O Imorrível.
1 O velho
Notas iniciais
O Imorrível.
Um velho caminha mostrando uma cara triste e cansada;
Os olhos inchados e os passos pesados, revelam que teve uma mal madrugada.
Encostado no poste, espreita um moço, astuto matreiro;
Um velho assim é uma oportunidade de ganhar mais dinheiro.
Todos o observam com uma feição torta;
Ó velho moribundo, mesmo vivo, já não passas de uma pessoa morta.
Ele não aceita, mas vê, ah, esses garotos jovens e belos o torturam
Se alguém o dissesse hoje, seria inútil, pois ele não crê,
A subjetividade, o marasmo, e a beleza das relações que duram.
E as meninas que se comunicam por celular, ao invés de cochichos.
Indiferentes ao que ocorre a sua volta, enclausuradas em uma jaula, como bichos.
E da mesma forma que o vento sopra, o velho anda;
Tropeçando vez ou outra, arrastando a perna manca.
O relógio diz que é cedo, mas seu peito diz que é tarde;
Por um corpo bem delineado, e fios encaracolados, seu corpo não mais arde.
Que nostalgia sente por outrora, que saudades de Aurora!
Cabelos, olhos, corpo, pele, cheiro e voz;
O que não daria para trocar o eu pelo nós. É, você é só um velho.
Ao chegar em seu destino, presta atenção em um magro menino,
Dos olhos cor de água, aparentemente sem mágoa;
Mas a essência do velho não nega, só consegue sentir inveja;
Este sentimento sintetiza o brega, que Deus o proteja.
Os prédios tem novo aspecto, mas ainda são os mesmos;
Os romances surgem por novo método, mas que vão acontecer é certo.
Tudo muda, renova, evolui e rejuvenesce, o tempo não fica a esmo.
Talvez seja a solução, uma drástica modificação.
Quem sabe assim, possa enfim morrer.
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