Notas iniciais
Capítulo triste, mas legal!

Boa leitura!

Capítulo 79: Despedidas

Era fim de tarde, a atmosfera parecia muito mais pesada do que realmente era, o sol se punha vagarosamente enquanto aqueles dois jovens observavam, sentados, a pista de skate.

- Então é isso não é? A nossa despedida particular... – Bernardo fala.

- Pois é... A gente ta oficialmente terminando... – dizeres de Alicia, podia-se sentir o peso da tristeza nas palavras deles. Aqueles dois sentados lado a lado não se entreolhavam, apenas observavam a pista com seus skates em mãos.

- Não é engraçado a gente aqui? Tipo, quando a gente se conheceu foi meio que por conta dessa pista, lembra? – dizeres dele.

- Como eu ia esquecer? Primeiro a gente se esbarrou na rua, daí eu te trouxe pra cá, mas a gente não andou, daí no dia seguinte a gente viria aqui, mas a chuva atrapalhou.

- É verdade! Parecia uma brincadeira do destino! – Bernardo falou com uma leve risada, a mesma risada dela.

- Eu fui muito feliz ao seu lado Bernardo, te desejo sorte na sua nova vida! Só não esquece que um dia estivemos juntos, só não esquece do quanto você me fez feliz... – as palavras dela foram cortadas por um beijo dele, ele a surpreendeu a beijando nos lábios. Naquele instante eles se lembraram de vários beijos que deram, se lembraram de cada momento juntos, reafirmaram um amor que nunca os deixará.

- E você acha que existe possibilidade de eu esquecer a garota mais incrível do mundo?! Você foi a felicidade da minha vida nesse último ano, a causa e resolução de todos os meus problemas, nem se eu quisesse eu conseguiria te esquecer...! Também te desejo sorte e gostaria que você também nunca me esquecesse. – ele falou calmamente.

- Então... Uma última volta? – ela falou erguendo seu skate e se levantando, fazia menção de ir à pista.

- Claro que sim! – Bernardo falou animado, ambos pisaram seus skates e desceram a pista pra sua última volta juntos.

- Sabia que o Bernardo tava aqui... – Lúcio falou chegando ao local. – O pai e a mãe chamaram ele pra arrumar umas coisas... Deixa ele curtir esse momento... – ele falou se sentando e vendo seu irmão e Alicia na pista, sorria de leve apesar de se sentir mal pela separação dos dois.

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Numa praça Daniel observava o fim de tarde num banco, tomava um sorvete e pensava um milhão de coisas, era visível que não estava feliz.

- Daniel?! Tudo bem? – uma voz conhecida chega até os ouvidos dele, era a doce voz da professora Helena, ela se assentou ao lado dele.

- Professora?! O que você ta fazendo aqui? – ele pergunta assustado.

- O Renê me trouxe pra tomar um sorvete... – ela falou olhando pro professor que estava um pouco afastado dela, ele acenou. – Parece que você não se sente bem, é por causa dos seus colegas que estão se mudando?

- Sim e não... É muito complicado professora...

- Talvez eu possa ajudar, afinal eu sou sua amiga ha tanto tempo.

- Ninguém pode me ajudar, eu sou meu maior fracasso... – o garoto fala com muita tristeza. – Sabe a Irene professora? Pois é, ela é a garota mais perfeita que eu já vi! É bonita, divertida, simpática, eu nunca conheci ninguém como ela... – o garoto falou sem pensar.

- Espera... Entendo, então você gosta dela... Difícil...

- Muito professora! Eu não conseguia não gostar daquele sorriso, daqueles olhos, daquele jeito dela... Só que eu não tive coragem, eu não consegui nem falar pra ela o que eu sentia, não aconteceu e nem nunca vai acontecer porque ela vai embora... – ele disse com muita tristeza.

- Eu te entendo, eu também precisei vencer a insegurança e a timidez por muitas vezes na minha vida... Eu posso dar minha opinião como amiga?

- Claro que sim professora! Sua opinião é sempre bem vinda!

- Ela ainda não foi embora, você ainda pode falar pra ela o que você sente e o quanto gosta dela, e também... – as palavras dela formularam uma ideia nele, uma ideia meio louca que não era comum desse garoto.

- Tem toda razão professora...! – ele falou olhando seu relógio. – Muito obrigado, agora eu tenho um ônibus pra pegar! – ele falou se levantando e correndo o mais rápido que conseguia pro ponto, Helena se assustou.

- Então, o que o garoto tinha? – Renê se aproximou e perguntou.

- Ela ta apaixonado pela Irene, mas eu não entendi porque ele saiu correndo daquele jeito, talvez... Ônibus... Ah não! – ela falou chegando a uma conclusão lógica. – Eu falei pra ele que ainda era tempo pra falar pra Irene o que ele sentia...

- Não me diga que ele saiu correndo pra chegar a rodoviária?! – Renê falou surpreso.

- Acho que sim, só que não foi o que eu quis dizer, eu pensei em algo como uma ligação...

- Essa garota virou mesmo a cabeça do Daniel, ele não faz coisas impensadas assim. – Renê afirmou.

- Tomara que nada de ruim aconteça, e que ele não se meta em confusão! – a professora falou preocupada.

Daniel chegou ao ponto ofegante, esperou numa média de vinte minutos até o ônibus passar, não tirava os olhos do relógio, pensava: “Tem que dar tempo, eu vou chegar antes do ônibus dela sair”. Realmente pelo horário que ele pegou o ônibus ele conseguiria chegar a tempo na rodoviária, entretanto o trânsito nas grandes cidades é imprevisível, próximo ao seu destino ele foi pego por um grande congestionamento.

“Não, assim não vai dar!” ele pensou olhando seu relógio, “Mesmo que eu desça aqui e saia correndo não vou chegar a tempo! O que eu faço, o que eu faço?” pensava olhando a janela, de repente viu algo que o fez ter outra ideia.

- MOTORISTA, DEIXA EU SAIR! – ele se levantou e gritou, o motorista atendeu o pedido dele, o jovem correu até o objeto que vira de dentro do ônibus, uma bicicleta, a pegou e saiu com ela pelas ruas, não sabia de quem era, não sabia se devolveria em condições de uso, nem mesmo se a devolveria, não pensou em nada disso, apenas queria chegar na rodoviária, queria chegar até Irene.

Ele seguiu pedalando com muita força pra alcançar seu objetivo, caiu algumas vezes, mas se levantou, seu corpo acusava um cansaço anormal que ele ignorou, seu foco em ver Irene era tão intenso que nada o pararia.

Enfim chegou a rodoviária, mesmo cansado saltou da bicicleta e adentrou o local correndo, haviam vários corredores, várias plataformas, tinha pouco tempo pra encontrá-la e muitos caminhos a seguir. Lembrou-se de Irene falando em qual plataforma iria embarcar, perguntou aonde era pra uma, duas, três, incontáveis pessoas até alguém lhe informar corretamente. Seguiu a orientação de uma senhora idosa e chegou a tal plataforma que desejava, quase todos já haviam embarcado, a última era sua colega, sua paixão, a pessoa que lhe fez passar por aquilo tudo somente por ter vontade de vê-la uma última vez.

- Irene... – falou no impulso.

- Daniel?! O que você ta fazendo aqui? Meu Deus você ta horrível...! – a jovem falou assustada.

- Eu precisava te ver, precisava me despedir de você... – falou se aproximando dela.

- Mas a gente já se despediu lá no dia da peça...

- Mas eu precisava te falar uma coisa. – ele a interrompeu e segurou suas mãos. – Eu... Eu...

- Você... Você... – ela falou fazendo graça.

- Eu gosto de você! Eu to apaixonado por você desde a primeira vez que te vi, uma paixão que foi aumentando a cada olhar, a cada conversa, a cada momento que passávamos juntos! – palavras diretas e de muita coragem do garoto. Irene se surpreendeu bastante, naquele instante lembrou do tempo que passou com o garoto, lembrou dos gestos e percebeu a verdade nas palavras dele, como ela nunca havia percebido? Talvez a própria paixão dela por outra pessoa a tivesse cegado, começou a se sentir mal pelo que fez o jovem passar.

- Eu não sabia, eu juro que não...

- Você não tem noção das coisas que fiz por você... Eu quebrei minhas regras, saí do meu padrão, só você fez isso comigo... Acredita que eu roubei uma bicicleta pra chegar aqui? – ele falou.

- Sério?! Você realmente não ta bem! – ela falou de modo engraçado o fazendo rir. – Eu sinto muito, eu não percebi, talvez a gente pudesse ter alguma coisa, talvez a gente se curtisse como o Bernardo e Alicia se curtiram no pouco tempo juntos... – novamente ela é cortada, entretanto agora pelo motorista do ônibus que queria sair, a mãe dela não deixava o motorista andar nem meio centímetro com Irene fora do ônibus.

- Acho que estão impacientes com você... – Daniel falou fazendo piada.

- Pois é... – ela falou olhando pra baixo, de repente se aproximou do jovem e o beijou nos lábios. Naquele instante o mundo do jovem parou, todas as suas frustrações e arrependimentos não tinham importância mais, que poder era esse que essa jovem tinha sobre ele? Que capacidade era essa a dela de o fazer quebrar as regras e ainda por cima gostar disso? Era o mesmo poder que o fazia sentir em outro mundo durante aquele beijo, era a capacidade única de distorcer o tempo dele, de o fazer sentir uma eternidade naquele breve momento.

- Esse beijo é a única coisa que posso te dar Daniel, me desculpe se agi errado, se te tratei errado, é que sou meio lerda... – ela falou depois de beijá-lo. – Te desejo toda sorte e felicidade do mundo! – disse o abraçando.

- Pra você também! – ele falou num misto de sentimentos.

- Vem logo Irene! O motorista vai te deixar pra trás! – a mãe da jovem falou, Irene se soltou de Daniel, o olhou nos olhos e se foi, mas não antes de um adeus. Ela subiu para o ônibus e ele arrancou, o jovem ficou ali enquanto o veículo saía de seu campo de visão, estava triste sim pela mudança da jovem, mas ostentava um sorriso, se sentia melhor pelo que havia feito.

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- Então, ta tudo aí garoto? – o pai de Mário pergunta ao seu filho, ele estava em seu caminhão ao lado do Rabito.

- Ta sim eu já conferi, colocamos tudo lá atrás, já podemos ir... – o garoto fala subindo no caminhão e sentando ao lado de seu pai.

- Olha só, aquela não é a ex namorada do seu colega Jaime? – o pai do jovem pergunta ao ver a jovem pelo retrovisor.

- Evellin?! É ela sim, o que ela ta fazendo parada ali? – Mário se pergunta, em seguida desce do caminhão, o jovem caminha até ela curioso.

- E aí? Beleza? – a jovem fala com um leve sorriso.

- Beleza... O que você veio fazer aqui? – ele pergunta curioso.

- Será que não posso vir me despedir de você?

- Claro que pode, mas é que a gente já se despediu lá na peça e... – Antes que ele terminasse seu raciocínio ela o beijou nos lábios, um beijo que o surpreendeu muito, primeiro se assustou, mas depois curtiu o momento. Ele se sentiu como da primeira vez, aquele mesmo sentimento de tempo parado, aquela mesma sensação de sentimento contido se aflorando, parecia que gostava cada vez mais dela desde aquele primeiro beijo que deram depois da festa de debutante de Alicia.

- Acho que eu tava te devendo um beijo... – ela falou se separando dele.

- Você é surpreendente às vezes... – ele falou sorrindo bastante.

- Sabe, se a gente tivesse se conhecido antes, se você não tivesse que se mudar...

- Talvez a gente desse certo né? Talvez... Talvez tanta coisa...

- É uma pena mesmo, mas tem muitas garotas legais nesse mundo e eu tenho certeza que você vai conhecer alguém muito mais legal do que eu por aí!

- Vai ser difícil, mas eu vou me esforçar! – ele falou e os dois riram. – Bom, eu preciso ir, meu pai já deve estar impaciente e daqui até o Espírito Santo é muito chão...

- Imagino... Então até logo? – ela falou estendendo a mão pra cumprimentá-lo.

- É... Por que não? – ele cumprimentou de volta. – Vou sentir saudades.

- Eu também! – dizeres dela já com uma feição mais séria.

Mário caminhou até o caminhão de seu pai e subiu, acenou pra sua colega e seguiu seu caminho, a jovem acenou de volta, as lágrimas que ela segurou enfim desceram, mas mesmo chorando ela ainda sorria, ela aprendeu a sorrir mesmo na tristeza, aprendeu muito nesse ano, e nunca se esquecerá do que viveu nesse tempo.

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- Tchau mãe, eu juro que vou ligar sempre! – Rebeca falou saindo de sua casa e caminhando até um carro parado em frente a sua casa.

“Meu pai veio me buscar pessoalmente, ele realmente quer que eu more com ele” a jovem pensou caminhando até o carro de seu pai, porém algo parou sua caminhada, uma voz conhecida e que dificilmente será esquecida.

- Oi minha pequena! – se tratava de Paulo, a ruiva se surpreendeu, instintivamente correu até ele e o abraçou.

- Seu bobo! Não precisava vir aqui pra se despedir de mim...

- E como não?! Você foi uma parte importante da minha vida, eu sei que eu te fiz sofrer, sei que se tivesse vergonha na cara nem viria aqui, mas... Eu gosto de você e precisava me despedir pessoalmente.

- Acho que te entendo... Eu até queria não gostar tanto de você, mas não consigo... E a Valéria? Conseguiu se acertar com ela?

- Você é diferente, nenhuma garota comum faria esse tipo de pergunta.

- Eu até fiquei com raiva dela no começo, mas depois passou, na verdade ela não me devia nada, você sim, você era meu namorado e me devia fidelidade... Se não consigo te odiar, como gostaria, vou odiar a Valéria? – pergunta retórica dela.

- Até que falando assim... Minha situação com ela ta difícil, não existe nós, ela não quer nada comigo e eu já aceitei isso... – ele falou com tristeza.

- Entendo, espero que você encontre sua felicidade, seja ao lado dela ou de qualquer outra pessoa, é uma pena que não demos certo juntos! – ela falou olhando nos olhos dele, ele se abaixou e beijou a testa dela.

- Faço das suas as minhas palavras, também quero muito que você seja feliz, tomara que o seu pai e o Tom te devolvam a paz que eu tirei de você!

- Só vou guardar nossos bons momentos lindinho... Agora preciso ir, meu pai pode não estar gostando dessa nossa despedida sabe? – ela fala meio sem jeito.

- Boa viajem minha pequena! – ele falou a levando até o carro do pai dela, se despediram e seguiram seus caminhos.

Foi triste pra ele a partida dela, porém o que realmente perturbava os seus pensamentos ainda era Valéria, mesmo que houvesse decidido não a procurar mais o sentimento ainda existia, era triste saber de seus colegas partindo, mas mais triste era saber que estava longe da pessoa que amava.

Notas finais
Tenso... mais tenso de tudo foi o Daniel roubando uma bicicleta! Coitada da Rebeca também... e a Alícia e o Bernardo que terminaram... enfim muito tenso!!!

Até o próximo!