O Infanticídio Gerard Way
1 O Infanticídio Gerard Way
Gerard Way, nascido em abril,
sem sinais particulares,
menor de idade, órfão, raquítico,
ao que parece matou um menino
da maneira que se segue,
sentindo-se sem culpa.
Afirma que quando o irmão tinha dois meses
o trancou no porão da casa de uma dona,
e tentou matá-lo com duas injeções,
mas sem resultados, já que fora impedido.
Tentou envenená-lo com pimenta em pó
e álcool, mas a mistura foi bebida pelo cachorro,
causando-lhe o efeito de purgante.
Mas vós, por favor, não deveis vos indignar.
Toda criatura precisa da ajuda dos outros.
Seu ódio crescia, agora a olhos vistos
e ele próprio, criança, odiava outra de mesmo sangue.
Condenado pelo sentimento contra o próprio irmão,
sofria tonteiras no meio do oficio das matinas
e suava também de angustia aos pés do altar.
Mas conservou em segredo os planos da mente
até que não pode mais se controlar.
Então, tinha acontecido também a ele,
assim inocente, cair em tentação.
Mas vós, por favor, não vos indigneis.
Toda criatura precisa da ajuda dos outros.
Naquele dia, disse, logo pela manhã
ao lavar as escadas teve uma idéia
como se fossem alfinetadas na cabeça.
Mas ainda consegue ocultar sua moléstia
e o dia inteirinho, estendendo paninhos,
buscava solução.
Depois lhe vem à mente que tem
que por seu plano em pratica
e logo sente um aperto no coração.
Chegou em casa tarde.
Mas vós, por favor, não vos indigneis.
Toda criatura precisa da ajuda dos outros.
Chamaram-no enquanto ainda dormia.
Tinha caído neve e havia de varrê-la,
as onze terminou. Um dia bem comprido.
Somente à noite pode praticar o plano em paz.
Acendeu a luz, pelo que disse, do quarto do irmão.
O irmão era como todos os outros,
mas ele não era como todos os outros meninos.
Mas vós, por favor, não vos indigneis.
Toda criatura precisa da ajuda dos outros.
Com as ultimas forças, ele disse, prosseguindo.
dado que no seu quarto o frio era mortal,
arrastou-se até a privada, e ali,
quando não mais se lembra,
calou-o como pôde quase ao amanhecer.
Narra que a esta altura estava transtornadíssimo,
e meio endurecido e que o garoto, o segurava a custo
pois nevava dentro da latrina.
Entre o quarto e a privada
o menino prorrompeu em prantos
e isso o perturbou de tal maneira, ele disse,
que se pôs a socá-lo
às cegas, tanto, sem cessar,
até o fim da noite.
E de manhã o escondeu então no lavatório.
Mas vós, por favor, não deveis vos indignar,
toda criatura precisa da ajuda dos outros.
Gerard Way, nascido em abril,
morto no cárcere de Moissen,
menino-aturdido, condenado,
quer mostrar a todos o quanto somos frágeis.
Vós que manteres lucidez nos tempos conturbados
e chamais bendito o apoio fraterno
não deveis execrar os fracos e desamparados.
Por obséquio, pois, não vos indigneis.
Toda criatura precisa da ajuda dos outros.
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