiro em silêncio, apenas deitados na cama, e sem nenhum contato próximo. Apenas encostados nos travesseiros e xingando os personagens mentalmente a cada besteira que cometiam. Mesmo nenhuma palavra ter sido proferida durante a exibição, nos comunicávamos mentalmente e por meio de olhares discretos. OK, muito gay de novo, mas é o que se faz quando se tem um amigo lesado e uma (quase) mãe muito feminina.

— Então… Seu último dia aqui acabou. — Ele falou, quando os créditos começaram. — Vai voltar para seu quarto e dormir?

— Acho que sim. Vou pensar em todos os momentos em que convivi com vocês. Dias que eu jurei nunca esquecer, e noites que eu prometi retirar à força da minha mente. — Fiquei sentado na cama, ainda com as costas recostadas à parede. — Eu praticamente nasci aqui, Darren. Vivi aqui por longos quinze anos. Agora é hora de seguir em frente e deixar tudo isto para trás.

— Pois é. Agora que eu vou ficar sozinho e sem um amigo idiota para tirar onda, vou ter de conviver com a minha própria solidão até completar 18 anos. Nunca serei adotado. — Notei vestígios de lágrimas saírem de seus olhos.

— Hey, não fique assim. Eu sempre vou conversar com você. Mesmo sendo o amigo mais sem noção, idiota, irônico, lesado, lento, preguiçoso e vários outros apelidos que se eu fosse dizê-los levaria a madrugada toda… — Riu, escondendo os olhos com as mãos. — Mesmo sendo tudo isso, você ainda é uma grande parte da minha vida. Afinal, o que seria de mim sem um bom amigo para passar o tempo?

— Seria um isolado e pré-histórico que não sairia do quarto para nada.

— Viu? Foi você quem me alegrou esse tempo todo. Agora é a minha vez de te deixar feliz. — Levantei-me da cama e saí rumo à porta. Antes de sair, virei minha cabeça para um Darren Thomas chorão e disse: — E para de chorar. Já está grandinho demais para isso. Entendeu?

— Sim, senhor! — E então fechei a porta.

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Acordei com uma enorme vontade de… vomitar. Isso mesmo, acordei com ânsia de vômito. E não foi legal quando despejei metade do bolo de cenoura e da lasanha que comi na noite anterior. Pelo menos o macarrão suportou a jornada. Depois do ato nada satisfatório, limpei minha boca, fiz minha higiene matinal – a qual estava sempre sendo monitorada pela própria Ali – e comecei a preparar as minhas coisas. Eram poucas, mas grandes lembranças da minha convivência com o orfanato desde já.

Desci, tomei café da manhã e voltei com Alison e Darren para meu quarto. A única mala já estava praticamente pronta, e depois de escovar meus dentes, coloquei a pasta e a escova dentro da bolsa, finalizando a preparação de minha despedida.

— Por que me acompanharam até aqui?

— Queríamos nos despedir de você, mas não na frente do Adam. — O menor respondeu.

— Pensei que aquele jantar ontem tivesse servido para tal coisa. — Eu disse.

— Fizemos algumas cartas para você. — A morena me entregou uma pequena pilha de papéis. — Juntamos as mensagens de algumas crianças com nossas palavras de despedida e aí está o resultado.

— Nossa, eu nem sei como agradecer por isso. Vocês são, realmente, uma grande parte da minha vida.

— Espero que o Adam Morgan… — Darren, a idiotice em pessoa, deu ênfase no “Morgan”. — … Cuide bem de você. Pois se isso não acontecer, eu juro que não responderei pelos meus atos seguintes.

— Darren… — Ali advertiu. Soltei uma risada tímida.

— Vamos descer logo? Eu não consigo me despedir mais de vocês. Estas cartas vão me ajudar com isso. — Falei, e logo me ajudaram com a única mala que eu tinha. Descemos mais uma vez para o pátio principal, onde Adam já me esperava de um jeito nervoso.

Quando atingi o seu campo de visão, rapidamente seu nervosismo se transformou em alegria exuberante. Dava para notar, pelos inúmeros traços de felicidade esboçados em seu rosto. Sorri também, e logo ele veio ao meu encontro.

— Joseph.

— É Joe, caro adulto.

— Joe. — Ele corrigiu.

— Adam. — Retribuí a troca de nomes.

Ele colocou sua pasta entre seu braço e corpo, pegando minha mala com sua mão direita. Até tentei pegá-la de volta, mas ele insistiu em levá-la, por simples educação. Me virei para Darren e Ali e comecei a chorar. Abracei os dois, sussurrando um “Vou sentir saudades” no ouvido de cada um e depois me virei para o meu novo pai.

— Pronto, Joe?

— Acho que sim. Nunca passei pela porta principal com um pai adotivo.

— Já quis saber como é? — Adam estava me tratando como uma criança de dez anos, mas não me importei. Algo me dizia que ele era uma pessoa boa demais para receber críticas de alguém como eu.

— Não vou mentir. — Começamos a andar rumo à porta. — Sempre quis saber como era.

— Quer descobrir como é?

— Claro que quero. Nossa, pareço uma criancinha de dez anos falando isso.

— Todos tem um lado infantil dentro de cada um. — Chegamos bem próxima à porta. — E então? Preparado?

— Posso dizer que sim.

Finalmente, ele abriu a porta do orfanato. Porta aquela que me levou à liberdade de, agora, ser filho de alguém que se dispôs a me amar como um pai ama o seu filho. O sol brilhava como sempre, mas agora parecia ter um toque especial de serenidade, aliado ao vento aconchegante que passava por ali. Os prédios ao redor agora não eram tão assustadores.

Nada mais era assustador. Pois agora eu tinha um pai para cuidar de mim e me proteger.

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Depois de colocar minha mala na parte de trás de seu carro, um Fiat Uno branco e aparentemente de 2013, Adam abriu a porta do lado do motorista e entrou no mesmo. Em seguida, abriu a porta do passageiro por dentro e então pude entrar. O estofado já me convidava para dormir ali mesmo, e com as cartas na mão, a “viagem” para minha nova casa começou. Enquanto o rádio entoava a canção Pompeii da banda Bastille, abri uma das três cartas que haviam ali. A primeira havia sido inventada pelos outros órfãos, mas adaptada por Alison.

Praticamente todas as crianças deixaram suas mensagens de despedida, dizendo o quanto fui importante para cada uma delas, mesmo com a pouca convivência. Isso se devia ao fato de que eu não me relacionava muito bem com aqueles menores de idade que arranjavam pais adotivos muito antes de mim. Mas agora era a minha vez de sambar na cara dos outros; e em meu pensamento só vinha a frase “Sai da frente que eu fui adotado por um bom homem!”. Pensamento esse que me causou um breve riso tímido, pois não queria atrapalhar a concentração de Adam ao volante.

— Algum problema? — Sua voz invadiu o carro. Era óbvio que ele havia ouvido minha risada.

— Nada, é só que eu estou lendo uma carta que as outras crianças prepararam para mim.

— Devem gostar muito de você, o que prova que não escolhi o jovem errado.

— Vou considerar isto como um elogio. — Respondi, voltando minha atenção às cartas novamente.

A segunda carta era da Ali. Nela, haviam algumas partes molhadas em círculos, mostrando que ela havia chorado ao escrever no papel. De uma maneira geral, disse que me amava como um filho, que sentiria muitas saudades de mim e que sempre estaria ao meu lado, não importa a distância nem o tempo, pois ela se sente como “a mãe que eu precisava ter nos primeiros anos de minha vida”. Sorri com aquelas palavras.

— Deixe eu pensar… Esta é a carta da coordenadora. — O loiro quase moreno (nunca acredite nas minhas descrições. Vai que ele é ruivo e meus olhos ainda não detectaram isso) disse, me causando um breve ataque cardíaco.

— É. Alison me ajudou muito em todos esses 15 anos, vai ser difícil esquecê-la.

— Tenho certeza de que vocês ainda manterão contato.

— Assim espero.

Notas finais
Adoro comentários =D