O Homem de Muitos
1 O Homem de muitos
Nos tempos remotos
Saídos de um esgoto após a missão
Voltamos à vila perto ao portão
Parados carros, bikes e motos.
Era a reunião dos mais experientes
Naquelas ruínas de uma vila gótica
Onde o cinza cobre a ótica
E o arrebol é reluzente.
Casa pequena e escultural
Bebendo e falando estavam
Repouso pós-missão nos acomodavam
Somente nós, numa vila sepulcral.
Chegara então a hora
Seus olhares se voltaram para um arco
De pedra, nas bordas da vila, que era o marco
Da chegada de uma jovem lá fora.
De olhos vermelhos, magra, cabelos morenos
Cuja franja cobre a testa e afina o sorriso
Com vestes de dama, vinda do paraíso
Enjaula paixão de homens e os faz pequenos.
Com um cajado que libera luz
Do por do sol ela cruza até nós
Ao seu redor eles se põem, um logo após
Longe fique, no lugar que me pus.
Ela, a cada um, os agrada
Eles declaram que a amam
Versos apaixonados aclamam
Mesmo suas vagas honras, a ela não vale nada.
Não sei o que fazer
Sua beleza e seu jeito me trazem temor
Pois quero ser somente seu amor
Mas ela é demais para tudo o que eu posso ser.
Fico de longe aqui
A vergonha ao menos não minha será
Se tentar me declarar e ela não aceitar
Ah sim, o arrebol me lembra de ti.
Por tempos ela passa neste lugar
Mas eles sempre dela estão por perto
Sinto-me inseguro de um amor incerto
Podia eu ser o primeiro? Mas não, tinha que errar.
Lamentos de um dia que à ela podia ter dado
Mas fui fraco e com isto eu arco
Hoje vivo neste mundo cinza e amargo
De coragem fraca e vigor fracassado.
De uma hora à outra, pouco tempo aproveitei
Pois de repente ela já ia
Mas ao menos só, eu me despediria
Mostrar-lhe o que tanto fraquejei.
Já saindo da vila, eu ainda pude sua atenção atrair
Com gaguejos, o seu tempo eu tomo
Descrevendo sonhos à memória que não retomo
Pois não impediria sua hora de sair.
Quando, sob seus olhos, lindos como de criança
Sem mostrar os dentes, ela sorri
Sem expressão, eu um sorriso repeti
Ela pôs a falar o que levou-me alegria e depois desesperança.
"És um bom amigo
Por tempos e distâncias irei, mas hei de voltar
Um dia, como os outros junto a mim agora, talvez possas acompanhar
Afinal és bondoso e atento comigo".
Talvez ela nem possa voltar
Se voltar, talvez de mim se esqueça
Antes de sua silhueta, no arrebol, desapareça
Nem para trás ela confirmou olhar.
Os outros, seguiram ela como gado
Eu não, consoante ela por não ser capaz
Ao invés disso fiquei para trás
Para fazer o dever à mim designado.
Parte 2
ela a pouco já havia ido embora
com silêncio eu enfraqueci
mas minha missão não esqueci
e fui para as colinas as quais olho agora.
Caminhei para a torre, perto da floresta
Onde um gigante havia se prendido dentro
Com braços de fora, e o corpo no centro
De tanto preso, dormir é o que lhe resta.
Seu rosto fica no alto, na janela
Seus pés, no subsolo
Com tijolos da torre eu extrapolo
Tendo seu braço quebrado boa parte dela.
Ao acordar, pensou que eu era inimigo
Mas me viu tentando ajudar
E então acalmou-se e pôs e falar
Guardando a raiva consigo.
"Fui aqui preso por meu irmão!
O resto deles, aqui me deixaram
Para além dos aeons voltaram
E agora só me resta solidão".
"Quem é teu irmão" perguntei
"o filho sem nome de Yag-Kosha
o bastardo de mim debocha"
Disse ele quando de sua cabeça me aproximei.
O Rito das Pedras moldou os mormaços
Juntando suas forças, ele empurrou
os tijolos já fracos, ele quebrou
E então saiu, dando longos passos.
"obrigado a ti! Que me ajudaste
recompensar-te-ei, mas em outra hora
vi tua tristeza a pouco agora
Ela se foi, pois tu deixaste!
Mas quando o alinhamento chegar
Em um estado maior tu entrará
Mais transcendental que ela tu será
Esta noite, hei de mostrar!"
Assim, despedindo, ele sumiu no horizonte
E o dia escureceu depois que o arrebol acabou
um jantar solitário até que o sono chegou
Dormi de janela aberta, pra vista o monte.
E do monte ele apareceu
Meu sono à meia noite, ele interrompeu
"Ajudaste-me em meu falho e ajudo-o em teu
Nem ela o levaria para tão longe mais do que eu!"
Agradecendo ele estava, quando a dançar começou
Passos ritualísticos, faziam o céu acima de si se abrir
Um cosmos incrível à refletir
Aquilo que o espaço tem e não mostrou
O Sol da meia noite veio assim
Não iluminou nada
O Ozônio sumiu da terra, parada
A passagem de nuvens mostrou seu fim.
Ele rituava debaixo deste espetáculo
E os ventos de cores neon do cosmo sopravam
As hastes do cosmos apertavam
As estrelas como cada obstáculo.
E os gigantes debaixo do sol vieram
Com vórtices de pó e fogo
As luzes do infinito que se faz em um jogo
Do qual os mesmo que abriram o céu quiseram.
Sinto-me leve e a visão pela janela voa
Vultos nas bordas dos olhos se fadam
Por longas distâncias percorro e param
A luz alienígena pelo espaço ecoa.
A velocidade se expande para muitas vistas
Pelos anéis de planetas eu passo viscoso
Meu corpo amolece, alonga, mas me faz poderoso
Enquanto pelo éter eu cruzo as pistas.
Nuvens de Magalhães exalam um colosso
Riscos de galáxias aparecem em meus olhos
planetas de pequenos, se tornam espólios
Volto ao aglomerado, que se faz formoso.
E numa segunda terra eu chego
Mas não volto pra vila fria, cinza e vazia
Pela noosfera voo e maravilhava-me com o que via
Nas nuvens além dos céus eu me aconchego.
À ela eu voltei um dia
não tenho certeza se é ela ou minha mente
criou-apara me deixar contente
pois longe ela está mais do que deveria.
Perto ou não, eu ainda a tenho e lhe faço canções
lhe abraço, beijo, digo que amo e acaricio
feliz a cada dia que eu inicio
Neste novo mundo além de aeons.
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