O Impossível é só questão de opinião
20 I Should Go
P.O.V. Alec.
Não posso evitar a curiosidade, uma Cullen que bebe sangue humano.
—Você não é como a sua família.
—Sou. Sou sim. Eu tenho o melhor dos dois eu acho.
Ela não se parecia em nada com um de nós, os cabelos ruivos, olhos verdes como esmeraldas, usava calça Jeans e andava ao sol. Estávamos no jardim, os muros altos do Castelo de São Marcus impediam a visibilidade daqueles que passavam por fora deles.
Haviam roseiras cheias de rosas das mais variadas cores, margaridas, a grama verde, uma enorme árvore de carvalho com um tronco robusto e galhos enormes que eram quase tão altos quanto o muro cinza.
Bo estava sentada num banco de pedra,
—Você matou Caius?
—Matei. Dei veneno de lobisomem pra ele beber.
—Porque você o mataria?
—Ele assassinou a Irina sabendo que ela era inocente. O único que não era inocente naquele dia era ele. E quanto ao Aro, eu devia pegar a cura e enfiar pela goela abaixo daquele filho da puta.
—Cura?
—Imagino que voltar a ser um reles ser humano mortal, frágil e não sobrenatural seja o pior dos castigos.
—Espera, o que? Existe uma maneira de reverter a transformação?
—Existe um propósito para tudo o que Deus cria, até mesmo vampiros.
—Não respondeu a minha pergunta.
—Você quer? Quer a cura?
—Não. Jamais desistiria da minha imortalidade. Você desistiria da sua?
—Até o momento não. Mas, nem todos compartilham da nossa opinião.
—Existe mesmo uma cura?
—Existe. Entretanto, não há uma cura para a cura. É um caminho sem volta.
—Que vampiro em sã consciência trocaria a imortalidade por uma vida mortal?
—Eu conheço dois. Eles odiavam ser vampiros.
—Heidi viu os humanos que mandou pra você saírem vivos.
—E saíram. Eu não preciso matar, uma das vantagens de se ser uma híbrida e de ser filha do meu pai. Posso me alimentar deles sem matá-los e dai fazê-los esquecerem de tudo o que testemunharam.
—E como explica o ferimento no pescoço?
—Não fica ferimento nenhum.
—Humanos não curam tão rápido.
—Eu dou meu jeito.
Uma borboleta azul veio voando e pousou no dedo dela.
—Quem te vê não pensa que você é uma híbrida.
—Quem te vê não pensa que você é um pau mandado e uma besta assassina chupadora de sangue.
—Já fui chamado de coisa pior.
—Você tem uma namorada?
—Porque? Está interessada?
—To fora. Só estava me perguntando se haveria alguém louco o suficiente para namorar você.
Eu ri.
Então, ela respirou fundo e começou a cantar. Sua voz era doce, um pouco grave, mas era linda. A letra da música era leve, romântica e um pouco triste.
—Onde aprendeu a cantar assim?
—Eu sempre cantei. Ninguém nunca me ensinou, meu avô me ensinou a tocar piano, mas cantar? Eu canto porque eu gosto.
—Que música é essa?
—Run da Leona Lewis. Sempre gostei de canto, dança, piano, violino.
—Se juntar aos Volturi nunca seria uma opção pra você, seria?
—Não. Eu não sirvo pra ser mandada. Eu uso meus poderes como eu quiser, quando eu quiser e em quem eu quiser. Mas, porque a pergunta?
—Apenas curiosidade.
—Sei. Além do mais, eu jamais, jamais usaria essa roupinha horrorosa. É brega, é cafona e totalmente fora de moda. Isso não é clássico, é ridículo.
Disse pegando na minha capa.
—E calça jeans e blusa não é?
—Acho que é uma questão de opinião. E só de ver toda essa roupa, nesse sol ainda... Pai eterno! Eu viraria cozido ai dentro.
—Você sente calor?
—Sim. E frio, e fome. Nossa, agora que eu notei que to com fome.
—Fome de comida?
—Sou mais parecida com o meu pai do que com a minha mãe. Contanto que eu mantenha uma dieta estável de sangue humano, meu organismo funciona normalmente.
Bo soltou a borboleta e saiu correndo pra dentro.
P.O.V. Bo.
Fui para o meu quarto e comecei a pensar em que roupa usaria para sair. Como não consegui me decidir, entrei no enorme banheiro com pia de mármore, uma enorme banheira de louça e o chuveiro com box fumê.
Fechei a porta, me despi, pendurei a toalha naquele negocinho e comecei a encher a banheira.
Enquanto a banheira enchia, comecei a fuçar nos armários até encontrar sais de banho, joguei os sais de lavanda dentro da banheira meio cheia e deixei a pressão das torneiras fazerem as bolhas. Quando finalmente ficou cheia o suficiente, fechei as torneiras e entrei.
Não sei quanto tempo fiquei lá dentro, mas a água começou a esfriar e então decidi sair. Mas, eu pisei em falso, escorreguei na louça, no sabão e ouvi a minha cabeça batendo no outro lado da banheira e senti a escuridão me abraçar.
P.O.V. Alec.
Perguntei á um dos guardas que ficava na entrada principal se havia visto Bo sair, mas ele disse que não. Fui até o quarto dela e não encontrei nada fora do comum. Mas, então ouvi uma respiração ofegante, entrei no banheiro e a vi se arrastar para fora da banheira. Havia sangue na água.
—Então, é assim que é morrer afogada? Nada agradável.
—Morrer afogada?
—Essa maldita banheira de louça! Fui sair, escorreguei no sabão, bati a cabeça, fiquei inconsciente, senti a água entrando pela minha boca, meu nariz.
Disse enquanto respirava fundo, colocando a mão sob o peito. Ela estava apavorada. Se esticou e puxou a toalha, enrolando-se nela.
Bo se levantou.
—O nobre gêmeo Volturi vindo ao meu resgate? Tenho certeza que isso daria uma série de TV.
Disse em tom de zombaria.
—Obrigado. Por ter aparecido aqui.
Aquele foi o agradecimento mais sincero que eu já recebi em séculos.
—Isso é triste de se ouvir.
Ela se secou, secou o cabelo no secador e vestiu uma calça jeans toda cheia de rasgos, uma blusa com listras laterais e um detalhe em laranja e por cima uma jaqueta verde militar.
—Bom, agora eu vou comer alguma coisa. Tchauzinho.

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