O Herói do Olimpo
20 "Sr.D" tenta me matar
Notas iniciais
Os campistas olhavam para a gente sem entender absolutamente nada. Afinal, Percy Jackson não deveria estar morto?
As parcas querem vê-lo sofrer antes de mata-lo. Sim, eu estou revoltado com o meu destino. Tá, já ser um meio-sangue é difícil, mas ter de lutar contra Gaia e Cronos? Pó, ser somente um meio-sangue chega a ser fácil diante ao o que eu estou tendo de passar.
Fora que a voz de Cronos não parava de falar em minha cabeça, e isso já estava me assustando. Não é legal ouvir a voz do senhor dos titãs o tempo todo.
Annabeth olhava diretamente em meus olhos, provavelmente vendo que algo estava errado em mim. O olhar dela perante a mim já começa a me incomodar. Aqueles olhos cinzentos pareciam te matar quando se fixavam em você. Isso não é nada legal. Mas isso tinha uma vantagem.
Harry estava com ciúmes do olhar de Annabeth. Ele também me fuzilava com o olhar, mas o dele não funcionava, não chegava nem perto de funcionar.
– Tá, chega. Por que você tanto olha ele, Annabeth? – Perguntou ele parando todos nós.
Apenas sorri com a cena que ele estava fazendo.
Annabeth virou o seu pescoço lentamente na direção de Harry. Ela estava claramente irritada com ele.
– Eu não vou lhe responder isso. – Disse ela, fazendo Harry ficar vermelho de raiva.
Comecei a rir, e parece que ele não gostou nem um pouco da minha reação.
– Por que você está rindo? – Perguntou ele se aproximando, tentando, em vão, me colocar medo.
Parei de rir e o encarei.
– Da sua cara. Por que? – Respondi me preparando para uma luta.
Ele não falou nada, somente mandou um soco em direção à minha cara. Somente sorri, ele teve exatamente a reação que eu queria.
Me abaixei do soco dele e o dei uma rasteira. Ele caiu com o traseiro no chão. Dei um pontapé na cabeça dele, o fazendo ficar deitado imóvel no chão.
Fiz ele se levantar usando toda a água do corpo dele, o fazendo ficar reto em minha frente.
– Eu estava querendo fazer isso há um tempo, mas eu estava no tártaro, então...
Dei dois socos na cara dele. Seu nariz começou a sangrar, junto aos cortes nos lábios. O joguei de volta no chão e olhei para todos ao meu redor.
Vários campistas pararam para ver a luta. Não demorou muito para que Quiron e o Sr.D saíssem da casa grande. Os dois me encararam com expressões inapagáveis.
– P..er...cy? – Gaguejou Quiron.
– É, eu mesmo.
– Di Immortales! – Exclamou o deus do vinho.
– Sim, eu sei, também não acredito que... – Eu ia dizendo, quando de repente, fui derrubado ao chão.
Me virei para ver Harry se levantando, furioso. Ele sorriu ao me ver no chão e logo partiu para cima. Seu pé ia de encontro a minha cara, quando minha mão se levantou rapidamente, fazendo o tempo parar instantaneamente.
Ri internamente. Não sei como eu fiz isso, somente sei que isso foi muito legal.
Me levantei e retirei a poeira das minhas roupas. Olhei ao meu redor e vi que todos estavam parados. O tempo estava congelado, levando todas as pessoas, com exceção a mim, junto.
Fixei o meu olhar em Harry. Ele estava em uma posição engraçada, seu pé mirava o chão com força, seus olhos estavam extremamente escuros, sua cara sangrava e o nariz estava fora do lugar.
Andei a passos largos até ele. Milhares de coisas que eu poderia fazer com ele passavam por minha cabeça. Optei por somente bater nele um pouco. A verdadeira graça estaria em uma luta, então...
Dei um pontapé em sua barriga, mas ele permaneceu no mesmo lugar, como se não o tivesse tomado. Dei um soco em sua cara, mas a mesma não se moveu.
Me afastei dele e comecei a pensar em como eu iria descongelar esse tempo. Não precisei pensar muito até que meu corpo me fez fazer o mesmo gesto com a mão, e instantaneamente todos voltaram ao normal.
Harry levou as mãos a barriga e ao rosto. Parece que ele havia sentido os golpes que eu havia feito nele, somente demorou um pouco.
Sr.D olhava incrédulo para mim.
– Como você fez isso, garoto?
– Isso é uma história engraçada. Não posso contá-la aqui, diante de todos esses campistas.
– Todos voltem para suas atividades, imediatamente! – Gritou Sr.D.
Logo todos nós fomos até a casa grande, onde Sr.D me pressionava constantemente para que eu começasse a falar.
– Certo, certo. Isso pode ser um pouco engraçado, mas é a verdade. – Depois contei toda a história do tártaro, somente não falando sobre os sonhos.
Sr.D e Quiron estavam completamente espantados. Algo desse tipo nunca havia acontecido com eles, mesmo vivendo há alguns aninhos.
– Está explicado o porquê da áurea estar bem maior – Sussurrou Quirom.
– Bem maior? Esse garoto agora possui uma áurea de um titã! E você diz que ela somente está maior? – Gritou Sr.D, completamente indignado. – Não podemos correr riscos com esse garoto.
Uma espada se materializou na mão dele. Instantaneamente levei minha mão ao bolso, e rapidamente saquei Contracorrente.
Cada um olhava para o outro, esperando o primeiro movimento que desse início a luta.
– Calme, Sr.D.. Percy não tem culpa disso, eu também não acho que Poseidon irá gostar de que o senhor o machuque. – Disse Quiron, tentando em vão, acalmar o deus do vinho.
Sr.D fingiu não o escutar. Ele avançou rapidamente, enquanto eu somente fiquei esperando o ataque dele. Olhei ao meu redor e vi que todos que estavam na casa grande iriam se machucar. Sem outra escolha tive de correr até a saída da casa.
Assim que saí de lá, Sr.D me alcançou, e como eu estava de costas, ele conseguiu penetrar sua espada em minha costas. Cai no chão totalmente incapacitado de me levantar.
Ele deu uma gargalhada estranha, não era a gargalhada dele, não tinha como ele soltar uma gargalhada feminina. E eu também conhecia aquela gargalhada... Gaia.
– Você foi muito fraco, Jackson. – Disse Sr.D, com a voz alterada. – Arriscar a própria vida para salvar os amigos? Aonde você quer chegar assim, garoto. Você poderia ter sido forte ao meu lado, mas não, você quer ser fiel aos seus amigos. Esse é o problema do seu defeito fatal.
Um terremoto, Percy, isso fará com que Gaia perca o controle sobre Dionísio.
Ergui minha mão para o chão.
– O que você acha que está fazendo? – Perguntou Gaia/Dionísio.
– Livrando Dionísio de você.
Concentrei todo o meu poder no chão. Pude sentir a terra por debaixo de mim. Torci para que desse certo, e fiz o terremoto.
– NÃO! – Gritou Gaia/Dionísio.
Logo o Sr.D caiu no chão, totalmente inconsciente. Depois foi a minha vez de desmaiar.
Acordei na velha enfermaria do acampamento. Lembrei da primeira vez que estive aqui. Sorri com a lembrança.
Olhei ao meu lado e encontrei um copo de néctar, recentemente enchido. Me perguntei quem havia o enchido, então a imagem de uma loira surgiu em minha mente, mas algo me dizia que não havia sido ela.
Para confirmar minhas suspeitas, uma morena de olhos incrivelmente azuis entrou na sala, olhando diretamente para mim. Olhei para trás, pensando que ela estaria olhando para alguém ou algo atrás de mim, mas não, ela realmente havia fixado o olhar em mim.
Ela andou em passos pequenos até a minha cama. Ela se sentou em minha cama e pegou o copo com o néctar, dando um extenso gole.
– Pra você tem gosto de que? – Perguntou ela.
– Hm... das comidas azuis de minha mãe. – Respondi.
– Eu sinto o gosto do suco de morango do meu pai.
Depois disso um silêncio desconfortável se preencheu. Eu a encarava, tentando decifrar de quem ela seria filha...
– Então... – Falei, tentando retirar aquele silêncio.
– Ah, sim, claro, como pude esquecer, eu sou Ashley Clark, filha de Afrodite.
– Hm... Sem querer ser groso, mas por que você está aqui?
– Me ofereci a Quiron para poder cuidar de você e ele aceitou.
Resolvi não fazer mais perguntas. Afinal, ela estava cuidando bem de mim, e ela também parecia ser um pessoa legal.
– Bem, eu quero ver como as coisas estão por ai. – Falei me levantando.
– Você vai ficar ai deitado. – Afirmou Ashley.
Instantaneamente o meu corpo voltou até a cama. Charme das filhas de Afrodite. Alguns minutos depois, recobrei a consciência e tentei me levantar, mas o meu corpo não respondia aos meus comandos. Me lembrei sobre um livro que eu li um dia (Sim, eu já li livros.) sobre habilidades de semideuses, nele falava sobre um charme que quando usado, só poderia ser desfeito por quem o fez.
– Você é do mal. – Falei para Ashley.
– É para o seu próprio bem. Quiron disse que você teria de ficar aqui um tempo, mas não se preocupe, eu vou ficar aqui com você, não acho que seja legal ficar sozinho nessa enfermaria.
Ela tinha razão, não era nada legal ficar sozinho nesse lugar.
– Bem que podia ter uma TV aqui. – Comentei.
– Mas tem, somente tem que pedir para algum filho de Hecáte para faze-la aparecer.
– Uau, essa é nova. Então vai atrás de algum, não quero ficar sem fazer nada aqui. – Falei abanando a mão em direção a saída.
– Tá, tá, calma, apressado. – Respondeu ela saindo.
Olhei para cima e fechei os olhos, mas não dormi. Minutos depois ela voltou com um filho de Hecáte. Ele me olhou surpreso mas logo fez aparecer uma televisão de 52 polegadas. Ele saiu assim que fez a TV aparecer.
Sorri para Ashley.
Logo ela estava deitada na cama da minha direita. Nós estávamos assistindo um filme com comedia, então nós riamos sem parar. Ficamos por lá cerca de umas 5 horas, até que ela se levantou.
– Bem, eu tenho canoagem agora. Até mais, Percy.
Não deu tempo de responder. Voltei o meu olhar até a televisão, mas eu apaguei em questão de segundos.
Acordei sentindo a presença de alguém ao meu lado. Me lembrei de Ashley e logo deduzi que era ela.
– Hey, Ash... – Deixei a frase morrer no ar, porque não era ela que estava lá.
Annabeth me fuzilou com o olhar após eu falar “Ash”.
– Oi, Annabeth.
– Perseu. – Respondeu ela fria.
Encolhi os ombros. Ela conseguia ser mais assustadora do que Gaia.
Um silêncio preencheu o ambiente, mas logo ele terminou, pois a porta da enfermaria se abriu, aparecendo Ashley e Nancy discutindo intensamente.
Annabeth e eu olhamos a cena com um expressão de riso. As duas estavam quase saindo no tapa.
– Tá, tá, por mais que eu acha que Nancy deva levar uns bons socos, não quero levar sermão de Quiron, então, chega. – Falei me levantando.
Mas elas fingiram não me ouvir. Suspirei. Tive de usar a água do corpo delas para faze-las parar.
Elas se olharam, cada uma com um olhar mortal, e se viraram subitamente para mim.
– Quiron está te chamando. – Disseram elas em uníssono.
Apenas assenti com a cabeça e saí da enfermaria.
Os campistas apontavam para mim e cochichavam coisas. Somente dei de ombros, da última vez tinha sido igual.
Assim que entrei na casa grande, um velho “amigo” meu voltou a dizer sobre mim. Logo a voz de Rachel se triplicara. Ela me olhou e recitou as palavras:
– Irá atrás do objeto perdido
Ajuda de três amigos terá
Seu coração será disputado
E no fim, retornará sem dúvidas
– Ok, Delfos, eu também te amo, cara, não se preocupe. – Brinquei.
Mas eu nem terminei uma maldita profecia que eu já estou em outra.
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