O mundo de Jairus que todos adoravam habitar, hoje não era mais o mesmo. Tudo que se via naquele mundo, eram dor e mortes. Ninguém queria saber da felicidade. Eles não queriam admitir, mas adoravam aquela guerra, adorava poder matar todos que um dia lhe fizeram mal. A guerra estava dividida entre dois grupos. Coloridos de um lado, e cinzas de outro. Era fato que os coloridos estavam ganhando, eles tinham assassinos profissionais ali. Eram imortais, nada atingiam eles. Vários cinzas estavam sendo mortos, sobraram poucos e toda ajuda era bem-vinda. Alexandre estava fazendo de tudo para encontrar sua amada, e ele se sentia mal por saber que tudo isso foi culpa dele e de seu desespero de encontrar sua Alice. E o pior de tudo é que, Chinelo não sabe lutar. Giovanna, a Rainha Cinza estava lutando por ele e por todos aqueles que já tiveram suas vidas interrompidas no campo de batalha. Ela fazia de tudo para manter-se viva na batalha. Giovanna não gostava de ter que lutar com aqueles que um dia foi quase que uma família para ela. Ter que lutar com eles, só a faz pensar em como esse mundo se transformou.

Era um dia nublado no mundo de Jairus. O mundo se dividia em dois, o lado mais escuro era o lado cinza. Onde tudo era sem cor e quase sem vida. O relógio na parede do castelo cinza marcava 16h58m. Giovanna estava ali no corredor cinza, feito de pedras. Ela andava de um lado para o outro, esperando noticias dos soldados que saíram para mais um dia de batalha. Ela queria sair para lutar, mas estava se recuperando da última batalha em que recebeu uma flechada na perna da menina índia, mais conhecida como Jes. A cinzenta estava andando com um curativo em sua perna esquerda. Deveria estar descansando, mas estava muito aflita com o que acontecia na grande batalha.

No campo de batalha, era possível ver corpos mortos no chão. Estava tudo um grande caos. Voluntários de uma guerra, mortos como se fossem meros inúteis. Do outro lado, os coloridos reinavam na guerra. Rozito tinha em cada mão uma pexera. No lugar da cor prateada da lâmina, só era visto o sangue das vitimas que sentiram seus corpos serem desmembrados pela pexera afiada de um assassino frio que Rozito havia se tornado. O assassino foi até um soldado cinza que estava quase matando um colorido e com toda a força levantou uma de suas pexeras e acertou o crânio do cinza. Percebendo que havia logo ao lado outro cinza que viu aquela cena, Rozito foi rápido e chutou o corpo já falecido de sua vitima, cortando a cabeça do rapaz ao meio. O outro soldado cinza foi pra cima de Rozito com sua espada e tentou acerta-lo. O Colorido desviou rapidamente e atingiu o braço do rapaz com sua pexera, cortando-o fora. O cinza gritou de dor ao ver seu braço ao chão, segurando sua espada, segundos depois ele desmaiou. William, que estava logo ao lado do companheiro Rozito, foi até o corpo desmaiado e sem hesitar, atingiu a cabeça do rapaz com um tiro de escopeta, fazendo um buraco na cabeça do rapaz.

– Pronto, assim ele não sofre tanto. – Disse.

Will recarregou sua escopeta rapidamente. Rozito então percebeu que atrás de seu companheiro havia outro cinza. Foi atrás de Will e antes que o cinza pudesse pega-lo de surpresa, Rozito enfiou uma pexera no peito do rapaz que atravessou seu corpo e saiu em suas costas. Segurando firme, Rozito passou a outra pexera no pescoço do cinza, decapitando-o. A cabeça do rapaz rolou para o chão e o corpo caiu assim que Rozito retirou sua pexera do peito do falecido. William observou dezenas de corpo mutilados no chão, era tudo tão cinza e vermelho que eles não sabiam o que fazer com esta decoração em suas terras. Os poucos cinzas que sobreviveram, estavam voltando para seu castelo. Eles sabiam que não teriam chances naquela guerra. O único que conseguiu matar coloridos naquela tarde, era Nissim. Ele era muito bom com espadas e sabia tirar vida de colorido. O problema é que ele era sozinho na guerra e não tinha companheiros bons para ajuda-lo. Apenas Giovanna, que foi atingida por uma flecha da índia.

Will e Rozito saíram daquele campo de batalha ao perceberem que não teria mais luta. Voltaram para o seu castelo, que era reinado por Joel, o General. Tudo que eles queriam fazer era matar o Rei Cinza, Chinelo. Mas para isso, eles precisavam invadir o castelo cinza, e isso era difícil de fazer, mesmo com os poucos soldados do lado cinza. Porém, eles estavam na frente e tinham vantagens e um número maior de bons soldados.

De volta ao castelo cinza, Giovanna pode ouvir os soldados voltando. Ela fez o que pode para correr com sua perna machucada. Foi até a frente do castelo e não acreditou quando viu que menos da metade havia voltado. Mais uma vez, os cinzas perderam e poucos voltaram. A garota viu que Nissim estava logo a frente, sua farda estava suja de sangue e ele parecia muito cabisbaixo.

– Nissim, você está machucado? – Perguntou.

Ourfali olhou para a garota e respirou fundo. Cinzenta sabia o que estava acontecendo ali, mas queria ouvir da boca da pessoa que mais luta ao seu lado.

– Todos morreram. Não da simplesmente para enfrentar Will e Rozito juntos. Só voltei vivo, pois Joel não estava lutando ao lado de seus soldados. – Explicou.

Giovanna respirou fundo e olhou para todos os cinzas que voltaram com vida. Eles estavam machucados, a maioria. E ela não sabia mais o que fazer.

– O que faremos, Nissim? – Perguntou.

Nissim tinha uma ideia, só que não era a melhor das ideias. Porém, poderia ajudar muito.

– Acho que poderíamos fazer um acordo com os coloridos e entregar Alexandre para eles em troca de paz. – Sugeriu.

Giovanna olhou espantada para Nissim, ela não queria admitir, mas aquilo poderia dar certo. Mas a Cinzenta não poderia entregar Chinelo assim, ou poderia?