O Impávido Aventureiro
7 Capítulo 07 - O Diretor do Presídio faz um pedido para Punho.
Notas iniciais
Punho atingiu com suas duas mãos a cabeça de Herlon Petinan, matando-o.
“Punho, meu amor...”, disse Natália, abraçando o preso, “Acho melhor você matar o Bernardo logo. Ele começou a nos causar problemas e duvido que ele se subordine a você”.
“Você tem razão. Vou matá-lo”.
***
“Tome cuidado, Bernardo”, disse Joshua.
“Com o quê?”
“Agora que o Herlon vai ser transferido, o Punho de Aço vai mandar mais um capanga atrás de você. Provavelmente será a Natália Stern, e pode não parecer, mas ela é a pior de todos eles”.
“Eu não me importo”.
"Não pense que com a faca do Herlon você vai conseguir matar o Punho. Ninguém aqui dentro é capaz disso. E quando ele resolver te matar e vai resolver, se você não submeter a ele, você vai morrer”.
Bernardo ignorou.
***
“Senhor Punho de Aço, o diretor Roberto Vogel está aqui”.
“Deixe ele entrar”.
“Olá, Punho”, disse Roberto, se aproximando. Roberto era uma criatura humanoide estranha. Uma espécie de hibrido homem-ave. Possuía grandes asas, garras afiadíssimas e um bico extraordinariamente resistente. Pessoalmente, era uma figura assustadora.
Roberto Vogel era o diretor do presídio.
“Como vai, senhor? Que surpresa boa ver você por aqui”, disse Punho, num tom manso.
“Ora, Punho. Eu já falei que você pode me chamar de Roberto”.
“Tudo bem, Roberto. Que bons ventos o trazem aqui?”
“Um amigo meu precisa que você faça um servicinho no presídio dele. O pagamento é muito bom. Você topa?”.
“Opa. É claro que eu topo. Só preciso ir ali matar um carinha antes e aí...”
“Desculpe, cara, mas o serviço é urgente. Não há tempo para isso. A menos que você leve menos de um minuto para matá-lo.”
“Não... Quero degustar o ato por mais tempo”
“Então, vamos logo. Mas daqui a três dias você já estará de volta e poderá assassiná-lo com toda a calma do mundo”.
“Ok. Mas eu preciso dar uma palavrinha com a minha mulher antes de ir”.
***
“Natália, vou ficar fora por três dias e quero que você importune aquele palerma nesse tempo”.
“Será um prazer.”
“Mas você não pode matar ele. Quero fazer isso com minhas próprias mãos”.
“Vou tentar, mas não prometo nada.”, disse a garota, gargalhando.
***
Bernardo estava no pátio, lendo no lugar de sempre, quando alguém sentou ao seu lado.
“Olá”, disse Natália Stern.
Bernardo ignorou.
“Não vai falar comigo, é?”
Bernardo continuou ignorando.
Enquanto Natália falava com ele, alguns presos estavam atirando pedras em pássaros que sobrevoavam o local. A garota continuou:
“Sabe, eu até entendo você estar grudado nesse livro aí. É um suspense muito interessante. Eu gosto do final, quando a protagonista morre.”
Os dois ficaram em silêncio por algum tempo. Em seguida, Bernardo olhou, indiferentemente, para ela.
“O máximo que você pode fazer é me dar um spoiler?”
Errando o alvo, um dos presos acabou atirando, na direção deles, uma pedra do tamanho de uma bola de beisebol. Com uma das mãos, Natália agarrou a bola e a apertou, transformando-a em pó.
“Na verdade, isso foi só o começo”.
***
Bernardo voltou para a cela. Joshua já estava deitado e disse:
“Que dia chato, não é?”
“Vagabunda”, gritou Bernardo, atirando seu livro contra a parede e assustando Joshua.
“Ué?! Você não vai continuar lendo esse livro?”
“Não consigo. Já sei como termina”.
“Que cara chato. Fica fazendo tempestade em copo d’água”, resmungou Joshua se virando para a parede.
“Vai ter volta, Natália Stern. Vai ter volta”, falou Bernardo, para si mesmo.
Continua...
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