O Hotel Shell (Hiatus)
5 Lanchinho
Da janela do quarto que agora ocupava, Gideon conseguia ver o que se passava lá embaixo, na entrada do hotel. Ele vira quando um homem de cabelos coloridos e barba chegara ao cair da tarde, disse algumas coisas inaudíveis para Gabriel e depois entrou no hotel, sendo seguido pelo vampiro de aparência mais jovem. Se pegou pensando se aquele não seria Hansel, o tal líder, e se ele seria tão amistoso como Evagreen fizera parecer; esperava que sim.
Olhou para cima, encarando o céu noturno. Maki costumava comparar o céu noturno com um vestido azul; "O tecido azul das vestes da senhora Noite estão encrustados de cristais" , ela dizia "E usa a lua como um lindo adorno em seu colar, iluminando a eterna valsa de nossas vidas."
E então Charlie interrompia, argumentando que era muita pretensão chamar a Noite de senhora, quando era sob o seu "vestido" escuro que as maiores atrocidades e vulgaridades eram cometidas- sem usar um vocabulário tão polido, e aquilo deixava Maki constrangida num nível surpreendente para alguém que vivera tanto. E então era a vez de Gideon intervir, argumentando que " O que acontece sob as camadas do vestido de uma senhora ali deve permanecer, e que só por isso a humanidade era capaz de seguir seu rumo." E então eles riam, Maki ainda constrangida, porém mais confortável e o assunto estava resolvido. Ah... Ele gostaria de poder resolver a atual situação somente com argumentos, mas não era possível agora, ou então ele não estaria aqui.
Um vulto passou pela parede perto de sua janela, e não demorou para que se visse uma jovem de cabelos castanhos e olhos profundamente verdes pendurada ali, de cabeça para baixo, como um morcego. Ela trazia um sorriso divertido no rosto.
—Olá!—disse, e se deparando com um olhar confuso no rosto de Gideon, perguntou:
—Te assustei?
—Hum...Não. Eu só fiquei surpreso em ter uma pessoa pendurada de cabeça para baixo em minha janela.—Respondeu ele,ela riu divertida.
—Bem, não posso dizer que é um hábito. Sou Alice, você é o Gideon né? Eu te vi mais cedo.—Ela falava rápido, tão rápido que o vampiro mal conseguia acompanhar.
—Bem Alice, é um prazer conhecê-la, mas... Pode me dizer o que você faz por aqui? Já que não é um hábito.
—Depende, eu posso entrar?—Gideon se afastou da janela, dando espaço para Alice entrar e ela o fez sem hesitar.—Bem, você sabe... Não, não sabe. Olha, eu estava curiosa, entende? Queria conhecer de perto a nova celebridade do Hotel.—Os músculos de Gideon imediatamente ficaram tensos. Seu nome estava na boca de todos os vampiros do lugar, isso não era nada bom.
—Celebridade, é?—Perguntou, torcendo para estar soando tao desinteressado quanto achava que estava.
—É,o pessoal daqui fofoca muito, mas não é importante. Sabe, você parece legal e tudo mais, e não tem muita gente pra passar um tempo por aqui então...
—Alice!—era possível ouvir os gritos de Gabriel, vindos lá de baixo—Anda logo! Vocês estão dando um amasso ou o quê?
—Vai se ferrar, seu porco!—a menina gritou, se curvando sobre o parapeito da janela. Não podia dizer ao certo do ângulo em que estava, mas Gideon apostaria seu último resquício de sorte que ela estava fazendo um gesto obsceno.
Alice voltou-se para Gideon de novo, tratando de recompor os trejeitos leves e divertidos
—Desculpe, o que eu dizia? Ah,sim! O pessoal vai sair hoje para fazer um lanchinho,ai eu pensei em vir lhe avisar por caso de você querer vir também. —Ela disse com tal naturalidade que Gideon se perguntou se por ali era comum caçar em bando, como um grupo de amigos se reunindo sábado a noite pra comer uma pizza e falar sobre como tinha sido a semana. Ponderou sobre a proposta por um instante,ele não se alimentava havia dias; além disso, pensando agora sob um aspecto que ainda não havia considerado,um bando de vampiros caçando em conjunto desviaria a atenção indesejada de si mesmo
Se arrependeu quase instantaneamente. Quando chegaram na entrada do hotel as conversas se cessaram e todos se viraram para olhar Gideon, que se viu encarando um grupo de rostos supostamente jovens. É claro, ele sabia que alguns deles eram ainda mais velhos que si, mas não conseguia deixar de se sentir o acompanhante de uma excursão escolar. Um silêncio constrangedor se instalou no local e o vampiro de repente sentiu um súbito interesse em suas botas sujas de lama.
—Ahn...Cadê a Izzy?—Foi Piper quem quebrou o silêncio.
—Deve estar se agarrando com Luke em algum lugar por ai.—Gabriel comentou.
—Nós estamos aqui,Gabriel.
—Ah,desculpe,é que você é tão baixinha...Hey! Que falta de educação.—Reclamou quando a garota lhe fez um gesto obsceno.
—Você é tao engraçado que me mata de rir, Gabriel.—Disse um garoto loiro. Gideon imaginou que este seria o tal Luke; o garoto envolvia a cintura de uma garota mais jovem e pequena com cara de poucos amigos, a quem Gideon julgou ser Izzy. De alguma forma, ela lhe lembrava Charlie, apesar das divergências físicas gritantes e é claro, da opção sexual também. O garoto loiro apertava a suposta Izzy contra o próprio corpo. Jaqueta de couro, jeans detonado e coturnos... Fazia o estilo bad boy bonitão e ciumento. Ah, o amor "jovem"... Gideon torcia com todas as forças para que as aparências realmente enganassem; Luke parecia o tipo que morre cedo.
* * *
Erik realmente adorava estar nos braços de Evagreen, aquela mulher realmente conseguia que ele mostrasse o melhor de si com apenas um olhar e poucas palavras.
Quando ela o beijava, nada mais importava; Nicolau, clã, vampiros fugitivos...Nada disso importava para ele quando tinha os lábios dela sobre os seus.
Fale com o autor