Notas iniciais
Oi galera! Bom, essa é a minha primeira fanfic de Percy Jackson. Não recomendo que você leia se não tiver terminado "O Sangue do Olimpo". Não tem spoilers, exatamente, mas a história se passa depois do último livro, e algumas cenas podem ficar confusas se você não souber como a história original termina.Espero que aproveitem a leitura!

Muito bem... minhas últimas palavras. Meu nome é David. David Matt Willer, 17 anos. Não tenho nada pra deixar de herança. Pai e mãe, amo vocês. E agora estou aqui, prestes a ser destroçado e devorado por uma criatura enorme, com braços peludos, muitos olhos e que, pela visão dos dentes, nunca deve ter ido ao dentista.

Hein? Ah, como que eu me meti nessa roubada? Olha, sabe que não é difícil explicar? Tudo começou quando eu ainda tinha uma vida comum, como qualquer cara deveria ter, ou seja, até hoje de manhã.

Era pra ser mais um dia como outro qualquer. Primeiro dia de aula, escola nova que, muito provavelmente, não daria certo (como as cinco antes dessa). Quando acordei ainda eram seis e pouco da manhã. Fui fazer minha higiene matinal e me olhei no espelho. O mesmo David de sempre. Cabelo castanho escuro, olhos verdes escuros, alto, magro, pele meio bronzeada. Voltei ao meu quarto e olhei pela janela de casa. A rua estava calma como sempre, naquele subúrbio entre Nova Iorque e o aeroporto mais próximo. Belas casas bem construídas, com murinhos de pedra ou cerca viva, carros estacionados, um lugar bem legal pra chamar de lar.

Vesti as primeiras roupas limpas que achei no armário. Camiseta branca estampada, camisa azul desabotoada, calça jeans, botas marrons com detalhes em vermelho. Fiquei fazendo alguns desenhos até umas sete e quinze, quando meus pais me chamaram para o café da manhã. Minha mãe colocou um prato com ovos mexidos e salsichas na minha frente, junto com um copo de suco e um pedaço de bolo de cenoura.

– Coma direitinho, querido! – ela disse. – Vai precisar de forças para o primeiro dia de aula.

– Pelo amor de Deus, Camile! – meu pai retrucou. – David já tem dezessete anos. Pode parar de tratá-lo como criançinha.

– Pois mesmo que tivesse cinquenta e sete, Robert! David será sempre o meu garotinho!

Tudo bem, tentar tomar café da manhã com a sua mãe dizendo que você sempre será o “garotinho dela” é absurdamente constrangedor, mesmo pra um ambiente familiar. Olhei para o meu pai, como dissesse “Por tudo que é mais sagrado, faça ela parar!!”. Meu pai só pode me olhar com cara de pena. Grande ajuda. Depois desse “Momento Paga-Mico”, tomamos café vendo o jornal matinal e comentando uma ou outra notícia, até que meu pai se virou para mim.

– David, quero dizer algo muito importante. Sabemos que você pode estar desconfortável em ir para outra escola, mas quero que saiba que, mesmo que essa não dê certo, vamos continuar tentando. Mesmo que tenhamos que mudar para sabe-se lá onde. Não vamos desistir de você, meu filho.

Esse era o meu pai. Sempre do meu lado, independente das circunstâncias. Quando eu era expulso de alguma escola, seja qual fosse o motivo, ele sempre me defendia, dizendo que a escola que era péssima, que não sabia dar apoio a um adolescente ou que não reconheciam o quanto eu era “especial”. Minha mãe se limitava a olhar para os diretores com cara séria e fazendo “sim” com a cabeça.

– Valeu, pai. Não vou decepcionar vocês.

– Você nunca vai nos decepcionar, querido. – minha mãe disse, acariciando meu braço. – E lembre que, não importa o que os outros digam, você é e sempre será nosso filho.

É, tinha isso também. Eu sou adotado. Fiquei em um orfanato até os sete anos, quando os meus pais, Robert e Camile, me adotaram. Mas nem eles e nem o pessoal do orfanato sabiam qualquer coisa sobre os meus pais biológicos ou sobre como eu tinha chegado ao orfanato. Eles disseram que uma noite, eu simplesmente estava lá, em um cesto com o meu primeiro nome escrito nele. Tipo, Puf!, parabéns! Você acaba de receber um bebê David! Aproveite! Vez ou outra, algum idiota na escola vinha me torrar a paciência com piadinhas a respeito disso. Às vezes eu conseguia ignorar. Às vezes eu apelava pra ignorância. Mas eu sempre amei meus pais adotivos.

Terminei de comer e lá pelas oito horas, peguei a mochila e fui para a escola. Não era muito longe de casa, só uns dez ou quinze minutos de caminhada. Quando já estava chegando lá, ouço uma voz atrás de mim.

– Olá!

Me viro pra encarar um garoto desconhecido. A pele era marrom, como chocolate, os olhos castanhos brilhavam de entusiasmo, e os cabelos curtos e encaracolados. Ele usava um grande casaco azul aberto, camisa amarela com o desenho de uma árvore onde se lia “Salvem as Florestas Tropicais”, calça jeans, tênis vermelhos e uma boina preta, dessas que a gente vê pintores usando em desenhos animados. Devia ter a minha idade, mas já tinha barba.

– E aí? – eu respondi, meio desconfiado.

– Tá indo para o Colégio Modik?

– É.

– Legal! Estou indo pra lá também. Pelo menos vou ter algum conhecido agora. A propósito, meu nome é Ress Riverplain.

– Muito prazer, eu sou David Matt Willer.

Apertamos as mãos e continuamos andando até o colégio. Ress me contou que era o primeiro dia dele também, e que, então, tinhamos sorte. Dois novatos juntos conseguem sobreviver melhor do que um. Não posso dizer que tenha experiência própria nisso, afinal nunca fiquei tempo o bastante em nenhuma escola pra fazer amigos. Notei que Ress andava de um jeito meio torto, como se a calça estivesse muito apertada e não deixasse ele mover as pernas direito, mas preferi não comentar. Vai que era um assunto mais delicado do que um problema de vestuário?

Assim que chegamos no Colégio Modik, vimos várias listas com nomes de alunos e em qual sala iriam ficar. Ress e eu ficaríamos na mesma sala, o que me pareceu algo muito bom. Tá, eu só conhecia o cara há cinco minutos, mas me pareceu ser boa gente. Perguntamos a um dos funcionários onde era a nossa sala e ele nos deu as direções. Segundo andar, primeira porta à esquerda. Depois de um tempo subindo as escadas (porque Ress estava com um pouco de dificuldade), entramos na sala e nos sentamos em duas carteiras ao fundo. Dei uma olhada rápida ao redor, vendo as outras pessoas com quem eu iria estudar. Já tinham alguns grupinhos formados, provavelmente, porque já tinham estudado juntos nos anos anteriores. Parecia exatamente com as escolas que tinha frequentado até ali, até que notei um cara no outro canto da sala. Tinha olhos e cabelos escuros, um corpo meio... roliço e vestia uma camisa (meio pequena pra ele, por sinal), em que se lia “Estou com um idiota”, com uma flecha apontando pro lado esquerdo. O mais assustador? Ele tava me encarando.

Notas finais
E é isso aí, pessoal. O que acharam? Comentem, por favor! Se quiserem, mais pra frente eu posto junto com o desenho que fiz do David, quando o criei para a história!