O Homem da Capa de Chuva
2 Está na hora do show
— Sejam muito bem vindos a mais uma temporada de Sobreviva se Puder! – Começou subitamente o apresentador, sorrindo para a câmera e apontando para Alex e a paisagem. Nesta temporada apresentamos Alex, nosso Designer de Carros, para enfrentar 30 dias nesta paradisíaca Ilha de Bambu! Será que nosso competidor estará a altura da tarefa? Lembrando que o prêmio de 100 mil dólares aguarda nosso ganhador caso ele consiga sobreviver ao desafio.
*
Alex coçou a cabeça, que estava suja e maltrapilha havia dias.
Na sua frente, pilhas de jornais. Jornais que não acabavam mais.
Começou devagarinho, tímido. Primeiro os braços, depois pouco a pouco começou a mexer os pés. O baseado pendurado na boca, o corpo balançando sozinho. Uma mão perto do corpo e a outra jogada no ar.
Alex cantarolava uma música baixinho, sozinho no mundo de seus pensamentos. Em poucos minutos dançava sozinho uma música que era para ser feita a dois. O efeito da maconha começou a chegar, atingindo e relaxando seu corpo de uma só vez.
Pegou um jornal e foi passando as páginas do jornal, se perdendo nas palavras já. Não sabia o que procurava, o que queria mais. Parou quando notou um par de peitos cobertos com sutiã de renda, de uma propaganda de uma nova marca de lingerie.
Era pouco, mas o suficiente para Alex começar a ter uma ereção. Apertou os olhos, focando sua vista naquele par de seios.
Pensou em Jane. Ah, Jane... A mulher da sua imaginação parecia mais real que tudo naquele momento.
Tragou com força a maconha, todo o seu corpo vibrando de uma vez.
Agora já não tinha mais volta.
Juntou aqueles peitos à Jane imaginária, imaginando o sorriso provocativo dela ao tirar o sutiã, se insinuando para ele.
Não pensou duas vezes. Rasgou um pedaço de jornal qualquer, tirou a cueca e começou a se masturbar.
Foi rápido, fácil.
Seus olhos reviraram do avesso, sua boca começou a juntar saliva e o baseado caiu no chão, sem Alex sequer perceber.
Começou a ir mais rápido, cada vez mais rápido até que sentiu o momento chegar. Soltou um grito gutural, como há tempos jamais fazia, e correu para pegar o papel. Não queria sujar seu novo lar. Mirou no pedaço de papel e deixou tudo sair.
Alex olhou atentamente, analisando a figura fixa no papel. Quando deu por si, percebendo quem era, soltou uma risada, um riso alto e divertido. Havia gozado na cara de Jair Bolsonaro, o ex-presidente do Brasil.
Continuou dançando e rindo até o anoitecer.
No final do dia ainda cagou e limpou a bunda num pedaço de jornal especificamente selecionado com a cara de Donald Trump. Uma merda merecia outra merda, não é mesmo? Alex riu novamente, uma risada desvairada e drogada.
No fim da tarde, sentou-se na sua cadeira – ou no que restava dela – vestiu sua capa de chuva amarela e sentiu o efeito da maconha caminhando para o fim. Com um sorriso de louco no rosto, Alex olhou para os céus e ponderou.
Sozinho e solitário naquela ilha já não sabia nem quanto tempo, aquele se tornou, afinal, um dos melhores dias de sua vida.
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