Nos tempos remotos

Saídos de um esgoto após a missão

Voltamos à vila perto ao portão

Parados carros, bikes e motos.

Era a reunião dos mais experientes

Naquelas ruínas de uma vila gótica

Onde o cinza cobre a ótica

E o arrebol é reluzente.

Casa pequena e escultural

Bebendo e falando estavam

Repouso pós-missão nos acomodavam

Somente nós, numa vila sepulcral.

Chegara então a hora

Seus olhares se voltaram para um arco

De pedra, nas bordas da vila, que era o marco

Da chegada de uma jovem lá fora.

De olhos vermelhos, magra, cabelos morenos

Cuja franja cobre a testa e afina o sorriso

Com vestes de dama, vinda do paraíso

Enjaula paixão de homens e os faz pequenos.

Com um cajado que libera luz

Do por do sol ela cruza até nós

Ao seu redor eles se põem, um logo após

Longe fique, no lugar que me pus.

Ela, a cada um, os agrada

Eles declaram que a amam

Versos apaixonados aclamam

Mesmo suas vagas honras, a ela não vale nada.

Não sei o que fazer

Sua beleza e seu jeito me trazem temor

Pois quero ser somente seu amor

Mas ela é demais para tudo o que eu posso ser.

Fico de longe aqui

A vergonha ao menos não minha será

Se tentar me declarar e ela não aceitar

Ah sim, o arrebol me lembra de ti.

Por tempos ela passa neste lugar

Mas eles sempre dela estão por perto

Sinto-me inseguro de um amor incerto

Podia eu ser o primeiro? Mas não, tinha que errar.

Lamentos de um dia que à ela podia ter dado

Mas fui fraco e com isto eu arco

Hoje vivo neste mundo cinza e amargo

De coragem fraca e vigor fracassado.

De uma hora à outra, pouco tempo aproveitei

Pois de repente ela já ia

Mas ao menos só, eu me despediria

Mostrar-lhe o que tanto fraquejei.

Já saindo da vila, eu ainda pude sua atenção atrair

Com gaguejos, o seu tempo eu tomo

Descrevendo sonhos à memória que não retomo

Pois não impediria sua hora de sair.

Quando, sob seus olhos, lindos como de criança

Sem mostrar os dentes, ela sorri

Sem expressão, eu um sorriso repeti

Ela pôs a falar o que levou-me alegria e depois desesperança.

"És um bom amigo

Por tempos e distâncias irei, mas hei de voltar

Um dia, como os outros junto a mim agora, talvez possas acompanhar

Afinal és bondoso e atento comigo".

Talvez ela nem possa voltar

Se voltar, talvez de mim se esqueça

Antes de sua silhueta, no arrebol, desapareça

Nem para trás ela confirmou olhar.

Os outros, seguiram ela como gado

Eu não, consoante ela por não ser capaz

Ao invés disso fiquei para trás

Para fazer o dever à mim designado.

Parte 2

ela a pouco já havia ido embora

com silêncio eu enfraqueci

mas minha missão não esqueci

e fui para as colinas as quais olho agora.

Caminhei para a torre, perto da floresta

Onde um gigante havia se prendido dentro

Com braços de fora, e o corpo no centro

De tanto preso, dormir é o que lhe resta.

Seu rosto fica no alto, na janela

Seus pés, no subsolo

Com tijolos da torre eu extrapolo

Tendo seu braço quebrado boa parte dela.

Ao acordar, pensou que eu era inimigo

Mas me viu tentando ajudar

E então acalmou-se e pôs e falar

Guardando a raiva consigo.

"Fui aqui preso por meu irmão!

O resto deles, aqui me deixaram

Para além dos aeons voltaram

E agora só me resta solidão".

"Quem é teu irmão" perguntei

"o filho sem nome de Yag-Kosha

o bastardo de mim debocha"

Disse ele quando de sua cabeça me aproximei.

O Rito das Pedras moldou os mormaços

Juntando suas forças, ele empurrou

os tijolos já fracos, ele quebrou

E então saiu, dando longos passos.

"obrigado a ti! Que me ajudaste

recompensar-te-ei, mas em outra hora

vi tua tristeza a pouco agora

Ela se foi, pois tu deixaste!

Mas quando o alinhamento chegar

Em um estado maior tu entrará

Mais transcendental que ela tu será

Esta noite, hei de mostrar!"

Assim, despedindo, ele sumiu no horizonte

E o dia escureceu depois que o arrebol acabou

um jantar solitário até que o sono chegou

Dormi de janela aberta, pra vista o monte.

E do monte ele apareceu

Meu sono à meia noite, ele interrompeu

"Ajudaste-me em meu falho e ajudo-o em teu

Nem ela o levaria para tão longe mais do que eu!"

Agradecendo ele estava, quando a dançar começou

Passos ritualísticos, faziam o céu acima de si se abrir

Um cosmos incrível à refletir

Aquilo que o espaço tem e não mostrou

O Sol da meia noite veio assim

Não iluminou nada

O Ozônio sumiu da terra, parada

A passagem de nuvens mostrou seu fim.

Ele rituava debaixo deste espetáculo

E os ventos de cores neon do cosmo sopravam

As hastes do cosmos apertavam

As estrelas como cada obstáculo.

E os gigantes debaixo do sol vieram

Com vórtices de pó e fogo

As luzes do infinito que se faz em um jogo

Do qual os mesmo que abriram o céu quiseram.

Sinto-me leve e a visão pela janela voa

Vultos nas bordas dos olhos se fadam

Por longas distâncias percorro e param

A luz alienígena pelo espaço ecoa.

A velocidade se expande para muitas vistas

Pelos anéis de planetas eu passo viscoso

Meu corpo amolece, alonga, mas me faz poderoso

Enquanto pelo éter eu cruzo as pistas.

Nuvens de Magalhães exalam um colosso

Riscos de galáxias aparecem em meus olhos

planetas de pequenos, se tornam espólios

Volto ao aglomerado, que se faz formoso.

E numa segunda terra eu chego

Mas não volto pra vila fria, cinza e vazia

Pela noosfera voo e maravilhava-me com o que via

Nas nuvens além dos céus eu me aconchego.

À ela eu voltei um dia

não tenho certeza se é ela ou minha mente

criou-apara me deixar contente

pois longe ela está mais do que deveria.

Perto ou não, eu ainda a tenho e lhe faço canções

lhe abraço, beijo, digo que amo e acaricio

feliz a cada dia que eu inicio

Neste novo mundo além de aeons.

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