O Imperdoável
13 Quem é Dimitri Belikov
Notas iniciais
Rose despertou naquela manhã sentindo apenas o cheiro de loção pós-barba de Dimitri em sua roupa de cama, já que o mesmo havia ido embora à noite sem que ela o visse. Ela se levantou, se dirigiu ao banheiro onde lavou o rosto enquanto se lembrava da noite maluca com o russo, e sorria quase sem querer. Rose se lembrou de como saiu da cama rumo ao banho após uma conversa séria com o moreno, e também da maneira como ele a surpreendeu minutos depois entrando atrás dela no chuveiro e abraçando-a pelas costas beijando seus ombros enquanto seus corpos molhados se tocavam debaixo da água quente. Rose não sabia absolutamente nada a respeito daquele homem, mas não conseguia negar que a química entre eles era intensa e que ela adorava cada toque atrevido dele, cada beijo, e cada momento intimo, cada provocação, e cada detalhe do corpo dele, principalmente quando este se movia junto ao dela.
- Você não vale nada Rosemarie. –disse ela se olhando no espelho após pensar no quanto estava enganando Jesse.
Depois de fazer toda a sua higiene Rose se retirou do banheiro e regressou ao quarto onde se vestiu para mais um dia de trabalho no departamento. Antes de sair apanhou seu aparelho celular no qual viu uma mensagem de seu namorado avisando que estava voltando para San Francisco, mas que gostaria de vê-la antes de ir. Rose guardou o celular no bolso da jaqueta vermelha e sacudiu a cabeça negativamente enquanto saia do quarto do hotel e se dirigia ao elevador. Rose respirou profundamente enquanto as portas se fechavam e tentou tomar uma decisão sobre a sua situação com os dois caras.
...
No meio da tarde, Rose estava diante de seu computador em sua sala assistindo ao vídeo recuperado por Greg, enquanto analisava cada gesto, e cada movimento do suspeito. Algo chamou atenção da detetive na tela então ela decidiu ir até a sala dos vídeos para pedir ajuda a Gregory que a acompanharia com a análise mais meticulosa. Depois de alguns minutos vendo e revendo a mesma imagem de ângulos diferentes, quadro a quadro, finalmente Rose encontrou algo que lhe chamou atenção. A detetive se debruçou mais sobre a mesa e apertou os olhos tentando decifrar a imagem diante da tela ainda um pouco distorcida.
- Gregory... –ela chamou.
- Fala Rose...
- Pode ampliar isso pra mim? –disse ela sem retirar os olhos da tela.
- Onde? –disse o rapaz.
- Aqui, esse ponto. –disse ela fazendo um circulo ao redor da base do vídeo. – Entre o último botão da jaqueta e o queixo.
- Me dá um segundo. –disse ele teclando alguns botões logo deixando uma visão bem clara do ponto. – O que você achou Rose? –disse ele.
- O que isso parece pra você Greg? –disse ela cerrando os olhos e encarando o rapaz.
- Uma tatuagem? De uma âncora...
- A metade de um crucifixo. –respondeu Rose.
- Me deixa ver... –disse ele olhando mais de perto. – É um crucifixo com certeza... Como eu não vi isso antes?
Rose encarou Gregory por alguns segundos enquanto respirava fundo e apertava os lábios um contra o outro, depois afastou sua cadeira e se levantou rapidamente apanhando sua jaqueta.
- Filho da mãe... –disse Rose.
— Você conhece esse cara Rose?
Rose sequer se deu ao trabalho de responder, simplesmente abriu a porta de vidro e se retirou as pressas rumo ao corredor. No caminho ela esbarrou com um dos agentes, mas não se desculpou, estava em fúria pronta pra atirar em alguém. Rose praticamente voou até sua sala onde começou a revirar as gavetas em busca de sua segunda semiautomática. Ao não encontrar a mesma, Rose praticamente lacrou a gaveta quando a fechou com toda sua força, depois saiu feito um trem bala de sua sala e se dirigiu ao elevador. Rose desceu até o estacionamento, foi até o seu carro e encontrou sua arma no porta luvas. Com o objeto em mãos a detetive regressou ao interior do departamento e encontrou Mason no caminho.
- Rose, tá tudo bem? Greg disse que você encontrou alguma coisa no vídeo do nosso suspeito.
- Eu to indo pra sala de provas. –respondeu ela enquanto segurava a arma sem tocá-la no cano de tiro. – Se quiser explicações venha comigo.
Dito isso ela virou o corredor e seguiu até a tal sala onde invadiu a mesma logo se dirigindo até a mesa de um dos responsáveis pela pericia e jogou sua arma sobre a mesma.
- Quero que tire todas as digitais que conseguir dessa arma e jogue no banco de dados. Não me interessa quantos arquivos você tenha que abrir ou quantos sistemas tenha que invadir, eu quero uma identificação pra ontem.
- Essa é a sua arma Rose, só tem as suas digitais nela. –disse Mason.
- Não... –Rose encarou o colega. – Alguém mais tocou nela.
— Quem?
- Você vai saber logo. Se eu estiver certa, sei quem matou Abe. –disse Rose saindo novamente da sala.
Mason tentou arrancar informações da parceira durante o caminho de volta pelo corredor, mas Rose simplesmente lhe enchia com respostas vagas. Tudo que Mase pode entender foi que se tratava do suspeito de participação ao atentado contra o presidente Abe, no mais Rose simplesmente preferiu guardar para si mesma até ter certeza absoluta de sua suspeita. Rosemarie estava sob o efeito de sua revolta, e tudo no que conseguia pensar era no erro que tinha cometido caso sua suspeita estivesse certa. Adrian foi informado dos movimentos da detetive e se dirigiu a sala da mesma encontrando-a com Mason. Este estava de frente para a mesa da moça enquanto ela estava de pé diante da janela olhando para a rua com o olhar gélido e seco.
- O que tá acontecendo Rose? –disse Adrian ao entrar e receber um olhar de Mason.
— Rose encontrou alguma coisa naquele vídeo. –respondeu.
- O que você encontrou Rose?
— Falarei sobre isso quando eu tiver certeza. –disse ela fitando a face do agente.
- Rose esse caso é nosso se tiver alguma informação relevante...
— Eu disse que assim que eu tiver certeza eu falo. –ela se aproximou da mesa encarando Adrian com um olhar de afronta.
- Tudo bem. Pode pelo menos dizer o que exatamente está esperando? O que pretende?
— Estou esperando o resultado da pericia sobre as digitais na minha arma pessoal.
— E por que mandou a pericia analisar a sua arma Rose? –questionou Adrian.
— Por que eu acredito que tive contato direto com um suspeito. –disse ela cerrando os dentes e se virando novamente para a janela.
— Que tipo de contato? –disse Adrian.
Rose respirou fundo se lembrando do seu envolvimento com Dimitri, e de seus sentimentos quanto a ele e fechou os olhos sentindo raiva de si mesma tomada de uma vontade intensa de socar a própria face. Ela permaneceu quieta enquanto Adrian e Mason se entre olhava diante dos silencio da moça até serem interrompidos por um dos agentes do departamento.
— Detetive Rose? –disse ao bater na porta aberta.
Todos se viraram para ouvir tal homem e então ele prosseguiu.
- Encontramos uma identificação.
Rose fez a volta em sua mesa e seguiu o agente as pressas, assim como foi seguida pelo agente Adrian e pelo parceiro Mason. Assim que chegaram à sala, o homem encarregado pelas pesquisas no banco de arquivos do departamento foi logo dizendo:
- Nós temos um nome detetive.
Rose se aproximou enquanto o homem virava o monitor parcialmente para que ela e os outros envolvidos no caso pudessem ver o rosto estampado na tela. Não era bem o que Rose esperava, já que a ficha descrita no computador era de um adolescente de cabelos espetados e um tanto quanto magricela.
- Quem é o garoto? –disse Adrian enquanto passava os olhos pela tela.
- O nome dele é Dimitri Belikov. –respondeu Nick assim confirmando as suspeitas de Rose. – Foi enviado pra uma instituição de delinquentes quando tinha treze anos por atirar e matar o próprio pai. Essa é a única identificação que temos dele. Esses arquivos têm dezesseis anos. –concluiu Nick ao encarar Adrian depois Rose.
- Como esse cara teve contato com a sua arma Rose? –disse Adrian com as duas mãos na cintura.
- O que mais você conseguiu? –disse ela ignorando Adrian.
- Isso é tudo que temos. Olha isso... –disse Nick se virando para o computador e abrindo um novo arquivo. – O garoto ficou na instituição por menos de dois anos, depois fugiu com dois outros garotos mais velhos. Dois deles foram encontrados cinco anos mais tarde. Assassinados em alguma briga de gangue, quanto ao nosso garoto aqui, ele simplesmente sumiu.
- Deve ter alguma identificação recente, todo mundo que tem ficha principalmente uma como essa deveria estar no banco de dados do governo certo? –disse Mason.
- Esses dados pertencem ao governo Russo. –respondeu Nick. – Isso é o máximo ao que nós temos acesso. Não posso ultrapassar daqui...
— Como a gente chega a esse cara? –perguntou Adrian ao encarar Rose que estava com o olhar compenetrado na face do garoto da tela.
- Organizem uma equipe. –disse Rose. – Eu sei onde encontrá-lo. –disse erguendo o rosto e encarando Adrian assim como Mase.
Rose respirou profundamente enquanto sentia os olhares curiosos de todos sobre ela sabendo que mais cedo ou mais tarde teria de dar explicações, mas naquele momento tudo que ela precisava fazer era sair daquela sala e fazer seu trabalho. Adrian acatou o pedido da detetive mesmo sem saber do seu plano e organizou uma equipe logo se dirigindo até a mesma que se preparava para a missão.
- A equipe está pronta Rose. –disse o agente. – Vai me dizer o que pretende?
- Informe à equipe que mantenha uma distancia razoável atrás de nós. –disse colocando sua arma no coldre e andando rumo ao corredor. – Eu vou levá-los até o cara. –disse enquanto era seguida pelo agente.
Adrian manteve o olhar curioso e ao mesmo tempo desconfiado enquanto andava em passos largos atrás da detetive pelo corredor. Assim que encontraram com a equipe, todos foram avisados de que deveriam ser discretos e cobrir o prédio assim que chegassem sem alarmar os moradores assim evitando denunciar sua presença ao suspeito. Rose informou o endereço do apartamento onde se encontrava com Dimitri e seguiu no carro com o parceiro Mase até o local.
Fale com o autor