P.O.V. Bo.

Eu lancei um feitiço e o feitiço deu errado. Obviamente deu errado.

Um cara tentou me violentar e eu matei ele. Olhando em volta eu percebi que eu estava num lugar que eu não conhecia.

Felizmente eu sempre carrego as minhas armas comigo, todas elas.

Entrei numa loja que aparentemente vendia roupas.

—Olá Senhorita.

—Eu preciso de uma roupa. Pra poder me misturar.

Eu dei o saco de moedas pra ela e ela ficou chocada.

—Não é suficiente?

—É mais que suficiente. Com essas moedas você compra os mais finos tecidos.

—Então tá. Manda ver.

—Perdão?

—Me dê os mais finos tecidos.

Ela tirou minhas medidas e logo eu tinha vestidos o suficiente para dar e vender e botas de couro.

—A senhorita não gostaria de sapatos com salto?

—Não. Saltos não tem serventia pra mim. Mas, agradeço a oferta.

—Quem é você?

—Eu sou a Bo.

Disse saindo da loja com as sacolas. Eu arrumei um lugar pra ficar. Hospedagem em troca de trabalho. Felizmente eu já tinha trabalhado de garçonete antes.

—Bo! Tem um cliente esperando.

—Eu sei.

Eu fui atender o cara.

—Pois não?

—Você é a garota mais bela deste lugar.

—Sei. O que vai querer? E eu to falando de comida e bebida.

—Traga-me o seu melhor vinho e carne.

—Devia comer mais frutas e legumes. Vai ficar obeso e provavelmente vai sofrer um enfarto antes dos vinte. Vinho e carne saindo.

Eu coloquei o prato e o cálice na frente dele.

—De nada.

—Sente-se comigo.

—Não. Como pode ver, eu estou trabalhando. Noventa e nove por cento da população faz isso pra viver.

Estar sempre cercada de homens sujos, fedidos e bêbados enche o saco.

—Você está bem Bo?

—Só de saco cheio.

—Saco cheio?

—Irritada. Puta da vida, entendeu Vicki?!

—Sim.

—Quem é aquele cara? O homem que pediu vinho e carne?

—É o Lorde Bingley.

—Sei. Esses Lordes são um pé no saco.

—Eu já vi os seus vestidos. Eles são lindos, são de seda, bordados.

—É.

—Como os conseguiu?

—Eu comprei. Vou sair.

—A Madame Rosalinda...

—Eu vou dar meu jeito. Relaxa.

Eu coloquei a minha calça e me armei.

—Bo! Ei Bo! Onde você...

—Eu vou sair. Preciso sair e a senhora não se importa. Eu posso sair pra onde eu quiser, quando eu quiser e como eu quiser.

—Eu não me importo. Você pode sair pra onde quiser, quando quiser e como quiser.

—Boa menina. Cara, eu amo ser filha do meu pai.

Coloquei a capa e sai. Estava nevando.

—Droga! Eu não consigo acender essa lareira.

Eu passei perto da lareira e a acendi sem ninguém perceber.

—Meu Deus!

Eu coloquei o meu capuz e sai. Não demorei pra achar uma presa. Tinha um imbecil tentando estuprar uma garota.

—Ai, ela disse não!

—Não se meta.

Eu agarrei no cabelo dele e me alimentei dele. Até ele morrer.

—Jesus, por favor.

—Relaxa. Eu não mato inocentes, eu matei ele primeiro porque eu tava com sede e segundo porque ele era um cretino.

—Quem é você? O que é você?

—Eu sou a Bo. Tchau garota, vê se fica esperta.