O Herói Da Profecia Incompleta!
1 Ossyria, o continente esquecido
Notas iniciais
Seu passado inapagável o assombrava toda a noite. Seus arrependimentos o assombravam. Seus piores erros eram jogados na sua mente toda vez que ele fechava os olhos. Seus piores erros, o tornariam um vilão se alguma pessoa descobrisse todos os seus segredos, agora não tinha nenhuma pessoa que havia presenciado sua verdadeira história, os registros foram destruídos com o tempo.
Seiscentos anos... A imortalidade era uma maldição, mesmo tendo o título de herói, ele saberia que todos os pecados não poderiam ser esquecidos, nunca mais. Sua maldição, vulga imortalidade, o assombrava. O famoso "herói" não poderia ter uma vida normal, nunca mais. Não poderia se apaixonar, pois sua amada envelheceria, adoeceria e faleceria com o tempo, e o herói? Continuaria igual, como sempre. A solidão era a única forma de não conseguir mágoas maiores, sabia o quão doloroso era perder seus amigos e sua amada.
Cada segundo passava lentamente para ele, como se ainda tivesse que esperar mais séculos para ser libertado de sua maldição almejada por todos os guerreiros, sem exceções. Suas memórias nunca poderiam ser esquecidas, nunca. Havia matado muitos inimigos e alguns seres inocentes por sua desconfiança desnecessária. O sangue dos inocentes cobria sua alma repleta de cicatrizes profundas. Herói? Não, apenas um gladiador descontrolado e poderoso, que conseguiu completar uma grande façanha: selar Cazeaje, a grande rainha das trevas.
— Que merda... — bufou, fitando a lua cheia. — Por quê eu fiz todas essas coisas? Eu matei a noiva do meu melhor aprendiz e depois também o matei... Qual era mesmo o nome dele? Ah... Era Gaicoz... Grande homem. — Lembrou-se do melhor aluno. — Por quê eu matei aquela asmodiana? Sendo que deveriamos ceder o espaço, eles mereciam. Ambos os lados conquistaram mortes desnecessárias... Eu sou um grande idiota...
Bufou. Sua última lamentação foi interrompida por um chamado, um grito impaciente por seu nome. Era ela. A garota que ele vivia incomodando por ela o lembrar sua amada. Seu nome? Elesis.
— Sieghart! — Depois do herói ignorá-la duas vezes, ela se aproximou. — Sieghart?!
E então, ele não pode ignorá-la. Bufou de raiva, mudando a expressão de seu semblante triste para a expressão de um grade idiota orgulhoso.
— O que foi, ruivinha? — Perguntou. Elesis estava quase pulando no pescoço dele, iria tentar matá-lo por estrangulamento, mesmo que ele não morresse.
— O Lass e a Lire voltaram, eles conseguiram se infiltrar no templo da luz. — Sorriu, estava feliz pela vitória. Sua raiva havia sumido rapidamente, algo raro de se ver.
— Eu já vou.
— Não se esqueça, que a comandante Lothos deseja falar com você.
— Eu já disse que eu já vou! — Gritou, pela primeira vez, contra a garota.
Elesis nunca havia o visto daquele jeito. Aquele "babaca" sempre era o orgulho entre os sete pecados, e agora... Mal lhe restava ar para poder rir de uma forma sarcástica e irritante com o objetivo de irritar a ruiva. Ela saiu, pensando sobre aquilo.
— Como eu sou um idiota... — Murmurou. Pegou sua lâmina. Estava cansado da Grand Chase, no fim todos eles morreriam mesmo, e ele sofreria com a morte dos queridos amigos. — Partirei hoje de madrugada... — Espreguiçou-se. — Tudo vai ficar mais fácil, como antes...
Eram exatas três e meia da madrugada. O moreno estava pronto, não precisava de malas, tudo que ele precisava era de suas roupas para se proteger do frio e sua lâmina. Antes de partir do acampamento que a Grand Chase havia montado, deu uma última olhada para trás. Suspirou voltando ao lugar. Entrou em sua cabana, ele dormia sozinho ali, sozinho como sempre foi e será novamente. Começou a escrever uma carta.
"Amigos da Grand Chase,
É hoje que eu me despeço de todos vocês. Não direi o porquê, afinal isso é tão óbvio. Ficarei sozinho, como sempre fiquei e sempre ficarei. Adeus, fico grato a cada um de vocês. Cuidem de Xênia, os Deuses precisam de vocês. Peço para tomarem muito cuidado na floresta da vida, nossa próxima missão.
Adeus, Grand Chase."
E a carta terminava ali, largou-a no centro da cabana, bem visível para todos que entrarem ali o procurando. Um sorriso sarcástico brotou dos seus lábios, sua lâmina parecia estar ansiosa para ser aberta novamente com poder total. Partiu, aos poucos ele saiu do acampamento. Voltaria para o começo de Xênia e partir, ignoraria o templo da luz, onde Lass e Lire poderiam ter uma certa influência, buscaria por um atalho. O lado bom é que Periett, Juriore, Zig e Samsara estavam libertados do mal que rondava em Xênia. Sieghart realmente teria pouco trabalho.
Dias depois...
Estava exausto, depois de horas incontáveis caminhando, havia se perdido, típico de um herói idiota sem senso de direção. Seus lábios estavam secos, sua garganta estava seca e doía. Depois de sair de uma grande mata quase inconsciente, desmaiou ao achar o fim, todavia aquele dia não era o dia de sorte do imortal, que caiu rolando em um barranco e logo após saiu do continente de Xênia, caindo em terras completamente desconhecidas. Acordou com uma chuva fraca, que matou um pouco de sua insaciável sede. O ângulo da lua de lá era belo, de fato. Ouviu rosnado, gritos de angústias de criaturas que ele não conseguiu reconhecer. Engoliu seco, não estava em condições para lutar, mas torcia para que aquelas criaturas fossem mais fracas do que alguns monstros da floresta dos desafios. Ouviu passos de alguém. Levantou-se e tentou fugir, mancando. Aquela altura que ele havia caído era mortal, só havia sobrevivo pelo simples fato de ser imortal. O ser se revelou.
Um homem de madeixas negras — assim como as de Sieghart — surgiu, seus olhos eram azuis, um azul que lembrava o lindo céu de um dia de primavera, era moreno. Ele era um pouco mais alto que Sieghart. Ele tinha uma longa cicatriz no ombro que estava a mostra — graças a manga da camisa do ser estar rasgada -.
— Quem é você? Um soldado de Mephisto? — Indagou a voz, aproximando-se do herói como se ele fosse um lixo.
— Mephisto? Quem é esse? — Murmurou Sieghart.
— Não se faça de idiota, seu lixo.
— Lixo?! Sabe quem eu sou?!
— Sim, um lixo. Um lixo ambulante... Que será morto por mim. — Disse sacando uma arma estranha, era similar a uma daquelas que Lass usava, eram várias lâminas juntas, elas flutuavam. O ser era coberto por uma espécie de magia enquanto arrumava as lâminas em um único e ágil movimento e lançou vários tiros de energia contra Sieghart. — Eu sou Sollyer, o último Calnatiano. Você irá cair, soldado de Mephisto.
— Sollyer?! Sollyer, sou eu! Sieghart! É impossível... Como você está vivo? — Indagou-lhe após ser atingido.
— Sieghart?! Eu é que lhe pergunto, pensei que Duel havia te matado! — Sorriu preocupado.
— Eu acho que acabei esquecendo de te contar que eu sou imortal.
— Imortal? Mas como... Você está tomando a poção Eternus Apocalypse?! Ela é proibida!
— Não. Nem sei o que é essa poção, mas como você conseguiu viver até agora? Que eu me lembre você não era imortal. — Indagou curioso, era uma grande felicidade para ele ver um velho amigo que sempre achou que estivesse morto estar vivo.
— É que... Algo estranho me atingiu, e então uma voz me perguntou se eu gostaria de continuar vivendo... E você já deve saber a resposta. Vamos, o acampamento do Cygnus deve estar pronto.
— Cygnus?
— Nosso líder, eu estou dentro de uma resistência, Sieghart. Quero libertar este povo das garras daquele tirano, Mephisto Cross, o antigo líder das primeiras tropas de Calnat.
— O quê?! É desse Mephisto que você estava falando?! Aquele que se aliou ao Duel e traiu seu povo?! Aquele que causou aquela explosão junto com Duel? O meu... antigo rival?!
— Pode crer que sim. Vamos logo, Sieghart, Cygnus irá ficar feliz em ter uma lenda junto de nosso grupo.
— Ok... — Sussurrou despreocupado.
Um uivo dos grandes foi ouvido, e Sollyer começou a olhar para os lados, preocupado. Ele começou a andar um pouco com pressa, puxando Sieghart.
— O que foi? — Sorriu preocupado.
— É o caçador favorito de Mephisto, Wolf Slayer, ele é um soldado irracional, um burro bruto que vive com lobos legendários...
— Os Salvatore Wolf? Eu sempre achei que fosse um mito!
— Exatamente. Sempre foram mitos. Wolf Slayer é... O ilusionista mais forte do mundo, os Salvatore Wolfs são as ilusões reais mais poderosas dele... Ele só obedece Mephisto como um cachorrinho é com o dono. — Explicou enquanto se aproximava do lugar.
— Se você não estivesse tão sério nesse momento, eu diria que está sendo irônico.
— Continua o mesmo idiota orgulhoso de sempre, não é? Ainda bem, fico feliz em ver que você não mudou, velho amigo. Vamos pegar um atalho, seria uma merda se aquele cachorro nos farejasse e invadisse o acampamento. — Mencionou.
Sollyer fez estranhos símbolos com as mãos e abriu uma espécie de passagem secreta no chão, assim que eles entraram na passagem um raio de luz azul surgiu e eles foram teletransportados para uma espécie de porão subterrâneo.
— Chegamos? — Perguntou o herói de Vermécia.
— Chegamos. — Respondeu-lhe.
— Falando nisso... Que continente é este? — Sorriu preocupado.
— Ossyria, o continente perdido, que os Calnatianos descobriram pouco antes de Calnat virar ruínas... Eles abriram os civis e as crianças aqui, porém metade foi morta por Mephisto e a outra metade foi morta pelos animais macabros desse lugar...
— Nunca ouvi falar!
— Exatamente, por isso que é chamado de continente perdido por nosso grupo e, até mesmo, pelo crápula do Mephisto. — O calnatiano imortal riu baixo.
— Ei! Eu não sou o mesmo idiota de sempre, eu cresci e amadureci. — Sieghart estava emburrado.
Sollyer abriu a porta, e entraram em um salão humilde, mas elegante. Tinha um trono no fundo da sala, e lá estava sentado Cygnus, o líder deles. Cygnus era alto, tinha cabelos vermelhos que chegavam aos seus ombros, e a franja cobria um pouco seus olhos. Cygnus tinha por volta de 1,82 metros de altura. Ele estava com um leve sorriso irônico e sério ao mesmo tempo, enquanto do outro lado de sua face, seus lábios carregavam um cigarro, ele estava fumando.
— Cygnus, chegamos. Eu encontrei um velho amigo, um herói. Ele é o lendário Sieghart. — Pronunciou alto, ajoelhando-se.
— Sieghart? Aquele que selou a lendária rainha das trevas, Cazeaje? — Perguntou desinteressado, enquanto recebeu um leve sim como resposta de Sollyer.
— Ele não parece ser o tal...
— O que?! Ora, seu...
— Silêncio, Sieghart, se atacar Cygnus, receio que eu não poderei lhe perdoar, estaria contribuindo com Mephisto. — Sussurrou Sollyer segurando o amigo.
— Eu sou Sieghart, aquele que viveu seiscentos anos até agora, aquele que derrotou e selou Cazeaje. Muitos me chamam de herói. Eu quero... Eu quero ajudar seu povo, Cygnus. Eu sei como é perder todos os seus amigos por pura vontade dos meus inimigos... Desde que aceitei essa maldição, fiquei grande parte do meu tempo solitário, sabendo que um dia tudo e todos a minha volta iriam morrer tragicamente... Eu não quero deixar isso tudo acontecer... Dessa vez, eu tentarei impedir! — Sieghart terminou seu discurso.
Cygnus apenas aplaudiu levemente, dois aplausos apenas. Um sorriso sarcástico cresceu dos lábios de Cygnus, aquele realmente era Sieghart. Ninguém sabia se ele havia derrotado Cazeaje mesmo, apenas que a havia selado. Afinal, Cazeaje poderia estar ganhando a luta e Sieghart a selar quando estava prestes a ser derrotado? Poderia. Se ele tivesse uma estratégia boa ele poderia. Cygnus começou a pensar.
— Pelos meus cálculos, há setenta e cinco porcento de chances de que você não derrotou Cazeaje, mas há selou quando estava quase sendo derrotado. Estou certo? — Perguntou com um sorriso ainda mais irônico.
— Sim, está. — Respondeu o herói da grande e conhecida Vermécia.
Sieghart estava com um pouco de vergonha no olhar, aqueles boatos que ele tanto se orgulhava de ter derrotado Cazeaje sozinho eram falsos, ele apenas a selou quando estava prestes a ser derrotado.
— Muito bem... Bem-vindo à X-Blazer!
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