O Homem do Fim do Universo
15 Capítulo 15 - O que há entre vocês?
Pela TARDIS todos buscavam nas salas conhecidas e salas secretas, todos queriam encontrar a verdadeira Carla.
2PM se dividiu em duplas, os Doctors foram cada um para um lado. O Décimo andava com River, os outros cada um com suas companhias. O Décimo primeiro acompanhava o Capitão e a avó.
O trio andava em silêncio e buscavam com calma, não que não estivessem preocupados, mas seguiam o ritmo da idosa que em alguns momentos parava para respirar ou descansar e seus dois acompanhantes respeitavam isso.
Gwen, Owen e Tosh buscavam pelos corredores da casa algo que os ajudasse a entender melhor a companheira.
— Vocês conseguem imaginar tudo pelo que ela passou? — Gwen perguntou aos companheiros que fechavam mais uma porta que lhe revelara uma sala cheia de roupas.
— Não... — Owen falou e escorou na parede, pegou o celular e olhou algumas fotos — Eu não pensei que ela seria tão importante para nós — Tosh e Gwen encostaram ao lado dele, as fotos tinham o grupo e as vezes, a menina sozinha fazendo alguma careta ou zoando os amigos do grupo, em outras ele e Gwen zoavam algum momento sério de Carla.
— Essa foto — Gwen voltou uma — Quando você tirou essa foto?
Carla estava sentada ouvindo música como costumava fazer quando não tinha nenhuma atividade ou quando não estudava para entrar na faculdade, ela tinha os pés sobre a mesa e batucava os joelhos enquanto fitava ao fundo o Capitão Jack que anotava algo e naquele momento tinha levantado a cabeça e projetava um sorriso na direção da menina.
— Depois da segunda invasão dos Cybermen — ele falou — Eu não tinha reparado que tinha ficado tão boa, vou enviar para o Jack.
Ele o fez.
Jack pegou o celular no bolso, abriu e foto e riu ao analisá-la, o Décimo Primeiro o olhou pelo ombro e deu um riso, um riso que apenas ele dava.
— Jack — a senhora chamou, ainda perdido nos pensamentos o Capitão olhou a mulher — Doctor — o Doctor olhou — O que vocês tinham com a minha neta? — ela prendeu o cabelo, Jack percebeu o mesmo movimento de Carla, o Doctor viu o nervosismo da menina no movimento da avó.
— Ela é muito especial — falaram em coro, se olharam, a idosa os observava.
— Eu sei que é. — ela riu e abriu uma das portas, uma brisa soprou com cheiro de jasmim. — Ela gosta muito de vocês, dos dois, eu falo.
Fechou a porta e se virou para os dois.
— Ela é capaz de tudo pelas pessoas que ela gosta.
— Sabemos disso — o Décimo primeiro falou e abriu uma outra porta que permitiu um vento gelado de entrar, as pontas da gravata congelaram e a ponta do nariz — Por isso é tão importante encontrá-la, antes que algo ruim aconteça.
— O que você quer dizer? — a senhora fechou a porta e o analisou.
— Sua neta é uma pessoa boa, boa até demais, ela é impulsiva e pode fazer alguma loucura.
O Doctor terminou de falar e olhou o Capitão que os observava em silêncio, deu um riso seco e seguiu para a próxima porta.
— Aquela foto que você olhava, era dela? — a senhora se aproximou do Capitão que confirmou e entregou o celular — Minha garotinha é tão boa — sorriu. — Esse olhar — ela olhou de canto para o homem que observava a foto de uma forma que ela lembrava ter visto apenas uma vez em sua vida, sorriu — Ela te considera muito, rapaz.
— Eu sei — ele respirou fundo e foi para a próxima porta.
— Taec! — Jun K gritou abrindo uma das portas — O que é essa coisa?
Eles observavam um enorme monstro em forma de lagarto, uma baba vermelha escorria da boca do ser, as unhas eram enormes. Taec fechou a porta com uma batida.
— Não vai ser fácil — reclamou.
— Você e ela, vocês foram tão próximos mesmo? — Taec olhou o amigo e confirmou — Você sabia de tudo isso?
— Mais ou menos, eu já entrei na TARDIS antes, ela me trouxe quando disse que precisavamos ir para algum lugar do outro lado da Terra, paramos na Rússia de 1890 em meio a um tiroteio de raios que ela dizia ser uma força extraterrestre, o Doctor fora nosso guia, não que ela precisasse, parecia que ela já sabia como cuidar de tudo. — ele riu se lembrando daquilo — Ela é uma ótima pessoa.
— Parece ser — Jun K fez sinal para continuarem — Ficaram juntos por quanto tempo? — olhou pelo ombro o amigo que deu de ombros.
— Não sei, com essa coisa de viajar no tempo não tenho certeza. Sei que dos ciclos que seguimos ficamos viajando quase um mês, mas quando voltamos tinha sido apenas uma noite.
— Nossa...
— É... Ela sabe conquistar as pessoas — ele balançou a cabeça afastando os pensamentos.
As duplas investigavam cada canto do lugar, cada um entrava e saia de uma sala diferente em cantos diferentes da nave. A própria TARDIS parecia tentar ajudá-los, mas até para ela era complicado vasculhar suas inumeras salas.
— A mãe dela contava histórias sobre uma caixa azul voadora- a senhora falou e observou o Doctor — Eu pensava que ela era contadora de histórias e nunca acreditei até vocês invadirem meu quintal.
— Ela quis ir lá, a Ganger.- o Capitão falou.
— Não, foi a Carla — os dois olharam o Doctor — Os Gangers ficam um tempo conectados as vontades da pessoa original, Carla queria ver a avó, talvez ela soubesse que lá iriamos perceber a diferença, ela sabia que a vó a conheceria. — ele sorriu para a idosa.
— Mas e nós dois? — o Capitão observou a nova face do antigo companheiro.
— Poderiamos desconfiar, mas se a Ganger fosse boa o suficiente nos enganaria facilmente, mas a Ganger não conhecia os gostos mais apurados da Carla, o que a avó conhece — ele fez um sinal para que seguissem.
— Minha neta adora leite e meu gato a adora — ela sorriu — Foi a Carla quem me deu o gato, ela trouxe numa caixinha. Não levou para a casa dela por causa do pai.
— O pai? — o Capitão perguntou curioso, o Doctor fingia não ouvir os dois. — O que tem o pai dela?
— Ela não falou sobre a família? — eles negaram — Ela queria construir tudo novo, ela me disse que faria isso, eu não acreditei — ela riu.
— Apenas sabiamos da senhora — o Capitão falou — O dia da morte da mãe dela — a senhora travou, o Doctor o observou, não sabia desse acontecimento — Ela disse que só queria avisar uma pessoa e foi para a senhora que ela ligou, e fez questão de ela mesma falar, disse que a senhora não entendia inglês.
— Fala muito pouco, apenas o suficiente para entender algumas coisas — ela suspirou — Deve ter sido um dia horrível.
— A senhora não faz ideia.
Seguiram investigando as salas.
— Você já a conhecia — River comentou — como era possível?
— Todos os meus eus anteriores se encontraram com ela agora, se lembra? Eu ia me lembrar de alguém que conheci dez vezes — ele riu e colocou os óculos, analisou uma placa numa porta que dizia Don't Panic em letras garrafais e alegres — Isso é novo.
— Isso é dela — River riu e abriu a porta, entraram na sala, era espaçosa e mesmo dentro da TARDIS parecia ser fora — ela entrou aqui por acidente e quase surtou pensando estar no espaço -ela andou até o centro da sala — Depois entendeu que era como uma enorme janela — ela riu sozinha — Foi por aqui que ela viu ela mesma.
— O lugar onde você a pescou — ela confirmou.
— Fantástico! — ele falou colocando as mãos nos bolsos e observando a sala — Não sei se já estive aqui antes.
— Mas vai vir muitas vezes para buscá-la — River pegou a mão do Doctor e entrelaçou os dedos no dele — Seja paciente com ela, ta? Ela é cabeça dura, mais do que nós dois — eles riram — Mas ela é só uma garotinha amedrontada.
— Eu sei que é — ele sorriu e olhou em volta mais uma vez — Seria tão mais fácil se ela estivesse em algum lugar que ela gosta muito...
Os dois trocaram olhares rápidos e sairam correndo para o controle da TARDIS, pegaram comunicador e anunciaram em todas as salas possíveis e impossíveis, dessa dimensão e das outras, desse tempo, do passado e do futuro. Pediam para que todos se reunissem ali, achavam ter descoberto onde estaria a verdadeira Carla.
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