O Homem Invencível
9 Capítulo 8: Commoria
Notas iniciais
Guerreiros contra sacerdotisas.
_Lembra-se de mim, anciã?_Sim, você é um dos estrangeiros que chegaram à vila. É muita sorte sua ainda não ter sido apanhado pelo animal que devora homens._Fala como se não soubesse o que acontece com os homens._... Há rumores de que Commoria está devorando os homens._Commoria? A sua deusa da fertilidade?_Isso mesmo. Ela nos daria colheitas melhores se lhe ofertássemos uma dádiva. Nós mulheres ofertamos nossos cabelos. Os homens não podendo fazer a mesma oferta, pagam com suas vidas._Você sabia de tudo._Todos na aldeia comentam e murmuram. Ninguém sabe ao certo o que está acontecendo. Vejo que cortou o seu cabelo, guerreiro._Foi. Diga-me, vocês mulheres não querem seus homens de volta?_Sim, nós queremos, mas a sacerdotisa Thibaudea é muito poderosa, ela não controla apenas Commoria, mas os outros deuses também._Mas a sacerdotisa é humana e mortal, não deveriam deixar que ela controlasse suas vidas dessa maneira._Tem razão. O que posso fazer para ajudá-lo?_Leve-me até onde os homens estão mantidos presos._Não existe tal lugar. Os homens estão mortos._Como é seu nome anciã?_Nice._Nice, meu nome é Conan. Deve haver um lugar afastado, com guardas ou mulheres vigiando 24 horas por dia. Onde apenas a sacerdotisa tenha acesso. Diga-me onde é esse lugar._Fora da aldeia há uma choupana, onde apenas as sacerdotisas têm acesso, e há sentinelas guardando suas proximidades._Leve-me até lá.A anciã chamada Nice levou Conan até o local mencionado. Em seguida voltou à aldeia, pois não desejava enfrentar Thibaudea. Conan considerou que ela realmente não tinha nenhuma chance. Ele esgueirou-se e passou a atacar as mulheres sentinelas. Rapidamente colocou-as fora de combate, sem fazer barulho ou chamar a atenção para o que estava acontecendo. Então ele entrou na choupana. Havia uma ruiva lá. Esta quando o viu começou a gritar. Conan a nocauteou também. Ele examinou toda a choupana até descobrir o alçapão que dava para a galeria subterrânea. Desceu e seguiu adiante até deparar-se com os homens presos em correntes. Declan também estava lá._Conan! Graças a Deus! Eu sabia que aquelas velhas viragos não seriam páreo para você meu amigo. — Declan ria abertamente._É bom te ver vivo Declan! Agora se afaste, pois vou cortar as correntes.Conan cortou as correntes com sua espada. Não só a de Declan, mas as dos outros homens também. Todos saíram rapidamente dali. Dirigiram-se à aldeia. As mulheres quando viam seus maridos corriam para o meio da rua e os abraçavam e choravam. Algumas não conseguiam fingir e fugiam de seus homens, pois eram sabedoras do destino deles, e nada fizeram para interceder por eles. Conan gritou para a multidão nas ruas._A culpada de tudo isso é Thibaudea. É a ela que vocês devem responsabilizar pelo seqüestro dos homens. Ela controla os deuses. E ela os está usando contra vocês._Você fala demais para um estrangeiro, Conan. — Thibaudea aparecera no meio da multidão.Todos que estavam perto dela afastaram-se com medo. Restaram apenas Conan e ela no meio da rua._Vocês não deveriam temê-la. Ela não passa de uma mulher comum. Vocês deveriam enfrentá-la. — Conan falou dirigindo-se à multidão que procurava manter-se afastada dos dois._Eles me conhecem guerreiro. Eles sabem que eu sou mais do que uma mulher. — Thibaudea então virou seus olhos para trás, até deixar seus olhos sem íris.Ela abriu as palmas da mão e as mostrou a Conan. Este foi mais pragmático e sacou sua espada. Encostou sua lâmina no pescoço de Thibaudea._É melhor parar com o que está fazendo, ou vai perder a cabeça.Thibaudea nada falou. Uma névoa invadiu as ruas da cidade. As pessoas entraram em pânico e tentaram correr aterrorizadas. Pelos gritos que se ouviam, era certo que nenhuma conseguiu sair dos domínios da aldeia. Declan aproximou-se de Conan e também sacou sua espada. Ficou olhando em volta, esperando por um ataque. Conan, vendo que Thibaudea não saía do transe em que estava, golpeou-a com o cabo de sua espada, produzindo-lhe um ferimento sangrante na fronte. A sacerdotisa caiu ao chão desmaiada. Então começou. Ervas trepadeiras, semelhante a cipós começaram a brotar do chão e enroscavam-se nas pessoas, tentando estrangulá-las.
_Declan, livrei-me desse monstro uma vez, cortando meus cabelos, mas algo me diz que isto não irá adiantar agora._O que propõe que façamos?_Esse monstro que controla as ervas é um totem. Consegui atingi-lo usando meus punhos. Precisamos descobrir onde ele está agora.As ervas passaram a atacar Conan e Declan também. Eles as afastavam com golpes de espadas. Subitamente, Conan percebeu que alguém estava tentando levar o corpo de Thibaudea. Era Hostia, a sacerdotisa negra. Conan correu até ela e encostou a lâmina de sua espada no queixo dela._Se tem amor à vida, deixe o corpo dessa bruxa onde está. — Conan falou sério._Você não sabe o que fez guerreiro. Thibaudea é a única que controla Commoria. A deusa vai dizimar a cidade inteira._Ei Conan, ela também é uma sacerdotisa. Ela pode desfazer o que a velha coroca fez._Se é verdade o que ele diz, é seu dever afastar essa ameaça de sua aldeia. — Conan baixou a espada._Commoria é muito forte. Eu não vou conseguir nada._Faça. — Declan falou entre dentes.Hostia imitou os gestos de Thibaudea. Ficou com os olhos revirados e brancos. Abriu os braços com as palmas para cima e ficou estática até parar de respirar completamente. Conan e Declan combatiam as ervas, e tentavam ajudar os aldeãos que não conseguiam livrar-se das folhagens. Conan retornou para perto de Hostia e notou que ela parecia sem vida. Parecia mesmo petrificada. Conan aproximou-se dela e tentou sacudi-la para que voltasse ao normal. Levou um choque nas mãos. Algumas ervas brotaram do chão próximo a Thibaudea e se enrolaram nela. Mas em vez de tentarem estrangulá-la, elas a ergueram do chão e a estavam movendo para fora da aldeia._Declan. As ervas estão tentando poupar a vida de Thibaudea. Não deixem que levem seu corpo. Corte aquelas plantas. Eu cuidarei de Hostia.Declan fez como Conan pedira. Ele decepou todas as plantas que estavam carregando a velha sacerdotisa. Quando o corpo de Thibaudea caiu ao chão ele a arrastou para o local onde estava Conan. Este passara a atacar Hostia com os punhos. Mas era o mesmo que atingir uma árvore petrificada. Nada acontecia a ela. A cada novo soco, Conan recebia um choque no corpo, e sua mão ficava machucada._Isso não está dando certo. — Conan teve que reconhecer._Conan, ela se preocupa com a bruxa velha. Vou tentar algo. — Declan apontou sua espada no coração de Thibaudea, caída no chão e dirigiu-se a Hostia petrificada. — Ei Hostia! Eu vou matar a sua amiguinha. Se você não parar com tudo isso, ela já era. Vou espetá-la com minha espada. Vamos! Acabe com isso.Então subitamente, um dos cipós assumiu uma forma reta e afiada, e rumou rápido em direção a Declan. Conan mal teve tempo de empurrar o amigo. Outros cipós assumiram a mesma forma e choveram em cima dos guerreiros. Conan usou sua espada em movimentos circulares, conseguindo bloquear todas as lanças-cipós. Declan ergueu o corpo de Thibaudea e o usou como escudo. Alguns cipós transfixaram o corpo de Thibaudea, matando-a instantaneamente. Os ataques pararam. A sacerdotisa petrificada voltou ao normal e desmaiou. A névoa dissipou-se e muitas pessoas começaram a chorar e a gritar, pois muitos haviam morrido. As sacerdotisas foram enclausuradas no mesmo alçapão onde haviam prendido os homens. Conan e Declan resolveram sair daquela aldeia. Nice foi despedir-se deles._Obrigada pelo que fizeram por nós, guerreiros._O que vão fazer com as sacerdotisas? — Declan quis saber._Ainda não sabemos. É a primeira vez que pessoas tão importantes e intocáveis são presas por prejudicar tantos. Elas ainda são nossas sacerdotisas, e nós também temos nossa parcela de culpa._Deixe-me lhes dar uma sugestão. Escutem seus homens sobre o assunto. Eles foram os mais prejudicados. — Declan opinou._Espero que tenham aprendido alguma coisa com tudo isso. — Conan falou reticente._O que, por exemplo? — Nice inquiriu.Conan a encarou em silêncio por alguns instantes, então respondeu._Que mesmo os deuses podem ser destruídos e vencidos. Às vezes por um simples homem. — Disse isso e montou em seu cavalo. — Vamos Declan, temos muito que cavalgar. — Conan começou a trotar para fora da cidade e deu um último olhar para a anciã Nice. Ela continuava de pé no meio da rua e deu um pequeno sorriso com o canto da boca. Conan já havia visto este mesmo sorriso antes._O que foi Conan? — Declan estranhou a sisudez do amigo._Esta aldeia é estranha Declan. Lembre-me de nunca voltar a este lugar. Mas se acaso não puder evitar, creio que terei que usar minha lâmina em gentis senhoras.Declan sorriu, interpretando errado o que escutara.Fim do Capítulo
Notas finais
Tentei ser lógica, mas mesmo Conan não poderia matar a sangue-frio mulheres idosas.
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