O Improvável Não É Impossível
28 Canções de guerra
Notas iniciais
Então, voltando ao capítulo, queria agradecer ao Rodrigo Salter que me deu uma ideia diferente da que ele sugeriu mesmo sem ele saber! hahahahaha
Decidi escrever o ponto de vista de cada personagem durante a batalha (menos o de Will, pq o dele já apareceu no capítulo anterior)
Espero que gostem!
Horace continuava a seguir Letícia, pela penumbra. Houve momentos de extrema tensão onde ele achou que tinham sido descobertos por um homem que estava indo na direção dos dois, mas ele apenas tinha decidido pegar um atalho para uma fuga despercebida.
Horace estava achando tudo muito silencioso atrás dele, e virou, se perguntando por que Letícia havia parado. Ela estava há alguns metros de distância, olhava o chão.
–O q...
–Horace, seguindo por este caminho você vai desembocar perto da colina norte.
–Ma... –Horace parou de falar com o repentino movimento da garota.
Letícia se aproximou mais e se elevou na ponta dos pés, sua boca se aproximava da de Horace lentamente. Mas o avanço parou a centímetros de suas bocas se encontrarem, e desviou até a bochecha do cavaleiro. Ela sabia que não teria outra oportunidade de beijá-lo. Parte de si se xingava por não ter aproveitado. Mas a outra metade nunca permitiria arruinar um casal. E essa foi a que venceu. Pelas conversas com o cavaleiro, sabia do profundo amor de Horace pela princesa de Araluen, e de como foi difícil para eles dois ficarem juntos, e por mais que doesse, ela sabia que com toda certeza ele não a trocaria nem por nada no mundo.
Letícia se afastou, observando o cavaleiro, atentamente.
Mas Horace não tinha tempo para pensar no que a amiga acabara de fazer, ou de perceber que os olhos castanhos a sua frente brilhavam por uma razão que só depois de se deitar e pensar ele entendeu. Mas este não era o momento para isso, ele teria tempo mais tarde, agora seu raciocínio parecia não funcionar. Temia a resposta de sua seguinte pergunta.
–Para onde você vai? –a garota havia se virado, e caminhava pelo caminho que haviam acabado de passar. Horace a seguiu a passos lentos e hesitantes.
–Tenho assuntos a tratar–disse apenas. Horace parou. Era essa a resposta que temia. Letícia continuou caminhando, mas antes da primeira curva parou e se virou, dando um último adeus ao cavalheiro que havia conseguido derrotá-la e que com cuidado enterrara um homem desconhecido, a quem não devia nada. Nunca o esqueceria.
***
Kyle nunca havia presenciado uma verdadeira batalha antes, por isso se impressionava com algumas coisas que via.
Para a sorte de seu estômago, permaneceu longe do verdadeiro confronto. Não longe o suficiente para não ouvir os gritos de dor e terror, mas o suficiente para não ver cabeças rolando a seus pés. Quando criança, ouvia canções sobre guerras e batalhas, mas nunca imaginou que seriam assim.
As canções falavam dos soldados que se arriscavam para salvar seu reino, que deixavam mulher e família para trás e lutavam. Tudo como um ato heróico. Kyle não podia negar que era, mas ao mesmo tempo era muito triste.
Em seguida lhe veio à mente uma canção que só escutara uma vez e que se esqueceu que existia. Surpreendeu-se ao ver que se lembrava perfeitamente da letra, assim como o local exato de onde a escutou, e a expressão de tristeza da pessoa que a cantava. Falava sobre uma mulher, esposa de um fazendeiro, que após a partida do marido, seu rosto ficara sujo de terra, pois agora tinha que trabalhar. Ela olhava atentamente o fogo, seu desespero e angustia claramente gravado em seus olhos. Por mais que tentasse se convencer de que seu marido morreria, e que era melhor ela estar pronta para enfrentar o momento, quando chegasse. Sem notar que ao fazer isso acabava se torturando mais ainda, pois dentro dela ainda restava uma chama de esperança de voltar a abraçá-lo. Era uma música bastante triste. Sentiu-se incrivelmente mal logo em seguida. Raramente cantavam esse tipo de letra.
Mas por que é que não estava lutando? Por que é que estava deixando todo o trabalho nas mãos de pessoas que, ao contrário dele, tinham coisas a perder, família para sustentar? Não! Que atitude mais covarde! Não queria apenas olhar pessoas morrendo e se matando. Não queria ser a pessoas que criasse a canção. Queria ser a que ajudasse a tornar a canção realidade.
Desceu decidido. Não sentia mais enjôo. O cheiro pareceu não incomodá-lo mais. Ao contrario, o motivava.
***
Flechas voavam a toda velocidade vindo de uma das colinas. Um arqueiro com pontaria incrivelmente boa se movia rapidamente. A capa voava, acompanhando o vento. Amadores teriam perdido o ritmo cada vez que o tecido batia com força em seu corpo ou tampava lhe a visão. Mas ele não era um amador. Ele era um arqueiro de Araluen.
Cada vez que via que um lado da formação de seu exército estava sendo prejudicado, abria buracos em questão de alguns segundos. A visibilidade não estava tão boa, o vento também estava forte, mas mesmo assim ele continuava a conseguir abrir caminho para seus homens.
Algumas vezes tentou procurar Horace entre a multidão, fazia um tempo desde a última vez que o vira. Mas sua busca não valia de muito, seria difícil reconhecer Horace, embora fosse um dos únicos a vestir a armadura completa. Percebendo que não obteve sucesso novamente recomeçou a atirar no lado direito, onde alguns homens de Salter haviam conseguido abrir uma fenda por onde entraram, Horace se cuidaria, ele tem capacidade para isso.
Um barulho diferente ecoou. Sem duvida era de uma catapulta. Era a segunda vez que ouvia uma. A primeira foi um pouco estranha. Não foi um barulho sólido e pesado, na verdade não houve barulho, apenas o inicial, da maquina sendo puxada, e logo em seguida solta. O que fez Halt imaginar o que será que eles jogaram, e por que foi em um lugar tão estranho, quer dizer, não atingiu o exército, como alguém prestes a perder uma batalha faria. Mas ele não sabia que cartas Salter tinha na manga.
Depois de um tempo, novamente a catapulta foi disparada, como da segunda vez, foi um barulho normal. O objeto vez um trajeto curvo pelo ar, semelhante à de uma flecha. Mas logo depois Halt corrigiu a comparação. A pedra não tinha a graça e leveza de uma flecha sendo disparada.
Notas finais
Até o próximo! ;)
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