O Infinito de Joseph Weeks

15 Epílogo, por Lucy Morgan


Notas iniciais
Gente... chegamos ao último capítulo. A fic está acabando do jeito como eu queria que terminasse, então espero que vocês gostem. E para quem não leu o final do capítulo anterior (que foi editado), é bom dar uma lida, para entender o que se passa hoje. O capítulo é narrado pela Lucy, e vocês vão entender o porquê. Agradecimentos especiais a Joseph Falks e a Zoe pelos comentários inspiradores. Espero poder ver vocês em outras fics por aí! Eu e Joseph Weeks sentiremos saudades de todos vocês, caros leitores, por terem acompanhado esta história. Quem quiser visitar minhas outras fanfics, basta dar uma olhada no meu perfil ;) Boa leitura, gente!

Sentei-me à mesa, decidida a começar de vez meu novo livro. Os últimos acontecimentos me fizeram escrever a respeito deles, e não criar mais uma história fictícia. Dali em diante, tudo o que eu faria tinha de estar relacionado ao que houve antes. Tudo. Sem exceção. Nenhum detalhe poderia passar batido. Nada poderia ficar de fora. Afinal de contas, escrever sobre a morte de alguém que existiu na sua vida era algo realmente complicado para muitos, e excepcionalmente impossível para outros. Com Adam em seu tratamento, longe da cidade, eu estava sozinha para compartilhar minhas memórias.

Tudo bem, eu não estava completamente sozinha. Ainda tinha o apoio de Alison e Darren em minha nova jornada. O garoto me chama de “tia”, dá para acreditar? E sim, ele foi a pessoa que mais me incentivou a escrever esta história real. Até porque Darren estava com Adam, Alison e eu no enterro de alguém muito especial.

No enterro de Joseph Morgan Weeks.

— Hey, Tia Lucy. — Darren se aproximou de mim discretamente (mentira, ele parecia um vulto vindo em minha direção), enquanto as poucas pessoas presentes ali observavam atentamente a lápide de Joe fincada no chão.

E com poucas pessoas eu quis dizer: eu, Adam, Ali, Darren, a professora Lauren Holiday, o porteiro do prédio onde ele havia morado, Chuck, e até mesmo o Ryan Hudson, que viera prestar suas condolências a nós pela morte do garoto. Tudo bem que a culpa não era explicitamente dele, mas que aquele médico de araque podia ter feito algo mais pelo Weeks, ele podia. Só esqueceu de fazer. Mas como omissão de socorro é crime e estávamos em um enterro, ninguém ligou muito para essa informação no calor do momento.

— Eu ainda acho que não sou sua tia. — Sussurrei de volta, virando-me para o jovem.

— Você está melhor?

— Não sei como responder essa pergunta, Thomas. — Respirei fundo, controlando uma pequena lágrima insistente. — Mas e você? Como está?

— Melhor do que agora, impossível. — Rimos baixinho. — Joe era o meu melhor amigo. Talvez o único amigo que eu tive em toda a minha vida até hoje. Só estou controlando meu choro pela Alison. Se ela me ver em prantos, capaz de ela começar a chorar também, e eu realmente não estou muito a fim de fornecer dois pacotes de papel guardanapo para ela em casa.

— Mas nem num enterro você consegue se sensibilizar? — Revirei os olhos, não acreditando no que ele acabara de dizer.

— Se tem uma coisa que eu aprendi com Joseph Weeks, é que, independente das coisas ruins que venham a ocorrer, a vida segue. Não dá pra ficar muito tempo vivendo aquela situação, você logo tem de correr para outra aventura e guardar apenas lembranças do que viveu antes.

— Ele mesmo era um exemplo disso. — Falei, e logo a nostalgia veio à minha mente, de todos os momentos que eu passei com aquele jovem de quinze anos que tinha tanta maturidade quanto eu.

— Sabe… eu acho que você deveria ir até o Adam. Ele não disse nada no velório, não mostrou uma única reação. — Apontou de leve com a cabeça para meu irmão, que ainda estava ajoelhado perante a lápide.

Nenhuma marca de lágrimas no rosto. Nenhuma reação diferente. Nenhum movimento que denunciasse a sua tristeza. Nada na sua situação me faria pensar que o filho dele morrera.

— Você está certo. Vou lá.

Andei devagar (como o motorista do barco com a Juliana) até onde Adam estava, me ajoelhando ao seu lado logo em seguida. Passei meu braço esquerdo entre seus ombros e o fiz se apoiar em mim. Somente eu sabia o quanto ele precisava daquele gesto de apoio.

— Lucy… — Ele tentou dizer alguma coisa, mas eu o interrompi.

— Não diga nada, Adam. Por favor. — Afaguei seus cabelos. — Para ser sincera, eu não sei como você se sente. Ainda não sou mãe para saber disso. Mas eu entendo que esse é o seu jeito de lidar com a perda. Quando estiver pronto, eu estarei aqui para ouvir. Tudo bem?

— OK.

E assim continuamos naquela mesma posição. Adam com sua cabeça encostada em meu ombro, sem demonstrar uma única reação diferente da que ele estava mostrando. E eu ali, de joelhos, apenas tentando entender o porquê daquilo ter acontecido.

Por que Joe teve de morrer? E por que meu irmão não estava tendo uma reação normal?

.::.

— Lucy, senta, por favor. — Ofereceu um espaço ao seu lado no sofá.

— Está pronto para falar alguma coisa?

— Só… sente-se.

Andei alguns poucos passos até me sentar. Coloquei minha mão em cima da sua, mostrando que ele podia confiar em mim.

— Eu pensei muito nos últimos dias.

— Como se você não pensasse nos outros dias também, Adam.

— Engraçadinha. — Permitiu a si mesmo sorrir, pela primeira vez desde a morte de Joe. — O que eu tenho para te dizer é algo muito, muito sério.

— Acho que consigo aguentar. Tudo bem. — Continuei com minha mão em cima da mão dele.

— Confesso que pensei em acabar logo com a minha vida quando cheguei ao hospital com um Joseph sem vida em meus braços. Eu não queria acreditar que havia perdido uma pessoa pela terceira vez. Parecia que Deus realmente não gostava de mim. Como se não bastasse perder a Dianna e meu filho no mesmo dia, ele veio e tirou o Joe de mim…

— Não diga isso, Adam. Você sabe que não é desse jeito que as coisas são.

— Hoje, enquanto eu encarava aquela lápide no chão, consegui entender que a culpa não era de ninguém por conta das minhas perdas. Se elas aconteceram, é porque tem um motivo. Ontem à noite, eu… — Percebi que ele queria muito chorar. — …eu me cortei outra vez, Lucy.

— Adam… por quê?

— É como eu disse antes. Talvez, se eu terminasse logo com minha vida, tudo se resolveria e eu não sofreria mais. Porém, alguma espécie de luz veio à minha mente e eu entendi uma coisa.

— Que é…

— Eu preciso consertar minha vida. Do jeito certo. E da forma como eu sei que o Joe poderia querer que eu fizesse. — Respirou fundo, catou a primeira lágrima que viera e apoiou seus cotovelos sobre as pernas. — Eu vou me internar numa clínica de reabilitação.

Fiquei de olhos arregalados e boca extremamente aberta. Como assim, meu irmão ia se internar? Tudo bem, eu entendia os motivos, mas por qual motivo ele disse aquilo, sem mais nem menos? Literalmente do nada?

— Adam, eu…

— Você não vai mudar minha decisão.

— Eu não ia te repudiar. Só que algo nessa notícia não me deixa confortável. Sei que é o melhor para você nesse momento, mas… sei lá, tem algo me incomodando.

— Talvez o medo de que eu enlouqueça de vez? Não é para tanto, irmãzinha. — Abraçou-me no mesmo instante, esfregando sua mão em meus cabelos como ele sempre fazia quando éramos mais jovens. — Eu aprendi que, cedo ou tarde, a vida termina. E ela se encerra de repente. Com a exceção dos condenados a pena de morte, nenhum de nós sabe quando a morte realmente virá. E só agora eu aprendi que preciso me ajustar; colocar minha vida nos eixos. Quero partir no final sem ressentimentos. Sem arrependimentos. Sabendo que eu cumpri tudo o que prometi. Sabendo que eu amei todos à minha volta.

— É por isso que eu te amo, Adam. Além de ser minha maior inspiração, você também é o único em quem eu realmente confio. E eu sei que você, no final das contas, sempre fará a coisa certa. Por mais que tenha de sofrer um pouco para isso.

— Eu sei que sou um desajeitado da vida, não precisa ressaltar. — Separamo-nos do abraço. Obviamente, tanto eu como ele já estávamos chorando livremente. — Então, é isso, Lucy Morgan. Essa fase da minha vida acaba aqui.

— Espero que, depois da reabilitação, eu possa te dar novas canetas e novas folhas de papel, para que você possa escrever a sua vida e a sua nova fase do jeito como quiser.

— Nunca vou entender essas linguagens de escritoras, sabia?

— E eu nunca vou entender você, olha que coincidência! — Adam sorriu, e eu também.

Ali mesmo, naquela situação, eu tive muito orgulho de ser uma irmã daquele Morgan.

Pronto. Este foi apenas o prólogo. Um prólogo como aqueles que animam os leitores e os convidam a ler mais, a se aprofundar na história. Agora, minha missão é escrever toda a trajetória de Joseph Weeks, desde a sua adoção até o presente momento.

Só falta o título. Será que “O Pequeno Infinito de Joseph Weeks” é bom o bastante?

Notas finais
O choro e os comentários são livres, sintam-se à vontade :'( Obrigado a todos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!