O Impávido Aventureiro
8 Capítulo 08 - Bernardo faz um Amigo
Notas iniciais
“Vai ter volta, Natália Stern. Vai ter volta”, falou Bernardo, para si mesmo.
***
Ao meio-dia, Bernardo e Joshua estavam no refeitório da prisão, esperando na gigante fila que precisavam enfrentar todos os dias para conseguir os seus almoços.
Um por vez, os presos estendiam suas bandejas para Sérgio Zebaty, cozinheiro da prisão, despejar aquela pasta nojenta que chamavam de comida. Alguns detentos achavam que a massa era feita com carne humana, mas preferiam comê-la a morrer de fome.
Zebaty era extremamente alto, dentuço e possuía um cutelo no lugar de uma das mãos.
A vez de Bernardo chegou e ele ergueu sua bandeja. Porém, ao invés da papa nojenta, o cozinheiro lhe deu uma pedra.
“O quê é isso?”, perguntou Bernardo.
“É uma comidinha especial”, debochou o cozinheiro, “Espero que goste, pois só vai comer isso daqui pra frente”.
“Mas não tem como. É duro demais”.
“Então morra de fome. Mas a culpa não será minha, estou te dando algo para se alimentar”.
Sérgio encostou o cutelo na garganta do rapaz, que o fuzilava com o olhar. Em seguida, disse:
“Você está empacando a fila. Saia daqui.”
Bernardo se afastou e sentou com Joshua em uma das exageradamente desconfortáveis mesas do local.
“Se você não fosse tão chato”, começou Joshua, “Eu te daria um pouco da minha comida. Você sabe por que o cozinheiro implicou com você?”
“Claro que sei.”
Bernardo olhou para Sérgio e, ao lado dele, viu Natália Stern. A garota beijou o rosto do cozinheiro e, em seguida, acenou para o rapaz.
“Vaca.”, resmungou Bernardo.
Joshua estava comendo desanimadamente e, tentando espetar sua pedra, Bernardo quebrou um dos garfos vagabundos do presídio. Desistindo, o rapaz jogou a pedra no lixo e foi para o pátio.
Como sempre, ele se encostou a uma parede para ler seu livro, enquanto vários presos estavam arremessando pedras na direção dos pássaros que voavam por ali, como faziam todo dia.
Bernardo tentava se concentrar na leitura, mas só conseguia pensar no spoiler que Natália havia lhe dado. Então, um pássaro despencou ao seu lado, conseguindo fazer um pouso imperfeito que reduziu os danos que iria tomar. Tomara uma pedrada na asa quando estava sobrevoando o local.
Era um pássaro extremamente bonito e mais ou menos do tamanho de um livro.
Mais pedras foram disparadas na direção dele, que desviou, voando rasante para o colo de Bernardo.
“Oi, amiguinho. Mas assim você me bota numa situação complicada. Eles vão tentar acertar ped...”.
Antes que Bernardo terminasse de falar, agarrou o pássaro e o livro e pulou para o lado, rolando pelo ar e, assim, esquivando-se de uma chuva de rochas atiradas em sua direção com muita força.
“O jogo mudou”, berrou um dos presos, “Ganha quem acertar mais pedras no pássaro e naquele viadinho”.
“Droga. Isso eu não posso ignorar”.
Uns dez detentos entraram na brincadeira e começaram a atirar pedras tentando acertá-lo.
Pulando para os lados e se abaixando, Bernardo estava conseguindo desviar de todas as pedras.
“Maldito”, gritou um dos presos, correndo para socar o rapaz.
Deslocando-se para o lado,chutou as costelas desse preso, que caiu.
Mais três deles correram para Bernardo, que não podia usar seus braços, pois estava segurando o pássaro e o livro.
O primeiro tentou soca-lo, mas ele se esquivou para a esquerda, por onde o segundo tentou esmurra-lo. Desviou agachando-se e passou uma rasteira no preso, derrubando-o. O terceiro tentou chutá-lo e Bernardo só pode desviar jogando-se completamente ao chão.
Então, um deles tentou pular na cabeça de Bernardo, que rolou para a direita, em direção a uma parede, ficando sem possibilidade de desviar de um chute que um dos presos estava prestes a desferir em sua cabeça.
Então, o pássaro disparou de sua boca uma pequena bolinha, um pouco menor que uma bola de gude, nos pés desse preso, que gritou, se afastou e começou a bater o pé no chão.
O pé dele estava pegando fogo.
Continua...
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