O Homem do Fim do Universo

5 Capítulo 5 - O Domador da Terra e O Conquistador da Corrente


Andamos apressados pelos alienigenas, River tinha me mandado as coordenadas do meu segundo homem a ser resgatado. Eu corria muito rápido e puxava JunHo comigo, por vezes ele tropeçava e quase caia. Bati contra alguém, caí para trás e o artista, pelo que entendi que ele era, me segurou.

— Ca! — a mulher me puxou e me analisou -Esse casaco não é do Jack?

— Você me conhece? — eu a analisei.

— Sou eu, Gwen! — eu a analisei, eu não fazia ideia de quem era ela.

— Você a conhece? — JunHo me perguntou, neguei e senti uma pontada na cabeça, levei a mão até o lugar — Doendo?

— Um pouco — respondi quando ouvimos um grito.

Gwen olhou em volta buscando por quem teria gritado, olhei no celular a luz que indicava meu alvo estava enorme, ele está por perto. Mostrei pro JunHo. Buscamos em volta e avistamos quem procuravamos. Era um homem em cima de um alien voador que parecia uma galinha gigante. O homem segurava as penas da galinha e a guiava pelos corredores e se divertindo quando quase batia em algumas pessoas.

— JunHo! — olhei meu companheiro, ele acenou.

A galinha gigante voou até nós e pousou não muito distante. Eu analisei aquele ser e olhei a mulher que estava comigo, ela tinha um comunicador.

— Você conhece o Capitão? — perguntei, ela me olhou sem entender o que eu quis dizer.

— Conheço sim e você o conhece melhor do que eu — ela deu um riso de canto, a observei — Quem são eles? — ela apontou com a cabeça.

— Artistas e eu tenho que reunir os seis e chegar até o Doctor.

— Doctor? — confirmei — Jack comentou sobre ele uma vez, mas desde que você partiu pareceu ser um assunto proibido.

— Desde que parti? — eu olhei as longas mangas do casaco e olhei a mulher — Gwen, quem sou eu?

Ela sorriu e me levou até os dois homens e a galinha gigante.

— Não posso te dizer quem você é, mas posso te dizer que você é alguém importante, Ca, isso posso confirmar.

Suspirei cansada. Olhei os dois homens.

— Certo, já tenho dois, faltam quatro.

O homem novo me analisou.

— Quem é você?

— Carla. — falei e não me preocupei em perguntar quem ele é.

— JunHo, quem é ela?

— Quem ela disse ser, Woo. — olhei o outro.

— Senão se importa, precisamos ir logo, quero minha memória o quanto antes.

— Onde estão os outros? — o tal Woo perguntou.

— É isso que estamos tentando achar.

— Gwen, esse comunicador, ele funciona? — ela confirmou — Você consegue falar com o Capitão?

— Claro — ela sorriu — Do que vai precisar?

— Quero um mapa completo e um levantamento de todas as criaturas que tem aqui, preciso saber quais devo evitar e quais podem ser nossas aliadas. E se possível, diga a ele para me enviar todos os Doctors.

Minha cabeça pontou, eu recuei alguns passos com a dor. JunHo veio até mim e me apoiou. Woo me ajudou também me colocaram sentada.

— Droga!

— Está tudo bem? — Woo olhou o amigo.

— Parece que eles implantaram algo na cabeça dela e isso a faz ter fortes dores quando algo do passado que ela não se lembra surge a sua frente — ele olhou pelo ombro — Acho que ela é a causa dessa nova dor.

— Jun... Ho... — ele agachou a minha frente — Me ajuda a ficar de pé — ele o fez — Vamos até a galinha, precisamos... Precisamos encontrar os outros. Gwen! — ela nos olhou — Você vem?

— Tem certeza que podemos confiar nela? — JunHo sussurrou.

— Ela consegue falar com o Capitão e ele deve estar com a River, então acho que posso confiar nela.

Sentamos no pescoço da galinha, minha cabeça ainda doia. Woo começou a guiar o bicho, Gwen pegou meu celular e começou a nos guiar pelos corredores, ela pressionou o comunicador no ouvido.

— Capitão... — falei, JunHo me abraçou firme.

— Ele não está aqui — falou calmo.

— Está... Eu o vejo, bem ali perto da cabeça.

— Carla, ele não está aqui.

— Está, JunHo! — briguei e me soltei de seu abraço, caminhei pelo animal gigante. — Capitão! Ei, Capitão. Por favor, — senti meus olhos se encherem de lágrimas e eu não sabia o porquê — por favor, me ajuda.

Ele não dizia nada, estava apenas parado de costas, as mãos no bolso e sem o casaco. Por que ele não fala comigo? Por que está me ignorando?

— Capitão! — eu gritei.

Ele se virou, mas quando se virou seu rosto não era seu, quer dizer, era, mas não como eu me recordava, estava em pele viva, e larvas caminhavam por ele. Eu travei, ele sorriu, eu sabia como aquele sorriso devia parecer, mas com toda certeza não estava da forma encantadora de sempre. Prendi a respiração e fechei os olhos quando aquele Capitão começou a caminhar na minha direção.

— Carla! — um grito, abri meus olhos, eu estava em pé na galinha, mas a minha frente só tinha Gwen. Olhei para trás, JunHo me olhava assustado. — Está tudo bem? Você estava chorando e gritando.

— O Capitão...

— Ele está bem, estou falando com ele, agora. — eu a observei, eu não estava entendendo direito.

— JunHo! — Woo gritou do pescoço.

— Vou deixá-la com você, Gwen — o homem caminhou até o pescoço.

— Gwen... -eu a abracei — Eu estou começando a me lembrar — ela me abraçou forte — Por quê... Por que eu fiz essas coisas?

— Calma — ela passou a mão pelo meu cabelo — Você não fez nada de mais, ta? — eu a apertei, eu me lembrei que ela era uma grande amiga, lembrei que eu podia confiar minha vida a ela e pelas minhas lembranças eu já tinha feito isso e ela tinha cuidado de mim. Eu lembrava do Capitão Jack, mas não lembrava de tudo, apenas me recordava de ter lutado ao seu lado algumas guerras e aparentemente eu não era a pessoa pacifica que acreditei ser quando acordei — Ela está bem, Jack, não se preocupe. — Gwen falou pelo comunicador.

Fechei meus olhos e inspirei, senti um cheiro, um cheiro familiar que me fez querer descer da galinha, fui até a ponta e olhei para baixo, alguém corria, alguém com uma roupa engraçada.

— Woo — ele me olhou — Você consegue pegar aquele cara ali? — apontei para o homem que parecia se divertir em meio a tantos alienigenas.

Woo sorriu gostando do desafio. Nos seguramos com força nas penas do animal, o bicho mergulhou com furia, quando levantou tinha em suas patas o homem que eu pedira. Ele apontava algo para nós, algo que fazia um barulho engraçado. Eu o observei nos pés do animal e senti algo amargo tomar conta da minha boca, eu sabia quem ele era, assim como os outros...

— Doc... tor... — falei. Gwen me olhou — Vamos pousar! — gritei.

— Estamos quase chegando no Jun.K.

— Eu mandei pousar! — falei sentindo o ódio tomar conta de mim.

Woo confirmou e pousou. Fui até o homem que arrumava a roupa enquanto era libertado. Gwen tomou meu celular da mão de Woo e pareceu bater uma foto.

— Você está certa — ela falou.

— Quem está certa? — o homem perguntou.

— Leve-o para o controle da prisão — falei para Gwen.

— A mim? Acho que não.

— Outros de você estão por lá — falei e analisei o homem, ele ficou curioso ou pareceu ficar.

— Você vai ficar sem comunicação — Gwen falou.

— Não se preocupe — sorri — A River me acha. — ela arqueou uma sobrancelha, eu poderia dizer que aquilo era ciúme e me lembrei de algo que parecia importante — E o Owen está lá, acho que vai ser bom vocês se reverem — ela corou drasticamente me fazendo rir. — Vai lá, vou ficar bem.

— Eu vou te procurar e...

— Não! Aqui é perigoso e enquanto eu não me lembrar de tudo, ficar ao meu lado vai ser muito perigoso.

— Eu não vou te convencer.

— Não, não vai — sorri.

— Bonitinho, me empresta a galinha?

— Cuide bem dela, moça.

— Doctor... — ela montou na ave — Vai querer uma carona?

— Não vou negar. — ele subiu — E você, jovem, qual o seu nome? — ele me olhava, aquele nariz pontudo e aquela roupa de séculos passadosme fazia me perguntar como uma pessoa podia mudar tanto na aparência quanto nos gostos.

— Carla...

Ele pensou por alguns instantes e sorriu de canto.

— Prazer, Carla.

A galinha alçou voo.

— E agora? — olhei os dois, Woo parecia realmente curioso com o que poderiamos fazer depois.

— Continuaremos a pé.

Falei andando. Meu celular apitava e eu não tinha certeza porque isso acontecia, ainda tinha bateria e me surpreendi que até o sinal estava bom.

Eram tantos alienigenas que minha cabeça rodava, as vezes, eu pensava encontrar um conhecido e me surpreendia quando sabia alguma informação que o aparelho detector de JunHo dizia e algumas precauções, eu não fazia ideia de porque aquilo estava acontecendo, mas com Woo ao nosso lado eu me sentia mais segura a quase abandonar JunHo e ficar mergulhada em meus pensamentos.

Uma confusão acontecia bem a nossa frente. Woo pareceu gostar de ver aquilo, JunHo me observou. Arrumei a gola do casaco e fiz sinal para que continuassemos. Meu primeiro companheiro pareceu odiar.

Era uma briga, daquelas que se vê em filmes e seriados, os presos tinham formado uma roda e agora lutavam entre si e parecia que o manda-chuva era um pequeno humano que fez minha cabeça doer só de olhar para ele.

— Khunnie? — Woo falou e olhou JunHo — O que ele está fazendo?

— Sobrevivendo — respondi e senti minha cabeça doer — Ele é bom — comentei depois que ele acertou um monstro com uma das correntes.

Ele tinha em mãos duas metades de uma corrente, estavam enroladas em seus pulsos e ele as usava como chicote, acertando os outros sem se preocupar com o que poderia causar. Já tinha várias partes inchadas e o nariz sangrava.

— Eu vou lá pegar ele — Woo falou e um alienigena o barrou.

— Só entra se for lutar. — ele falou.

— Ele é meu amigo, não vou lutar contra ele — Woo falou e olhou JunHo que concordou.

— Eu vou — falei avançando — Como funciona?

— Você tira o outro de lá e é a próxima da fila.

— Segura — tirei o casaco e dei para JunHo — Me dê meia hora.

— E se caso não saia em meia hora?

— Algo me diz que isso será tempo de sobra.

Os dois trocaram olhares.

Acertei o enorme monstro que já estava tonto, ele caiu desacordado e foi puxado pelos outros. Olhei o homem a minha frente que parecia não acreditar que eu era sua oponente.

— Não vou bater nela — ele falou abaixando as mãos.

— Isso quer dizer que eu ganhei? — sorri.

— Eu nunca perco.

— Não, você acabou de desistir — falei vitoriosa.

— Você está me provocando.

— Vem, bonitão, prometo que não vou te machucar muito.

Ele se irritou. Avançou com a corrente, tentou me acertar, desviei, tentou com a outra a agarrei sentindo meu braço doer. Olhei par ao lado, JunHo e Woo pareciam preocupados, quando olhei Khunnie um soco acertou minha cabeça, cambaleei para trás.

— Mas você não podia ter feito isso, Carla — era a Gwen, por que ela está brigando comigo?

— Ela ia se render, não precisava disso.

— Eu só dei um soco nela, vai ficar bem, peguei leve com ela — falei a ajudando carregar um corpo.

— O Jack precisa conversar com você, não pode continuar assim.

— Ah, posso sim e não vai ser o Capitão quem vai me parar.

Fechei os olhos com força. JunHo falou algo. Abri, Khunnie ia me acertar com a corrente. Woo o gritou, ele parou o ataque e olhou os dois. Eu o acertei. Ele caiu desnorteado, um monstrengo entrou.

— Desisto — falei e fui até os meninos enquanto outro monstro tomava meu lugar.

Khunnie veio até nós ainda zonzo. Me apoiei em JunHo, minha cabeça rodava muito.

— Mais uma lembrança? — confirmei, ele me ajudou com o casaco. — Tudo bem?

— Sim, eu só preciso... — eu inspirei e senti meu estomago revirar, mesmo vazio eu queria colocar coisas para fora. Apoiei nos joelhos.

— Woo, Khunnie, vamos sair daqui — JunHo falou enquanto me apoiava.

Saímos de toda a confusão de lutas, ainda dava para ouvir os gritos dos seres esmagando uns aos outros e das torcidas, mas de onde estavamos apenas os sons nos atingiam. Apoiei na parede. Khunnie que descobri ser Nichkhun, perguntava sobre quem eu era e apenas JunHo o respondia. Ele perguntou sobre por que eu tinha de reunir os seis e JunHo explicou ser algo sobre eu recuperar a memória, pelo menos, era isso que eu contava ser. Woo, que descobri ser Woo Young, parecia perdido com tudo, eu me apoiei com as costas e observei os três, minha cabeça dava muitas voltas, eu era invadida por lembranças a todos os instantes.

— Ca... — olhei para cima. Era uma menina ruiva e um cara estranho — Carla, você não pode ficar assim, sabe tão bem quanto eu que o Doctor vai dar um jeito nisso.

— Doctor? — eu apertei minha cabeça, aquela lembrança doia — Por que ele viria resolver isso?

— Porque nós estamos aqui e ele não abandona os amigos — ela sorria confiante, eu podia acreditar naquilo.

— Ela tem razão — olhei o cara estranho — Podemos contar com ele para nos tirar dos nossos piores problemas.

— Como vocês conseguem acreditar tanto em alguém? — eles deram de ombros.

— Você aprende a confiar nele depois de um tempo — a menina falou sorrindo.

— Olha, Amy... — minha cabeça doeu — Eu não vou ficar aqui esperando, se teve algo que aprendi na guerra foi: nunca depender dos outros para ser salva.

Comecei a mexer em algo que parecia ser uma porta. As dobradiças era viradas para dentro, que grande erro. Comecei a trabalhar soltando os pinos delas, meus dedos doiam e começavam a sangrar.

— Ei, Rory, uma ajuda aqui...

Ele se levantou assustado e me ajudou a desencaixar a porta.

— Doctor! — Amy gritou alegre e correu para dar um abraço nele.

Era o Doctor que River tinha me mostrado, o da gravata borboleta. Ele estava agachado usando sua caneta de barulho engraçado, ele continuou na posição nos olhando.

— Eu ia tirá-los saí.

— Tentamos dizer isso para ela, mas ela não confiou. — ele me encarou, dei de ombros.

— Vamos, precisamos correr.

— Parece uma boa ideia — falei passando pelos três e correndo.

Abri os olhos, eu estava suada. Olhei meu novo travesseiro, era o casaco. JunHo e Woo tinham sumido, Khunnie estava sentado longe de mim como se mesmo dormindo eu pudesse acertá-lo.

— A Bela Adormecida resolveu acordar — ele envolvia faixas nos pulsos machucados.

— Apaguei por quanto tempo?

— Calculando meu tédio eu diria que por uma noite e um dia — olhei em volta — Foram buscar algo para comermos, seu celular parecia mostrar isso.

— E você ficou comigo?

— Disseram que eu era o melhor segurança. — eu o observei e senti minha nuca doer — O que me contaram sobre você, é verdade?

— Depende.

— Perdeu a memória — confirmei — Ridiculo.

— Eu preciso juntar todos vocês e parece que isso pode me ajudar a recuperar.

— E isso nos tira daqui? — ele se levantou, eu vestia o casaco e escondia minha nuca que sangrava.

— Espero que sim — me levantei escorada a parede.

— Ótimo!

Não estavamos no mesmo lugar que eu apaguei. Sentei novamente me sentindo ainda mais tonta.

— Me promete que vai guardar isso?

— Isso é seu relógio, Capitão, não posso...

— Eu não costumo dar presentes, apenas aceite isso — ele fechou minha mão em volta do objeto e deu um beijo como que selando — E se cuida...

— Você também — eu sorri e mesmo sorrindo eu sentia meu rosto molhando, eu estava chorando.

— Vejam quem encontramos — Woo falou empolgado.

— Jun. K? — Khunnie se levantou — Ele estava dormindo em uma das mesas do refeitorio — todos riram. JunHo veio até mim.

— Ca, está tudo bem? — eu percebi que sorria e chorava limpei as lágrimas no meu rosto e o olhei, confirmei.

— Jun. K, não é? — sorri para o outro que confirmou — Sou a Carla.

— Ouvi falar de você do refeitório até aqui. — ele riu — Acho que devemos seguir e buscar os outros. Imagino que ChanChan estará onde encontremos bananas — ele riu e começou a nos guiar.

Me perguntei quando foi permitido que ele fosse nosso líder, mas eu não estava na melhor condição de lutar. A frente ia Jun.K nos guiando, Woo e JunHo iam atrás descobrindo novas espécies. Khunnie vinha um pouco atrás de mim com suas correntes prontas para o ataque. Esse era o novo grupo. Fechei os olhos. Espero que consigamos achar os últimos dois.